Hermes da Fonseca

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Marechal
Hermes da Fonseca
8º Presidente do Brasil Brasil
Mandato 15 de novembro de 1910
a 15 de novembro de 1914
Vice-presidente Venceslau Brás
Antecessor(a) Nilo Peçanha
Sucessor(a) Venceslau Brás
Ministro do Superior Tribunal Militar
Mandato 18 de dezembro de 1908
a 27 de maio de 1909
Antecessor(a) Alexandrino Faria de Alencar
Sucessor(a) Marinho da Silva
Ministro da Guerra
Mandato 15 de novembro de 1906
a 27 de maio de 1908
Antecessor(a) Francisco de Paula Argolo
Sucessor(a) Luís Mendes de Morais
Vida
Nome completo Hermes Rodrigues da Fonseca
Nascimento 12 de maio de 1855
São Gabriel, Rio Grande do Sul,  Brasil
Morte 9 de setembro de 1923 (68 anos)
Petrópolis, Rio de Janeiro,
 Brasil
Dados pessoais
Alma mater Colégio Militar do Rio de Janeiro
Cônjuge Orsina Francioni (1878–1912)
Nair de Tefé (1913–1923)
Partido Republicano Conservador
Religião Catolicismo
Profissão Militar
Assinatura Assinatura de Hermes da Fonseca
Serviço militar
Serviço/ramo Exército Brasileiro
Anos de serviço 1871–1906
Graduação Marechal.gif Marechal
Comandos Brigada Policial do Rio de Janeiro
Batalhas/guerras Revolta da Esquadra

Hermes Rodrigues da Fonseca (São Gabriel, 12 de maio de 1855Petrópolis, 9 de setembro de 1923) foi um militar e político brasileiro, presidente do Brasil entre 1910 e 1914.[1]

Era sobrinho do Marechal Deodoro da Fonseca, 1º presidente do Brasil, do General João Severiano da Fonseca, Patrono do Serviço de Saúde do Exército, e filho do marechal Hermes Ernesto da Fonseca e de Rita Rodrigues Barbosa.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Seu pai era natural de Alagoas e, sendo militar, foi transferido para São Gabriel, onde Hermes nasceu, em 1855. Quando o pai foi enviado para a Guerra do Paraguai, a família retornou para o Rio de Janeiro.[2]

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Partidário do positivismo e filiado à maçonaria, o capitão Hermes da Fonseca participou, ao lado do tio, marechal Deodoro da Fonseca, do movimento de 15 de novembro de 1889. Anos mais tarde, também marechal, seria eleito e empossado como o oitavo presidente da república.

Em 1871, aos 16 anos, formou-se bacharel em Ciências e Letras e ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde foi aluno de Benjamin Constant, um dos introdutores das ideias de Auguste Comte no Brasil, e não escapou assim à influência do mestre, embora não se tornasse um positivista ortodoxo. Quando se formou serviu como ajudante de ordens do príncipe Gastão de Orléans, conde d'Eu.

Apoiou a república proclamada por seu tio Manuel Deodoro da Fonseca, e foi convidado por este a ser ajudante-de-campo e secretário militar após o golpe. Em dez meses passou de capitão a tenente-coronel.[3]

Por ocasião da revolta da esquadra (1893), destacou-se, em Niterói, no comando da defesa do governo de Floriano Peixoto. De 1894, quando foi promovido a coronel, a 1896 comandou o 2° Regimento de Artilharia Montada, depois foi nomeado chefe da Casa Militar da Presidência.[3] Comandou a Brigada Policial do Rio de Janeiro (atual Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro) entre 1899 e 1904, quando assumiu o comando da Escola Militar do Realengo, que formava os oficiais do exército.

Como comandante da Escola Preparatória do Realengo, em 1904, reprimiu a Revolta da Vacina, movimento que, em nome da liberdade individual, protestou contra a obrigatoriedade da vacina antivariólica, traduzindo, também, a insatisfação popular mais ampla contra o regime. O presidente Rodrigues Alves promoveu-o a marechal.

