Hidra de Lerna

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Hércules matando a Hidra de Lerna, François-Joseph Bosio, Louvre
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A Hidra de Lerna era um animal fantástico da mitologia grega, filho dos monstros Tifão e Equidna,[1] que habitava um pântano junto ao lago de Lerna, na Argólida, hoje o que equivaleria à costa leste da região do Peloponeso.[2] A Hidra tinha corpo de dragão[2] e nove cabeças de serpente[1] [2] (algumas versões falam em sete cabeças e outras em números muito maiores) [carece de fontes?] cujo hálito era venenoso[3] e que podiam se regenerar.

A Hidra era tão venenosa que matava os homens apenas com o seu hálito; se alguém chegasse perto dela enquanto ela estava dormindo, apenas de cheirar o seu rastro a pessoa já morria em terrível tormento.[3]

A Hidra foi derrotada por Héracles (Hércules, na mitologia romana), em seu segundo trabalho.[2] [3] Inicialmente Hércules tentou esmagar as cabeças, mas a cada uma que cortava surgiam duas no lugar.[2] Decidiu então mudar de tática e, para que as cabeças não se regenerassem, pediu ao sobrinho Jolau para que as queimasse com um tição logo após o corte, cicatrizando desta forma a ferida.[2] Sobrou então apenas a cabeça do meio, considerada imortal.[2] Héracles cortou e enterrou a última cabeça com uma enorme pedra.[2] Assim, o monstro foi morto.[4] [5]

Segundo a tradição, o monstro foi criado por Hera para matar Héracles. Quando percebeu que Héracles iria matar a serpente, Hera enviou-lhe a ajuda de um enorme caranguejo, mas Héracles pisou-o[2] e o animal converteu-se na constelação de caranguejo (ou Câncer).[6]

Instruído por Atena(Minerva),[3] Héracles, após matar a Hidra, aproveitou para banhar suas flechas no sangue do monstro, para torná-las venenosas.[2] [3] Euristeu não considerou este trabalho válido[2] (Héracles deveria cumprir dez trabalhos, e não doze[7] ), pois o heroi teve ajuda.[2]

Héracles morreu, mais tarde, na Frígia, por causa do veneno da Hidra:[3] após ferir mortalmente o centauro Nesso com flechas envenenadas no sangue da Hidra, este deu seu sangue a Dejanira, dizendo que era uma poção do amor, para ser usada na roupa.[8] Dejanira acreditou, e, quando sentiu ciúmes de Íole, usou o sangue de Nesso para banhar as roupas de Héracles, que sentiu dores de queimadura insuportáveis, preferindo o suicídio na pira crematória.[9]

Referências

  1. a b Higino, Fabulae, Prefácio
  2. a b c d e f g h i j k l Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 2.5.2
  3. a b c d e f Higino, Fabulae, XXX, Doze Trabalhos de Hércules ordenados por Euristeu
  4. Dicionário de Mitologia Greco-latina, Tassilo Orpheu Spalding , ed. Itatiaia
  5. Dicionário da Mitologia Grego e Romana, Pierre Grimal, ed. Bertrand Brasil
  6. Theoi Project - Bestiary - Hydra (em ingles)
  7. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 2.4.12
  8. Higino, Fabulae, XXXIV, Nesso
  9. Higino, Fabulae, XXXVI, Dejanira