Hip hop

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Hip Hop
Origens estilísticas R&B, rap, funk, Disco, soul, dub, toasting, performance de poesia, spoken word, scat, ska, blues falado
Contexto cultural década de 1970, Bronx, cidade de Nova York
Instrumentos típicos Toca-discos, sintetizador, vocal, caixa de ritmos, sampler, beatbox
Popularidade Desde o final dos anos 1980, nos Estados Unidos e no resto do mundo, na década de 1990. Em alta no início de década de 2000.
Outros tópicos
Breakdance, grafite, MC, Beatbox

Hip hop é um gênero musical, com uma subcultura iniciada durante a década de 1970, nas áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova Iorque.[1] Afrika Bambaataa, reconhecido como o criador oficial do movimento, estabeleceu quatro pilares essenciais na cultura hip hop: o rap, o DJing, a breakdance e o graffiti.[2] Outros elementos incluem a moda hip hop e as gírias.[3]

Desde quando surgiu primeiramente no South Bronx, a cultura hip hop se espalhou por todo o mundo.[4] No momento em que o hip hop surgiu, a base concentrava-se nos disc jockeys que criavam batidas rítmicas chamadas "loop" (pequenos trechos de música em repetições contínuas)[5] em dois turntables, que atualmente é referido como sampling. Posteriormente, foi acompanhada pelo rap (abreviatura de rhythm and poetry ou ritmo e poesia em inglês) com uma técnica vocal diferente para acompanhar os loops dos DJs.[6] Junto com isto, surgiram formas diferentes de danças improvisadas, como a breakdance, o popping e o locking.[7]

A relação entre o grafite e a cultura hip hop surgiu quando novas formas de pintura foram sendo realizadas em áreas onde a prática dos outros três pilares do hip hop eram frequentes, com uma forte sobreposição entre escritores de grafite e de quem praticava os outros elementos.[7]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo "hip" é usado no Inglês vernáculo afro-americano (AAVE) desde 1898, onde significa algo atual, que está acontecendo no momento; e "hop" refere-se ao movimento de dança. Keith "Cowboy" Wiggins e Grandmaster Flash são creditados com a primeira aplicação do termo hip hop, em 1978, ao mesmo tempo que Flash provocava um amigo que acabava de ingressar ao Exército dos Estados Unidos, proferindo as palavras "hip/hop/hip/hop", imitando a cadência rítmica dos soldados.[8] Mais tarde, Cowboy determinou a cadência como uma referência para o MC no palco.[9] Como os grupos frequentemente eram compostos por um DJ e um rapper, os artistas foram chamados de "hip-hoppers". O nome originalmente foi concebido como um sinal de desrespeito, mas logo veio a identificar-se com esta nova forma de música e cultura.[10]

As canções "Rapper's Delight", do grupo Sugarhill Gang e "Superrappin", de Grandmaster Flash foram lançadas em 1979 e obtiveram um alto sucesso.[9] Dois anos depois, Lovebug Starski, DJ do Bronx, lançou um single intitulado "The Positive Life", com referências a rappers. Então, DJ Hollywood utilizou o termo para se referir a um novo estilo de música, chamado rap.[11] O pioneiro do hip hop Afrika Bambaataa reconhece Starski como a primeira pessoa a utilizar o termo "hip hop", para se referir a esta cultura.[12]

História[editar | editar código-fonte]

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O hip-hop emergiu em meados da década de 1970 nos subúrbios negros e latinos de Nova Iorque. Estes subúrbios, verdadeiros guetos, enfrentavam diversos problemas de ordem social como pobreza, violência, racismo, tráfico de drogas, carência de infra-estrutura e de educação, entre outros. Os jovens encontravam na rua o único espaço de lazer, e geralmente entravam num sistema de gangues, as quais se confrontavam de maneira violenta na luta pelo domínio territorial. As gangues funcionavam como um sistema opressor dentro das próprias periferias - quem fazia parte de algumas das gangues, ou quem estava de fora, sempre conhecia os territórios e as regras impostas por elas, devendo segui-las rigidamente.

