Herman José

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Herman José
Herman CAE 2.jpg
Ao vivo num espectáculo de "stand up" em Lisboa (2010).
Nome completo Herman José Krippahl
Nascimento 19 de Março de 1954 (60 anos)
Lisboa,  Portugal
Nacionalidade  Alemanha
Ocupação Ator, Apresentador, Humorista, Cantor, Guionista e Realizador de Televisão

Hermann José Krippahl ComM (Lisboa, 19 de Março de 1954), mais conhecido como Herman José, é um humorista e entertainer português, de origem alemã (na realidade só possui a nacionalidade alemã, apesar de ter nascido e vivido quase toda a sua vida em Portugal: ao atingir a maioridade não pediu dupla nacionalidade, para evitar a conscrição e a Guerra Colonial Portuguesa). Estudou na Escola Alemã de Lisboa e é fluente em português, alemão, inglês, francês e espanhol. Reside em Azeitão, perto de Setúbal.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Muitas vezes visto como o "pai" do humor em Portugal, Herman José nasceu e cresceu em Lisboa, filho de pai alemão e espanhol, Hermann Luis Krippahl (nascido 31 de julho em 1920), e de mãe portuguesa, Maria Odette Antunes Valada (nascida em 15 de novembro 1932). Com quatro anos de idade protagonizava os filmes do pai, cineasta amador. Aos cinco anos entrou para o Kindergarten (Jardim Infantil), na Deutsche Schule Lissabon (Escola Alemã de Lisboa). Era um aluno mediano, mas brilhante em todas as vertentes artísticas. À medida que foi tendo os primeiros contactos com o teatro e a música, foi-se desenhando o seu futuro, já que era o protagonista absoluto de todos os saraus escolares. Ainda estudava quando comprou a sua primeira viola-baixo Höfner em segunda mão numa loja de penhores da Avenida de Roma por mil escudos. Dedicou-se à música de alma e coração, e foi através dela que abriu as portas que haviam de o levar à vida artística.

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

Por volta dos dezoito anos de idade tem as primeiras aparições na televisão num programa juvenil com um trio de seu nome "Soft", e em finais de 1973 é convidado a integrar o grupo In-Clave, banda residente do programa de televisão No Tempo Em Que Você Nasceu (estreado a 27 de Janeiro de 1974), gravado no Teatro Maria Matos, e dirigida pelo maestro Pedro Osório. Um ano antes, a PIDE fizera-lhe um ultimato: ou se naturalizava português e cumpria o serviço militar, ou a escolher a cidadania alemã seria expulso do País. Herman José opta pela nacionalidade alemã e inscreve-se num curso superior, em Munique na Escola Superior de Televisão e Cinema (Hochschule für Film und Bild) que nunca chegou a frequentar.

Com o 25 de Abril de 1974, acaba por permanecer em Portugal e, em Outubro desse ano, estreia-se como ator no Teatro ABC, com a peça Uma no Cravo, Outra na Ditadura. Empresariada por Sérgio de Azevedo, a peça era escrita por José Carlos Ary dos Santos, César de Oliveira e Rogério Bracinha, e integrava no seu elenco atores como Ivone Silva, José de Castro e João Lagarto que dava os seus primeiros passos. Descoberto por Nicolau Breyner, é levado por este a estrear-se como ator na televisão, em 1975. As suas participações na rábula Sr. Feliz e Sr. Contente levam os críticos a dizer, pouco depois, que Herman «metera o veterano ao bolso».

A música mantém-se uma constante na sua vida, e em 1977 lança Saca o Saca-Rolhas no programa televisivo 'A Feira', cujas vendas alcançam o Disco de Ouro. Desse programa foi também êxito a dupla "Olho Vivo e Zé d'Olhão" ao lado do ator Joel Branco. Seguem-se outros êxitos musicais como o "Super-homem Português", a reboque dos quais percorre o país em espetáculos, onde mistura anedotas com improviso, recriações de personagens suas e muita música.

