História da América Latina

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Mapa da América indicando as principais regiões culturais na América pré-colombiana.
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A História da América Latina é o campo de estudos acerca da América Latina sob a perspectiva da história.

História Pré-Colombiana[editar | editar código-fonte]

Qualquer que seja a sua origem, quer os nativos das Américas tenha vindo da Ásia, pelas Aleutas e pelo Alasca, quer tenha atravessado o Oceano Pacífico "saltando de ilha em ilha" sobre as suas pirogas de balancim, há um ponto em relação ao qual todas as opiniões são concordes: a relativa juventude da humanidade ameríndia.[1] A primeira ocupação da América por homens vindos da Ásia, ter-se-ia verificado no fim do Paleolítico e no alvorecer do Neolítico, entre 15.000 e 10.000 anos a.C.[2] O caráter insular do Novo Mundo, afastado do umbigo eurasiático da espécie humana, explica a juventude da humanidade pré-colombiana e, como consequência, a sua fraqueza.[2]

No final do século XV e no início do XVI, os índios dos planaltos são exímios na metalurgia do cobre, do ouro e da prata, mas ignoram o uso do ferro.[3] A natureza não colocou à sua disposição, como o fez para a humanidade do Velho Mundo, o motor muscular do boi e do cavalo.[3] Não há coesão alguma a ligar um povo a outro, nenhuma coesão social interna.[3] A propriedade individual não ligou o homem à terra.[3] O que há é uma civilização que, no caso asteca, não acredita nela mesma e que ao otimismo cristão só pode opor o pessimismo fundamental de sua mitologia cruel.[3] A luta entre o índio e o espanhol, que representa a civilização europeia em plena revolução técnica,[3] é a luta da panela de ferro contra a panela de barro.[3]

Do outro lado do Atlântico, a Europa estava saindo da Idade Média.[4] Na sua extremidade ocidental, a Ibéria, nas fronteiras da Cristandade e em contato com o mundo árabe, que a impregnou durante oito séculos, acabou de terminar a reconquista com a tomada de Granada (10 de janeiro de 1492).[3] Com o seu casamento, os Reis católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, realizaram o primeiro esboço da unidade espanhola.[5]

Esses dois fragmentos desiguais da humanidade desenvolveram-se paralelamente, sem interferências.[3] Entraram em contato no final do século XV por intermédio dos povos ibéricos.[3] A cristandade ocidental cabe, evidentemente, a responsabilidade desse encontro, de resto fortuito.[3]

A pressão demográfica vinha forçando, desde o século XII, a Cristandade ocidental a uma expansão territorial.[3] O desafio muçulmano ao sul e, depois, a leste, comanda, com o aumento da população, os mecanismos psicológicos profundos da expansão. Lentamente, as cidades marítimas forjam os instrumentos de uma navegação de alto mar:[3] a caravela, capaz de manobrar graças às possibilidades do leme do cadaste,[3] [6] a bússola e os primeiros rudimentos do que será, mais tarde, muito mais tarde, a navegação astronômica.[6] A expansão do grande comércio incentiva a paixão pelas especiarias e a procura do metal monetário. A Península Ibérica - Portugal mais do que Castela - dá a esse desafio coletivo uma resposta marítima.[6] Colonização com escravos das ilhas açucareiras: Canárias, Madeira, Açores; exploração da costa da África, visando a uma ligação direta com o Sudão, para o ouro e os homens.[6] É durante essa exploração das costas africanas, entre 1460 e 1470, aproximadamente, que nasce a ideia de se ir diretamente às Índias, de modo a passar sem o intermediário árabe.[6]

Para procurar as especiarias de maneira mais segura e menos onerosa, para procurar o ouro necessário ao pagamento das especiarias e da Cruzada contra o infiel, para dar a mão às comunidades cristãs que a lenda situa muito longe, a oriente, é preciso ir às Índias, onde a imaginação de uma Cristandade doente colocou montanhas de ouro.[6]

Rotas seguidas por Colombo em suas quatro viagens.

Para se ir às Índias haveria duas soluções.[6] A solução portuguesa que procuram dobrar, ao sul o Cabo da Boa Esperança.[4] É a que realiza Vasco da Gama, em 1498.[4] E há também a solução de um louco, pelo oeste, porque a terra é redonda.[6] A solução que Colombo consegue fazer Isabel, a Católica, aceitar.[6]

E é assim, que num dia 12 de outubro, no ano de 1492, Cristóvão Colombo, que partira à descoberta de Cipango e das suas montanhas de ouro, das Índias e das suas especiarias, encontra no caminho uma ilha minúscula do arquipélago das Bahamas denominada Guanahani, descobrindo, sem o saber, por inadvertência, a América.[7] No ponto de impacto da humanidade índia e da humanidade ibérica, nasceu a América Latina.[6]

Período colonial (1492-1808)[editar | editar código-fonte]

Sendo a América Latina o produto de uma síntese que se fez em detrimento do elemento índio, foi ao longo de três séculos e meio da história colonial que ela se formou.[8] Não é demais insistir sobre a importância da fusão operada, pois os traços marcantes do caráter da América Latina, advêm daí.[8] Durante esses três séculos, os dois elementos, o índio e o ibérico, fundiram-se, os negros foram trazidos pelos traficantes de escravos e a América Latina tornou-se aquilo que continua a ser, a terra da economia destrutiva.[9]

Importância primordial da era colonial, unidade primordial também. Em menos de cinquenta anos, os conquistadores, atrás de fortuna e ideal, percorrendo de ponta a ponta, e em todos os sentidos, o seu domínio, construído na dimensão do continente, e vasculhando todos os seus recantos, concluíram, nas suas grandes linhas, a conquista da América Latina.[8]