Esses bairros eram essencialmente habitados por imigrantes do Caribe, vindos principalmente da Jamaica. Por lá, existiam festas de rua com equipamentos sonoros ou carros de som muito possantes chamados de Sound System (carros equipados com sistemas de som, parecidos com trios elétricos). Os Sound System foram levados para o Bronx, um dos bairros de Nova Iorque de maioria negra, pelo DJ Kool Herc, que com doze anos migrou para os Estados Unidos com sua família. Foi Herc quem introduziu o Toaster (modo de cantar com levadas bem fraseadas e rimas bem feitas, muitas vezes bem politizadas e outras banais e sexuais, cantadas em cima de reggae instrumental), que daria origem ao rap.

Neste contexto, nasciam diferentes manifestações artísticas de rua, formas próprias, dos jovens ligados àquele movimento, de se fazer música, dança, poesia e pintura. Os DJs Afrika Bambaataa, Kool Herc e Grand Master Flash, GrandWizard Theodore, GrandMixer DST (hoje DXT), Hollywood e Pete Jones, entre outros, observaram e participaram destas expressões de rua, e começaram a organizar festas nas quais estas manifestações tinham espaço - assim nasceram as Block Parties.

As gangues foram encontrando naquelas novas formas de arte uma maneira de canalizar a violência em que viviam submersas, e passaram a frequentar as festas e dançar break, competir com passos de dança e não mais com armas. Essa foi a proposta de Afrika Bambaataa, considerado, hoje, o padrinho da cultura hip-hop, o idealizador da junção dos elementos, criador do termo hip-hop e por anos tido como "master of records" (mestre dos discos), por sua vasta coleção de discos de vinil.

DJ Hollywood foi um DJ de grande importância para o movimento. Apesar de tocar ritmos mais pop como a discoteca, foi o primeiro a introduzir, em suas festas, MCs que animavam com rimas e frases que deram início ao rap. Os MCs passaram a fazer discursos rimados sobre a comunidade, à festa e outros aspectos da vida cotidiana. Taki 183, o grande mestre do Pixo, fez uma revolução em Nova Iorque ao lançar suas "Tags" (assinaturas) por toda cidade, sendo noticiado até no The New York Times à época. Depois dele vieram Blade, Zephyr, Seen, Dondi, Futura 2000, Lady Pink, Phase 2, Cope2 entre outros.

Em 12 de novembro de 1973, foi criada a primeira organização que tinha em seus interesses o hip hop. Sua sede estava situada no bairro do Bronx. A Zulu Nation tem, como objetivo, acabar com os vários problemas dos jovens dos subúrbios, especialmente a violência. Começaram a organizar "batalhas" não violentas entre gangues com um objetivo pacificador. As batalhas consistiam em uma competição artística.

Hip Hop e a música eletrônica[editar | editar código-fonte]

Entre as diferentes manifestações artísticas do movimento hip hop, a música se insere como papel primordial para inúmeras variações existentes em nossos dias. Além dos DJs, MCs, das mixagens e do rap, a bateria eletrônica e os sintetizadores complementaram o âmbito das discotecas. Tudo começou quando Afrika Bambaataa resolveu criar uma batida base para suas músicas inspirando-se num álbum do grupo musical criador do estilo techno, Kraftwerk. Surgia o eletrofunk, que, por sua vez, derivou-se em muitos outros estilos, como, por exemplo, o miami bass e o freestyle.[13]

É importante observar que esta junção entre o então nascente movimento hip hop e a música eletrônica não poderia haver ocorrido se não houvesse ocorrido o desenvolvimento da tecnologia musical orientado pelo desenvolvimento da estética e da técnica da música eletrônica. A música eletrônica, que até o surgimento do grupo Kraftwerk, era uma música exclusivamente erudita, começou então a desenvolver uma versão desta linguagem musical para o âmbito da música popular.

Apesar da classificação acima para a música da banda Kraftwerk referi-la como techno, na verdade, não há um termo preciso para definir seu estilo, sendo preferível referir-se genericamente a tal estilo apenas como música eletrônica popular, pois o estilo do Kraftwerk é embrionário à todos os demais. Os fundadores da banda Kraftwerk estudaram com Karlheinz Stockhausen (Flur 2003, 228) e com ele aprenderam os elementos da música eletrônica erudita da vertente alemã. Posteriormente, a vertente francesa da música eletrônica erudita (conhecida como Música Concreta) veio a colaborar ao desenvolvimento do hip hop através do desenvolvimento do conceito de sampler, o qual permite a execução do conceito de loop de forma muito mais eficiente.

