Hiperidrose compensatória

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Após a cirurgia de simpatectomia torácica endoscópica (STE), pode acontecer do corpo suar excessivamente em áreas não tratadas, mais comumente a região lombar e no tronco, mas também pode ser espalhado sobre a superfície total do corpo abaixo do nível do corte. Esse fenômeno é denominado hiperidrose compensatória e é considerado suportável pela maioria dos operados.

Hiperidrose compensatória é uma forma de neuropatia. É encontrada em pacientes com mielopatia, doença torácica, doença cerebrovascular, trauma do nervo ou após cirurgias. O mecanismo exato do fenômeno é pouco compreendido. É atribuída à percepção no hipotálamo (cérebro) que a temperatura corporal é muito alta. A sudorese é induzida a reduzir o calor do corpo.

A transpiração excessiva devido ao nervosismo, raiva, medo ou traumas anteriores é chamada de hiperidrose.

A hiperidrose compensatória é o mais comum efeito da simpatectomia torácica endoscópica, uma cirurgia para tratar a hiperidrose grave, muitas vezes afetando apenas uma parte do corpo. Também pode ser chamado de rebote ou hiperidrose reflexa. Em um pequeno número de indivíduos que passam por esse procedimento cirúrgico, a hiperidrose compensatória após a simpatectomia é perturbadora, porque as pessoas atingidas podem ter que mudar a roupa encharcada de suor duas ou três vezes ao dia.[1] Segundo o Dr. Hooshmand, do Centro de Gerenciamento da Dor em Vero Beach, na Flórida, a simpatectomia danifica permanentemente o sistema de regulação de temperatura. A destruição permanente da função de termorregulação do sistema nervoso simpático causa complicações latentes, por exemplo, RSD na extremidade contralateral.[2] Após a simpatectomia a hiperidrose compensatória geralmente diminui após alguns meses.

Após a cirurgia para a hiperidrose axilar, palmar ou de rubor, o organismo pode liberar suor excessivo nas áreas tratadas, mais comumente na região lombar e no tronco, mas pode ser espalhado sobre a superfície total do corpo abaixo do nível do corte. A parte superior do corpo, acima da transecção da cadeia simpática, é onde o paciente é incapaz de suar ou de se esfriar, sendo o que mais compromete a termorregulação do organismo e pode levar a uma temperatura central elevada, sobreaquecimento e hipertermia. Abaixo do nível da interrupção da cadeia simpática, a temperatura do corpo é significativamente menor, criando um contraste que podem ser observado nas imagens termais.

Mecanismo[editar | editar código-fonte]

O termo '"compensação" é muito enganoso, pois indica que há um mecanismo de compensação que produz efeitos após a simpatectomia, em que o corpo "redireciona" o suor das palmas das mãos ou face a outras áreas do corpo. A transpiração após a cirurgia é um ciclo reflexo entre o sistema simpático e a porção anterior do hipotálamo. A sudorese reflexa não acontecerá se a transpiração da mão puder ser interrompida sem interromper o tônus simpático para o cérebro humano.[3]

A hiperidrose compensatória é um funcionamento aberrante do sistema nervoso simpático. O único estudo avaliando o suor do corpo total, antes e logo após a simpatectomia concluíram que os pacientes produzem mais suor após a cirurgia, mas não tanto nas áreas tratadas pela cirurgia.[4]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Entre pessoas que fizeram a simpatectomia, é impossível prever quem vai acabar com uma versão mais grave da doença, já que não existe qualquer ligação ao sexo, idade ou peso. Não há nenhum teste ou processo de triagem que permite aos médicos prever quem é mais suscetível a hiperidrose compensatória.[5]

Variações[editar | editar código-fonte]

Sudorese gustativa ou síndrome de Frey é uma outra apresentação de neuropatia autonômica.[6] A sudorese gustativa ocorre ao comer, pensar ou falar de comida, produzindo um forte estímulo salivar. Acredita-se que o problema ocorre quando as fibras ANS que vão para as glândulas salivares são ligadas por um erro com as glândulas sudoríparas.[7]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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O tratamento para os casos de hiperidrose intensa ou intolerável para o paciente ainda é de eficácia limitada e difícil. Em simpatectomias onde foram utilizados grampos/clips, a primeira a alternativa seria a retirada dos clips para a reversão dos efeitos da cirurgia. Entretanto, a completa reversão ainda não é garantida, mesmo com alguns relatos de 80% de chances de reversão nos primeiros meses após o procedimento cirúrgico. Para os pacientes que não utilizaram clips, o enxerto nervoso tem tido certa eficácia, com cerca de 50% de sucesso.[8]

Para a maioria dos pacientes, entretanto, pequenas mudanças nos hábitos de se vestir (como a escolha do tipo de tecido), portar peças de roupa para a troca quando necessário e o emagrecimento para pessoas que estão acima do peso ideal são medidas úteis e que podem ajudar o paciente a conviver com a hiperidrose compensatória. Substâncias anticolinérgicas, como a oxibutinina, também têm sido utilizadas com relativo sucesso, mas com frequentes efeitos colaterais. Outras alternativas ainda estão sendo pesquisadas.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Stolman LP. (2008). "Hyperhidrosis: medical and surgical treatment". Eplasty 8: e22. PMID 18488053.
  2. Sympathectomy failure
  3. Chien-Chih Lin and Timo Telaranta at the 4th Symposium on Sympathetic Surgery in Vienna.
  4. Kopelman D, Assalia A, Ehrenreich M, Ben-Amnon Y, Bahous H, Hashmonai M. (2000). "The effect of upper dorsal thoracoscopic sympathectomy on the total amount of body perspiration". Surg. Today 30 (12): 1089–92. PMID 11193740.
  5. Lyra Rde M, Campos JR, Kang DW, Loureiro Mde P, Furian MB, Costa MG, Coelho Mde S; Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica.. (2008 Nov). "Guidelines for the prevention, diagnosis and treatment of compensatory hyperhidrosis.". J Bras Pneumol. 34 (11): 967-77. PMID 19099105.
  6. Licht PB, Pilegaard HK. (March 2006). "Gustatory side effects after thoracoscopic sympathectomy". Ann. Thorac. Surg. 81 (3): 1043–7. DOI:10.1016/j.athoracsur.2005.09.044. PMID 16488719.
  7. Frey's syndrome em Who Named It?
  8. a b SUDORESE COMPENSATÓRIA. Página visitada em 7 de janeiro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]