Herberts Cukurs

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Herberts Cukurs (Liepaja, Letônia, 17 de maio de 1900 - Montevidéu, Uruguai, 24 de fevereiro de 1965) foi um capitão aviador da Força Aérea Letoniana, engenheiro aeronáutico, jornalista, escritor e membro do Comando Arajs.

Cukurs era natural de Liepaja, a uns 170 quilômetros a sudoeste de Riga, a capital letoniana. Ficou famoso mundialmente pelos Reides (vôos a longa distancia) que realizou na década de 1930, onde escreveu seu nome e do seu pais na história da aviação mundial. Ficou conhecido mundialmente como “O Lindenberg Letoniano”.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

Em diferentes épocas de sua história, a Letônia havia sido incorporada a paises mais poderosos, como a Polônia, Suécia e a Rússia. Somente ao fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) a Letônia conseguiu proclamar a sua independência (da Rússia). Em 18 de novembro de 1918 foi o inicio de dois anos de luta, que culminaram em 1920, com a retirada das tropas estrangeiras e o pais emergindo como nação independente. Herberts Cukurs havia se alistado aos 17 anos, como voluntário, e combateu pela libertação de seu país. Por ter demonstrado valor em combate, Cukurs foi promovido a sargento e recebeu varias condecorações por atos de bravura.

Em junho de 1919, a Letônia começou a organizar um grupo de aviação do exercito, com aviões Nieuport 24 Bis, que foram tomados de pilotos desertores bolcheviques. Como emblema nacional, foi adotado o 'Ugunskrusts' (Cruz de Fogo), uma cruz gamada vermelha, que não tinha relação nenhuma com a suástica dos nazistas. Essa cruz e um símbolo milenar do povo da Letônia.

Anos 20[editar | editar código-fonte]

Em 1920 surgia o Parque de Aviação formado com aviões apreendidos dos russos, comprados dos ingleses ou confiscados da Alemanha. Em 7 de setembro de 1921, Cukurs, então sargento do Exercito, ingressou no Parque e seus dotes de piloto se evidenciaram, em 26 de setembro de 1922 ao realizar um vôo solo de quatro horas num biplano de observação, Albatroz.

Após o período de treinamento em 13 de janeiro de 1923, foi promovido à tenente, tornando-se piloto de caça, pilotando a aeronave alemã Fokker DVII, e a aeronave italiana Balilla. Interessado em aerodinâmica, aprofundou seus conhecimentos na recém constituída Escola de Aviação Militar de Riga, onde foi promovido a primeiro tenente.

Em 1923 começou por iniciativa própria a projetar um avião monomotor. Utilizou um motor de motocicleta Harley Davisson de 8 H.P., uma corrente de motocicleta para a transmissão da hélice. O avião foi batizado como C-1 (Cukurs-1) prefixo YL-AAC, recebendo o nome de Auseklitis, apresentando propostas engenhosas, tais como asas dobráveis, que possibilitavam retirá-lo da sala de estar de sua casa e transporta-lo a um campo de aviação, ficando pronto em 28 de novembro de 1925. Os testes de vôo foram bem sucedidos, efetuando pelo menos 100 vôos até 1926. Sobre este avião existe uma historia pitoresca que ficou muito conhecida até os dias de hoje, foi quando Cukurs passou por baixo de uma ponte, com o avião e o vão dessa ponte era praticamente igual à envergadura da aeronave. Essa ponte localiza-se na cidade de Karosta e muitas pessoas a chamam de “A Ponte de Cukurs”, por causa desse episódio.

Em 1929 vendeu o C-1 a um amigo, Karlis Konstants, também piloto militar, adaptando um motor mais potente, um 3 cilindros Anzani de 25 H.P. Esse avião passou a ser denominado como C-2,e apelidado de PEKA-PEKA. Mais tarde Konstants adaptou mais um motor, 6 cilindros Anzani de 34 H.P. Esse avião devido a sua boa performance vôou até 1937.

Anos 30[editar | editar código-fonte]

Em 1931, Cukurs projetou um monomotor biplace revolucionário, o C-3, monoplano de asa baixa com tirantes invertidos e trem de pouso carenado, movido por um velho motor Renault de 80 H.P.de 8 cilindros. Seguro e confiável, entre outros vôos, foram utilizados por Cukurs para serviços de panfletagem aérea.

Nos anos 30, campanhas nacionalistas pipocavam na Letônia e culminaram em 1934 com o golpe que consolidou o regime autoritário do presidente Kārlis Ulmanis. Uma dessas iniciativas patrióticas ocorreu em 1933, quando um grupo de nacionalistas forneceu fundos a Nikolajs Pulins, piloto da Força Aérea paramilitar Aizsargu Aviacija (Divisão Aérea da Guarda Nacional), para efetuar um reide de Riga até Gâmbia, na África Ocidental, pais em que o Duque Jacob Kettler, havia fundado uma colônia no Século XVII. Em 20 de junho de 1933, Nikolajs Pulins junto com R. Celms, levantaram vôo para Gâmbia, mas pouco depois se acidentaram na Alemanha, fracassando assim na sua tentativa. Isso deu uma repercussão negativa para o desenvolvimento aeronáutico na Letônia. Para mudar essa imagem, Herberts decidiu tentar o mesmo reide.