Desempenhou vários cargos governamentais até se tornar ministro da Guerra, durante o governo de Afonso Pena (1906-1909), entre 15 de novembro de 1906 e 27 de maio de 1908. Reformou o Exército e o Ministério com a criação de serviços técnicos e administrativos. Dessas inovações, a mais importante foi a instituição do serviço militar obrigatório, conquanto essa lei só fora legitimada em 1964, Lei nº 4.375, de 17 de Agosto de 1964. [4] Devido à discussão na Câmara sobre a participação dos militares na vida política do país, pediu demissão do cargo. Foi depois ministro do Supremo Tribunal Militar (STM).

A eleição de 1910[editar | editar código-fonte]

A festa durante a posse em 1910.

Em novembro de 1908, após regressar de uma viagem à Alemanha, onde assistira a manobras militares como convidado de Guilherme II, foi indicado para a sucessão presidencial. Contou com o apoio do presidente Nilo Peçanha, que substituiu Afonso Pena, e das representações estaduais no Congresso Nacional, à exceção das bancadas de São Paulo e Bahia, que apoiavam o nome do senador Rui Barbosa e o presidente de São Paulo Albuquerque Lins como candidato a vice-presidente, e deram início à campanha civilista.[1]

Pela primeira vez no regime republicano se instalou um clima de campanha eleitoral com a disputa entre civilistas e hermistas. Com o convite de Nilo Peçanha para que retornasse ao cargo no ministério, se fortaleceu e venceu as eleições de 1910 contra Rui Barbosa.

Na eleição de 1 de março de 1910, o país se dividiu: Bahia, São Paulo, Pernambuco, o estado do Rio de Janeiro e parte de Minas Gerais, apoiaram o candidato Rui Barbosa, que tinha o presidente de São Paulo, Albuquerque Lins,[1] como seu vice-presidente, e os demais estados apoiaram a candidatura de Hermes da Fonseca, que tinha Venceslau Brás como seu vice. Hermes e Wencesláu Brás venceram. Hermes teve 403.867 votos contra 222.822 votos dados a Rui Barbosa.[5]

Depois de eleito, viajou à Europa, onde assistiu à queda da monarquia em Portugal.

Na presidência da República[editar | editar código-fonte]

Marechal Hermes da Fonseca.

Hermes da Fonseca enfrentou, logo na primeira semana de governo, em novembro de 1910, a Revolta da Chibata, arquitetada por cerca de dois anos e que culminou num motim dos marinheiros no Encouraçado Minas Gerais, Encouraçado São Paulo, Encouraçado Deodoro e Cruzador Bahia, revolta liderada pelo marinheiro João Cândido Felisberto.[2] Depois de conseguido o objetivo, o fim da aplicação da Chibata na Marinha, e concedida a anistia a todos os mais de dois mil marinheiros amotinados, o governo traiu sua palavra e começou um processo de expulsão de marinheiros. O primeiro motim, já controlado, foi seguido de um levante no batalhão de fuzileiros navais sem causa aparente. O Marechal Hermes ordenou o bombardeio aos portos e colocou o país em estado de sítio. Mais de 1200 marinheiros foram expulsos e centenas foram presos e mortos. Apesar de ser bastante popular quando eleito, sua imagem ficou bastante abalada depois da revolta. Logo outra revolta veio conturbar o seu governo, a Guerra do Contestado, que não chegou a ser debelada até o fim de seu governo.[2]

Manteve a ordem e apoiado pelo Partido Republicano Conservador, liderado pelo senador Pinheiro Machado, retomou o esquema das administrações anteriores, sem poder, contudo, conter o surto militarista das chamadas "salvações", que consistiam na derrubada das oligarquias que dominavam as regiões Norte e Nordeste.[1] Foi no seu Governo que foi criada a Faixa Presidencial, pelo Decreto número 2.299, de 21 de Dezembro de 1910.[2]

A Política das Salvações, nem sempre pacífica, consistiu em promover intervenções federais sucessivamente nos Estados de Pernambuco, Bahia, Ceará e Alagoas, alegando a prática de corrupção e a fim de colocar militares na chefia dos Estados, em substituição aos políticos. As intervenções provocaram violenta oposição, que resultou no bombardeio a Manaus em 8 de outubro de 1910, ainda no Governo de Nilo Peçanha[6] e Salvador.

Em seu governo ocorreu nova renegociação da dívida externa brasileira, em 1914, com um segundo funding loan (o primeiro fora negociado por Campos Sales), pois a situação financeira do Brasil não andava bem. Sua política externa manteve a aproximação com os Estados Unidos, traçada pelo chanceler barão do Rio Branco, que continuou no cargo de ministro, até 1912, quando faleceu.

