Higienópolis (São Paulo)
| Bairro de São Paulo |
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| Fundação: | 1893 (compra do terreno) 1895 (início do loteamento) |
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| Imigração predominante: | |||
| Distrito: | Consolação | ||
| Subprefeitura: | Sé | ||
| Região Administrativa: | Centro | ||
Higienópolis é um bairro nobre localizado na região central da cidade brasileira de São Paulo. Está situado em uma das regiões mais altas da cidade, chamada de Espigão da Paulista. Apresenta perfil residencial, caracterizado por uma população de rendas média-alta e alta, sendo também conhecido pela presença de relevantes instituições culturais.
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A região na qual se constitui é ocupada desde o século XVI, tendo seu desenvolvimento se dado paralelamente àquele da própria cidade. O bairro se destaca pela presença de grande quantidade de exemplares da arquitetura de tendências diversas. Sempre foi endereço de expressivas famílias tradicionais da aristocracia paulista, e passou a abrigar habitantes de variadas origens, migrantes e imigrantes, inclusive judeus de diversas nacionalidades, assim como se tornou um dos bairros preferidos por artistas em geral.
Limita-se com os bairros de: Cerqueira César, Pacaembu, Santa Cecília e Vila Buarque.
[editar] História
A região onde se situam os atuais bairros de Higienópolis, Pacaembu e Perdizes compreendia a "Sesmaria do Pacaembu", que era dividida em Pacaembu de Cima, do Meio e de Baixo.[1] A extensa propriedade rural pertencia à Companhia de Jesus. Seus membros, os jesuítas, receberam-na no século XVI como resultado de uma doação feita pelo donatário Martim Afonso de Sousa. Esses religiosos foram violentamente expulsos do Reino de Portugal e de suas colônias em 1760, através da determinação de Marquês de Pombal e seus bens foram confiscados e vendidos, dentre eles a sesmaria.[2] E ali, com o passar dos anos, integrantes da aristocracia paulistana construíam suas chácaras, propriedades urbano-rurais e auto-suficientes em água e subsistência.[2]
Devido ao crescimento da cidade, causado pelo êxodo rural e o Ciclo do café, essas moradias foram loteadas.[2] As antigas terras do Barão de Ramalho e do Barão Wanderley, que juntas apresentavam 847.473 m², foram compradas em 1893 por Martinho Buchard e Victor Nothmann, capitalistas alemães.[1] Os dois empreendedores trouxeram da França o projeto e os materiais para a construção do segundo loteamento planejado e de alto-padrão da cidade, destinado especificamente para a elite paulistana. Chamado primeiramente de "Boulevard Bouchard", o loteamento fora lançado em 1895.[3] Porém, futuramente receberia o nome de Higienópolis (cidade ou lugar de higiene) devido às suas características, ressaltadas pela publicidade, tais como o fornecimento de água e esgoto, que na época eram existentes em poucos locais da cidade.[4] Além disso possuiria também iluminação à gás, arborização e seria atendido por linhas de bondes,[2] sendo considerado como o maior loteamento em extenção territorial e em importância social e econômica.[5]
Na época a região já contava com o Colégio Mackenzie - Gyminasio Americano, que gerou o atual campus paulistano da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Construído em 1874 no terreno de parte da antiga chácara de Dona Maria Antônia da Silva Ramos, e que foi um empreendimento idealizado pelo Reverendo Chamberlain.[6] Além do Hospital Samaritano de São Paulo, edificado em 1892 pela firma Krugg&Filho, através de doações diversas: de José Pereira Achau (por testamento), Victor Nothmann e Burchard, dos presbiterianos do Instituto Mackenzie, família Lee e Dona Maria Paes de Barros.
