Henrietta Lacks

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Henrietta Lacks (Roanoke, 1 de agosto de 1920Baltimore, 4 de outubro de 1951) foi a doadora involuntária de células cancerosas, mantidas em cultura pelo cientista George Otto Gey para criar a primeira linhagem celular imortal da história.[1] Esta linhagem de células, utilizada em pesquisas médicas, atualmente é conhecida como HeLa,[2] e torna Henrietta Lacks famosa no meio científico.[3]

Vida[editar | editar código-fonte]

Henrietta Lacks, uma ex-lavradora de tabaco no sul dos EUA, era descendente de escravos.[3] Aos 30 anos, mãe de cinco filhos, passou a sentir um caroço na altura do útero, embora escondesse as dores da família.[3] Lacks foi diagnosticada com um tumor cervical e enviou células a um pesquisador[3] do Johns Hopkins Hospital. Seu câncer produzia metástases anormalmente rápidas, mais que qualquer outro tipo de câncer conhecido pelos médicos.[4]

Após o óbito de Henrietta Lacks - com vários tumores, mesmo após os médicos alegarem controle da doença -[3] suas células continuaram sendo cultivadas para estudo de sua impressionante longevidade, sendo, por isso, distribuidas para vários laboratórios de todo o mundo.[5] Jonas Salk as utilizou para produzir uma vacina contra a poliomielite.[1]

Elas são cultivadas até hoje em vários laboratórios em frascos de plástico contendo soro bovino. Portanto, milhares de trabalhos científicos foram realizados com essas células.

Foram enviadas ao espaço para experiências sob gravidade zero. Nesse meio século desde sua morte, suas células foram continuamente usadas em experimentos e pesquisas contra o câncer, AIDS, efeitos da radiação, mapeamento genético e muito mais. Calcula-se que a quantidade de células existentes nos laboratórios de todo o mundo supere o número de células da senhora Lacks em vida.

Células HeLa coloridas artificialmente em laboratório

As células HeLa são chamadas de imortais por se dividirem num número ilimitado de vezes, desde que mantidas em condições ideais de laboratório. Atribui-se isso ao fato dessas células terem uma versão modificada da enzima Telomerase, implicada no processo de morte das células e no número de vezes que uma célula pode se dividir. Talvez algumas linhagens tenham sido contaminadas por outras células, mas todas provêm da amostra retirada do tumor da senhora Lacks.

O caso de Henrietta Lacks foi abordado por Rebeca Skoolt no livro A Vida Imortal de Henrietta Lacks, lançado no Brasil pela Companhia das Letras.[3]

Referências

  1. a b Moorhead, Joanna (23 de junho de 2010). Henrietta Lacks: the mother of modern medicine. The Guardian, acesso em 28 de março de 2011
  2. "A Lasting Gift to Medicine That Wasn’t Really a Gift" - New York Times
  3. a b c d e f Cozer, Raquel. (22 de março de 2011). A eterna presença de Henrietta. O Estado de S.Paulo, acesso em 22 de março de 2011
  4. G1 - A Dama Imortal
  5. DAWKINS,Richard Ensaios Escolhidos. pg68, Cia das Letras

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Michael Gold, A Conspiracy of Cells, 1986, State University of New York Press
  • Rebecca Skloot, 2009, HeLa: The Immortal Life of Henrietta Lacks
  • Hannah Landecker 2000 Immortality, In Vitro. A History of the HeLa Cell Line. In Brodwin, Paul E., ed.: Biotechnology and Culture. Bodies, Anxieties, Ethics. Bloomington/Indianapolis, 53-72, ISBN 0-253-21428-9
  • Russell Brown and James H M Henderson, 1983, The Mass Production and Distribution of HeLa Cells at Tuskegee Institute, 1953-1955. J Hist Med allied Sci 38(4):415-43

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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