Década de 1980[editar | editar código-fonte]

Em 1980 lança o single A Canção do Beijinho que é novamente galardão de Ouro. Nesse mesmo ano é convidado para o programa O Passeio dos Alegres, emitido nas tardes de domingo da RTP, com Júlio Isidro. A mais famosa criação deste programa é o personagem Tony Silva («O "criador" de toda música Ró», latino-romântico de brilhantina e lantejoulas, que retratava a sociedade nas suas canções), que conquista o grande público.

Em 1983 tem o seu primeiro programa de humor com O Tal Canal que permite a quase unanimidade à volta do seu humor, num dos seus mais profícuos trabalhos. No mesmo ano leva ao Festival RTP da Canção o tema A Cor do Teu Baton que fica em 2º lugar. A sua equipa regressa em Hermanias (1984), consolidando algumas das suas personagens mais marcantes, como o cronista de futebol José Estebes, e criando outras como o cantor popular Serafim Saudade, o comentador Doutor Pinóquio e o câmara / censor José Cortes, que interrompia as cenas mais picantes com os gritos O que é isto ? Estamos a brincar, isto é um programa de televisão ou quê ?.

No programa seguinte, Humor de Perdição (1987), cria a personagem Maximiana, e é confrontado com a suspensão do mesmo por parte do Conselho de Administração da RTP, na sequência da sua entrevista histórica (uma rubrica do programa) à Rainha Santa Isabel que o lado mais conservador do poder considerou como um atentado aos valores históricos. Nesse mesmo ano estreia-se no cinema em O Querido Lilás, de Artur Semedo, e é recrutado pelo Emídio Rangel, para fazer crónicas diárias na recém-legalizada TSF, com as quais obteve um êxito estrondoso.

Paralelamente à televisão, Herman desenvolveu na década de 1980 uma intensa atividade de humorista radiofónico, primeiro na Rádio Comercial com os programas A Flor Do Éter, Rebéubéu Pardais ao Ninho e Água Mole Em Pedra Dura Entra Muda E Sai Calada, depois na supracitada TSF e, por fim, como autor da Hermandifusão Portuguesa na Antena1, em duas edições diárias num simultâneo com a RDP Internacional, RDP África, Madeira e Açores.

Década de 1990[editar | editar código-fonte]

Só regressa à televisão em 1990, com Casino Royal, uma mistura de ficção de alta comédia com uma forte componente musical, integralmente de sua autoria. Ainda no início da década de 1990 entrega-se à apresentação de concursos como Com a Verdade M' Enganas e Roda da Sorte , para, logo de seguida, apresentar Parabéns (1993), onde inaugura um espaço talk-show, por onde passam figuras como Tony Bennett, Amália Rodrigues, Roger Moore e Cher,Kylie Minogue, Omar Shariff, Joan Collins, Isabel Pantoja e Lola Flores.


Foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito a 10 de junho de 1992.[1]

Em 1996 chega ao fim o programa Parabéns. Fica para a História um abaixo assinado a exigir a censura de um sketch sobre a Última Ceia, que juntou perto de duzentas e cinquenta mil assinaturas. A direção de programas (Joaquim Furtado e Joaquim Vieira) recusa-se a proibir a sua emissão, assume a polémica e encomenda-lhe o programa de humor Herman Enciclopédia (1997), duas séries de imenso sucesso de um humor culto, inovador e vernacular. Sobressaem novas personagens, como Diácono Remédios, Super Tia, Engenheiro Passos de Ferreira, Lauro Dérmio, David Vaitembora ou Melga e Mike (este último interpretado por José Pedro Gomes), satirizando a publicidade das televendas. Para 1998, altura em que Lisboa recebeu a Exposição Mundial (já caricaturada nas rábulas da Expo '97, no Porto), forma a sua própria produtora HZP (Herman Zap Produções), e lança Herman98 gravado no Teatro São Luiz e depois Herman99 gravado no Teatro Armando Cortez em Lisboa, e no Teatro Rivoli no Porto. É numa dessas emissões que lança a cantora Diana Krall no mercado europeu - feito que a própria nunca deixou de mencionar e agradecer publicamente - e recebe muitos convidados ilustres como Nobel da Paz Ramos Horta.