O loteamento foi dividido em duas fases: Higienópolis 1 e Higienópolis 2, possuindo lotes de 700m² a 1000 m².[3] Na primeira etapa, a dos altos de Santa Cecília, vias foram criadas e receberam os nomes de 3 senhoras integrantes da aristocracia local, proprietárias de extensa áreas na região, todas filhas de abastados barões: Maria Angélica de Sousa Queirós, filha do barão de Sousa Queirós (Avenida Angélica), Maria Antônia da Silva Ramos, filha do barão de Antonina (Rua Maria Antônia) e Veridiana da Silva Prado, filha do barão de Iguape (Rua Dona Veridiana).
| "A Avenida Higienópolis, com alguns palacetes belíssimos e muitas casas bonitas, ricos jardins e arranjos de terreno que eliminam toda a monotonia da cidade, pode competir vitoriosamente com as mais belas ruas modernas das cidades europeias, com a vantagem que, nos jardins, há uma flora quase tropical, a alegria das corolas multicolores, plantas de folhagens régias e variedade de vivos vegetais de toda espécie. Outras novas e amplas ruas se entrelaçam, contornadas sempre de casinhas de um a dois andares, edificações ocultas entre os ramos e as flores, alegres habitações de luzes e de cores que irradiam uma aura de doçura e de simplicidade". |
| Ernesto Bertarelli, artista italiano e colaborador do jornal O Estado de São Paulo,[7] em 1913.[8] |
E logo a área foi ocupada pela aristocracia do café, fazendeiros, empresários, comerciantes, anglo-saxões e profissionais liberais; que erguiam seus palacetes, os mais elegantes da cidade.[8] Muitos deles anteriormente moravam nos Campos Elíseos, primeiro bairro nobre paulistano.[9][10]
Dentre os membros da elite destacam-se:as famílias Sousa Queirós, Prado, Alves Lima, Silva Telles, Toledo Piza, Pacheco e Silva, Paes de Barros, Barros Brotero, Lucas Garcia Borges, o conde Antônio Álvares Leite Penteado, o cafeicultor Carlos Leôncio de Magalhães, a família do presidente Rodrigues Alves, o presidente Fernando Henrique Cardoso, o empresário e comendador Franz Müller, o delegado Arthur Rudge da Silva Ramos, o jurista e político Jorge Americano, os ex-prefeitos da cidade: o urbanista e engenheiro Francisco Prestes Maia e o empresário, banqueiro e engenheiro Olavo Egydio Setubal, o aristocrata e cafeicultor José de Queirós Aranha, a pintora modernista Tarsila do Amaral, a pianista Guiomar Novais, o jornalista Júlio Mesquita, o médico e ex-governador do estado Ademar de Barros, o médico Geraldo Vicente de Azevedo, e, dentre outros, Dom Luís Gastão de Orléans e Bragança, príncipe imperial do Brasil.
As mansões do bairro reproduziam os modelos franceses,[8] procurava-se imitar o modo de vida das metrópoles europeias mais importantes do século XIX, tanto que a manutenção de um palacete exigia no mínimo de 10 a 15 criados.[8] Os móveis, o material de construção e até a planta das casas eram trazidas da Europa. Possuíam pomares e jardins, algumas delas seriam tombadas pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural e Ambiental de São Paulo e, instituições educacionais e consulados se estabeleceriam nas tradicionais moradias.[11] Uma das mais conhecidas da época chamava-se Vila Penteado. Construída em 1902 no estilo art nouveau, era pertencente ao conde Antônio Álvares Leite Penteado, fazendeiro de café e industrial paulista, detentor de grande riqueza. Projetada pelo engenheiro sueco Carlos Ekman[12] foi a lançadora desse estilo na cidade. Decorada com estátuas, mobiliário, vitrais e mármores europeus. Ocupava toda a quadra entre a Avenida Higienópolis, ruas Sabará, Maranhão e Itambé, com grande área verde.[13]
No ano de 1900, deu-se a inauguração da linha de bondes elétricos da Vila Buarque, fato que causou o desenvolvimento do bairro iniciado na região da Rua Maranhão. O "bonde 25", como era chamado, que passava por essa rua, atraía visitantes devido à arquitetura e ao luxo da área.[1][14]
