Heurística

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Heurística é um método ou processo criado com o objetivo de encontrar soluções para um problema. É um procedimento simplificador (embora não simplista) que, em face de questões difíceis envolve a substituição destas por outras de resolução mais fácil a fim de encontrar respostas viáveis, ainda que imperfeitas.[1] [2] Tal procedimento pode ser tanto uma técnica deliberada de resolução de problemas, como uma operação de comportamento automática, intuitiva e inconsciente[3] .

Na primeira forma é uma alternativa rápida e semi-intuitiva ao raciocínio lento e elaborado, que às vezes funciona razoavelmente bem se utilizada dentro de suas limitações. Mas que geralmente induz a vieses e erros graves e recorrentes quando realizada em sua 2ª forma, ou utilizada além de seu escopo.[4] [5]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Heurística tem origem no termo grego εὑρίσκω, que significa "encontrar" ou "descobrir". Tem a mesma origem da palavra eureca (εὕρηκα), que significa "encontrei".

Uso gramatical[editar | editar código-fonte]

A palavra heurística aparece em mais de uma categoria gramatical:

  • Como substantivo, identifica a arte ou a ciência do descobrimento.
  • Quando aparece como adjetivo, refere-se a coisas mais concretas, como estratégias heurísticas, regras heurísticas ou silogismos e conclusões heurísticas.

Aplicabilidade[editar | editar código-fonte]

A capacidade heurística é uma característica humana que do lado positivo pode ser descrita como a arte de descobrir e inventar ou resolver problemas mediante a experiência (própria ou observada), somada à criatividade e ao pensamento lateral ou pensamento divergente. Como descrito acima, seja de forma deliberada ou não, heurísticas são procedimentos utilizados quando um problema a ser encarado é por demais complexo ou traz informações incompletas.

De forma inconsciente é praticada sem que muitas vezes os indivíduos se deem conta do processo. No geral, pode ser considerada como um atalho aos processos mentais, sendo assim uma medida que preserva e conserva energia e os recursos mentais. A heurística pode funcionar efetivamente na maioria das circunstâncias em que é aplicada conscientemente.[4] [5]

Do lado negativo, é um processo geralmente aplicado de forma automática, inconsciente e portanto sujeito a inúmeros vieses e padronização de erros. Um exemplo de atalho mental aplicado desta forma é o julgamento de um indivíduo com base no estereótipo do grupo ao qual pertence, o que em geral resulta em erros sistemáticos.[6]
Por ser uma forma automática, é muito difícil mesmo para profissionais experientes, monitorá-la e às vezes até evitá-la (inclusive quando estão conscientes dela), dada à naturalidade com que, quando somos confrontados com questões de resolução difícil, perguntas e respostas heurísticas mais fáceis, vem à mente. Especialmente se associadas a outras heurísticas ao longo do tempo, como a do Afeto.[4] [5]

Tipos de heurística[editar | editar código-fonte]

De entre as duas formas (positiva e negativa) descritas acima, existem vários tipos de heurísticas conhecidas e catalogados, aplicadas em várias situações. Entre as principais estão:[4]

  • heurísticas de julgamento; processos de julgamentos ou previsões parciais baseados em similaridade e enquadramento, muitas vezes sem se dar conta disso.
  • heurística de afeto; processo no qual as pessoas deixam que suas simpatias, antipatias e afinidades pessoais determinem suas crenças e ações.[7]
  • Heurística 3D ou de ilusão de óptica; processo automático de substituição quando por ex. se interpreta um objeto bidimensional por um tridimensional.[8]
  • heurística de disponibilidade; processo de julgar a frequência de dados segundo a facilidade com que similaridades vêm à mente, dada à limitada capacidade de manter concentração/atenção e empreender considerável esforço mental ao mesmo tempo.[9]
  • heurística de avaliabilidade; processo no qual as tomadas de decisão são feitas e mudam conforme o quadro dado. Por ex. um julgamento ou tomada de decisão mediante avaliação conjunta dos elementos/fatores envolvidos tende a ser diferente de uma decisão tomada baseada numa avaliação isolada dos mesmos elementos.[10]

Heurísticas de Pólya[editar | editar código-fonte]

A popularização do conceito deve-se ao matemático húngaro George Pólya e ao seu livro "A arte de resolver problemas". Estudando muitos testes matemáticos de sua juventude, quis saber como os matemáticos chegavam a estas conclusões. O livro contém a classe heurística da prescrição que tentou ensinar aos seus alunos de matemática. Quatro exemplos extraídos do livro ilustram o conceito:

  • Se não puder compreender um problema, monte um esquema;
  • Se não puder encontrar a solução, tente fazer um mecanismo inverso para tentar chegar à solução (engenharia reversa);
  • Se o problema for abstrato, tente propor o mesmo problema num exemplo concreto;
  • Tente abordar primeiro um problema mais geral (o paradoxo do inventor: o propósito mais ambicioso é o que tem mais possibilidade de sucesso).

As técnicas heurísticas não asseguram as melhores soluções, mas somente soluções válidas, aproximadas; e não raro não é possível justificá-las de imediato em termos estritamente lógicos a validade do resultado.

É útil neste respeito recordar a distinção entre três tipos de estratégias para a definição dos problemas:

  • Busca às cegas,
  • Estratagema heurístico; baseado na intuição real ou percebida (consciente ou inconsciente) e
  • Busca racional; usando um sistema ou forma de raciocínio, explicável do ponto de vista lógico formal.

As heurísticas de Pólya são procedimentos estratégicos deliberados,[11] do tipo que utilizam conscientemente a intuição, sendo seus usuários em geral conscientes de suas limitações.

Heurísticas em ciência da computação[editar | editar código-fonte]

Em ciência da computação, em especial otimização, inteligência computacional por exemplo, heurística representa algo sem precedentes. Infelizmente a maioria dos algoritmos desenvolvidos para resolver problemas gerados pela aplicação da matemática e física à realidade são ineficientes para casos de dimensão real. Heurísticas e metaheurísticas têm sido a saída, ver por exemplo busca gulosa (Greedy Search) ou mesmo GRASP.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Kahneman, Daniel "Rápido & Devagar; Duas Formas de Pensar" Ed. Objetiva 2012; pág. 127 ISBN 9788539003839
  2. Taleb, Nassim "Antifragile; Things that Gain from disorder" (em inglês) Random House 2012, pág. 11 Penúltimo Parágrafo ISBN 9780679645276
  3. Ibidem Kahneman 2012 páginas 136 e 166
  4. a b c d Ibidem Kahneman 2012
  5. a b c Ibidem Taleb 2012
  6. Lewicki, Saunders & Minton "Fundamentos da Negociação" McGraw-Hill 2001 - pág.148, 3º parágrafo ISBN 0072312858
  7. Ibidem Kahneman 2012, pág.133
  8. Ibidem Kahneman 2012, págs.129 à 131
  9. Ibidem Kahneman 2012, págs 165-66
  10. Ibidem Kahneman 2012, Parte 4 - Capítulo 33
  11. Ibidem Kahneman 2012, pág.127 penúltimo parágrafo

Ver também[editar | editar código-fonte]