Helter Skelter

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"Helter Skelter"
Canção de The Beatles
do álbum The Beatles
Lançamento 22 de novembro de 1968
Gravação Abbey Road Studios
18 de julho, 9 de setembro de 1968
Gênero(s) Hard rock, heavy metal
Duração 4:29 (LP estéreo)
3:38 (LP mono)
Gravadora(s) Apple Records
Composição Lennon/McCartney
Produção George Martin
Faixas de The Beatles
Lado um
  1. "Back in the U.S.S.R."
  2. "Dear Prudence"
  3. "Glass Onion"
  4. "Ob-La-Di, Ob-La-Da"
  5. "Wild Honey Pie"
  6. "The Continuing Story of Bungalow Bill"
  7. "While My Guitar Gently Weeps"
  8. "Happiness Is a Warm Gun"
Lado dois
  1. "Martha My Dear"
  2. "I'm So Tired"
  3. "Blackbird"
  4. "Piggies"
  5. "Rocky Raccoon"
  6. "Don't Pass Me By"
  7. "Why Don't We Do It in the Road?"
  8. "I Will"
  9. "Julia"
Lado 3
  1. "Birthday"
  2. "Yer Blues"
  3. "Mother Nature's Son"
  4. "Everybody's Got Something to Hide Except Me and My Monkey"
  5. "Sexy Sadie"
  6. "Helter Skelter"
  7. "Long, Long, Long"
Lado 4
  1. "Revolution 1"
  2. "Honey Pie"
  3. "Savoy Truffle"
  4. "Cry Baby Cry"
  5. "Revolution 9"
  6. "Good Night"

"Helter Skelter" é uma canção dos Beatles composta por Paul McCartney, creditada à dupla Lennon-McCartney, e lançada no álbum The Beatles ou "Álbum Branco" de 1968. É considerada por muitos como a primeira música de Hard rock/Heavy metal da história.

Origens da Criação[editar | editar código-fonte]

Paul estava na Escócia, lendo uma edição de 1967 da Melody Maker, revista especializada em música, quando leu uma entrevista do guitarrista Pete Townshend, dizendo que o último single "I Can See For Miles," era a canção mais alta, suja e barulhenta que o The Who já tinha feito. Porém quando Paul foi ouvi-la, ele percebeu que não era tão barulhento assim. Ele julgou sendo um "barulho organizado," e tratou de compor essa canção tentando fazer a sua própria ópera barulhenta e suja.

Helter skelter é o nome de um brinquedo britânico muito popular, que consiste em um tobogã em formato de espiral. Paul fala sobre no livro "Many Years From Now" de Barry Miles: "Eu usei o símbolo do brinquedo helter skelter como uma ida do topo para o fundo – a ascensão e queda do Império Romano – e esta era a queda, a decadência, a ida para o fundo. Você pode pensar que é um título bonitinho, mas é tido como referência, desde quando Manson tomou como um hino, quanto as versões que as bandas punks faziam por ser um rock sujo."

Além disso, o termo helter skelter pode significar também confusão, algazarra, desorganização.

Letra[editar | editar código-fonte]

A letra sem muito sentido fala sobre o brinquedo: "Quando eu chego ao chão, eu volto para o topo do escorregador, onde eu paro, me viro e saio para outra volta até que eu volte ao chão e te veja novamente."

Em alguns trechos ele parece estar falando sobre uma garota de programa: "Você não quer que eu te ame? Estou descendo rápido, mas estou a milhas de você/ Vamos me diga a resposta/Você pode ser uma amante, mas você não é uma dançarina."

Nos Estados Unidos, o termo "helter skelter" é muito conhecido. Charles Manson dizia que a música "Helter Skelter" continha profecias de uma apocalíptica guerra racial.

No projeto "The Beatles Anthology" Paul disse: "Manson nos interpretou como ‘os quatro cavaleiros do Apocalipse.’ Eu ainda não entendo qual foi a jogada; é sobre a Bíblia, Revelação – Eu não li então eu não sei. Mas ele interpretou a coisa toda. Nós éramos os cavaleiros, Helter Skelter era a mensagem, e ele achou que podia sair e matar todos por aí."

Entre os dias 9 de agosto e 10 de agosto de 1969, a "família Manson" cometeu duas chacinas em Hollywood e escreveu nas paredes "Helter Skelter" com o sangue das vítimas. Durante o julgamento de seus crimes, em novembro de 1970, Manson explicou sua interpretação de "Helter Skelter" na corte: "Helter Skelter significa confusão. Literalmente. Não significa Guerra com ninguém. Não significa que eles irão matar outras pessoas. Apenas significa o que significa. Helter Skelter é confusão. Confusão está vindo rápido. Se você não vê que a confusão está vindo rápido, chame do que quiser. Não é minha conspiração, não é minha música. Eu escuto o que relato. Ela diz, ‘Apareça!’ ela diz, ‘Mate!’ Porque me culpar? Eu não escrevi a música. Eu não fui a pessoa que projetou isso na consciência das pessoas."

John disse em entrevista a Rolling Stone em 1970: "Costumávamos tirar sarro disso ou daquilo, de uma maneira não ofensiva, do que um intelectual via na gente ou um símbolo da geração jovem veria algo nisso…" E sobre a canção, "… Mas eu não sei o que ‘Helter Skelter’ significava, pra mim era só barulho."