Em 1928 foi inaugurada a Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus (Paróquia de Santa Terezinha (São Paulo)), projetada pelo engenheiro italiano Antonio Vincenti, sendo executada a obra pelo arquiteto Fiorello Panelli, com seu interior inacabado. A imagem de Santa Terezinha, trazida da cidade francesa de Lisieux, sendo doação de dona Sofia Neves Torres e o sino, presente do empresário ítalo-brasileiro Conde Matarazzo.[15][16]
[editar] Crises e verticalização
A epidemia de febre amarela, que invadiu a cidade de Campinas (a porta da cafeicultura do planalto), tendo Adolfo Lutz, calculado em três quartos a população que deixou Campinas em direção a outras cidades, fugindo da epidemia, com os fazendeiros transferindo suas residências para a capital, embora a grande maioria conservando suas fazendas e lavouras no interior[17]. A Grande Depressão (a Crise de 1929) e a Revolução de 1930 trouxeram mudanças a muitas famílias, além da perda dos investimentos de diversos cafeicultores.[18] Então inicia-se o processo de verticalização do bairro, sendo um dos primeiros após o Centro Histórico da cidade. Seu primeiro edifício foi o Condomínio Edifício Alagoas(1933), para Abel Drummond, pela construtora Barreto Xandi & Cia.[3], o primeiro da capital do Estado a ter um apartamento por andar, e que causou críticas por ser construído em um bairro apenas de casas. E, seguido de outras construções importantes e de luxo, como o segundo, o Edificio Santo André, obra de Francisco Matarazzo e do arquiteto francês Jacques Pilon, na Rua Piauí esquina com Avenida Angélica. O terceiro foi o Edifício Augusto Barreto, em estilo art déco, pegado, no lado da Avenida Angélica. E foi construído o D.Pedro II, o primeiro da Avenida Higienópolis (1938) com somente 2 andares. E o Edifício Santa Amália (1943), na Rua Piauí, pegado ao Edifício Santo André, obra de Francisco Matarazzo Netto, e o Edifício Higienópolis (1943), no terreno da outrora residência da família Alves Lima. O Edifício Prudência (1944), foi um projeto de Rino Levi, com jardins de Burle Marx. E surgiram prédios como o D.João V, construção de Adolpho Lindenberg[19], Brasil Colonia, Brasil Império, Brasil República, Lindenberg e aqueles denominados de mansão:Mansão Orlandina Rudge Ramos, Mansão Michelangelo, Mansão Verlaine. E, os edifícios Barão de Antonina, Barão de Jundiaí, Marquês de Três Rios, Solar do Conde, Príncipe de Galles, Professor Vilaboim, Louveira (1946), Paulistania, São Clemente, Lafayette e tantos outros. E o Edifício Bretagne (1959), construção projetada por João Artacho Jurado, na Avenida Higienópolis, tendo ao lado o palacete de Antonieta Cintra Gordinho e o da Cúria Metropolitana de São Paulo, e do mesmo, o Edifício Parque das Hortensias (1957), o Edifício Piauí (1949) e o Edifício Cinderela (1956).
Aconteceu aquela que seria considerada uma revolução na arquitetura residencial paulistana: o advento da arquitetura modernista em edifícios de apartamentos. Toda a cidade de São Paulo até então se caracterizava pelos traços da arquitetura eclética, de perfil historicista e europeizante da elite local.
Os anos de 1940 surgiram com edificação de novos prédios a preços módicos, como o Edifício Rubayat e o Edifício Teresópolis. Aconteceu o êxodo da elite deixando seus palacetes para locais mais aprazíveis, dando lugar aos edifícios para a classe média. Em 1946 o Edifício Louveira, edifício residencial localizado na praça Vilaboim, foi projetado pelos arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, sendo considerado importante representante da arquitetura moderna, tendo sido tombado pelo Condephaat.).[20]
No entanto, a partir da década de 1950, o bairro começou a assumir o caráter pelo qual se tornou conhecido, recebendo grande quantidade de investimentos imobiliários que levaram à demolição de grande parte dos antigos casarões que o caracterizavam. Com tal fenômeno, o bairro tornou-se um ponto de destaque na cidade como um "mostruário" de exemplares diversos também de arquitetura, ocupado quase que predominantemente por edifícios de apartamentos de múltiplos andares, transformando-se na década de 1960 em uma "floresta de concreto armado".