Século dos conquistadores (1492-1550)[editar | editar código-fonte]

Descobrimento (1492-1519)[editar | editar código-fonte]

No dia 24 de dezembro de 1492, Cristóvão Colombo fundava na ilha de Hispaniola, a atual São Domingos, o modesto estabelecimento de Navidad.[10] Alguns homens e um tosco fortim: o embrião do Império "no qual o sol nunca se punha".[11] Depois, Colombo voltou à Espanha para aí ser trinufalmente recebido pelos Reis Católicos.[12] [[Imagem:Südamerika1650.png|thumb|esquerda|O meridiano mais oriental foi definido pelo Papa Alexandre VI ("Bula Inter Coetera"); o mais ocidental pelo Tratado de Tordesilhas. A localização das cidades atuais é meramente indicativa. Interessava ao espanhol confirmar a posse das terras encontradas na rota das Índias, sobretudo, tendo em vista a inveja do Rei de Portugal, D. João II.[11] O português há anos que procurava pelo sul o caminho marítimo para a Índia, e o espanhol, favorecido pelo acaso, parecia ter ganho num único lance de dados aquilo que anos e anos não haviam ainda proporcionado ao seu vizinho oriental.[11] Para que os confirmassem na posse tranquila das suas novas conquistas e, principalmente, na de quantas esperavam realizar na via aberta por Cristóvão Colombo, os Reis Católicos voltaram-se para o Papa, a autoridade superior à qual o direito público da Europa Medieval reconhecia o poder de repartir as terras que ainda não pertenciam a qualquer príncipe cristão.[11] [13] Por ventura não havia já o português obtido toda uma série de bulas confirmando seus direitos sobre as costas da África?[14] A ocasião era excelente. Um Papa espanhol, Alexandre VI, ocupava o trono pontifício e tinham sido as intrigas dos Reis Católicos, apenas elas, que o haviam guindado a um cargo a que nunca teria ascendido nem pela virtude nem pelo saber.[15] [[Ficheiro:Spain and Portugal.png|300px|thumb|Meridiano de Tordesilhas (rosa) demarcando os territórios a explorar por Portugal e Espanha e o seu antimeridiano (verde)]] A fim de por termo às ameaças portuguesas, a diplomacia espanhol obteve, sem dificuldade, da cúria pontifícia, a publicação de uma série de bulas (4 de maio de 1493), a última das quais, a bula Inter Coetera, fixou de maneira precisa o domínio espanhol e o domínio português.[16] Entre elas traçava uma linha ideal que unia os dois pólos e passava por um ponto a 100 léguas a ocidente das ilhas de Cabo Verde.[16] A oeste dessa linha, todas as terras descobertas pertenciam a Castela.[16] A solução espanhola triunfava;[13] de modo excessivo, sem dúvida.[13] O português sentia-se frustrado;[13] o Papado renegava a suas promessas de 1481.[13] Para acalmar os furores de João II, os Reis Católicos assinavam, a 7 de junho de 1494, o Tratado de partilha de Tordesilhas, que modificava ligeiramente em proveito de Portugal as estipulações das bulas pontifícias.[17] A linha de demarcação era recuada para o ocidente, doravante a 370 léguas de Cabo Verde.[17] Foi em virtude das bulas modificadas de 1493 que a Espanha reclamou sempre a posse integral das Índias castelhanas;.[17] foi em virtude dessas bulas modificadas pelo Tratado de Tordesilhas que os portugueses fundaram legalmente seus estabelecimentos no Brasil.[17]

Desembarque de Cabral em Porto Seguro (estudo), óleo sobre tela, Oscar Pereira da Silva, 1904. Acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.

A 22 de abril de 1500, o português Pedro Álvares Cabral, viajando pela rota do sul, tocava por acaso no litoral brasileiro, em Porto Seguro, mais precisamente na praia de Coroa Vermelha, no atual Estado da Bahia.[18] Decorridos nove anos, Diogo Álvares Correia, atirado à costa, nas proximidades do lugar onde Cabral havia ancorado, firmava um tratado com um chefe indígena e criava a primeira família mestiça.[19] Outro português, João Ramalho, imitava-o na região de São Paulo.[20] Em 1526, Aleixo Garcia, desembarcando no atual Estado de Santa Catarina, partia em busca de ouro, à frente de um grupo de índios.[21] No mesmo ano, Cristóvão Jacques, um espanhol a serviço do Rei de Portugal, fundava, perto de Pernambuco, um engenho de cana-de-açúcar.[22] Modesta e lentamente, esboçava-se, segundo a partilha de Tordesilhas, o Império Português da América.[23] Mas só tardiamente os portugueses, mais interessados pelas perspectivas da Índias Orientais do que pela exploração do Novo Continente, compreenderam o interesse pelo domínio que o acaso lhes havia dado a ocidente.[23]

A conquista da América foi, de início e principalmente, uma façanha espanhola.[23] Persuadido de que atingira os postos avançados das Índias, Cristóvão Colombo obstinou-se.[12] Voltou por três vezes, acabando por individualizar as costas do Mediterrâneo americano.[23] Caído em desgraça, morreu sem ter compreendido o seu erro.[24] Durante os trinta anos que se seguiram à sua primeira viagem, os espanhóis apossaram-se das Grandes Antilhas. Américo Vespucci, que deu o nome ao Novo Mundo,[25] Juan Ojeda, Juan de la Cosa, Vasco Núñez de Balboa, o primeiro a chegar, surpreendidos (25 de setembro de 1513), às margens do Pacífico, viram surgir um continente novo.[26]

