Henrique Teixeira Lott
| Henrique Teixeira Lott | |
|---|---|
|
Ficheiro:Henrique Teixeira Lott.jpg
Lott foi Marechal do Exército, Ministro da Guerra (nos governos de Café Filho, Nereu Ramos e JK) e candidato político que trabalhou a defender a legalidade, a posse de Juscelino Kubitschek em 1956, a democratização do Brasil, contra o regime militar de 1964.
|
|
| Nascimento | 16 de novembro de 1894 Antônio Carlos, Minas Gerais |
| Morte | 19 de maio de 1984 (89 anos) Rio de Janeiro |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Ocupação | Militar |
| Cargo | Ministro da Guerra |
| Serviço militar | |
| Patente | Marechal |
Henrique Batista Duffles Teixeira Lott (Antônio Carlos, 16 de novembro de 1894 — Rio de Janeiro, 19 de maio de 1984) foi um militar brasileiro, tendo atingido a patente de marechal do exército.
Índice |
Carreira Militar e Politica [editar]
Estudou no Colégio Miliar do Rio de Janeiro, foi comandantes do Batalhão Escolar em 1910, na Escola Militar de Realengo. Formado aspirante a oficial em 1914. Foi adido militar do Brasil em Washington, Estados Unidos. Em 1944 chegou ao generalato. Na crise de 1954 assinou o documento em que os generais, com receio de um golpe de estado devido à instabilidade política, exigiam o afastamento de Getúlio Vargas do poder em meio às inúmeras denúncias de corrupção.
Caracterizava-se pelos seus hábitos metódicos, pelo seu respeito à hierarquia militar e ao governo constituído. Após o suicídio de Vargas, Café Filho assumiu a presidência da República e nomeou Teixeira Lott ministro de Guerra (devido às pressões da caserna(generais)) - visando especialmente, com tal ato, afastar a influência do general pró-Vargas Newton Estillac Leal sobre os militares. Quando Juscelino Kubitschek e João Goulart venceram as eleições presidenciais de outubro de 1955, respectivamente para presidente e vice-presidente, houve uma divisão das Forças Armadas, pois a chapa vitoriosa era representada por candidato pró (João Goulart) e antigetulistas (Juscelino Kubitschek), gaúcho e mineiro.
Em 11 de novembro o general desencadeou o movimento militar, dito de "retorno ao quadro constitucional vigente". Houve então a declaração do impedimento do presidente em exercício, Carlos Luz (Café Filho havia sofrido enfarte e afastado da presidência), a entrega de seu cargo ao presidente do senado Nereu Ramos e a garantia da posse dos eleitos, em obediência à Constituição de 1946. No início de 1956 continuou como ministro da Guerra no governo de JK, pois garantiu a posse mobilizando as tropas nas ruas, foi quando recebeu uma espada de ouro da comunidade defensora da legalidade constitucional. Este acontecimento ficou conhecido com Movimento de 11 de Novembro.
Se distinguiu pelo legalismo e por suas convicções democráticas. Na eleição presidencial brasileira de 1960, o Marechal Lott, já na reserva, foi postulado candidato à Presidência da República pela coligação governista PTB/PSD que elegera JK em 1955 e dera sustentação ao governo deste,recebeu apoio de Juscelino. A campanha de Teixeira Lott foi uma das primeiras a contar com um planejamento profissional, com técnicas de marketing político importadas dos Estados Unidos. O jingle utilizado em sua campanha é considerado um dos melhores já feitos em campanhas eleitorais no Brasil (Jingle da campanha do Marechal Teixeira Lott em 1960).
Porém fora derrotado por Jânio Quadros. Após isso tentou ainda permanecer na vida pública. Em 1961 declarou-se contrário à tentativa de golpe planejada pelos ministros militares para impedir a posse de João Goulart após a renúncia de Jânio e foi de extrema imporatancia para a Campanha da Legalidade de Brizola ao conselhar a buscar apoio em chefes militares nacionalistas locais. No caso, os generais de Exército Oromar Osório, comandante em Santiago, e Peri Constant Bevilacqua, comandante em Santa Maria. Para assegurar a legalidade fez um importante manifesta as forças armadas:
``Aos meus camaradas das Forças Armadas e ao povo brasileiro.