No plano interno, prosseguiu o programa de construção de ferrovias, incluindo a ferrovia Madeira-Mamoré e de escolas técnico-profissionais, delineado no governo Afonso Pena. Instalou a Universidade do Paraná. Concluiu as reformas e obras da Vila Militar de Deodoro e do Hospital Central do Exército (HCE), entre outras, além das vilas operárias, no Rio de Janeiro, no subúrbio de Marechal Hermes e no bairro da Gávea.

Foi o único presidente a casar-se durante o mandato presidencial, sua primeira esposa, Orsina Francioni da Fonseca, com que casou-se em 1878 veio a falecer em 1912.[2] Sua segunda esposa foi a caricaturista Nair de Tefé von Hoonholtz, filha do barão de Teffé.[1] Nair seria hoje considerada uma feminista - e, em sua longa vida, chegaria a participar das primeiras comemorações do Ano Internacional da Mulher. Casaram-se no dia 8 de dezembro de 1913, no Palácio do Catete - Rio de Janeiro (embora ele tenha pedido a sua mão em 6 de janeiro).

Durante seu governo, foi editado um decreto instituindo o uso da faixa presidencial no Brasil, sendo ele mesmo o primeiro presidente a usá-la e o primeiro a passá-la a seu sucessor.[1] Desde então, todos os presidentes a recebem na ocasião da posse. Hermes da Fonseca é um dos dois únicos militares a chegar na Presidência de forma direta e eleitoral. O outro foi Eurico Gaspar Dutra. Durante todo o seu mandato andou fardado, inclusive durante as reuniões ministeriais.[3]

Após a presidência[editar | editar código-fonte]

Ao deixar a presidência, em novembro de 1914, candidatou-se ao Senado pelo Rio Grande do Sul, mas recusou-se a assumir a cadeira, em virtude do assassinato de Pinheiro Machado, no dia em que deveria ser diplomado, em setembro de 1915. Viajou para a Europa, afastando-se da política, e só retornou ao Brasil após seis anos de vida na Suíça (1920), quando se iniciava uma nova campanha presidencial.[2]

Acolhido carinhosamente pelos militares, foi conduzido à presidência do Clube Militar em 1921. Nesta condição entrou em conflito com o governo de Epitácio Pessoa ao prestigiar as forças políticas que apoiaram a candidatura de Nilo Peçanha, no movimento "reação republicana", e envolver-se na frustrada revolta militar de 1922, conhecida como revolta do forte de Copacabana.

Durante a eleição presidencial de 1922, cartas falsas contra Hermes da Fonseca, onde era chamado de sargentão sem compostura, foram atribuídas à autoria de Artur Bernardes, o que causou tumulto imenso naquelas eleições

Sua prisão foi então decretada pelo presidente Epitácio Pessoa. Seis meses depois foi libertado graças a um habeas corpus. Doente, retirou-se para Petrópolis (RJ), onde morreu em 9 de setembro de 1923. Foi sepultado no cemitério da cidade.

Composição do governo[editar | editar código-fonte]

A composição do governo do marechal Hermes da Fonseca foi[7] [8] :

Órgãos da Presidência[editar | editar código-fonte]

Órgão Nome Período
Início Fim
Secretaria da Presidência da República Alcebíades Peçanha 15 de novembro de 1910 7 de abril de 1913
Jesuíno Ubaldo Cardoso de Mello 7 de abril de 1913 10 de novembro de 1914
Consultoria Geral da República Tristão de Alencar Araripe Júnior 15 de novembro de 1910 29 de outubro de 1911
Rodrigo Octavio de Langgaard Meneses 9 de novembro de 1911 12 de abril de 1912
Manoel Álvaro de Souza Sá Vianna 12 de abril de 1912 1 de agosto de 1913
Rodrigo Octavio de Langgaard Meneses 1 de agosto de 1913 15 de novembro de 1914

Ministérios[editar | editar código-fonte]

