Heterossexismo

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Heterossexismo é a atitude de preconceito, discriminação, negação, estigmatização ou ódio contra toda sexualidade não-heterossexual,[1] a suposição de que as pessoas são todas heterossexuais ou de que o heterossexualidade é superior e mais desejável do que as demais orientações sexuais.[2] [3] [4]

Apesar de ser considerada uma forma de discriminação, diferencia-se da homofobia porque esta refere-se ao nível individual, enquanto o heterossexismo tem sido utilizado para designar a opressão praticada por todo um grupo social ou instituição.[2]

O termo heterossexismo foi proposto por Stephen Morin em 1977, para definir "crenças e atitudes que não atribuem o mesmo valor aos estilos de vida entre pessoas do mesmo sexo e entre pessoas de sexos diferentes. De uma forma geral, o termo é utilizado para referenciar o sistema ideológico que nega, denigre e estigmatiza qualquer forma de comportamento, identidade, relacionamento ou comunidade não heterossexual". [5]


Negação da variedade nas orientações sexuais[editar | editar código-fonte]

Um indivíduo ou grupo classificado por heterossexista pode não reconhecer a possibilidade de existência das outras orientações sexuais.[2] Tais comportamentos são ignorados ou por se acreditar que são um "desvio" de algum padrão[3] ou pelo receio de gerar polêmicas ao abordar determinados assuntos em relação à sexualidade.[2]

Sociedades heterossexistas consideram a heterossexualidade como normal e como padrão de comportamento. As demais formas de sexualidade são consideradas como desviantes, anormais, aberrações e, portanto, passíveis de repressão direta, através das leis, e repressão social pelas instituições as quais os indivíduos pertencem como família, escolas, religião, ciências, literatura, órgãos de comunicação social, etc.

Daniel Borrillo pontua que o heterossexismo é uma forma específica de dominação, na qual há uma hierarquia das sexualidades, sendo que a heterossexualidade assume posição superior. Assim, as outras formas da sexualidade são classificadas como "incompletas, acidentais e perversas", ou ainda "patológicas, criminosas, imorais e destruidoras da civilização". [6] O autor ainda destaca que, na contemporaneidade, o heterossexismo assume uma nova forma, mais sutil, mas não menos violenta: o heterossexismo diferencialista, no qual a oposição à eliminação das fronteiras jurídicas entre as sexualidades se baseia no princípio da proteção à diversidade. "Foi em razão da diferença, e não da normatização, que o tratamento diferenciado de gays e lésbicas pôde se justificar, privando-os do direito ao casamento, à adoção e ao uso de técnicas de reprodução assistida. Em nome dessa suposta pluralidade de sexualidades e no intuito de preservar a diferença de sexos e de gêneros, o discurso diferencialista moderniza a ordem heterossexista ao mesmo tempo em que denuncia as mais brutais manifestações homofóbicas". [7]

Referências

  1. Patricia Beattie Jung; Ralph F. Smith. Heterosexism: An Ethical Challenge. [S.l.]: State University of New York Press, 1993. ISBN 0791416968
  2. a b c d Heterosexism. Safe Zone. Universidade James Madison (23 de julho de 2005). Página visitada em 12 de março de 2012.
  3. a b Definitions:Homophobia, Heterosexism, and Sexual Prejudice. UCDavis: Universidade da Califórnia (1997-2012). Página visitada em 12 de março de 2012.
  4. G. M. Herek. (1990). "The context of anti-gay violence: Notes on cultural and psychological heterosexism" 5: 316-333 pp.. Journal of Interpersonal Violence.
  5. MOITA, Gabriela (2006). A patologização da diversidade sexual: Homofobia no discurso de clínicos p. 67. Página visitada em 12 de setembro de 2013.
  6. BORRILLO, Daniel (2009). A homofobia p. 25. Página visitada em 07 de outubro de 2013.
  7. BORRILLO, Daniel (2009). A homofobia p. 26. Página visitada em 07 de outubro de 2013.

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