Houve um grande aumento na população, de onde surgiram outros perfis de moradores como: profissionais liberais, funcionários, estudantes, comerciantes, industriais, e judeus abonados advindos do Bom Retiro[2], sendo que, as novas gerações das famílias judaicas mudavam-se para o bairro, trazendo consigo colégios tradicionais e sinagogas. O bairro abriga de 20-40% dos judeus paulistanos[21], e segundo a Federação Israelita do Estado de São Paulo abriga 12 mil das 60 mil pessoas que formam a comunidade.[22] Os Ashkenazi têm antepassados originários da Europa Oriental, e os Sefaradi têm ancestrais provenientes da Península Ibérica e do norte da África. É comum ver judeus ortodoxos, com suas vestimentas, circulando pelas calçadas do bairro.[23] Edifícios foram especificamente projetados a eles, esses apresentavam os chamados elevadores-shabat que devido ao Shabat, são programados para parar em todos os andares e ficar abertos por alguns segundos para dar tempo de as pessoas entrarem e seguirem até o piso desejado, sendo acionados pelo peso. A região possui seis sinagogas: a Beit Yacov, a Mekor Chaim, a Monte Sinai, a Bnei Akiva, a Binian Olam e a Knesset Israel.[22]. Porém, na maioria dos prédios do bairro, as construções apresentam elevadores que operam da forma normal e tradicional do país.
Mesmo após a abertura de outros bairros de perfil elitizado, Higienópolis manteve-se como uma área de grande valor e conseguiu se adiantar na evolução urbanística paulistana. No período entre as décadas de 1970 a 1990, manteve-se exceção frente ao esvaziamento do centro de São Paulo pelas camadas de renda superiores, constituindo-se ainda em um espaço de segregação social, devido principalmente à sua arquitetura e pelas instituições culturais que abriga, em comparação ao bairro de Campos Elíseos no distrito de Santa Cecília.
[editar] Características
[editar] Qualidade de vida
Localizado na Consolação, distrito que possui o oitavo maior IDH da cidade, Higienópolis apresenta: praças, igrejas, universidades, colégios, consulados, embaixadas, hospitais, hotéis, museus, teatros, restaurantes e lojas. Apresenta um dos metros quadrados mais caros da cidade[24][25], sendo classificado pelo CRECI como "Zona de Valor A", tal como outros bairros nobres da cidade, exemplo de: Perdizes, Jardim América e Vila Nova Conceição.[26]
Abriga diversas áreas verdes, como o Parque Buenos Aires, inaugurado em 1913, onde funciona a Escola Municipal de Educação Infantil Monteiro Lobato; a Praça Esther Mesquita com vista para o vale do Pacaembu, a Praça Vilaboim, inaugurada em 1877 possuidora de restaurantes, livraria, lojas de roupas e presentes e concorrida banca de jornais e revistas, bastante frequentada por estudantes, intelectuais e por idosos e babás com crianças; a Praça Humberto de Campos, na confluência da Rua Novo Horizonte com a Rua Bahia, famosa por sua escadaria a quem os moradores chamam de escadinha, nas proximidades da casa do jurista Luiz Aranha Júnior que traz na fachada o brasão de sua família. E ainda, a Praça Marechal Cordeiro de Farias, no final da Avenida Paulista e final da Avenida Angélica, e também da Rua Minas Gerais, e que já mudou de denominação algumas vezes, com relativa vegetação.