Na rota das especiarias, não havia já para os espanhóis senão um obstáculo a contornar. Foi essa tarefa que o português Fernão de Magalhães tentou levar a bom termo por conta do Rei da Espanha (1519-1521).[23] Da sua aventura, basta que retenhamos o passo decisivo que ela fez dar ao conhecimento do continente e os direitos que outorgou ao senhor sobre as futuras Filipinas, anexo longínquo da Nova Espanha que se estava esboçando no próximo momento em que Magalhães deixava às costas europeias.[27]

Conquista dos impérios (1519-1550)[editar | editar código-fonte]

Conquista da Nova Espanha[editar | editar código-fonte]

Em 1519 finda a época das sondagens.[28] Desiludidos com as Antilhas, onde não haviam encontrado o procuravam e incapazes de manterem suas plantações com a mão-de-obra indígena, pois esta com o trabalho forçado fundia como neve exposta ao sol.[29] , atraídos pelos relatos dos indígenas, desejosos de lhes agradar, e movidos também pela ânsia de conquistar novas almas para Cristo e ganhar o céu, os espanhóis, enquanto arrancavam riquezas do "Vale de lágrimas", enviaram várias expedições à costa mexicana onde as mesmas se perderam (1517-1519).[28]

Era no coração do mundo índio que o espanhol, doravante, enfrentava as fortes civilizações dos planaltos.[28] Nas altas planuras do México onde as terras frias se estendem entre os 2 e 3.000 metros de altitude,[30] duas civilizações brilhantes permaneciam ainda justapostas.[28]

Réplica da Pedra do Sol - O calendário asteca.

A mais antiga, a mais refinada, a civilização maia, originária dos planaltos de Anahuac, fora, pouco a pouco, empurrada para o litoral.[31] Mas quando Cortés desembarcou nas costas mexicanas, os astecas ampliavam um domínio militar, fundado um século antes.[32] A nossa visão foi muitas vezes confundida pela corte brutal que fixou a hora, talvez sem amanhã, da grandeza asteca.[32] Era uma cultura áspera em plena evolução a que foi aniquilada pela aventura castelhana.[32] Faltou-lhe talvez tempo para ultrapassar o estádio de pessimismo sangrento em que se demorava ainda no século XVI.[32] Uma religião refinada e bárbara: culto do Sol e da Lua,[33] culto de um panteão bizarro,[34] dos deuses cruéis que exigem dos seus fiéis sacrifícios sangrentos e que fazem da guerra,[32] fonte de prisioneiros destinados aos sacrifícios, uma necessidade inerente ao culto.[32]

A cabeça desse estado militar e teocrático, o Rei era escolhido no seio de uma família eleita, por um conselho de anciãos.[35] A terra, base de toda a riqueza, pertencia aos deuses e ao Estado; o clã repartia o que esses poderes lhe deixavam.[32] Uma parte da mão-de-obra era fornecida pelos escravos, antigos prisioneiros de guerra ou condenados de direito comum.[36] A técnica não havia ainda atingido a idade do ferro.[32]

Hernán Cortez, Museo de América, Madrid.

Para se impor aos astecas, Diogo Velázquez, governador de Cuba, recorreu a Hernán Cortés, o mais belo tipo de conquistador.[37]

Nascido na Estremadura, em 1485,[38] Hernán Cortés era da pequena nobreza;[39] a família enviou-ou para Salamanca a fim de cursar Direito,[40] mas, chamado irresistivelmente pela carreira das armas, embarcou para Hispaniola onde se revelou homem audacioso e sociável.[32] Dotado de indomável energia e de uma confiança absoluta no seu destino, Cortés aliava à paixão da riqueza uma ardente à maneira espanhola.[32]

O indivíduo afirma-se em todo o lado do modo mais agressivo.[32] Destituído por Velásquez, Cortés antecipa a sua partida de Santiago (18 de novembro de 1518) e passa três meses ao longo do litoral de Cuba,[32] completando as suas forças nos próprios domínios de seu chefe, sem que ousem resistir-lhe, de tal forma o sabem homem disposto a agir sem escrúpulos,[32] [41] de tal forma também o espaço americano,[41] no alvorecer do século XVI,[41] é pouco permeável a uma autoridade central.[41]

Os meios de que dispõe podem parecer insignificantes: onze navios de cerca de 100 toneladas e seiscentos soldados que não são todos espanhóis.[42] Cem canhões, dezesseis cavalos,[43] dois intérpretes.[41] Seus trunfos: a superiodade técnica, o terror que incutem nas almas simples as armas de fogo e os cavalos, as divisões intestinas dos adversários, e sobretudo o ardor das tropas espanholas, a superioridade do chefe.[41]

Conquista do México 1519-1521.

