Helenira Rezende

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Helenira Rezende
Nascimento 19 de Janeiro de 1944
Cerqueira César, Brasil
Morte 29 de setembro de 1972 (28 anos)
região do Araguaia, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação guerrilheira
Influências

Helenira Rezende de Souza Nazareth, conhecida como "Preta", e de codinome: Fátima(Cerqueira César,19 de janeiro de 1944 - Araguaia, 29 de setembro de 1972), foi uma guerrilheira brasileira, militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e integrante da Guerrilha do Araguaia, que desapareceu durante a ditadura militar brasileira. É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascida na pequena cidade de Cerqueira César, no interior paulista, Helenira Rezende de Souza Nazareth era filha de Adalberto de Assis Nazareth e Euthália Rezende de Souza Nazareth. Com apenas 4 anos de idade mudou-se com a família para a cidade de Assis, onde passou parte da infância e toda adolescência e foi onde concluiu o Curso Clássico (atual Ensino Médio) na EEPSG Prof. Clibas Pinto Ferraz. Em Assis, jogou basquete pela seleção e foi medalhista em salto a distancia, destacando-se como excelente atleta da região da Alta Sorocabana.

Desde muito cedo, fizeram parte da vida de Helenira a religião e a política, materializados nos sermões do padre na Igreja e a figura de orador político do pai, que, além de médico e jornalista, era membro do Partido Comunista. Depois que o partido foi declarado ilegal, em 1947, a família se mudou para a cidade em que Helenira nasceu. A menina lia os livros do pai e participava todos os dias de discussões com os pais e as cinco irmãs, além da tia, também comunista. O pai contava historias do movimento estudantil da Bahia, onde nasceu, e como os militantes driblavam a repressão policial.

Foi dessa maneira que Helenira começou a politizar-se e a criar suas próprias opiniões. A preocupação com questões sociais e a dedicação ao estudo do marxismo contribuíram para que fosse uma liderança no meio estudantil de sua cidade, tendo sido a primeira presidente e fundadora do Grêmio Estudantil da escola Prof. Clibas Pinto Ferraz. Uma sala da escola era utilizada para debates entre os alunos sobre parlamentarismo e presidencialismo.

Helenira desejava tornar-se critica literária e assim resolveu estudar em São Paulo, onde já estudavam suas irmãs. Na capital paulista, começou a cursar Letras na Faculdade de Filosofia da USP, à época na rua Maria Antonia. Foi na Universidade que sua participação politica intensificou-se. A jovem colocava em circulação posições avançadas para o período. Ministrava aulas de Português em duas escolas, uma no Jardim Japão e outra em Guarulhos. Com os alunos, preparava peças de teatro consideradas subversivas na época.

Em 1968, tornou-se vice-presidente da UNE. [1]

Desaparecimento e morte[editar | editar código-fonte]

Helenira foi presa pela primeira vez em maio de 1968, quando conclamava alguns colegas a participarem de uma passeata. Posteriormente, veio a ser presa no 30ºCongresso da UNE, em Ibiúna (SP), como outros 800 estudantes. Ela conseguiu entregar a um transeunte uma mensagem, que chegou a sua família. Para os policiais, ela era uma das líderes do movimento e, assim, foi transferida do Presídio Tiradentes ao DOPS, onde foi jurada de morte pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. Um policial que atuava como mensageiro entre o DOPS e o Cambuci, bairro onde a família de Helenira morava, e a advogada Maria Aparecida Pacheco conseguiu contato direto. Depois de transferida ao Presídio de Mulheres do Carandiru, Helenira conseguiu um habeas corpus e foi solta, na véspera da edição do AI-5.

Sem recursos, Helenira passou a viver na clandestinidade. Uma de suas irmãs havia conseguido um contato que poderia encaminhar a militante para o exterior. Ela não aceitou. Vivendo em diversas localidades, Helenira chegou ao Araguaia, onde se formava a conhecida Guerrilha, no sudeste paraense, onde a chamavam de Fátima. Seu nome, pela liderança e coragem, foi dado ao destacamento a qual pertencia. Helenira morreu em uma emboscada feita a um grupo do Destacamento A da Guerrilha em 29 de setembro de 1972.[2]

O dirigente do PCdoB, Ângelo Arroyo, relatou o que aconteceu no documento que ficou conhecido como Relatório Arroyo:

“No Destacamento A, o inimigo não conseguiu estabelecer contato com os guerrilheiros. Movimentou-se na área, sem resultado. O comando do destacamento tentou, também sem resultado, realizar operações de fustigamento. No dia 29 de setembro, houve um choque que resultou na morte de HeIenira Resende (Helenira Resende de Souza Nazareth). Ela, juntamente com outro companheiro, estava de guarda num ponto alto da mata, para permitir a passagem, sem surpresa, de grupos do destacamento. Nessa ocasião, pela estrada, vinham tropas. Como estas acharam a passagem perigosa, enviaram "batedores" para explorar a margem da estrada, precisamente onde se encontrava HeIenira e o outro companheiro. Este, quando viu os soldados, acionou a metralhadora, que não funcionou. Ele correu e Helenira não se deu conta do que estava sucedendo. Quando viu, os soldados já estavam diante dela. Helenira atirou com uma espingarda 16. Matou um. O outro soldado deu uma rajada de metralhadora que a atingiu. Ferida, sacou o revólver e atirou no soldado, que deve ter sido atingido. Foi presa e torturada até a morte. Elementos da massa dizem que seu corpo foi enterrado no local chamado Oito Barracas. A morte de Helenira causou grande indignação.” [3]

O Comunicado 6 das Forças Guerrilheiras do Araguaia também cita sua morte: “[...] foi morta no dia 28 set. 72, no Pará”. Um outro documento, assinado pelo comandante da 3ª Brigada de Infantaria, general Antônio Bandeira, “[...] ação de patrulhamento, em 28 Set. 72, executada por 1 GC na R do Alvo teve como resultado a morte da terrorista Helenira Rezende de Souza Nazareth ‘Fátima’ (Dst A ― Grupo Metade)”.

O Ministério Público Federal (MPF) em seu “Relatório Parcial da Investigação sobre a Guerrilha do Araguaia”, de janeiro de 2002, concluiu:

"Fátima: Helenira Rezende foi vista por um depoente, baleada na coxa e na perna, sendo carregada em cima de um burro de um morador da região, próximo à localidade de Bom Jesus. Outro depoente ouviu referências de que Fátima foi vista na base de Oito Barracas. E um terceiro conta que ouviu falar ter Fátima chegado já morta em Oito Barracas, em função de ferimentos. Em fragmento de um relatório aparentemente oficial, há registro de que Fátima teria sido morta em setembro de 1972."[4]

Seu corpo, que segundo camponeses teria sido enterrado no local citado por Arroyo, conhecido como 'Oito Barracas', nunca foi encontrado e oficialmente é reconhecida como 'foragida' pelas Forças Armadas.

Homenagem Póstuma[editar | editar código-fonte]

Em 2012, a Associação de Pós-graduandos da Universidade de São Paulo, prestou uma homenagem a Helenira, rebatizando a entidade como Helenira "Preta" Rezende, relembrando o passado de lutas da militante. [5]


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]