Hipótese do culto bruxo

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Bruxas Sabá de Francisco de Goya (1789), que retrata o Diabo ladeado por bruxas satânicas. A hipótese do culto bruxo afirma que essas histórias são baseadas em um culto pagão da vida real que reverenciavam um deus cornífero.

Culto bruxo é o termo usado para uma hipotética religião pagã pré-cristã da Europa, que sobreviveu até pelo menos o início da era moderna. A teoria de sua existência foi postulada por alguns estudiosos do século XIX e XX com base na teoria de que a bruxaria europeia que tinha sido perseguida durante a caça às bruxas foi parte de uma conspiração satânica para subverter o Cristianismo, e a maioria dos fatos e provas para a teoria foram colhidos através de estudos das contas dos perseguidores na caça às bruxas no início da Europa moderna. No século XX, a teoria deu origem a religiões neopagãs, sendo a de maior número de adeptos atualmente a Wicca, com suas diversas vertentes e tradições.

A teoria foi lançada por autores românticos de livre-pensamento, tais como Karl Ernst Jarcke e Michelet Jules no século XIX, mas recebeu sua exposição mais proeminente com o livro de Margaret Murray de 1921, The Witch-Cult in Western Europe, e suas contribuições para a Encyclopædia Britannica. Os estudiosos têm criticado a teoria e o consenso geral é que nunca existiu o culto das bruxas, sendo algo inteiramente pseudohistórico.1 Um pequeno número de estudiosos, tais como Carlo Ginzburg, discutem versões modificadas da teoria, como a que limita algumas práticas religiosas não-cristãs sobreviventes no início da era moderna e que contribuem para os estereótipos da bruxaria.2

Gerald Gardner alegou que ele havia descoberto o New Forest coven, um grupo que ainda praticava a religião, que ele chamou de Witchcraft (Feitiçaria em português), em seu livro de 1954, Witchcraft Today, uma alegação que foi aprovada por Murray.3 Do mesmo modo, Sybil Leek, Robert Cochrane, Charles Cardell, Rosaleen Norton e Alex Sanders também fizeram reivindicações de terem sido membros de uma linhagem familiar de adeptos do culto às bruxas. Este movimento culminou no que hoje chama-se religião da Wicca. Alguns Wiccanos contemporâneos, no entanto, distanciaram-se da teoria.4

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Michael D. Bailey Witchcraft Historiography (review) in Magic, Ritual, and Witchcraft - Volume 3, Number 1, Summer 2008, pp. 81-85
  2. Oldridge, Darren. The Witchcraft Reader. [S.l.]: Routledge, 2002. 3 p.
  3. Witchcraft Today, Gerald Gardner, with an introduction by Margaret Murray, page 15
  4. "We Neopagans now face a crisis. As new data appeared, historians altered their theories to account for it. We have not. Therefore an enormous gap has opened between the academic and the "average" Pagan view of witchcraft. We continue to use of out-dated and poor writers, like Margaret Murray, Montague Summers, Gerald Gardner, and Jules Michelet. We avoid the somewhat dull academic texts that present solid research, preferring sensational writers who play to our emotions. For example, I have never seen a copy of Brian Levack's The Witch Hunt in Early Modern Europe in a Pagan bookstore. Yet half the stores I visit carry Anne Llewellyn Barstow's Witchcraze, a deeply flawed book which has been ignored or reviled by most scholarly historians.
    We owe it to ourselves to study the Great Hunt more honestly, in more detail, and using the best data available. Dualistic fairy tales of noble witches and evil witch-hunters have great emotional appeal, but they blind us to what happened. And what could happen, today. Few Pagans commented on the haunting similarities between the Great Hunt and America's panic over Satanic cults. Scholars noticed it; we didn't. We say 'Never again the Burning!' But if we don't know what happened the first time, how are we ever going to prevent it from happening again?" -- Jenny Gibbons Studying the Great European Witch Hunt The Pomegranate: The International Journal of Pagan Studies #5 Summer 1998
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