Década de 2000 e saída da RTP[editar | editar código-fonte]

Em 2000, Herman José chega à SIC, apresentando aos Domingos, o talk-show HermanSIC. O programa de estreia teve 76% de share e contava com uma equipa de atores constituída por Maria Rueff, Joaquim Monchique, Ana Bola, Maria Vieira, Manuel Marques, Vítor de Sousa e, durante algum tempo, Nuno Lopes.

Por ele passaram um conjunto imenso de vedetas internacionais, como Anastasia, Sting, Julio Iglesias, Enrique Iglesias, Lionel Ritchie, Ute Lemper, Gloria Estefan, No Doubt, Shania Twain, Djavan, Mark Knopfler, Jamie Cullum, Norah Jones, David Copperfield, Tom Jones, Sandy & Junior entre muitos outros. É nesse programa que a fadista Mariza, convidada assídua do programa e amiga pessoal do humorista, ganha grande visibilidade.

Em 2002 acumula com a apresentação do reality show Masterplan - O Grande Mestre, juntamente com Marisa Cruz, e em 2005 volta a esse tipo de formatos com Senhora Dona Lady que apresentou com Sílvia Alberto, programa que não caiu nas boas graças do grande público. É na sequência desse desaire que o então diretor de programas Manuel da Fonseca é substituído por Francisco Penim, que decreta o final prematuro do reality show e o final do HermanSIC.

Herman José torna-se entretanto proprietário do Teatro Tivoli, situado na Avenida da Liberdade (Lisboa), em 2005, que vende seis anos mais tarde à empresa de espetáculos UAU. É nele que grava o seu espetáculo ao vivo One Herman Show em DVD, acompanhado pela Big Band do seu fiel maestro Pedro Duarte.

Em 2007 estreia Hora H, 44 episódios de ficção humorística, onde cria personagens como a Chica Pardoca, Yuri Tupolev, Américo Russo e o editor-chefe decadente e tabagista Raposinho Pinto. Apesar das fracas audiências na SIC generalista, o programa torna-se aquando da sua repetição na SIC Radical pela mão de Pedro Boucherie Mendes, numa série de culto, a ponto de ser nomeada como Melhor Programa de Humor, no Festival de Televisão de Monte Carlo. Nesse programa, juntou à sua família artística o comediante César Mourão e a atriz Susana Cacela.

No dia 13 de janeiro de 2007, no programa Os Grandes Portugueses, Herman José ficou em 70.º lugar na lista dos 100 maiores portugueses de sempre. No dia 1 de Abril de 2007 recebe o décimo segundo Globo de Ouro, desta vez sob a forma de Prémio Prestígio. Outros dos prémios que recebeu foi o Prémio Personalidade Masculina Portuguesa do canal Biography Channel em 2008.

Em Maio de 2008 o apresentador lançou a versão portuguesa de Chamar a Música,[2] um concurso que teve no ar durante a época de verão de 2008, alcançando ótimos resultados de audiências. Em Setembro de 2008 volta a apresentar o concurso Roda da Sorte na SIC.[3] que apesar de ter triplicado as audiências no horário, é descontinuado em finais de 2008 pelo canal e substituído por um programa de informação. Sai da SIC desagradado com a decisão, e com a política de avanços e recuos do seu então diretor de programas Nuno Santos, com quem mantém uma breve polémica pública, entretanto sanada.