Ministério Ministro(s) Período
Início Fim
Ministério da Justiça e Negócios Interiores Rivadávia da Cunha Correia 15 de novembro de 1910 12 de agosto de 1913
Uladislau Herculano de Freitas 12 de agosto de 1913 15 de novembro de 1914
Ministério da Marinha contra-almirante Joaquim Marques Batista de Leão 15 de novembro de 1910 11 de janeiro de 1912
vice-almirante Manuel Inácio Belfort Vieira 11 de janeiro de 1912 12 de julho de 1913
general Vespasiano Gonçalves de Albuquerque e Silva (interino) 12 de julho de 1913 2 de agosto de 1913
vice-almirante Alexandrino Faria de Alencar 2 de agosto de 1913 15 de novembro de 1914
Ministério da Guerra general Emídio Dantas Barreto 15 de novembro de 1910 12 de setembro de 1911
general Antônio Adolfo da Fontoura Mena Barreto 12 de setembro de 1911 30 de março de 1912
general Vespasiano Gonçalves de Albuquerque e Silva 30 de março de 1912 15 de novembro de 1914
Ministério das Relações Exteriores José Maria da Silva Paranhos Júnior, barão do Rio Branco (interino) 15 de novembro de 1910 10 de fevereiro de 1912
Enéas Martins (interino) 10 de fevereiro de 1912 14 de fevereiro de 1912
Lauro Müller 14 de fevereiro de 1912 15 de novembro de 1914
Ministério da Fazenda Francisco Antônio de Salles 15 de novembro de 1910 9 de maio de 1913
Rivadávia da Cunha Correia 9 de maio de 1913 15 de novembro de 1914
Ministério da Viação e Obras Públicas José Joaquim Seabra 15 de novembro de 1910 26 de janeiro de 1912
Pedro Manuel de Toledo (interino) 26 de janeiro de 1912 26 de fevereiro de 1912
José Barbosa Gonçalves 26 de fevereiro de 1912 15 de novembro de 1914
Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio Pedro Manuel de Toledo 5 de novembro de 1910 18 de novembro de 1913
José Joaquim Seabra (interino) 3 de março de 1911 30 de março de 1911
José Barbosa Gonçalves (interino) 4 de maio de 1912 29 de maio de 1912
Manuel Edviges de Queirós Vieira 19 de novembro de 1913 15 de novembro de 1914

Representações na cultura[editar | editar código-fonte]

O marechal Hermes da Fonseca já foi retratado como personagem na televisão, interpretado por Othon Bastos na minissérie "Mad Maria" (2005).

Referências

  1. a b c d e f Renato Cancian. Governo Hermes da Fonseca (1910-1914) (em português) UOL - Educação. Página visitada em 9 de setembro de 2012.
  2. a b c d e f Hermes Rodrigues da Fonseca (em português) Centro de Informação de Acervos dos Presidentes da República e Almanaque Abril. UOL - Educação. Página visitada em 9 de setembro de 2012.
  3. a b c MCCANN, Frank D., Soldados da Pátria:História do Exércido Brasileiro, 1889-1937 Editora Companhia das Letras, 1999, ISBN 8535910840, ISBN 9788535910841, 744 pp.
  4. http://www2.camara.gov.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4375-17-agosto-1964-377695-normaatualizada-pl.html Camara.gov.br.
  5. PORTO, Walter Costa, O voto no Brasil, Editora Topbooks, 2002
  6. Mensagem lida perante o Congresso do Amazonas na abertura da segunda sessão ordinária da sétima legislatura pelo Exm. Sr. Col. Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt Governador do Estado em 10 de julho de 1911 página 7
  7. Presidência da República. Governo Hermes da Fonseca (em português) Presidencia.gov.br. Página visitada em 7 de agosto de 2008.
  8. Presidência da República. Governo Hermes da Fonseca - Ministros de Estado (em português) Presidencia.gov.br. Página visitada em 7 de agosto de 2008.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dicionário de Estrela, José Alfredo Schierholt
  • FONSECA, Hermes Rodrigues da, Entrevista com o Marechal Hermes da Fonseca, Editora Jornal do Comércio, 1908.
  • FONCECA, Walter, Fonseca, uma Família e uma História, Editora Fonseca, 1982.
  • FONSECA FILHO, Hermes da, Marechal Hermes, Editora IBGE, Rio de Janeiro, 1961.
  • KOIFMAN, Fábio, Organizador - Presidentes do Brasil, Editora Rio, 2001.
  • SILVA, Hélio, Hermes da Fonseca 1910-1914, Editora Três, 1984.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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