Hilda Hilst

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Hilda Hilst
Nascimento 21 de abril de 1930
Jaú, São Paulo
Nacionalidade Brasil Brasileira
Ocupação poetisa, escritora e dramaturga
Influências
Magnum opus Cantares de perda e predileção (poesia); Rútilo Nada (ficção)

Hilda Hilst (Jaú, 21 de abril de 1930Campinas, 4 de fevereiro de 2004) foi uma poetisa, escritora e dramaturga brasileira.

Índice

[editar] Biografia

Hilda Hilst foi a única filha do fazendeiro de café, jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst, filho de Eduardo Hilst, imigrante originário da Alsácia-Lorena, e de Maria do Carmo Ferraz de Almeida Prado. [1]Sua mãe, Bedecilda Vaz Cardoso, era filha de imigrantes portugueses. Em 1932, seus pais se separaram. Em plena Revolução Constitucionalista, Bedecilda mudou-se para Santos, com Hilda e Ruy Vaz Cardoso, filho do seu primeiro casamento. Em 1935, Apolônio foi diagnosticado como paranóico esquizofrênico.

Em 1937, Hilda ingressou como aluna interna do Colégio Santa Marcelina, em São Paulo, onde cursou o primário e o ginasial, com desempenho considerado brilhante. Nesse ano, a mãe lhe revelou a doença de seu pai. Em 1945, iniciou o curso secundário no Instituto Presbiteriano Mackenzie, onde permaneceu até a conclusão do curso. Em 1948, entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco). Seu primeiro livro, Presságio, foi publicado em 1950. A partir de 1951, ano em que publicou seu segundo livro de poesia, Balada de Alzira, foi nomeada curadora do pai. Concluiu o curso de Direito em 1952. Na universidade, conheceu sua melhor amiga, a escritora Lygia Fagundes Telles. Em 1966, mudou-se para a Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas, onde hospedou diversos escritores e artistas por vários anos. Ali dedicou todo seu tempo à criação literária.[2]

Hilda Hilst escreveu por quase cinqüenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do Brasil. Em 1962, recebeu o Prêmio PEN Clube de São Paulo, por Sete Cantos do Poeta para o Anjo (Massao Ohno Editor, 1962). Mudou-se para a Casa do Sol, construída na fazenda, onde passou a viver com o escultor Dante Casarini, em 1966. Em setembro do mesmo ano, morreu seu pai. Dois anos depois, Hilda casou-se com Dante. Em 1969, a peça O Verdugo arrebatou o Prêmio Anchieta, um dos mais importantes do país na época. No mesmo ano, a cantata Pequenos Funerais Cantantes, composta por seu primo, o compositor Almeida Prado, sobre o poema homônimo de Hilda, dedicado ao poeta português Carlos Maria Araújo, conquistou o primeiro prêmio do I Festival de Música da Guanabara.[3]

A Associação Paulista de Críticos de Arte (Prêmio APCA) considerou Ficções (Edições Quíron, 1977) o melhor livro do ano. Em 1981, Hilda Hilst recebeu o Grande Prêmio da Crítica para o Conjunto da Obra, pela mesma Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 1984, a Câmara Brasileira do Livro concedeu o Prêmio Jabuti, idealizado por Edgard Cavalheiro (1959) [4] a Cantares de Perda e Predileção (Massao Ohno - M. Lydia Pires e Albuquerque editores, 1983), e, no ano seguinte, a mesma obra recebeu o Prêmio Cassiano Ricardo (Clube de Poesia de São Paulo). Rútilo Nada, publicado em 1993, pela editora Pontes, levou o Prêmio Jabuti como melhor conto. E, finalmente, em 9 de agosto de 2002, foi premiada na 47ª edição do Prêmio Moinho Santista na categoria Poesia.

A escritora ainda participou, a partir de 1982, do Programa do Artista Residente, da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.

Assuntos tidos como socialmente controversos, por exemplo, o lesbianismo[5], a homossexualidade e a pedofilia[6], foram temas abordados pela autora em suas obras. No entanto, conforme a própria escritora confessou em sua entrevista ao Cadernos de Literatura Brasileira[7], seu trabalho sempre buscou, essencialmente, retratar a difícil relação entre Deus e o homem.