Em fevereiro de 1519, Cortés desembarca na costa de Iucatã.[38] Informado da riqueza do Império asteca de Montezuma, decide atacá-lo contra o parecer dos seus, após ter tomado a precaução de se fazer reinvestir pela municipalidade de Vila Rica de Vera Cruz, recém-fundada.[38] Depois de um reide épico através do país onde, como César, soube jogar com a desunião dos indígenas e os ódios suscitados pelo domínio asteca, penetra a 8 de novembro de 1519 em Tenochtitlán (México), isolada no centro de sua laguna.[44] Apodera-se de Montezuma, volta a Veracruz para afastar o perigo de uma contra-expedição enviada por Velázquez mas, ao regressar a Tenochtitlán não consegue dominar uma revolta geral dos índios, indignados com a avidez e o espírito iconoclasta dos seus novos senhores.[45] Cortés, com muita dificuldade, consegue sair da cidade por uma de suas saídas, mas perde um terço de seu exército, na célebre noche triste.[45] Alguns dias depois, em Otumba, por um momento parecia inevitável o aniquilamento dos espanhóis, sempre perseguidos, mas Cortés acabou vencendo (batalha de Otumba) e, ajudado por seus aliados de Tlaxcala, apresenta-se novamente ante Tenochtitlán, cujo cerco e destruição assinalaram um dos acontecimentos mais trágicos da história americana.[45]

O Império de Montezuma, graças à posição central, serve de ponto de partida de novas conquistas para o sul e para o norte.[46] Para o sul, onde Pedro de Alvarado, Cristóbal de Olid e o próprio Cortés procuram estabelecer ligação com as posições do Istmo, enquanto no México as intrigas se desenvolvem contra o governador todo-poderoso.[46] 1526: Cortés é substituído por um funcionário, o frouxo Luís Ponce de León.[46] O marquesado do vale de Oaxaca e uma prodigiosa fortuna não bastam para o consolar.[46] Na Nova Espanha, entretanto, a era dos conquistadores terminou.[46] No dia 13 de dezembro de 1527 a primeira audiencia de Nova Espanha é instalada e a conquista cede o lugar à organização.[46]

Mas prolonga-se para o norte, em busca aí, também, das riquezas mais ou menos míticas que, depois de haverem lançado os espanhóis através do Atlântico, os conduziram ao Continente.[46] Nas costas da atual Califórnia, Francisco de Ulloa segue, em 1539, na esteira de um Cortés envelhecido.[47] Em demanda das "sete Cidades", de Cibola, de Quivira, ou de outros países do Norte, mais ou menos fabulosos, partiram muitos e nem todos voltaram.[46] Um Nuño Beltrán de Guzmán (1529-30), um Nuñez Cabeza de Vaca (1539-42), um De Soto, mais hábil — durante os seus péríplos através do sudeste dos Estados Unidos atuais — na caça ao índio do que na descoberta do ouro, todos mais ou menos felizes, todos impelidos pelo "mesmo sonho heroico e brutal".[46]

Conquista da Nova Castela[editar | editar código-fonte]
Mapa da América do Sul, em espanhol, apresentando a divisão das colônias espanholas em governos (Nova Andaluzia, Nova Leão, Nova Castela, Nova Toledo) criados por reais cédulas entre 1534 e 1539.

A conquista de Nova Castela, entendendo-se por tal não apenas o Peru, mas praticamente toda a América do Sul espanhola, oferece analogias profundas com a conquista da Nova Espanha.[48] O mesmo móbil: a procura do ouro, mais brutal ainda, sem uma nota de idealismo religioso.[46] Uma personalidade poderosa: Francisco Pizarro.[46] Um Estado a vencer: o Império Inca; duas fortes culturas indígenas a esmagar: a cultura incaica e a cultura chibcha.[46]

Nos altos vales da atual Colômbia, a civilização inca permanece a grande civilização dos Andes colombianos, a civilização dos planaltos por excelência e que acaba por se estender ao conjunto da cordilheira andina, desde o Equador ao norte do Chile e cujo berço se encontra algures no corredor que se estende, a mais de 3.000 metros de altitude, de Chaco ao Titicaca.[49] O Império Inca é potência teocrática, sobre a qual a classe sacerdotal exerce uma autoridade quase ilimitada.[50]

E, simultaneamente pela sua organização econômica e social, pelo seu organismo agrário de Estado e pela amplitude dos trabalhos coletivos realizados que a civilização incaica nos impressiona.[46] [51] A terra estava dividida em três partes desiguais: uma reservada ao deus solar, outra ao Rei a terceira ao povo.[51] Cada família recebia um lote proporcional às suas necessidades.[51] A propriedade individual do solo não existia; força e fraqueza.[46] Força porque o regime incaico permitiu a realização de prodigiosos trabalhos de ordem coletiva, palácios, templos, rede de estradas pavimentadas, fortalezas em pontos estratégicos, culturas em degraus, aquedutos para abastecimento das cidades e irrigação;[49] fraqueza talvez porque preparasse um povo de camponeses dóceis para se submeter a todas as exigências, isto é, para mudar de senhores.[51]

Francisco Pizarro em seus aparentes 40 anos de idade.

Francisco Pizarro era um bastardo, analfabeto,[52] da Estremadura.[53] No Panamá ouvira falar das riquezas do país inca. Com a ajuda de dois aventureiros, Diego Almagro, analfabeto como ele,[54] e ainda mais ambicioso e feroz, se é possível, e Hernando de Luque, organizou expedições para o sul.[55] Sem apoio das autoridades do istmo, malograram.[51] Passando por cima da hostilidade da administração local, Pizarro voltou à Espanha obteve do Imperador, a 26 de julho de 1529, uma "capitulação" em regra, que o investiu na missão de anexar ao domínio espanhol o Império Inca,[53] e lhe conferiu plenos poderes sobre uma faixa de território de 200 léguas de largura a partir da costa. Almagro não foi tão bem aquinhoado.[51] A partilha de 1529 trazia em si a promessa de querelas futuras.[51]

Pizarro deixou o Panamá em janeiro de 1531 com 180 homens e trinta e sete cavalos,[56] ainda menos do que Cortés, para um país mais vasto e de acesso mais difícil: um planalto de 3 a 3.500 m de altitude, fechado entre cadeias de montanhas de mais de 6.000 m.[51] E, no entanto, Pizarro conseguiu em dois anos, pela astúcia e pela violência, derrubar o Império Inca.[53]

Para se tornarem senhores do país, os espanhóis precisaram de dez anos ensanguentados pela guerra civil.[51] Pizarro e Almagro sucumbiram.[51] Foi assim aberto o campo à autoridade real para colher os frutos da aventura pizarriana, tal como, dez anos antes, colhera os frutos da aventura de Cortés na Nova Espanha.[51] [57]

Buenos Aires pouco após sua fundação, em 1536.