Conseguindo um pequeno patrocínio do maior jornal local, Jaunakas Zinas, (As Noticias Mais Recentes) em troca da exclusividade na publicação dos relatos da viagem, o C-3 prefixo YL-AAB e foi adaptado para a jornada. O assento traseiro foi retirado para dar lugar a um tanque suplementar de combustível, a 28 de agosto de 1933, às 12 horas e 15 minutos partiu para um vôo solitário de 19.342 km, de Riga capital da Letônia para Bathrust capital de Gâmbia, na África, que o consagraria para toda vida.

Seu talento teve reconhecimento mundial, Clifford B. Harmon, presidente da Liga Internacional de Aviadores, filiada a Liga Internacional de Aviação, sediada em Paris, França, entregou-lhe o Harmon trouphy, a medalha de melhor aviador de 1933 seção da Letônia. Por esse vôo foi eleito membro honorário da Liga Internacional de Aviadores, recebendo a placa honorária com a assinatura dos mais destacados aviadores do mundo, tais como Santos Dumont, Charles Lindbergh, Arturo Ferrarini, Francesco de Pinedo, Clarence Duncan Chamberlin, dentre outros, tornando-se assim parte dessa elite de aviadores.

As noticias de sua proeza alcançaram os quatro cantos do mundo. Em 1936, ele recebeu um convite do governo japonês, para realizar um reide da Letônia ate o Japão. Naquela época ele já havia projetado um outro avião e dois planadores, o C-4, e o C-5.

Com fundos agregando auxilio governamental e o apoio do jornal Jaunakas Zinas, Cukurs concebeu e construiu uma aeronave inteiramente original, em apenas três meses. O C-6 era um monomotor de asa baixa com uma silhueta elegante e rodas carenadas. Todo de madeira, não fosse o seu motor pouco potente (um De Havilland Gipsy Major de 130 H.P,e quatro cilindros), que havia sido retirado do outro avião, o C-3, poderia muito bem ser confundido com um avião de caça da época. O aparelho levou o nome de Tris Zvaigznes (Três Estrelas), alusão a condecoração recebida anteriormente. Recebeu o prefixo YL-ABA.

Em 20 de outubro de 1936, Cukurs decola para o seu segundo vôo de longa distancia, rumo ao Japão. Após 227 horas e 45 minutos, voando 40.045 km, numa distância maior em 45 km, que a volta sobre a terra pela linha do Equador, utilizando 7.140 litros de gasolina e 272 litros de óleo, apesar das condições climáticas desfavoráveis, ventos fortes contra, monções e tempestades de areia, o avião manteve uma excelente média horária de 190 km por hora.

O vôo não seguiu em linha reta para Tóquio, mas com grandes voltas, assim na Europa como também na Ásia, pois a finalidade do mesmo não era bater recordes, mas conhecer os povos e costumes de diversos países, provar o valor do avião e demonstrar o resultado do trabalho na construção de aviões de Herberts Cukurs. O vôo cruzou os céus da Lituânia, Polônia, Alemanha, Tchecoslováquia, Áustria, Hungria, Eslováquia, Bulgária, Turquia, Síria, Iraque, Irã, Índia, Birmânia, Sião, Indochina, China, Manchúria, Coréia e Japão, totalizando 21 paises. Pelo vôo realizado a imprensa internacional, o apelidou de The Latvian Lindergh (O Lindbergh Letoniano).

Participação no Holocausto[editar | editar código-fonte]

De acordo com o historiador Andrew Ezergailis, no livro The Holocaust in Latvia, 1941-1945, Cukurs foi um dos lideres das atrocidades cometidas no gueto de Riga e no massacre de Rumbula de 30 de novembro de 1941. No entanto, já foi estudado e comprovado por outro historiadores que Cukurs nunca se envolveu no massacre. Inclusive, salvou diversos judeus.[1]

Morte[editar | editar código-fonte]

Foi assassinado em Montevidéo por agentes israelenses do Mossad, por ser considerado um criminoso nazista de guerra. Seu algoz se aproximara de Cukurs quando este ainda morava em São Paulo, local onde vivia usando seu verdadeiro nome e com endereço conhecido. Anton Künzle, o agente incumbido de matá-lo, teve uma clara chance de fazê-lo logo no início de sua "relação de amizade" com Cukurs, numa ocasião em que os dois praticavam tiro ao alvo em local ermo na cidade de São Paulo. Künzle ganhou a confiança de sua vítima alegando ser austríaco e ex-oficial nazista. O tempo passou e Künzle acabou atraindo Cukurs até Montevidéo em busca de uma suposta oportunidade de negócios. Cukurs terminou por ser emboscado numa casa isolada, na qual foi surpreendido por outros agentes do Mossad, que o espancaram e tentaram ler uma pequena sentença de morte, porém, apesar de idoso, Cukurs encontrava-se em boa forma física, e lutou ferozmente contra os jovens agentes, o que fez com que um deles disparasse dois tiros em sua cabeça antes de ler sequer uma única linha. Seu corpo foi colocado num baú juntamente com a sua sentença, e só foi encontrado pela polícia onze dias depois, em avançado estado de putrefação[2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ezergailis, Andrievs. Holokausts vācu okupētajā Latvijā 1941–1944 (em Latvian). Riga: Latvijas vēstures institūta apgāds, 1999. 222, 230 pp. OCLC 44502624 ISBN 9984601021 Also available in English as: Andrew Ezergailis, The Holocaust in Latvia, 1941–1944: The Missing Center (1996), ISBN 9984-9054-3-8.
  2. Reportagem apresentada no canal NatGeo do Brasil, em 5 de julho de 2010

Ligações externas[editar | editar código-fonte]