Higienópolis, pela sua posição central na metrópole paulistana e pelo perfil histórico de sua população, apresentou a tendência de abrigar no próprio bairro e em seu entorno, instituições religiosas e culturais diversas, como: Curia Metropolitana da Arquidiocese de São Paulo [27], Casa Pia São Vicente de Paulo, Igreja de Santa Terezinha do Menino Jesus [28], Igreja do Imaculado Coração de Maria[29], Faculdade e Colégio Claretiano [30], Colégio Sion, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Instituto Moreira Salles, Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Colégio Rio Branco, Colégio Ofélia Fonseca[31], Colégio Higienópolis, Istituto Europeo di Design, Escola Panamericana de Arte [32], Aliança Francesa, Sociedade de Cultura Inglesa[33], Colégio Oswaldo Cruz [34], Colégio Nuno de Andrade [35], Sociedade Tradição Família e Propriedade (TFP), Centro Universitário Maria Antônia e o Clube Piratininga.[36]
Além do Hospital Samaritano, na Rua Conselheiro Brotero, conta com o Hospital Santa Isabel, na Rua Dona Veridiana, e o Hospital Infantil Sabará, na Avenida Angélica.[37]
Ao final de 1999 foi inaugurado no bairro o Shopping Pátio Higienópolis, empreendimento polêmico que foi muito criticado e sofreu resistências por parte de grupos preocupados com a preservação da qualidade urbanística do bairro, o que acabou gerando modificações do projeto. Apesar da polêmica, o shopping foi ampliado em 2010, com inauguração de nova ala, sofrendo processo por funcionameto irregular.[38] [39]
O bairro conta com restaurantes das mais variadas especialidades, localizados nas ruas: Pará, Mato Grosso, Itacolomi, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Maranhão, Dona Veridiana, Martinico Prado e na Praça Vilaboim. Possui vários supermercados e, todas as sextas-feiras ocorre na Rua Mato Grosso, atrás do Cemitério da Consolação, a tradicional feira de produtos alimentícios e artigos de uso doméstico. Oferece acomodações nos hotéis: "Transamerica Flat Higienópolis", "Hotel Tryp Higienópolis", "The Park Hall Residence Service" e "Hotel Lev Residencial".
Abriga séde do 7º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano - 7º BPM/M, na Avenida Angélica, estabelecida em antigo palacete em estilo eclético, com nítida influência do chalé, entre as ruas Alagoas e Sergipe, tendo ao lado o Edifício São Clemente, seguido do Edifício Oswaldo Aranha e do Edifício São José erguido onde ficava a residência do casal Antonieta e engenheiro Felix Dabus e posteriormente da família Cayres.
[editar] Transporte
No bairro circulam inúmeras linhas de ônibus, inclusive de ônibus elétrico (a linha 408A/10 Machado de Assis/Cardoso de Almeida), havendo quatro estações de metrô próximas ao bairro, sendo: Marechal Deodoro, República, Santa Cecília, além da Estação Paulista nos altos da Rua da Consolação. Encontra-se em construção a Estação Higienópolis-Mackenzie, Linha 4-Amarela, anexa à Universidade Mackenzie e ao cruzamento da Rua da Consolação com a Rua Piauí. Terá integração para a também futura Linha 6-Laranja, que está sendo chamada de "Linha das Universidades", por ligar PUC, FAAP, Mackenzie, interligada à Estação São Joaquim da Linha 1-Azul, servindo a FMU.
A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) definiu o local exato onde pretende construir a polêmica estação da Linha 6-Laranja, em Higienópolis. A parada foi batizada de 'Angélica-Pacaembu' e ficará na Rua Sergipe, entre a Rua Ceará e a Rua Bahia. Haverá ainda outras duas saídas: uma na Rua Bahia, para o Pacaembu, e outra para a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Em maio, o Metrô anunciou a mudança e foi criada uma polêmica, pois se levantou a hipótese de que a alteração seria para agradar os moradores. A companhia diz que a decisão foi técnica.[40] Estação Angélica: Metrô opta por acessos discretos, sendo que a nova estação deverá receber 29.090 passageiros por dia, um aumento de 32% na demanda em comparação com a antiga planejada. Além do custo das obras, estações maiores também sairiam mais caras por causa da necessidade de desapropriações em bairros nobres como Higienópolis e Pacaembu. A estimativa é que poucos imóveis precisem ser declarados de utilidade pública para ceder espaço à estação. Na região da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), apenas um estacionamento deverá ser desapropriado. Por outro lado, usuários da futura estação devem encontrar atrações dentro das estações.[41][42]