O papel que desempenhou ao norte o submetido Império Asteca desempenhou-o ao sul o Império Inca, base das entradas de Belalcazar, Federmann, Orellano, construtores prestigiosos das Índias de Castela, enquanto, para atingir mais facilmente as riquezas do Peru, Pedro de Mendoza fundava, pela primeira vez, Buenos Aires (1536).[58]

Pelo ano de 1550, a conquista do continente estava praticamente acabada do lado espanhol.[57] O português não ocupa ainda senão uma estreita faixa ao longo do Atlântico;[57] entre os Andes, coração das Índias de Castela e à borda do planalto brasileiro, persiste um imenso hiato, a tal ponto que, no decurso dos séculos que se seguem, os portugueses levam a fronteira do seu Império, sem guerra aberta, a vários milhares de quilômetros para além da linha de Tordesilhas.[57] O Araucano resiste e resistirá até ao século XIX.[59] A Patagônia, os próprios Pampas permanecem durante muito tempo como feudo dos índios bravos) os índios selvagens.[57] A segunda metade do século XVI e os séculos posteriores verão a Nova Espanha estender-se pela Flórida, pela Califórnia, pelo Novo México.[60] Mas, em 1550, a parte principal da obra está realizada.[57] Encerrado o século dos conquistadores, principiam a organização e a exploração da conquista.[57]

Caraterísticas da conquista[editar | editar código-fonte]

Os ibéricos, sobretudo os espanhóis, percorreram em todos os sentidos, em trinta anos de 1519 a 1550, com 24 milhões de km² de um território cujos limites estavam quase definitivamente marcados.[57]

Prodigiosa rapidez a dessa maravilhosa aventura, levada a efeito com meios insignificantes.[57] Cortés lançou-se ao assalto do Império Asteca com seiscentos homens;[57] Pizarro iniciou-o com cento e oitenta homens.[57] Os outros grandes devoradores de espaços nunca tiveram sob as suas ordens mais do que um punhado de aventureiros;[57] e com esses exércitos insignificantes venceram as ciladas de um território desconhecido, hostil e que não foi concebido numa escala humana: Pizarro passa das planícies doentias do litoral aos planaltos do interior.[57] [61] Francisco de Orellana percorre dezenas de milhares de léguas através das florestas da Amazônia, enfrentando-se constantemente com o desconhecido.[61] Conquista essa realizada às vezes contra povos atrasados, no centro da América do Sul e nas ilhas, mas também contra povos que haviam chegado, como os Incas, a alto grau de complexidade e de organização social, raramente atingido.[61] Luta de alguns punhados de homens famintos e esgotados pela fadiga contra multidões, conquista total a que se seguiu em toda a parte o aniquilamento completo das culturas indígenas e das suas respectivas organizações políticas.[61] Talvez mais do que pela sua superioridade técnica, esse desfecho explica-se pela superioridade dos homens.[61]

Superioridade de alguns indivíduos que arrastam exércitos ávidos.[61] A conquista das Índias é, por excelência, a obra da Virtú.[61] Realiza-se à margem e quase sempre contra a vontade das nascentes administrações coloniais, e, no caso de Cortés, contra a própria vontade do Rei.[61] Só a iniciativa individual pôde levar a cabo a obra da conquista, num século em que a distância de meses, de um ano, e por vezes mais, separa a Europa da América.[61]

Mais do que a paixão da aventura, e do que o zelo missionário, o motor da conquista foi a ânsia do lucro.[61] Tal como Cristóvão Colombo, os conquistadores partiram em busca das montanhas de ouro que recuavam para is limites do horizonte e que finalmente, os levaram até o fim do mundo.[61] Agitando essa miragem que eles mesmo perseguiam, conseguiram atrair às fileiras das suas expedições os milhares de homens vigorosos e rudes com os quais percorreram e conquistaram as Índias.[61] Os índios quer pelo desejo de agradar a um senhor temido,[61] quer pelo desejo de ver seguir para longe um hóspede incômodo,[61] contribuíram para atirar o espanhol cada vez mais longe para o interior atrás do seu sonho: ouro asteca, ouro inca, miragens do Norte, miragens do Sul, Siete Ciudades aqui, El Dorado acolá, e caça ao escravo também.[61] [62]

Mayflower na Baía de Plymouth (por William Halsall, 1882).