Em 2009 muda-se para a TVI a convite de José Eduardo Moniz, onde apresentou o talent-show Nasci P'ra Cantar entre julho e setembro de 2009. Em Julho de 2009 lançou o álbum Adeus, vou ali já venho, e retoma em força a sua atividade on the road, com o show Homem dos Sete Instrumentos.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Em abril de 2010 regressa à "sua" casa RTP, de onde partira 10 anos antes. Apresentou aos sábados à noite o Herman 2010, um talk-show onde junta a conversa com personalidades portuguesas a apontamentos humorísticos, ao lado do ator Manuel Marques. O programa manteve-se, adotando as designações de Herman 2011, Herman 2012 e Herman 2013, que conheceu a sua última edição no sábado 14 de Dezembro de 2013, decisão que o humorista apoiou e sancionou publicamente. Culmina o ano fazendo um memorável espetáculo de passagem de ano no Terreiro do Paço com a sua orquestra para mais de 70 000 espetadores, e reforça as suas atuações na Diáspora com recorrentes idas a Macau, Luanda, Moçambique, Luxemburgo, Zurique, Nova Iorque, Newark, Toronto, Paris e Frankfurt.

O tema dos seus espetáculos de 2014 é a comemoração dos seus 40 anos de carreira, com o título "40 Anos, Sempre A Bombar", título de uma canção comemorativa que lançou para assinalar a efeméride.

No dia 22 de setembro de 2014 estreia-se ao lado da apresentadora Vanessa Oliveira na condução do programa das tardes da RTP1 "Há Tarde".

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • Singles:
  • 1977 Saca o Saca-rolhas / História do Capuchinho Rodrigues Monteiro
  • 1977 Pau-Pau/ Eu Beijo As Suas Mãos Senhora
  • 1978 Olho Vivo e Zé D’Olhão / Folcloróptico (c/Joel Branco)
  • 1979 Super-Homem Português / O Cowboy da Reboleira
  • 1980 Canção do Beijinho / Eu Não Sei de Ti, Eu Não Sei de Ti
  • 1981 (Tony Silva) Canta Música Ró / A Técnica do Pulmão
  • 1981 Bailarico / Apaixonado
  • 1981 Tôfartudeti / Falta d'ar
  • 1981 Virodisco / Surpresa
  • 1982 Da Da Da / Instrumental
  • 1983 (A cor do teu) Baton / Bem-Haja Você
  • 1983 O Tal Canal 12"
  • 1985 O Verdadeiro Artista / O Meu Automóvel
  • 1986 Bamos Lá Cambada / Instrumental Rafeiro (Rough Mix)
  • Álbuns:
  • 1980 Canção do Beijinho
  • 1985 Serafim Saudade – O Verdadeiro Artista)
  • 1991 Na Telefonia (Sem fios) (rábulas)
  • 1999 Christmas Songs
  • 2005 És Tão Boa!
  • 2009 Adeus, vou ali já venho
  • 2013 One (Her)Man Show

Processo Casa Pia[editar | editar código-fonte]

Herman José foi desde o primeiro minuto um defensor ruidoso do apresentador Carlos Cruz na sequência da sua detenção no âmbito do Processo Casa Pia. A 29 de Dezembro de 2003, acaba ele próprio acusado no âmbito do mesmo processo por um crime de abuso sexual a um adolescente.[4] A alegada vítima descreve ao pormenor uma cena passada numa sexta de Carnaval, onde estaria alcoolizado e mascarado de menina. O dito abuso teria acontecido num carro preto e grande nas traseiras do seu restaurante de Alcântara, na madrugada de sexta 8 para sábado 9 de Fevereiro de 2002. Em finais de 2003, o Ministério Público chama o humorista, e propõe-lhe o arquivamento provisório da acusação contra o pagamento de 10000 Euros a uma organização de solidariedade, proposta que este recusa liminarmente, optando por ir a julgamento. Nunca lhe é dita a data da acusação, nem lhe são fornecidos quaisquer pormenores sobre o processo. Só quando este chega ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC) é que os seus advogados são confrontados com uma data e uma narrativa sem qualquer prova factual. Apresentam documentos que provam que na data da acusação, o Herman José estava com a sua equipa no Brasil (Rio de Janeiro), ao serviço da SIC, fazendo gravações e diretos para a sua emissão de Carnaval. A juíza de instrução, Ana Teixeira e Silva, perante a ausência de qualquer tipo de provas incriminatórias, manda arquivar a acusação. O Ministério Público recorreu da decisão para o Tribunal da Relação, mas viu confirmada a não-pronúncia do humorista.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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