O contato dos Djs com os conceitos, técnicas e equipamentos da música eletrônica, foi essencial para o desenvolvimento dos atuais estilos de música eletrônica não integrantes da cultura hip hop. Não está claro se esse contato se deu durante o desenvolvimento do hip hop ou se o mesmo se deu de forma autônoma, porém, a primeira hipótese parece mais provável. Os atuais estilos de música eletrônica popular não integrantes do hip hop começaram a se desenvolver após a perseguição sofrida pela disco music (discoteca no Brasil) nos EUA. Os Djs dos clubes de disco music ao verem os novos lançamentos de disco music minguarem, passaram a utilizar os equipamentos da música eletrônica para produzir novos lançamentos. Daí surgiriam a house music, a techno music, entre outras, que no Brasil são pejorativamente e genericamente taxadas como "bate-estaca" e que compõem o universo dos estilos não integrantes do universo hip hop. Atualmente, ambas as vertentes de música eletrônica, tanto a herdeira da disco music como o hip hop, flertam entre si em alguns momentos, criando pontos específicos de influência e/ou fusão de estilos, conforme pode-se observar em estilos como breakbeat, drum'n'bass e dubstep, sendo difícil manter a distinção entre ambas as vertentes. Também há que se considerar a influência de ritmos e estilos de outros universos culturais que vem adensar ainda mais a estrutura do hip hop, tais como os elementos do rock, da música latina, da música africana, entre outros, que foram utilizados em determinados momentos.

Atualmente, a música eletrônica erudita passou a adotar outra denominação para se distinguir da música eletrônica popular, autodenominando-se música eletroacústica. Além disso, a antiga divisão entre a escola alemã e a escola francesa foi abolida, resultando na fusão e reestruturação das técnicas e conceitos de ambas as escolas.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O berço do hip hop brasileiro é São Paulo, onde surgiu com força nos anos 1980, dos tradicionais encontros na rua 24 de Maio e no Metrô São Bento, de onde saíram muitos artistas reconhecidos como Thaíde, DJ Hum, Styllo Selvagem, Região Abissal, Nill (Verbo Pesado), Sérgio Riky, Defh Paul, Mc Jack, Racionais MC's, Doctor MC's, Shary Laine, M.T. Bronks, Rappin Hood, entre outros.

Atualmente, existem diversos grupos que representam a cultura hip hop no país, como Movimento Enraizados, MHHOB, Zulu Nation Brasil, Casa do Hip Hop, Posse Hausa (São Bernardo do Campo), Hip Hop Mulher, FNMH2, Nação Hip Hop Brasil, Associação de Hip Hop de Bauru, Cedeca, Cufa (Central Única das Favelas).

Multidimensionalidade do hip hop[editar | editar código-fonte]

Segundo Alejandro Frigerio, a principal característica das artes negras é seu caráter multidimensional, denso. A performance mistura, em níveis sucessivos, gêneros que para a cultura ocidental seriam diferentes e separados (músicas, poesia, dança, pintura). A interpretação, a fusão de todos esses elementos que faz dela uma forma artística que não seria equivalente à soma dos elementos separados. Para compreender a multidimensionalidade da performance, é necessário fazê-lo em seu contexto social. Fora deste contexto social, somente se compreenderiam alguns dos elementos, mas não só como um conjunto de dança, música, poesia e artes plásticas, senão como uma performance inserida num contexto social, neste caso marginal, cheio de problemas sociais, educacionais e de exclusão social. Este contexto social é o que dá sentido à performance. O hip hop, hoje em dia, dita o estilo de vida para muitas pessoas.

A importância do estilo pessoal[editar | editar código-fonte]

O diálogo entre a performance e o caráter criativo da performance, realça e reforça o estilo pessoal. "O contraponto com um interlocutor também leva ambos os performers a maiores e melhores desempenhos". O estilo pessoal é de grande importância na performance porque as características próprias de cada performance acrescentam as possibilidades de inovação e de criação de novos estilos. "Espera-se que o performer seja não só seja competente, mas que também possua um estilo próprio, o que pode ser observado na cultura negra urbana contemporânea, por exemplo, em todos os aspectos do hip-hop". O estilo pessoal se valoriza em situações de representação, mas não é importante em todos os aspectos da vida cotidiana (estética, comprimento, fala, etc), pois noutros momentos, é importante valorizar o respeito ao âmbito da preservação (ou âmbito da memória em contraponto ao âmbito criativo) no qual se enfatiza o valor dos códigos e tradições.

