Hisham ibn Abd al-Malik

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Hisham
10º Califa Omíada
Siria (damasco), califfo hisham, dirhem omayyade, 724-743.JPG
Moneda de Hisham
Governo
Reinado 724 – 743
Antecessor Yazid II
Sucessor Al-Walid II
Dinastia Omíadas, ramos dos marwanidas
Vida
Nome completo Hisham ibn Abd al-Malik ibn Marwan
Nascimento 691
Morte 6 de fevereiro de 743
Filhos Maslamah, Mu'awiyah, Sa'id, Sulayman
Pai Abd al-Malik

Hisham ibn Abd al-Malik (em árabe: هشام بن عبد الملك) foi o décimo califa omíada e que reinou de 723 até a sua morte em 743 d.C. Como seu irmão al-Walid I, Hisham foi um grande patrono das artes, estimulando a tradução de diversas obras primas da literatura e da ciência para o árabe. Ele também foi um defensor da educação e construiu muitas escolas por todo o império.

Hisham morreu de difteria numa quarta-feira, 6 de fevereiro de 743 d.C. e foi sucedido por seu sobrinho al-Walid ibn Yazid ibn Abd al-Malik (Walid II).

Reformas[editar | editar código-fonte]

Herdando o califado de seu irmão Yazid II, Hisham recebeu também um império com diversos e variados problemas. Ele foi, porém, um líder competente e conseguiu manter a unidade do califado omíada. Foi durante o seu governo que as reformas iniciadas no tempo de Umar bin Abd al-Aziz (Omar II) foram revigoradas. Ele retomou a interpretação estrita da Sharia patrocinada por Omar e exigiu-a de todos os seus súditos, inclusive a sua própria família.

Foi também durante o seu reinado que se iniciou uma aproximação com os barmecidas persas.

Campanhas militares[editar | editar código-fonte]

Sob o reinado de Hisham, os ataques constantes contra os bizantinos continuaram. Um dos comandantes de seu exército era o incansável Maslamah, meio-irmão de Hisham. Ele lutou contra os bizantinos em 725-726 (107AH) e, no ano seguinte, capturou Cesareia. Outro era o filho de Hisham, Mu'awiyah ibn Hisham, que, em 110AH tomou o forte de Samalu na Cilícia. Dois anos depois, Mu'awiyah capturou a fortaleza de Carsiano na Capadócia. Em 114AH, ele capturou Aqrun (Akroinos) e seu colega, Abdallah al-Battal, capturou um comandante bizantino.

Em 120AH Sulayman ibn Hisham capturou um forte bizantino conhecido como Sideroun ("Forte de Ferro") e, no ano seguinte, Maslamah capturou partes da Capadócia e atacou os ávaros da Eurásia. Teófanes, o Confessor[1] , afirma que os árabes foram completamente derrotados na Batalha de Acroino, com apenas alguns conseguindo retornar em segurança. Ele conta que uma luta interna entre os bizantinos (entre Constantino V e o usurpador Artabasdo) facilitou os ataques da temporada de 741-742 por Sulayman ibn Hisham e que resultaram em muitos escravos bizantinos nas mãos árabes. Este último ataque aparece também na obra de al Tabari[2] .

No Norte da África, a disseminação da doutrina dos carijitas combinada com a impaciência local resultaram na Revolta Berbere. Em 740, uma grande força berbere cercou um exército omíada em Wadi Sherif, que lutou até a destruição completa. Hisham despachou então uma força de 27.000 sírios para esmagar os rebeldes, que também fracassou e terminou destruída em 741. No ano seguinte, Handhala ibn Safwan começou a ter alguns sucessos, mas terminou cercado em Qairawan. Ele liderou uma tentativa desesperada de romper o cerco que acabou por desorganizar os berberes, matando milhares deles e, assim, reestabeleceu o domínio omíada na região.

Hisham também enfrentou uma revolta dos exércitos de Zayd bin Ali, o neto de Husayn bin Ali, que, ao contrário da anterior, foi facilmente esmagada. Na Espanha, os conflitos internos dos anos anteriores foram eliminados e o governador de Hisham, Abd ar Rahman ibn Abdallah, conseguiu juntar um grande exército e invadiu o Reino dos Francos. Ele cercou Bordéus e avançou pelo Vale do Loire, até ser detido na Batalha de Tours por Carlos Martel. Este ataque marca o limite da conquista árabe na Europa Ocidental.

Apesar dos sucessos de Hisham, os abássidas continuavam a ganhar força, principalmente no Iraque e no Grande Coração. Eles ainda não estavam em posição de desafiar o califa, que mandou prender e executar diversos líderes do grupo.

Obras[editar | editar código-fonte]

Hisham construiu um complexo palacial em Jericó conhecido como Khirbet al-Mafjar cerca de um quilômetro e meio a norte do Tell as-Sultan em 743, duas mesquitas, um pátio, mosaicos, e outros items que podem ser vistos hoje in situ, apesar de terem sido parcialmente destruídos no terremoto de 747.

Referências

  1. Teófanes, o Confessor, p. 103
  2. al Tabari, v. 26, p. 68

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • The End of Expansion: The Caliphate of Hisham A.D. 724-738/A.H. 105-120 by Jere L. Bacharach and Khalid Y. Blankinship, Albany, SUNY Press, 1989. (em inglês)
  • Muhammad ibn Jarir al-Tabari, História v. 24 "The Empire in Transition", trad. David Stephan Powers, Suny, Albany, 1989. (em inglês)
  • Teófanes, o Confessor, Crônica, trad. Harry Turtledove, University of Pennsylvania Press, Philadelphia, 1982. (em inglês)