Gravação[editar | editar código-fonte]

Os Beatles gravaram a canção em múltiplas sessões. Durante 18 de julho, a versão da canção durou 27:11, apesar dessa versão ser lenta e hipnótica, diferenciando muito da força da canção original. Outra versão de 4:37 foi editada para o Anthology 3, que originalmente era 20 minutos mais longa. Em 9 de setembro, após a volta de Ringo as baquetas (ver "Back in the U.S.S.R." e "Dear Prudence"), foram feitos 8 takes de 5 minutos aproximadamente e o último é a base do LP original.

Eles gravaram longas versões de "Helter Skelter" com um eco produzido por fita. Os ecos normalmente poderiam ser adicionados por mixagem, mas nesse caso não poderia ser mais alterado pois estava sendo ao vivo. O problema era que a máquina gravava apenas 15 minutos por fita, e não dava para deixar mais tempo reproduzindo. Então no meio da música eles decidiram voltar a fita e reproduzi-la sem precisar parar de tocar, o que reproduz um som peculiar no trecho em que Paul improvisa uma base vocal na marca de 02:45.

Paul no livro "Many Years From Now" de Barry Miles: "Tínhamos os engenheiros e George Martin tentando fazer o som da bateria parecer mais alto que pudesse. Então a gente tocava e dizíamos, ‘não, ainda parece limpo, tem que ficar mais alto e sujo.’ Tentamos tudo que podíamos para sujar o som, então Ringo tocou o mais forte e feroz que podia. Trabalhamos muito duro naquela canção."

Após o 18° take, Ringo Starr que já não agüentava mais tocar a bateria de maneira selvagem, atirou as baquetas no chão e gritou ferozmente: "I've got blisters on my fingers!" ou "Eu estou com bolhas no dedos!" Os Beatles incluíram a fala no final da música na versão estéreo. A canção acaba e recomeça várias vezes porém após as três pancadas finais no chimbal pode se ouvir o grito de Ringo e razoavelmente Lennon dizendo "How’s that?" ou "O que foi isso?" antes do último acorde.

Segundo Ringo no "The Beatles Anthology": "Helter Skelter foi uma faixa que fizemos completamente loucos e histéricos no estúdio. Às vezes é preciso dar uma sacudida nos ensaios e aquela música, – com o baixo de Paul e minha bateria – Paul começou a berrar e gritar, o que acabou ganhando mais espaço."

Os músicos[editar | editar código-fonte]

Curiosidades e referências[editar | editar código-fonte]

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  • A canção teve uma recepção mista dos críticos. Richie Unterberger da Allmusic chamou de "uma das mais afiadas e mais brutais canções de rock já feitas, extraordinária!" Enquanto Ian MacDonald a chamava de "Ridícula, um McCartney chapado contra um fundo massivo de fitas distorcidas e lixo barulhento." Em março de 2005, a Q magazine nomeou "Helter Skelter" a número 5 na lista das 100 melhores canções de guitarra.
  • Vincent Bugliosi, advogado que liderou a acusação de Manson e seus seguidores, nomeou seu livro mais vendido de Helter Skelter, e conta a história do caso Manson. O livro já foi base para dois filmes de mesmo título.
  • Na sessão de 9 de setembro o co-produtor Chris Thomas recorda de George Harrison ateando fogo em um cinzeiro e correndo ao redor do estúdio com ele sobre a cabeça, numa alusão ao cantor Arthur Brown (conhecido por se apresentar com um capacete em chamas) enquanto McCartney gravava os vocais.
  • Na versão para o disco "Anthology 3," McCartney ocasionalmente canta "hell for leather" ao invés de "helter skelter."
  • Em 1975, Aerosmith regravou "Helter Skelter", mas não foi lançado até 1991, na compilação "Pandora's Box."
  • Em 1978, Siouxsie & the Banshees incluiu um cover da canção no disco "The Scream."
  • Em 1982, Ian Gillan lançou um cover de "Helter Skelter" no disco "Magic."
  • Em 1983, Mötley Crüe regravou uma versão da canção, e está presente no disco "Shout at the Devil."
  • Em 1983, The Bobs lançaram uma versão com arranjos A cappella. Isso rendeu a eles o Grammy em 1984, para melhor rearranjo de uma música já existente.
  • Os discos da banda Oasis são gravados no Helter Skelter Studios e na canção "Fade In-Out," há um trecho referente: "So get on the helter skelter, bowl into the fray, Y'gotta be bad-enough to beat the brave."
  • Em 1987, a banda U2 regravou a canção para o projeto/filme "Rattle and Hum", que foi lançado no ano seguinte. Na introdução da música, Bono diz: "Esta é a canção que Charles Manson roubou dos Beatles. Estamos tomando de volta!" Também pode se notar que Bono canta diferente o trecho "you may be a lover but you ain't no dancer" cantando no lugar, "you ain't no lover but you ain't no dancer." Bono diz que foi intencional e não um simples erro de ao vivo, e que foi sua maneira de "roubar de volta."
  • Em 2000, A banda francesa Noir Désir regravou a canção no álbum ao vivo En route pour la joie
  • Em 2007, A banda Stereophonics lançou um cover da canção como um bônus na versão japonesa de "Pull the Pin."
  • No álbum "LOVE" é combinado "Helter Skelter" com elementos de "Being From The Benefit Of Mr Kite!" e "I Want You (She's So Heavy)."