A Avenida Angélica tem horário de estacionamento reduzido a partir de agosto de 2011, além de restrição de conversão à esquerda em determinados dias e horários.[43]
[editar] Acontecimentos
Dois sequestros de grande repercussão ocorreram no bairro. No dia 11 de março do ano de 1970, o do consul-geral do Japão, Nobuo Okushi, ocorrido no final da tarde, quando, após terminar o trabalho no Consulado e dirigir-se a sua casa, na Rua Piauí (antiga residência de Gustavo Stahl), seu carro foi interceptado na altura da Rua Bahia e teve que parar bruscamente para que não batesse em um carro que se interpôs à frente. Nobuo Okushi foi posto no banco traseiro desse carro e levado para a Avenida Ceci, no bairro de Indianópolis.[44]
Em 2001, o publicitário Washington Olivetto foi sequestrado em 11 de dezembro, minutos após deixar a sua agência de publicidade, W/Brasil, na Rua Minas Gerais.[45]
Crime passional abalou a sociedade paulista, ocorrido quando Moacir de Toledo Piza (1891-1923), advogado da turma de 1915 da Faculdade de Direito, matou-se, com um tiro, numa noite, dentro de um táxi, após matar Nenê Romano (Lina Machiaverni), na esquina da Avenida Angélica com a Rua Sergipe, na noite de 25 de outubro de 1923, sendo sepultado no Cemitério da Consolação.[46][47]
Outro crime famoso aconteceu no interior da Igreja de Santa Terezinha, na Rua Maranhão, no dia 8 de janeiro de 1959, no casamento do empresário Sílvio Marchioni com a professora Sílvia Sampaio, quando o noivo foi assassinado pelo médico Abelardo Paiva.[48]
Com a crise econômica de 1929, aconteceu em São Paulo a tragédia do palacete da Rua Piauí no bairro de Higienópolis onde o empresário Abelardo Laudel de Moura de 28 anos, afogado em dívidas, se armou e tentou matar a mulher, Maria Benedita, que conseguiu escapar, mas ele matou o filho de 2 anos e a filha e, em seguida, se suicidou.[49][50][51]
O "Bandido da Luz Vermelha", João Acácio Pereira da Costa, numa noite, entrou em uma casa em Higienópolis (na Rua Bahia, esquina com a Rua Pará), onde a dona, senhora da sociedade paulista e a empregada dormiam. Acácio acordou-as e pediu que abrissem o cofre. Até então, assaltava sem interromper o sono das vítimas. Pegou dinheiro, jóias e, na saída, beijou a mão das mulheres. Em 1967 foi preso, sendo que, sempre mascarado e usando uma lanterna vermelha, costumava assaltar mansões em São Paulo depois de desligar as luzes. Foram seis anos de caça ao bandido, acusado de roubar 300 casas e de matar quatro pessoas.[52]
A atriz Ariclê Perez, viúva do diretor teatral Flávio Rangel, no dia 26 de março de 2006, logo após o fim da minissérie JK, onde viveu a mãe de Juscelino (que terminou dia 24 de março de 2006), suicidou-se, pulando da janela de seu apartamento, na Rua Itacolomi, esquina com Rua Maranhão, onde vivia.[53]
[editar] Ver também
- Arquitetura do bairro de Higienópolis (São Paulo)
- Consolação (distrito de São Paulo)
- Centro de São Paulo
- Subprefeitura da Sé
- História da cidade de São Paulo
- Linha 4 do Metrô de São Paulo
- Linha 6 do Metrô de São Paulo
- Linha 1 do Metrô de São Paulo
[editar] Bibliografia
- HOMEM, Maria Cecília Naclério: Higienópolis, grandeza e decadência de um bairro paulistano - Prefeitura do Município de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura - Departamento do Patrimônio Histórico, 1980
- HOMEM, Maria Cecília Naclério: O Palacete Paulistano, Editora Martins Fontes, 1966
- HOMEM, Maria Cecília Naclério: Higienópolis_Grandeza de um bairro Paulistano, Editora da Universidade de São Paulo, 2011
- BARROS, Maria Paes de: No tempo de dantes, Editora Brasiliense, 1946
- INSTITUTO CULTURAL ITAÚ - Cadernos Cidade de São Paulo, bairro de Higienópolis - São Paulo:ICI, 1996
- ANABUKI, Maria Manuel de Castro Mendes Leal: Um Bairro Chamado Higienópolis, São Paulo, 2001
- GERODETTI, João Emílio e CORNEJO, Carlos: Lembranças de São Paulo, SOLARIS Edições Culturais, 2002
- PIRES, Mario Jorge: Sobrados e Barões da Velha São Paulo, Editora Manole, 2006
- PACHECO e SILVA, Domício: O último cafezal - São Paulo, Editora TERCEIRO NOME, 2010
- FISHER, Sylvia - Os arquitetos da Poli: ensino e profissão em São Paulo,Edição ilustrada - Editora EdUSP, 2005 - ISBN 8531408733, 9788531408731
Notas e referências
- ↑ a b c Passeio arquitetônico.
