Henrietta Swan Leavitt

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Henrietta Swan Leavitt
Astronomia
Nacionalidade Estados Unidos Estadunidense
Nascimento 4 de julho de 1868
Local Lancaster, Massachusetts
Morte 12 de dezembro de 1921 (53 anos)
Local Cambridge, Massachusetts
Atividade
Campo(s) Astronomia
Instituições Universidade Harvard
Alma mater Radcliffe College, Oberlin College

Henrietta Swan Leavitt[1] (Lancaster, Massachusetts, 4 de julho de 1868Cambridge, Massachusetts, 12 de dezembro de 1921) foi uma astrônoma estado-unidense famosa por seu trabalho sobre estrelas variáveis. Seus resultados foram utilizados por Edwin Hubble para calcular as distâncias das (à época chamadas de) "nebulosas". Com isso, Hubble pôde mostrar que algumas destas "nebulosas" são na verdade outras galáxias, pondo fim a um longo debate sobre a natureza destes objetos e sobre as dimensões do Universo. O conhecimento das distâncias destes objetos permitiu ainda que Hubble concluísse que o Universo está em expansão, o que demonstra a importância dos trabalhos de Henrietta Leavitt.[2]

Primeiros anos e educação[editar | editar código-fonte]

Henrietta Swan Leavitt, filha do pastor evangélico George Roswell Leavitt e sua esposa Henrietta Swan (Kendrick), nasceu em Lancaster, Massachusetts. Leavitt efetuou seus estudos no Oberlin College e na Society for Collegiate Instruction of Women (Radcliffe College) onde descobriu tardiamente a astronomia. Ao final de seus estudos, em 1892, seguiu outros cursos de astronomia.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Em 1893 ela entrou para o Harvard College Observatory como voluntária. Seu trabalho consistia em medir e catalogar o brilho de estrelas da coleção de chapas fotográficas do observatório (nesta época não era permitido a mulheres operar telescópios). Suas qualidades e sua vivacidade de espírito permitiram-lhe ser admitida no quadro permanente de funcionários do observatório sob a direção de Edward Charles Pickering. Inicialmente Pickering não lhe pagava salário, mas depois Leavitt passou a receber $0,30 por hora de trabalho.

Pickering designou-a para estudar estrelas variáveis, cujo brilho varia num período de alguns dias. Leavitt teve poucas possibilidades de efetuar trabalhos teóricos, mas foi rapidamente nomeada à chefia do departamento de fotometria fotográfica responsável pelo estudo das fotografias de estrelas a fim de determinar suas magnitudes, processo que envolvia a comparação do tamanho de uma estrela em duas chapas fotográficas tiradas em tempos diferentes. De acordo com Jeremy Bernstein, "estrelas variáveis eram assunto de interesse há anos, mas quando ela estava estudando essas chapas, duvido que Pickering achava que ela faria uma descoberta significativa - uma descoberta que iria eventualmente mudar a astronomia".

Antiga foto "harém de Pickering", como o grupo de mulheres calculadoras organizado pelo astrônomo de Harvard Edward Charles Pickering foi apelidado. O grupo incluía Leavitt, Annie Jump Cannon, Williamina Fleming e Antonia Maury.

[3]

Ela descobriu e catalogou 1777 estrelas variáveis situadas nas Nuvens de Magalhães. Em 1908, publicou seus resultados nos Annals of the Astronomical Observatory of Harvard College, percebendo que algumas destas estrelas variáveis apresentavam um padrão: as mais brilhantes oscilavam com períodos maiores. Depois de estudos mais detalhados, em 1912 confirmou, a partir de seu catálogo, que a luminosidade das variáveis cefeidas era proporcional ao seu período de variação de luminosidade, e que essa relação era bastante precisa.