Para caçarem tesouros, os espanhóis conquistaram em trinta anos os seus domínios.[62] Na América Ibérica, a conquista precedeu a colonização; na América Anglo-Saxônica[63] "a colonização precedeu a conquista".[62] Os ingleses tomam posse, um século depois dos espanhóis, da sua parcela da América.[62] Decorridos dois séculos, no final do século XVIII, as Treze Colônias não ultrapassam os primeiros contrafortes dos Apalaches.[62] Em dois séculos, os anglo-saxães penetraram 200 km no interior do seu país; em trinta anos, os castelhanos atravessaram de lado a lado, um continente.[62] A colonização anglo-saxônica é uma colonização de povoamento, os peregrinos do Mayflower e os seus êmulos tomaram o rumo da América para encontrar nela uma pátria onde viver como na sua, ao abrigo da perseguição religiosa ou para fugir aos credores.[62] O povoamento é contínuo; a marcha para o Oeste, comandada pelas necessidades da colonização agrícola, é uma nódoa de óleo que alastra vagarosamente.[62] A conquista louca do Oeste, o século dos conquistadores, só começa a sério para os anglo-saxões no século XIX com a revolução técnica dos transportes.[62] Para o anglo-saxão, agricultor mais ávido de terras do que de ouro, o "melhor índio é o índio morto".[62] Para o castelhano, mais ávido de ouro que de terra, o índio é o colaborador de que tem necessidade na exploração das terras e na exploração das riquezas, um colaborador que por vezes brutaliza.[62] A conquista ibérica é um problema de homens, a união com a índia uma necessidade fisiológica: uma América mestiça opõe-se a uma América branca, dois ritmos de vida, dois ritmos de produção.[62] [64] O desenvolvimento da América Anglo-Saxônica evoluiu paralelamente à ocupação da terra;[64] a ocupação sumária da terra na América Latina precedeu o seu aproveitamento, colocando problemas insolúveis à sua transformação em realidade.[64] As marcas que trinta anos de conquista imprimiram na América Latina acentuaram-se ainda mais com dois séculos e meio de história colonial.[64]

Organização da conquista[editar | editar código-fonte]

A história colonial das Índias de Castela e a do Brasil oferecem semelhanças flagrantes. Nada se parece mais com o sistema colonial espanhol do que o sistema colonial português. É que existe, de fato, um sistema colonial característico do Antigo Regime político e econômico e que transcende o sistema ibérico. Muitas vezes chamaram-lhe Pacto Colonial: as colônias, exploradas pela Metrópole e seu benefício, constituem para ela uma fonte de matérias-primas baratas e um território para escoamento dos produtos de sua indústria pelo menor preço. De modo geral, corresponde à implantação no continente do sistema mercantilista que considera uma balança comercial favorável como a expressão mais segura da prosperidade nacional. Se ele se tornou rapidamente elástico na Espanha e Portugal, na prática e não na teoria, graças ao extraordinário desenvolvimento do contrabando, foi porque a Espanha, e mais ainda Portugal, revelaram-se incapazes, a partir do século XVII, de fornecer às suas colônias os produto manufaturados de que estes necessitavam.

O sistema colonial estabelecido pela Espanha nem por isso deixa de ser um dos mais notáveis que o homem concebeu nos tempos modernos, porque os países ibéricos haviam sido preparados, pela sua história, para a tarefa que os esperava. Países novos e zonas fronteiriças a administrar, e repovoar após a conquista, populações alienígenas a converter, a fundir no melting pot nacional, ou a eliminar. a Península oferece oito séculos, uma imagem em miniatura das Índias. Ao longo dos oito séculos da sua reconquista, a Espanha, a fim de resolver os problemas da administração colonial, elaborara instituições cuja transplantação parcial para as Índias bastou para resolver problemas análogos. A história das instituições das Índias resume, em alguns séculos, a história milenar das instituições da Península.

Organização administrativa das Índias de Castela[editar | editar código-fonte]

As bases foram lançadas sob os Reis Católicos e Carlos V. Em virtude da bula de Alexandre VI (1493), as Índias sempre foram consideradas como propriedade pessoal da Coroa de Castela. As Índias eram castelhanas, antes de serem espanholas; eram uma coisa do rei que criou, para administrá-las, uma série de organismos próprios cujo desenvolvimento se processou paralelamente ao das instituições metropolitanas. O rei conferia a quem lhe agradava a tarefa de conquistar frações dos seus domínios; distribuía aos seus fiéis terras e o rebanho índio, parcelas da sua coisa (tal como foi a origem da encomienda). O poder que a bula de Alexandre VI lhe conferiu sobre as Índias, exercia-o o rei por intermédio de organismos análogos às instituições metropolitanas. O primeiro, pela ordem cronológica, foi a Casa de la Contratación. Criada em 1503, composta de uma tesoureiro, de um superintendente e de um secretário (primeiro núcleo em volta do qual vieram enxertar outros funcionários), supervisava as relações marítimas e comerciais entre as Índias e a Metrópole, assegurava a organização e a proteção dos comboios para a América e zelava pela entrada das rendas reais e pelo encaminhamento do correio administrativo entre a Espanha e as Índias. Desempenhou ainda o papel de escola de navegação e de organismo de pesquisas oceanográficas, posteriormente, o de Corte de Justiça soberana no setor de comércio das Índias. A criação do cargo de Presidente do Tribunal da Casa de la Contratación, encarregado de assegurar a coordenação com o Conselho das Índias, foi etapa para a elaboração desse organismo mais complexo. Nascido da autoridade real, nem por isso deixou de opor à autoridade real essa notável força de inércia de que já tinha o segredo a administração espanhola, a mais antiga e a mais eficaz, inicialmente, todas as administrações do Antigo Regime.

