Hipster

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Garota hipster com uma bicicleta retrô e óculos

Hipster é um termo frequentemente usado para se referir a um grupo de pessoas pertencentes a um contexto social subcultural da classe média urbana. A cultura hipster faz parte da variedade de subculturas que coexiste com a cultura mainstream. No Brasil, a maior concentração de hipsters pertence a região sudeste, principalmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

A cultura hipster é marcada pela música independente, saudosismo recorrente, uma variada sensibilidade para a tendência non-mainstream (não comum, não recorrente) e estilos de vida alternativos. Os interesses referentes à mídia por esse grupo incluem filmes independentes, revistas e websites notadamente relacionados à música alternativa.

A cultura hipster tem sido descrita como um "mutante caldeirão transatlântico de estilos, gostos e comportamentos".[1] Christian Lorentzen, do New York Times, argumenta que "O hipsterismo fetichiza a autenticidade",[2] elementos de "movimentos marginais da era beat pós-guerra (beat generation), o hippie e até o grunge", inspira-se em "depósitos culturais de cada toda densidade étnica" e "regurgita tudo com uma peculiar e intrínseca inautenticidade." Outros, como Arsel e Thompson, referem-se aos hipsters como o termo significante para uma mitologia cultural, a cristalização de um estereótipo massificado e mediado para entender, categorizar e "marketizar" o consumidor da cultura indie, mais que efetivamente um grupo de pessoas.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Origens na década de 1940[editar | editar código-fonte]

O termo "hipster" foi cunhado durante a era do jazz, quando "hip" surgiu como um adjetivo para descrever os fãs da tendência na época.[4] Embora as origens exatas do adjetivo sejam objeto de disputa: alguns dizem que ele seria um derivado de "hop", uma gíria para ópio, enquanto outros acreditam que seja oriundo da palavra africana ocidental "hipi", significando "abrir os olhos".[4] No entanto, "hip" eventualmente adquiriu o sufixo inglês "ster" (como em "spinster" ou gângster), e "hipster" foi apropriado pela língua inglesa.[4]

O primeiro dicionário a listar a palavra é o curto glossário For Characters Who Don't Dig Jive Talk ("Para Pessoas que não compreendem gíria Jive"), no qual estava listado um álbum de Harry Gibson de 1944, Boogie Woogie In Blue. O verbete para "hipsters" os definia como "sujeitos que curtem jazz". Inicialmente, hipsters eram, predominantemente, jovens brancos de classe média procurando imitar o estilo de vida dos músicos de jazz negros que eles seguiam. Em The Jazz Scene (1959), o autor Eric Hobsbawm descreve a linguagem hipster (referida como "jive-talk" ou "hipster-talk") como "gírias ou jargões elaborados para diferenciar o grupo das pessoas de fora". No entanto, a subcultura se expandiu rapidamente e, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi envolvida por uma crescente tendência literária. Jack Kerouac descreveu os hipsters de 1940 como pessoas "subindo e vagabundeando pela América, vadiando e pegando carona em toda a parte, como elementos de uma espiritualidade especial." Em seu ensaio "The White Negro" (O negro branco), Norman Mailer caracterizou os hipsters como existencialistas americanos, vivendo uma vida cercada pela morte (aniquilada pela guerra atômica ou estrangulada pela conformidade social) e optando, ao invés disso, por "divorciar-se da sociedade, para existir sem raízes, para partir em uma jornada não mapeada pelos imperativos rebeldes de seu próprio ser."

Final da década de 1990 até o final da década de 2000[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg Hipsters são os amigos que zombam de você quando você começa a gostar de Coldplay. Eles são as pessoas que vestem camisetas de tela de seda com citações de filmes dos quais você nunca ouviu falar e são os únicos na América que ainda acham que Pabst Blue Ribbon é uma boa cerveja. Eles usam chapéus de cowboys e boinas e acham que Kanye West roubou seus óculos de sol. Tudo a respeito deles é construído exatamente de forma a fazer parecer que eles simplesmente não se importam, além de julgarem a tudo e a todos. Cquote2.svg
Time, julho de 2009[4]

No começo do ano 2000, tanto o New York Times quanto o Time Out New York publicaram perfis de Williamsburg, no Brooklyn, sem usar o termo hipster; o Times referiu-se a "boêmios" e o TONY a "tipos artísticos de East Village". Por volta de 2003, quando The Hipster Handbook (O Manual do Hipster) foi publicado por um morador de Williamsburg, Robert Lanham, o termo passou a ser amplamente utilizado para se referir a Williambsurg e bairros similares. O Manual do Hipster descreve os hipsters como pessoas jovens com "cortes de cabelo mop-top, carregando carteiras retrô, falando em seus celulares, fumando cigarros europeus... desfilando em sapatos de plataforma com uma biografia de Che Guevara saindo de suas bolsas". Lanham também descreve os hipsters da seguinte forma: você se graduou em uma faculdade de artes liberais cujo time de futebol não vence um jogo desde o governo Reagan" e você tem um amigo republicano que você sempre descreve como sendo 'um amigo republicano'". Alguns consideram que a fase inicial de reutilização do termo começou em 1999 e terminou em 2003.

Time/2009[editar | editar código-fonte]

Um artigo de revista Time de 2009 descreve hipsters da seguinte forma: "pegue o suéter de sua avó e os óculos Wayfares de Bob Dylan, e shorts jeans, tênis All Star Converse e uma lata de Pabst e pronto - Hipster."

Referências

  1. Douglas Haddow (2008-07-29). "Hipster: The Dead End of Western Civilization". Adbusters. Retrieved 2008-09-08.
  2. Lorentzen, Christian (May 30–June 5, 2007). "Kill the hipster: Why the hipster must die: A modest proposal to save New York cool". Time Out New York.
  3. Arsel, Zeynep and Craig J. Thompson. "Demythologizing Consumption Practices: How Consumers Protect their Field-Dependent Identity Investments From Devaluing Marketplace Myths.” Journal of Consumer Research, August 26, 2010, DOI: 10.1086/656389
  4. a b c d Hipsters:Brief History. Time.