Sua descoberta é conhecida como "relação período-luminosidade": o logaritmo do período é diretamente proporcional à luminosidade intrínseca média da estrela. Nas palavras de Leavitt, "uma linha reta pode ser traçada entre as duas séries de pontos correspondentes aos máximos e mínimos, o que mostra que há uma relação simples entre os brilhos das variáveis e seus períodos".[4]

Influência[editar | editar código-fonte]

A relação período-luminosidade para Cefeidas fez delas as primeiras "velas-padrão" em astronomia, permitindo a determinação das distâncias de galáxias. Essas distâncias são muito grandes, de modo que não é possível aplicar o método da paralaxe, usado para medir distâncias de estrelas próximas. Apenas um ano depois de Leavitt publicar seus resultados, Ejnar Hertzsprung determinou as distâncias de várias estrelas cefeidas na Via Láctea, e com essa calibração a distância de qualquer cefeida poderia ser determinada com bastante precisão.

Outras cefeidas logo foram detectadas em outras galáxias, como a galáxia de Andrômeda (notadamente por Edwin Hubble em 1923–24). Isso constituiu parte importante das evidências de que as "nebulosas espirais" são na verdade outras galáxias, muito distantes da nossa própria Via Láctea. Assim, a descoberta de Leavitt mudaria para sempre nossa visão do universo.

As conquistas do astrônomo americano Edwin Hubble, que estabeleceu que o Universo está se expandindo, só foram possíveis depois dos trabalhos de Leavitt. "Se Henrietta Leavitt tinha fornecido a chave para determinar o tamanho do cosmos, foi Edwin Hubble quem a colocou na fechadura e produziu as observações que permitiram que ela fosse girada", escreveram David H. e Matthew D.H. Clark em seu livro Measuring the Cosmos. O próprio Hubble dizia frequentemente que Henrietta Leavitt merecia ganhar o prêmio Nobel por seu trabalho sobre as estrelas variáveis. Gösta Mittag-Leffler, da Academia Sueca de Ciências, tentou indicá-la para o prêmio Nobel em 1924, quando descobriu que ela havia morrido de câncer três anos antes (o prêmio Nobel não é dado postumemente).

Doença e morte[editar | editar código-fonte]

Henrietta Leavitt trabalhou esporadicamente durante seu tempo em Harvard, frequentemente atrapalhada por problemas de saúde e obrigações familiares. Em 1921, Leavitt foi nomeada chefe de fotometria estelar. No fim daquele ano, morreu de câncer em 12 de dezembro de 1921, sendo enterrada no cemitério de Cambridge, em Massachusetts.

Henrietta Swan Leavitt trabalhando em seu escritório no Harvard College Observatory.

Leavitt foi membra da Phi Beta Kappa, da American Association of University Women, da American Astronomical and Astrophysical Society, da American Association for the Advancement of Science, e membra honorária da American Association of Variable Star Observers. Sua morte prematura foi vista como trágica por seus amigos, por motivos que vão além de suas conquistas científicas. Em um obituário, seu amigo Solon I. Bailey esreveu que "ela tinha a feliz capacidade de apreciar tudo que fosse proveitoso e amável nos outros, e tinha uma natureza tão cheia de vida que, para ela, tudo ficava bonito e cheio de significado".

Prêmios e honras[editar | editar código-fonte]

  • O asteróide 5383 Leavitt foi assim chamado em sua homenagem.
  • Quatro anos após a morte de Leavitt, o matemático sueco Magnus Gösta Mittag-Leffler considerou nomeá-la para o Prêmio Nobel. A nomeação era baseada em seu trabalho de formulação da relação entre a periodicidade e a luminosidade das variáveis cefeidas. No entanto, como já havia falecido, não foi nomeada.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Johnson, George. Miss Leavitt's Stars : The Untold Story of the Woman Who Discovered How To Measure the Universe. 1st ed. ed. New York: Norton, 2005. ISBN 0-393-05128-5
  2. Jacob Darwin Hamblin. Science in the Early Twentieth Century: An Encyclopedia. [S.l.]: ABC Clio, 2005. 181 pp. ISBN 1-85109-665-5 GB
  3. Marilyn Bailey Ogilvie. Women in Science: Antiquity Through the Nineteenth Century. [S.l.]: MIT, 1986. 121 pp. ISBN 0-262-15031-XGB
  4. Bernhard Lesche. Teoria da Relatividade. [S.l.]: Editor Livraria da Física, 2005. 124 pp. ISBN 85-88325-36-5GB