- ↑ a b c d e Maria Margarida Carvalho De Silveira. Desvendando o bairro de Higienópolis. Cidade do Conhecimento. Página visitada em 14/11/2010.
- ↑ a b c Avenida Higienopolis x Rua Dona Veridiana - 1896.
- ↑ Mudança de nome.
- ↑ Bairros paulistanos de A a Z Por Levino Ponciano.
- ↑ Cronologia da Escola Americana - Mackenzie College.
- ↑ Modernismo no Brasil.
- ↑ a b c d BAIRROS NOBRES.
- ↑ Bairros de imigrantes.
- ↑ Estadão.com.br - O luxo da São Paulo Antiga - evolução da moradia da elite cafeeira.
- ↑ Bairro Higienópolis.
- ↑ USP_Carlos Ekman.
- ↑ Vila Penteado, São Paulo.
- ↑ Contraste.
- ↑ Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus.
- ↑ Santa Terezinha Audi Coelum.
- ↑ Campinas - Febre Amarela.
- ↑ CAFÉ: CRISE DE 1929 e a REVOLUÇÃO DE 1930.
- ↑ Adolpho Linbenberg.
- ↑ Edifícios Antigos e seus Construtores.
- ↑ HISTÓRIA DOS BAIRROS PAULISTANOS.
- ↑ a b Comunidade judaica sente-se em casa no Samaritano.
- ↑ Conheça alguns hábitos dos judeus ortodoxos paulistanos.
- ↑ Os endereços de ouro.
- ↑ Veja quanto custa o metro quadrado na cidade.
- ↑ Pesquisa CRECI (11 de julho de 2009). Página visitada em 2 de agosto de 2009.
- ↑ Curia Metropolitana da Arquidiocese de São Paulo.
- ↑ Paroquia Santa Terezinha.
- ↑ Igreja Imaculado Coração de Maria.
- ↑ Faculdade e Colégio Claretiano.
- ↑ Colégio Ofélia Fonseca - Estadao.com.br]].
- ↑ Escola Panamericana de Arte.
- ↑ Sociedade de Cultura Inglesa Título não preenchido, favor adicionar.
- ↑ Colégio e Escola Técnica Oswaldo Cruz.
- ↑ Externato Nuno de Andrade.
- ↑ Clube Piratininga.
- ↑ Hospital Infantil Sabará.
- ↑ Título não preenchido, favor adicionar. Folha de S.Paulo, Shopping Pátio Higienópolis, 28 de dezembro de 2010.
- ↑ Shopping Pátio Higienópolis. Folha de S.Paulo (28 de dezembro de 2010).
- ↑ Estadao.com.
- ↑ estacao-angelica-apos-polemica-metro-opta-por-acessos-discretos,733390,0.htm Título não preenchido, favor adicionar.
- ↑ Estação Angélica do Metrô: 2 saídas no Pacaembu e uma em Higienópolis.
- ↑ Estadão.com.br-Restrição quanto a estacionamento na Avenida Angélica.
- ↑ Revista Época_sequestro Consul do Japão.
- ↑ Promotor alertou sobre risco de sequestrador fugir.
- ↑ Uma trágica história de amor que comoveu a cidade.
- ↑ Angélica, esquina Sergipe- Estadao.com.br.
- ↑ Assassinato na Igreja Santa Terezinha.
- ↑ Crise do café_Abelardo Laudel de Moura.
- ↑ SESCSP_derrocada do Café.
- ↑ Revista CaféCultura_tragédias.
- ↑ João Acácio Pereira da Costa.
- ↑ Ariclê Perez Título não preenchido, favor adicionar.
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