Seis pilares[editar | editar código-fonte]

DJ mixando composições

DJ (disc-jockey)[editar | editar código-fonte]

Operador de discos, que faz bases e colagens rítmicas sobre as quais se articulam os outros elementos, hoje o DJ é considerado um músico, após a introdução dos scratches de GradMixer DST na canção "Rock it" de Herbie Hancock, que representa um incremento da composição e não somente um efeito. O breakbeat é a criação de uma batida em cima de composições já existentes. Seu criador, DJ Kool Herc, desenvolveu esta técnica possibilitando B.Boys a dançarem e MCs a cantarem. O Beat-Juggling já é a criação de composições pelos DJ nos toca-discos, com discos e canções diferentes. Há diversos tipos de DJs: o DJ de grupo, de baile/festas/aniversários/eventos em geral e o DJ de competição. Este por sua vez, faz da técnica e criatividade, os elementos essenciais para despertar e prender a atenção do público. Um DJ de competição é um DJ que desenvolve e realiza apresentações contendo scratchs, batidas e até frases recortadas de diferentes discos (samples). Esses DJs competem entre si usando todo e qualquer trecho musical de um vinil ou arquivos digitais ou sequencias MIDI.

Rap[editar | editar código-fonte]

O rap é um ritmo de música parecido com o hip hop e que engloba, principalmente, rimas. É um dos seis pilares da cultura hip hop. A tradução literal de rap é "ritmo e poesia",[14] ou seja, uma poesia feita através de rimas, geralmente feitas em uma velocidade superior à do hip hop, tendo, como exemplo, o grupo The Last Poets.[15] O rap, na maioria das vezes, é feito sem qualquer acompanhamento de instrumentos musicais tradicionais, mas geralmente é acompanhado por um Dj.


Um beatboxer animando a galera

Beat Box[editar | editar código-fonte]

O termo beatbox (que, a partir do inglês, significa, literalmente, "caixa de batida") refere-se à percussão vocal do hip-hop. Consiste na arte em reproduzir sons de bateria, de sintetizador, de scratch e de samples com a voz, boca e cavidade nasal. Envolve o canto, imitação vocal de efeitos de DJs, simulação de cornetas, cordas e outros instrumentos musicais, além de outros efeitos sonoros. Muitos autores consideram o rapper norte-americano Doug E. Fresh como o grande pioneiro dessa arte. Porém, pesquisas recentes apontam para o compositor, músico e cantor brasileiro Marcos Valle como inventor do beatbox. Em 1973, Valle gravou, para seu LP "Previsão do tempo", a faixa "Mentira", na qual ele emula uma bateria com sua voz e, dessa forma, executa um padrão rítmico e uma virada. Numa entrevista de 2008 para o pesquisador acadêmico Alexei Michailowsky, Valle revelou grande surpresa ao saber que era um dos pioneiros da beatbox. Relembrando a gravação da faixa, ele afirmou que a ideia surgiu ao acaso, como uma mera experiência, lhe agradou e foi incorporada à gravação final.


Um grupo de MCs em apresentação

MC (master of ceremonies)[editar | editar código-fonte]

Mestre de Cerimônia é o porta-voz que relata, através de rimas, os problemas, carências e experiências em geral dos guetos. Não só descreve, mas também lança mensagens de alerta e orientação. O MC tem como principal função animar uma festa e contribuir com as pessoas para se divertirem. Muitos MCs no início do hip-hop davam recados, mandavam cantadas e simplesmente animavam as festas com algumas rimas. O primeiro MC foi Coke La Rock, MC que animava as festas de Kool Herc. No Brasil, os primeiros rimadores foram Jair Rodrigues, Gabriel o pensador e grupos como Balinhas do Rap, Thaíde e DJ Hum, Racionais Mcs. Um MC é aquele que através de suas rimas mostra as várias formas de reivindicação, angústias e injustiças com as classes sociais mais desfavorecidas, mostrando o poder da transformação.

