Hexâmetro dactílico

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Hexâmetro datílico (AO 1945: dactílico) (do grego: εξ, héx, "seis", e μέτρον, métron, "medida(s)") ou hexâmetro heróico é uma forma de métrica poética ou esquema rítmico. É tradicionalmente associado à poesia épica, tanto grega quanto latina, como por exemplo a Ilíada e a Odisseia de Homero e a Eneida de Virgílio. É a mais antiga e importante forma usada na poesia épica da Grécia Antiga.

O dactílico se assemelha à forma de um dedo, com uma sílaba longa seguida por duas curtas

Dactílico[editar | editar código-fonte]

A origem do nome “dactílico” é a palavra grega “dactilus”, “dedo”, e faz alusão a um dedo: a primeira falange é longa e as duas seguintes breves, analogamente à sequência de sílabas longas e breves no verso.

O site Grécia Antiga descreve que "para os gregos e outros povos da Antiguidade, um poema não era bem o que hoje chamamos de "poesia", e sim um arranjo de sílabas longas e breves que dava aos poemas, quando declamados, uma musicalidade característica. A poesia foi usada pelos gregos extensivamente na epopéia, na lírica, na tragédia e na comédia." Há que se lembrar que estamos no meio de uma cultura oral e que não havia "obras escritas" como existem hoje. Não havia rimas, costume que se desenvolveu muito mais tarde com o advento do Cristianismo e da poesia religiosa (site Grécia Antiga).

A poesia grega usava metros distintos, combinações de sílabas longas (l) e breves (b). Estas formava uma estrutura básica dos versos chamamos pés. Cada pé era constituído pela sucessão de longas e breves e comportava dois "tempos", um mais elevado e um mais baixo. A sucessão padronizada de pés emprestava ao verso um ritmo característico, lento e solene, ou vivaz e agitado, e assim por diante. O site Grécia Antiga descreve que os pés mais importantes:

dáctilo: l b b
anapesto: b b l
iambo: b l
troqueu: l b
espondeu: l l
peon: l b l

Variações destes eram também comumente utilizadas. A substituição de um pé dáctilo por um pé espondeu, por exemplo, era bastante frequente. Os dois tipos mais antigos de metro são o hexâmetro e o iambo. Uma das mais antigas inscrições gregas conhecidas, a da taça de Nestor, tem três versos, sendo o primeiro um iambo e os dois outros, hexâmetros... Os poetas escolhiam os ritmos de seus versos segundo o efeito que desejavam produzir. Nas comédias, por exemplo, usava-se muito os versos iâmbicos, que se assemelhavam bastante à fala durante uma conversação comum. Na poesia épica, a mais antiga forma conservada de poesia grega, a preferência recaía sobre o hexâmetro dactílico, de efeito lento e solene. A poesia épica ou epopéia tem geralmente uma certa extensão e relata aventuras heróicas — míticas ou históricas — em estilo elevado.

O hexâmetro dactílico (ou "heróico"), constituía-se essencialmente de seis pés dactílicos ou seus equivalentes espondeus, cada um com um elemento bem marcado e outro mais fraco; o "tempo" bem marcado correspondia sempre a uma sílaba longa, e o "tempo" fraco a uma sílaba longa ou duas breves. Havia geralmente uma "pausa" ou cesura no meio do verso (terceiro pé), de modo a permitir a respiração do declamador...

Eis a estrutura métrica do primeiro verso da Ilíada de Homero, composto por volta de -750: Um dáctilo (dactilus, em grego “dedo”) é uma sequência de três sílabas poéticas, a primeira longa e as duas seguintes breves. Portanto, o verso hexâmetro dactílico ideal consiste de seis (do grego hexa) pés, sendo cada um dáctilo. Tipicamente, porém, o último pé do verso não é um dáctilo, mas sim um espondeu ou um troqueu, ou seja, a penúltima sílaba é sempre longa e a última silaba pode ser breve ou longa.

Na realidade, é difícil dispor as palavras nesta métrica, então poetas podem substituir os dáctilos por espondeus, que são pés com duas sílabas longas. Tradicionalmente o quinto pé em um verso é um dáctilo verdadeiro. Cerca de uma linha em vinte de Homero tem um espondeu no quinto pé. Esta linha é conhecida como espondaica. Uma linha de hexâmetro dactílico pode ser diagramada da seguinte maneira (Note que “¯” é uma sílaba longa, “u” é uma sílaba breve e “U” pode ser uma longa ou duas breves):

¯ U | ¯ U | ¯ U | ¯ U | ¯ u u | ¯ ¯

Referências[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

(sugestão de Grecia Antiga )

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]