Conselho das Índias[editar | editar código-fonte]

O Conselho das Índias (Consejo de Indias) foi, a princípio, uma simples excrescência da Casa, uma comissão encarregada de vigiar a administração das Índias. Criado por D. Fernando em 1511, não adquiriu a sua feição legal definitiva senão em agosto de 1524 para receber a sucessão de Juan Rodríguez de Fonseca, homem de leis dedicado aos interesses de seu senhor, já exercia, desde 1493, as funções de ministro das colônias, embora sem o título. Uma vez morto, em março de 1524, o lugar ficou vago, então o Consejo de Indias. Com os seus oito conselheiros, o Consejo acompanhava o rei nas suas várias viagens. Foi o equivalente para as Índias do Conselho de Castela. Sob a presidência do rei, direta ou não, preparava as leis e decretos referentes ao Novo Mundo, dava forma legal às ordens emanadas da Coroa, redigia a correspondência administrativa transmitida pelos órgãos da Casa, fazia as indicações de nomes para os funcionários coloniais e funcionava como Supremo Tribunal de Justiça.

Tais eram, grosso modo, os órgãos que davam forma à vontade real e que a transmitia aos órgãos administrativos locais. A história da administração das Índias reproduz, com diferenças que o tempo e a distância explicam, a história administrativa da Espanha. No reinado dos Reis Católicos e nos primeiros anos de Carlos V, a centralização do poder real alcançou, na Espanha, uma vitória decisiva sobre as forças centrífugas da nobreza e das cidades; episódio ibérico de um movimento que afetou, nuns lados mais cedo e noutros mais tarde, os principais países da Europa Ocidental. Nas Índias, administração dos conquistadores e dos ajuntamientos das cidades recentemente criadas deviam ceder o passo à administração dos vice-reis.

A conquista das Índias foi realizada por aventureiros, os conquistadores que receberam o título de adelantado (na maioria dos casos, conjuntamente com o de governador e de capitão-general). Na história ibérica medieval, o adelantado era o governador de uma província fronteiriça investido diretamente pela autoridade real; os seus poderes não tinham teoricamente limite. Como o adelantado ibérico, o adelantado colonial, também investido diretamente pela autoridade real, fora do alcance de todo o controle real sobre a fração do senhorio das Índias que ele tinha a missão de conquistar, gozava de poderes apenas limitados pela dificuldade das comunicações em seu próprio domínio, pelas cidades e pelas suas administrações, os ayuntamientos.

Aspectos dos principais cabildos do Vice-Reinado do Rio da Prata.

O espanhol, ao por o pé na América, fundara imediatamente cidades em uma administração cuja independência aumentou ainda mais com a distância. Moses pôde escrever [65] sem muito exagero: "Nas colônias inglesas da América, a cidade cresceu para corresponder às necessidades do campo, enquanto nas colônias espanholas, a população dos campos aumentou para satisfazer as necessidades das cidades". Um Conselho de quatro a doze regidores, presidido por alcalde mayor assessorado pelos alcaldes ordinarios para a justiça, administrava a cidade. Era o ayuntamiento, o cabildo, como não tardaram a chamá-lo. Cortés caído em desgraça junto de Velásquez, na véspera daquele se lançar em demanda de Tenochtitlán. Os cabildos, em várias ocasiões, enviaram representantes ao Conselho das Índias para lhe expor as suas aspirações e, não poucas vezes, bombardearam o governo com as suas petições de natureza comercial.

A primeira metade do século XVI foi, para as Índias, a época mais bela em matéria de autonomia municipal até que o poder real a reduziu por um processo análogo ao que a Metrópole conhecera nos séculos XIV e XV. Dessa primeira experiência de self-government, as Índias conservaram, entretanto, uma recordação tenaz que se avivou mais tarde durante a crise vda Independência.

O poder real não só reduziu a autonomia municipal, mas autoridade, quase feudal, dos conquistadores. Assim, uma nova admninistraçãO que veio substituir a antiga foi pouco a pouco construída no século XVI, ao sabor de necessidades, num equilíbrio sábio de poderes que se espiavam e se limitavam habilmente, concebido para deixar ao rei distante a sua liberdade de decisão e para reduzir ao mínimo o grande mal que subsistia: a largura dessa imensa faixa de água, o Atlântico da navegação a vela, e mais monstruosa ainda, a extensão das terras, interpostas entre a cabeça do Conselho das Índias e os agentes de execução.

Gravura de Felipe Guamán Poma de Ayala representando a Real Audiência de Lima.

O poder real exercia-se por intermédio da Audiencia e do Vice-Rei.

Primitivamente, a audiencia era um tribunal; o decreto de 15 de outubro de 1511 criou a primeira audiencia do Novo Mundo; em 1527, uma outra audiencia foi instalada no México; em 1535, no Panamá, em 1542, em Lima, em 1550 estavam em funcionamento seis audiencias. Outras foram criadas mais tarde paralelamente à penetração em profundidade da colonização espanhola: Charcas, Quito, Buenos Aires (1661), Cusco (1717). Uma audiencia era formada por um presidente — o Vice-Rei, quando a sede coincidia com a do Vice-Reino, o capitão-general quando não era o caso — e um número viariável de oidores ricamente remunerados. A audiencia, na América, foi, a princípio, aquilo que ela era na Espanha: um tribunal que julgava em recurso os casos julgados na primeira instância pelas cortes inferiores dos corrigimientos e alcaldes mayores. Esse tribunal supremo só tinha acima de si o Conselho das Índias.

Mas a audiencia acumulava os poderes administrativos e os poderes judiciários. Era administração feita pelos tribunais. As audiencias exerciam apertada vigilância sobre todos os funcionários. A audiencia do México foi, na Nova Espanha, ressalvadas a proporções, o que o Conselho de Castela foi em Castela. Em caso de vacância da autoridade do vice-rei, a audiencia assegurava a interinidade.