Dançarino em Nova York

Break dance[editar | editar código-fonte]

Grafite registrado no Rio de Janeiro

Break Dance (B-boying, Popping e Locking), por convenção, é a denominação dada às danças de Break Dance. Apesar de terem a mesma origem, são de lugares distintos e por isso apresentam influências das mais variadas. Desde o início da década de 1960, quando a onda de música negra tomou os Estados Unidos, a população das grandes cidades sentia uma maior proximidade com estes artistas, principalmente por sua maneira verdadeira de demonstrar a alma em suas canções. As gangues da época usavam o break para disputar território: a gangue que se destacava era a que comandava o território.

Grafitti[editar | editar código-fonte]

Expressão plástica, o grafite representa desenhos, apelidos ou mensagens sobre qualquer assunto, feitas com spray, rolinho e pincel em muros ou paredes. Sendo considerado por muitos uma forma de arte e é usado por muitos como forma de expressão e denúncia. Apenas no Brasil considera-se o ato de "pichar" diferente do ato de "grafitar". Nos Estados Unidos, por exemplo, onde o grafite surgiu, existe um nome para a modalidade "pichação" que é conhecido como "tag".

Impacto Social[editar | editar código-fonte]

Dança[editar | editar código-fonte]

A dança hip hop inclui uma grande variedade de estilos, nomeadamente breaking, locking, popping, e krumping. Breaking, locking e popping foram desenvolvidos na década de 1970 por negros e Latino-americanos. O krumping surgiu na década de 1990, em comunidades Afro-americanas, em Los Angeles. O que separa a dança do hip hop de outras formas de dança são os movimentos de improvisação (freestyle) e que os dançarinos de hip-hop frequentemente envolvem-se em disputas nas competições de dança. Sessões de freestyle e disputas geralmente são realizadas numa cypher, um espaço de dança circular que se forma naturalmente uma vez que a dança começa.

Moda[editar | editar código-fonte]

A moda do hip hop é um estilo de se vestir de origem afro-americana, caribenha e latina, que teve origem no bairro The 5 Boroughs, em Nova Iorque, e, mais tarde, influenciou em cenas do hip hop em Los Angeles, Galesburg, Brooklyn, Chicago, Filadélfia, Detroit, Porto Rico, entre outros. Cada cidade contribuiu com vários elementos para o seu estilo geral visto hoje no mundo inteiro.[16] [17] [18]

Geralmente, as roupas utilizadas no hip hop são largas, para que os movimentos fiquem maiores, dando mais efeito visual para a dança. Também são utilizados bonés, muitas vezes virados para trás ou de lado, costumam usar shorts ,e, na maioria das vezes, as roupas são vistosas.

O primeiro estilista a unificar a moda convencional com o estilo do Hip Hop foi Karl Kani, que desenvolveu as primeiras calças com o formato propriamente largo. Pelo sucesso das vendas ele recebeu o título de "The Godfather of fashion Urban"[19] e também foi eleito mais tarde pela revista People um dos 100 Afro-Americanos mais ricos do mundo.

Misoginia no hip hop[editar | editar código-fonte]

Misoginia na cultura hip hop refere-se às letras, vídeos ou outros aspectos da cultura hip hop que mostram apoio, glorificam, justificam ou normalizam a objetivação, exploração ou vitimização das mulheres. Ela pode variar de insinuações para caracterizações estereotipadas e difamações.

Os estudiosos têm proposto várias explicações para a presença de misoginia na cultura hip hop. Alguns argumentaram que cantores de rap usam letras misóginas e retratos como uma forma de afirmar a masculinidade ou para demonstrar sua autenticidade como rappers. Outros sugerirem que a música rap é um produto do seu meio ambiente, refletindo machismo e que os cantores de hip hop têm internalizado estereótipos negativos sobre as mulheres. Ainda outros acadêmicos têm enfatizado considerações econômicas, argumentando que rappers usam misoginia para alcançar o sucesso comercial.