Tomei conhecimento, nesta data, da decisão do Senhor Ministro da Guerra, Marechal Odílio Denis, manifestada ao representante do governo do Rio Grande do Sul, deputado Rui Ramos, no Palácio do Planalto, em Brasília, de não permitir que o atual Presidente da República, Sr. João Goulart, entre no exercício de suas funções, e ainda, de detê-lo no momento em que pise o território nacional.
Mediante ligação telefônica, tentei demover aquele eminente colega da prática de semelhante violência, sem obter resultado. Embora afastado das atividades militares, mantenho um compromisso de honra com a minha classe, com a minha pátria e as suas instituições democráticas e constitucionais. E, por isso, sinto-me no indeclinável dever de manifestar o meu repúdio à solução anormal e arbitrária que se pretende impor à Nação.
Dentro dessa orientação, conclamo todas as forças vivas do país, as forças da produção e do pensamento, dos estudantes e intelectuais, dos operários e o povo em geral, para tomar posição decisiva e enérgica no respeito à Constituição e preservação integral do regime democrático brasileiro, certo ainda de que os meus camaradas das Forças Armadas saberão portar-se à altura das tradições legalistas que marcam sua história no destino da Pátria´´.
Por conta destas atitudes recebeu uma prisão de 12 dias, sendo três dias na inóspita Fortaleza da Laje. Por fim, após o Golpe Militar de 1964, residindo em Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro, foi declarado inelegível por falta de domicílio regular pela Justiça Eleitoral ao se lançar em 1965 a candidato ao governo do então estado da Guanabara.
Retiro [editar]
O marechal afastou-se definitivamente da vida pública por não concordar com o regime militar que estava iniciando no Brasil.
Enterro sem Honras Militares [editar]
Quando faleceu em 1984, seu enterro aconteceu sem honras militares, fato que não tem explicação. O Ministério do Exército tentou minimizar e justificar o fato, mas a imprensa da época divulgou a ausência das honras militares no enterro de Lott. Leonel Brizola, na época governador do Rio de Janeiro deu luto oficial de três dias e disse que quando voltou do exilio a primeira pessoa que visitou foi o marechal. Cerca de trezentas pessoas compareceram ao seu enterro.
No enterro seu grande amigo Sobral Pinto disse “... se tivesse ido para a presidência do Brasil, teria instaurado um governo de legabilidade e de respeito à pessoa humana, e uma vinculação com partidos políticos, porque era um democrata sincero, inteligente e honrado. Com Lott na presidência, não teríamos ditadura militar durante vinte anos, não teríamos a falência nacional. Nada disso teria acontecido.”
Representações na Cultura [editar]
Quando a vida e a carreira política de Juscelino Kubitschek é mostrada na TV ou no cinema, a presença de Lott é quase que obrigatória, por causa de sua importância histórica neste período.
No filme Bela Noite para Voar de 2005, é vivido pelo ator Cecil Thiré.
Em JK (minissérie) de 2006, é interpretado por Arthur Kohl.
Ligações externas [editar]
- Materia na Revista Veja sobre sua biografia [1]
Referências
| Precedido por Euclides Zenóbio da Costa |
Ministro da Guerra 1954 - 1960 |
Sucedido por Odílio Denys |
- Nascidos em 1894
- Mortos em 1984
- Candidatos à Presidência da República do Brasil
- Membros do Partido Social Democrático
- Ministros do Governo Café Filho
- Ministros do Governo Nereu Ramos
- Ministros do Governo JK
- Ministros do Exército do Brasil
- Marechais do Brasil
- Sepultados no cemitério do Caju
- Naturais de Antônio Carlos (Minas Gerais)
- Anglo-brasileiros