Seu arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio, Instituto de Estudos de linguagem - IEL, UNICAMP, em 1995, estando aberto a pesquisadores do mundo inteiro.

Alguns de seus textos foram traduzidos para o francês, inglês, italiano e alemão. Em março de 1997, seus textos Com os meus olhos de cão e A obscena senhora D foram publicados pela Editora Gallimard, tradução de Maryvonne Lapouge, que também traduziu Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa.

Muitas de suas obras se esgotaram e não eram encontradas até que a Editora Globo republicou vários títulos.

Após seu falecimento o amigo Mora Fuentes liderou a criação do Instituto Hilda Hilst (http://www.hildahilst.com.br). O IHH tem como primeira missão a manutenção da Casa do Sol, seu acervo e o espírito de ser um porto seguro para a criação intelectual.

[editar] Obras

[editar] Poesia

  • Presságio - SP: Revista dos Tribunais, 1950.
  • Balada de Alzira - SP: Edições Alarico, 1951.
  • Balada do festival - RJ: Jornal de Letras, 1955.
  • Roteiro do Silêncio - SP: Anhambi, 1959.
  • Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959. SP: Massao Ohno, 1961.
  • Ode Fragmentária - SP: Anhambi, 1961.
  • Sete cantos do poeta para o anjo - SP: Massao Ohno, 1962. (Prêmio PEN Clube de São Paulo)
  • Poesia (1959/1967) - SP: Editora Sal, 1967.
  • Júbilo, memória, noviciado da paixão - SP: Massao Ohno, 1974.
  • Poesia (1959/1979) - SP: Quíron/INL, 1980.
  • Da Morte. Odes mínimas - SP: Massao Ohno, Roswitha Kempf, 1980.
  • Da Morte. Odes mínimas - SP: Nankin/Montréal: Noroît, 1998. (Edição bilíngüe, francês-português.)
  • Cantares de perda e predileção - SP: Massao Ohno/Lídia Pires e Albuquerque Editores, 1980. (Prêmio Jabuti/Câmara Brasileira do Livro. Prêmio Cassiano Ricardo/Clube de Poesia de São Paulo.)
  • Poemas malditos, gozosos e devotos - SP: Massao Ohno/Ismael Guarnelli Editores, 1984.
  • Sobre a tua grande face - SP: Massao Ohno, 1986.
  • Alcoólicas - SP: Maison de vins, 1990.
  • Amavisse - SP: Massao Ohno, 1989.
  • Bufólicas - SP: Massao Ohno, 1992.
  • Do Desejo - Campinas, Pontes, 1992.
  • Cantares do Sem Nome e de Partidas - SP: Massao Ohno, 1995.
  • Do Amor - SP: Massao Ohno, 1999.

[editar] Ficção

  • Fluxo - Floema - SP: Perspectiva, 1970.
  • Qadós - SP: Edart, 1973.
  • Ficções - SP: Quíron, 1977. (Prêmio APCA/ Associação Paulista dos Críticos de Arte. Melhor livro do ano.)
  • Tu não te moves de ti - SP: Cultura, 1980.
  • A obscena senhora D - SP: Massao Ohno, 1982.
  • Com meus olhos de cão e outras novelas - SP: Brasiliense, 1986.
  • O Caderno Rosa de Lory Lamby - SP: Massao Ohno, 1990.
  • Contos D'Escárnio / Textos Grotescos - SP: Siciliano, 1990.
  • Cartas de um sedutor - SP: Paulicéia, 1991.
  • Rútilo Nada - Campinas: Pontes, 1993. (Prêmio Jabuti/Câmara Brasileira do Livro.)
  • Estar Sendo Ter Sido - SP: Nankin, 1997.
  • Cascos e Carícias - crônicas reunidas (1992-1995) - SP: Nankin, 1998.

[editar] Teatro

  • A Possessa - 1967.
  • O rato no muro - 1967.
  • O visitante - 1968.
  • Auto da Barca de Camiri - 1968.
  • O novo sistema - 1968.
  • Aves da Noite - 1968.
  • O verdugo - 1969 (Prêmio Anchieta)
  • A morte de patriarca - 1969

[editar] Curiosidades

Referências

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