Análise de conteúdo descobriram que cerca de 22% a 37% das letras de rap contem algum misoginia, dependendo do subgênero. Cantores individuais mostraram usar essas letras com mais freqüência. Eminem , por exemplo, usou a misoginia em onze das 14 músicas do seu terceiro álbum de estúdio. Temas misóginos comuns incluem a utilização de nomes pejorativos como "cadela", objetificação sexual das mulheres, legitimação da violência contra as mulheres, e a glorificação de prostituição e lenocínio.

Todavia, as mulheres tem procurado se integrar ao movimento e combater este tipo de pensamento. Assim, este pensamento não é uma unanimidade no movimento.

Aspectos políticos[editar | editar código-fonte]

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É importante não desconsiderar as questões políticas no âmbito da construção da visão e aceitação social (ou sua rejeição social) no que diz respeito ao movimento hip hop e às posições políticas que o envolvem.

As populações que fazem uso do hip hop, buscam não só um "passatempo" que lhes permitam uma "válvula de escape", mas acima de tudo, buscam expressões que dê voz aos seus ideais, anseios, dramas e necessidades, bem como, permitam criar laços sociais e laços políticos por meio da difusão e articulação de causas, ideias e ações. Assim, as classes oprimidas e sem a propriedade dos meios de comunicação de massa, passam a desfrutar de uma vitrine de difusão de sua realidade e reivindicações sociais. Todavia, os meios de comunicação de massa, procuram valorizar apenas aspectos desestruturadores do movimento, veiculando apenas artistas que valorizem a ostentação, a violência, a segregação, o machismo, a criminalidade, o uso abusivo de drogas,o repúdio ao uso da camisinha, entre outros elementos. Tais elementos visam apenas a aprofundar as causas da tragédia social que assolam nossa atual civilização global. Com isso, os meios de comunicação de massas podem fingir apoiar o movimento, quando na realidade inserem discórdia e tensão social no seio do movimento hip hop e das comunidades oprimidas.

Sabemos que a democracia representativa não é um sistema perfeito, pois nenhum direito é concedido sem que pague vultosamente por ele ou que se brigue por ele na feroz arena do jogo político-social (que inclui também o voto democrático). Essa arena inclui o essencial espaço de manifestação de ideias e do diálogo para a articulação social, e que no caso do movimento hip hop é uma das funções que dele se espera enquanto instrumento político.

Elementos da atualidade e do futuro do hip hop[editar | editar código-fonte]

O hip hop se encontra sob a ação de diversas forças de diversos âmbitos da vida em sociedade, entre elas, a ação das tecnologias, das técnicas e estéticas, das culturas dos diversos componentes, das forças sociais, das forças políticas, etc. Esse mix de interações, são determinantes nos rumos que o movimento toma em cada momento em direção ao futuro. Por exemplo, dada a orientação geral apontada no inicio do movimento e que considerava a realidade urbana, tecnológica, capitalista e global das populações oprimidas mundo afora e concentradas nas "senzalas urbanas", observamos a sedimentação do movimento em "representações locais" que pouco a pouco se integram nas realidades locais criando adições dos elementos estéticos locais, afirmando a individualidade local em dialogo com o mundo a sua volta. Nesse sentido é importante afirmar não haver uma "forma correta" de hip hop em detrimento da criatividade, em detrimento de liberdade de expressão ampla e em detrimento das realidades locais, sob pena de eliminação da função política do movimento. A apropriação coletiva do hip hop não aceita a "pregação" dos meios de comunicação de massa, a qual endeusa um determinado artista em detrimento da coletividade. O discurso veiculado pelos meios de comunicação de massa determina que há uma "forma correta" de hip hop e que ninguém tem "autoridade" para fazer diferente. Ora, um dos pontos centrais do movimento está justamente na independência, na descentralização, na igualdade, na liberdade e na fraternidade, assim, nenhum artista que defenda uma visão autoritária do mundo, será considerado um verdadeiro representante do movimento.

Atualmente, observamos uma convergência de interesses, realidades e culturas aparentemente muito díspares e que encontram consonância no movimento hip hop, tais como o teatro do oprimido, grupos de educação comunitária baseados nos princípios do educador Paulo Freire, grupos ecológicos, etc. Tais "encontros" refletem a verdadeira natureza comunitária e libertária do hip hop.

