Hermann von Ihering

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Hermann Friedrich Albrecht von Ihering
médico, professor e ornitólogo
Nacionalidade Alemanha
Residência Brasil e Alemanha
Nascimento 9 de outubro de 1850.
Local Kiel, Alemanha
Morte 24 de fevereiro de 1930 (79 anos)
Local Alemanha
Atividade
Campo(s) médico, professor e ornitólogo

Hermann Friedrich Albrecht von Ihering (Kiel, Alemanha, 9 de outubro de 1850Gießen, Alemanha, 24 de fevereiro de 1930) foi um médico, professor e ornitólogo teuto-brasileiro.

É o filho mais velho do jurisfilósofo Caspar Rudolf von Ihering. Aos 18 anos mudou-se para Viena com a família. Ao estourar a guerra de 1870 alistou-se no Regimento de Mosqueteiros de Darmstadt.

Formado em medicina pelas Universidades de Berlim e Göttingen, passou a estudar zoologia e geologia, recebendo o título de doutor em 1876. Era professor de zoologia em Leipzig quando veio para o Brasil em 1880, para se dedicar às pesquisas patrocinadas pelo governo imperial.

No Brasil casou-se com a jovem viúva Anna Maria Clarz Belzer, com quem teve dois filhos, Clara von Ihering e Rodolpho Theodor Wilhelm Gaspar von Ihering. Residiu inicialmente em Taquara (1880-1883), depois passou por Guaíba (1883-1884).

Do Brasil enviou material para diversas pessoas e instituições: aves para o Museu Britânico e para o conde Hans von Berlepsch, ovos para Adolph Nehrkorn e aranhas para o conde Alexander von Keyserling. Além disso praticou medicina e escreveu para um jornal em Porto Alegre. Em 1883 foi nomeado naturalita viajante do Museu Nacional, estacionado no Rio Grande do Sul. Morou em Rio Grande (1884-1885), São Lourenço do Sul (1885) e viveu 7 anos numa ilha na foz do Rio Camaquã, a Ilha do Doutor, onde construiu uma ampla casa que descreveu em suas memórias não-publicadas Lebenserinnerungen.

Naturalizado brasileiro em 1885, em 1892 mudou-se para São Paulo a fim de fundar o Museu Paulista, dedicado à história natural, do qual foi diretor por 25 anos. Foi também o criador do Jardim Botânico e autor do livro As aves do Rio Grande do Sul publicado em 1907 em São Paulo.

Afastado do cargo de diretor do museu durante a primeira guerra mundial, por causa de sua origem alemã, retirou-se para Blumenau ou Florianópolis, onde dirigiu um museu por quatro anos.

Conhecido e respeitado por cientistas do mundo todo logo recebeu convites de museus e universidades, indo primeiro para o Chile e depois para o Museu de La Plata, na Argentina. Lá lecionou zoologia na Universidade de Córdoba, continuando suas pesquisas de arqueologia e antropologia. Ao retornar à Alemanha, em 1924, a convite da Universidade de Gießen, doou à universidade de Córdoba sua coleção de moluscos fósseis.

Ao celebrar seus 70 anos era membro honorário ou correspondente de 30 sociedades e academias, seu nome tinha sido dado a 5 genera e mais de 100 espécies de animais e plantas.

Seu filho, Rodolpho von Ihering, seguiu os passos do pai, tendo sido destacado cientista e introdutor da Limnologia no Brasil.

Ihering e a etnografia do Brasil meridional[editar | editar código-fonte]

Ihering publicou também vários estudos antropológicos e arqueológicos, sobretudo sobre o sul do Brasil -- um aspecto menos conhecido de sua carreira. Nessa área, Ihering é particularmente lembrado por sua posição polêmica no debate sobre a questão indígena no começo do século XX[1] , chegando a sugerir, sobre os Kaingáng de São Paulo, que seriam "um empecilho para a colonização das regiões do sertão que habitam", não havendo "outro meio, de que se possa lançar mão, senão o seu exterminio."[2]

Fontes de referências[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Penny, H. Glenn. 2003. The Politics of Anthropology in the Age of Empire: German Colonists, Brazilian Indians, and the Case of Alberto Vojtečh Frič. Comparative Studies in Society and History, 45:2:249-280.
  2. Ihering e a "solução final" para o "problema indígena"; Biblioteca Digital Curt Nimuendajú, 2009.