A atuação das forças de desenvolvimento citadas no início do presente tópico, determinam um hip hop atual tão extremamente diversificado, que torna-se impossível tentar reunir e sintetizar todos os seus desdobramentos estéticos e políticos. Porém, a gravidade da questão ecológica em âmbito mundial, tem elegido uma unidade política mundial em torno desse tema, ainda que muitos grupos econômicos tentem disfarçar tal importância. A questão ecológica diz respeito à sobrevivência de cada ser vivo nesse planeta, assim o direito à vida é uma questão comum a qualquer movimento social. Portanto, a convergência entre movimento hip hop e movimento ecológico é mais do que natural. Portanto, vamos observar o movimento hip hop cada vez mais ecológico, mais rico e mais diverso do que nunca. Sua atuação será cada vez mais uma filosofia de vida. Enfim, uma das bases do movimento é a integração interna (integração espiritual) do ser humano, garantindo a esse ser unidade consigo e com o mundo de forma respeitosa e digna, assim, tudo o que contribua com tal propósito é bem vindo.

Tal integração entre a visão hip hop e a visão ecológica se dá e se dará sob a orientação de 5 princípios:

1[editar | editar código-fonte]

Valorização da pessoa em relação às coisas

2[editar | editar código-fonte]

Valorização do ambiente em detrimento da exploração do ambiente

3[editar | editar código-fonte]

Valorização do fazer simbólico criativo, engajado, coletivo, humanizante, esclarecedor, afetivo, includente e ecológico em detrimento do fazer simbólico repetitivo, descompromissado, individual, depreciador, vazio, frio, discriminador e anti-ecológico

4[editar | editar código-fonte]

Valorização dos instrumentos musicais artesanais, reciclados e criativos bem como a valorização do fazer musical coletivo

5[editar | editar código-fonte]

Valorização de propostas musicais alternativas, criativas, locais, historicamente integradas e esclarecidas em detrimento de propostas hegemônicas, repetitivas, sem compromisso local, alienadas e alienadoras

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Chang, Jeff; DJ Kool Herc. Can't Stop Won't Stop: A History of the Hip-Hop Generation. [S.l.]: Macmillan, 2005. ISBN 031230143X.
  2. Kugelberg, Johan. Born in the Bronx. New York: Oxford University Press, 2007. p. 17. ISBN 978-0-7893-1540-3.
  3. Walker, Jason. "Crazy Legs – The Revolutionary", SixShot.com, Web Media Entertainment Gmbh, January 31, 2005. Página visitada em 2009-08-27.
  4. Rosen, Jody. "A Rolling Shout-Out to Hip-Hop History", The New York Times, 2006-02-12, p. 32. Página visitada em 2009-03-10.
  5. Chang, Jeff. Can't Stop Won't Stop: A History of the Hip Hop Generation. New York: St. Martin's Press, 2005. p. 90. ISBN 0-312-30143-X.
  6. Brown, Lauren. "Hip to the Game – Dance World vs. Music Industry, The Battle for Hip Hop’s Legacy", Movmnt Magazine, February 18, 2009. Página visitada em 2009-07-30.
  7. a b <<Historia do Hip Hop>> www.dancaderua.com.br. Visitado em 07-Agosto-2010.
  8. '’JET, April 2007”, Johnson Publishing Company pp.36–37
  9. a b Keith Cowboy – The Real Mc Coy
  10. Tecnologia Google Docs docs.google.com. Visitado em 07-Agosto-2010.
  11. Zulu Nation: History of Hip-Hop 72.14.209.104. Visitado em 2010-04-23.
  12. http://www.zulunation.com/hip_hop_history2.htm (cached)
  13. http://www.samplesdb.com/db/A/Afrika+Bambaataa SamplesDB - Afrika Bambaataa's Track
  14. Oxford English Dictionary
  15. [1] Ankeny, Jason, Allmusic.com profile of Last Poets; URL accessed February 01, 2007
  16. Kitwana, Bakari. The Hip Hop Generation: Young Blacks and the Crisis in African American Culture, p. 198.
  17. Keyes, Cheryl. Rap Music and Street Consciousness, p. 152.
  18. Wilbekin, p. 282.
  19. Karl Kani, o grande chefão da moda Urbana - Novembro de 2013

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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