Vice-Rei[editar | editar código-fonte]

A autoridade do Vice-Rei veio substituir a dos conquistadores demasiado incômodos. O exemplo destes últimos tornara desconfiada a autoridade real. A lentidão das comunicações e a ignorância quase completa que havia no Escorial dos negócios americanos podia ser, para o Vice-Rei, terrível tentação. Correndo o risco de emperrar. a máquina administrativa das Índias, o "Rei Prudente" e os seus sucessores souberam garantir-se contra o sucesso de independência dos seus agentes executores.

Escolhido no seio das famílias mais ilustres da Espanha, rodeado de toda a pompa real, o Vice-Rei representava a Coroa e exercia o direito de protetor, controlava as mina, zelava pela cristianização dos indígenas e presidia a audiencia, mas, de fato, tal como escreve Merriman, era "muito menos onipotente do que parecia implícito nos termos da lei". As relações do Vice-Rei com a audiencia permitem que se evidencie a limitação dos poderes vice-reais. Quando a audiencia se reunia como Corte, o Vice-Rei assumia a sua presidência sem poder participar do voto; o seu papel restringia-se a assinar as decisões da Corte (não tinham supremacia judiciária como o Rei da Espanha). Qualquer pessoa podia atacar a sua administração perante a audiencia. Como todo o funcionário das Índias, o Vice-Rei, submetido às obrigações de Residencia e da Visita, era obrigado ao abandonar o cargo a permanecer no local onde havia exercido a sua autoridade, a fim de permitir que toda e qualquer pessoa lesada pela sua administração fizesse valer os seus direitos. Tomavam-se todas as precauções, mas a prudência, ultrapassando por vezes o seu objetivo, tinha como consequência a extraordinária lentidão da máquina administrativa das Índias.

Junto das audiencias distantes, os capitães-generais desempenhavam o papel do Vice-Rei, submetidos a este último como à Coroa. As audiencias que abragiam áreas várias vezes superiores à da metrópole dividiam-se em Corregimientos, à frente dos quais os corregidores, assessorados pelos alcaldes, exerciam a realidade da administração quotidiana. A massa índia repartida em partidos, era administrada por intermédio ou dos chefes indígenas, os caciques, ou da encomiendero, que reinava como um senhor, em nome do rei, sobre o seu rebanho de índios.

Microcosmo da história da Espanha, as Índias reproduziram as transformações administrativas da Metrópole. Em 1701, a dinastia dos Habsburgos, que sob o reinado de Filipe IV (1621-1668) e do seu filho Carlos II da Espanha (1668-1700) atingira o máximo da decadência, cedeu lugar aos Bourbons. A Monarquia espanhola, amputada do peso morto das suas possessões européias pelo Tratado de Utrecht (1713), experimentou nos reinados de Filipe V (1700-1746) e de Carlos III (1759-1788), um renascer de energias, participando em segundo plano da euforia econômica do século XVIII europeu. Filipe V iniciou, em 1718, uma reforma administrativa que visava a introduzir e adaptar na Espanha, segundo o modelo francês, a administração dos intendentes e a tornar mais leve nas Índias a máquina ferrugenta da administração dos vice-reis. De 1765 a 1771, o território da Nova Espanha foi dividido em onze intendências; à cabeça de cada uma ficou um intendente nomeado pelo rei; subdelegados à moda francesa substituíram corregidores e alcaldes mayores no governo local e na vigilância dos índios. Em 1790, a Reforma, pouco a pouco, estendera-se ao conjunto das Índias de Castela. A administração espanhola realizou, nesses últimos anos, um esforço apreciável para se renovar e obter mais eficácia.

Com o seu sistema administrativo, a Espanha levou também para as Índias o seu sistema tributário, complicado e pesado e isso mais pelos vexames inerentes ao seu recebimento do que propriamente pelo ônus que representava. Quanto se perdia da taça aos lábios? As Índias financiaram de fato uma boa parte, embora menos do que se diz, na Monarquia espanhola. Pagavam os direitos que incidiam sobre o seu comércio,[66] os almojarilazgos, a avería, variável segundo as épocas, cobrada sobre as mercadorias, tanto à ida como à volta, entre o Guadalquivir e a América, para assegurar a proteção dos galeões e das frotas. E pagavam ao rei os donativos, dádivas que nada tinham de gratuitas; o tributo que pesava sobre todo índio varão em estado de trabalhar, as diferentes alcabalas. Mas o maior tributo que as Índias pagavam era o das minas. O rei, como não as explorava, confiava o seu aproveitamento ao capital privado e percebia sobre a produção o pesado direito do quinto.

Por dispendiosa que fosse essa administração, tão bem paga, tão rica de sinecuras onde redourar o brasão do Grande da Espanha e do fidalgo famélico, o saldo era positivo para a Espanha. E isso foi assim, sobretudo no final do século XVI e no final do século XVIII, à luz dos estudos estatísticos, embora a imaginação romântica nem sempre o acredite.

Não se pode separar o estudo da administração do clero que foi um dos seus melhores agentes. A Coroa gozava de fato, em virtude de bula de Alexandre VI, de um direito de proteção que colocou toda a administração da Igreja das Índias nas mãos do rei. Este fazia as nomeações para os cargos eclesiásticos por intermédio do Consejo de Indias e fixava os limites das dioceses; com a sua própria autoridade levantava, em nome do clero, o dízimo que lhe era devido em virtude de uma bula de 1501. Agente da autoridade real, a Igreja o era duplamente; ajudava o rei a conservar na mão a população espanhola por intermédio da Inquisição instaurada nas Índias por um decreto real de 26 de janeiro de 1509. O primeiro tribunal da Inquisição entrou em funcionamento em Lima, em 1570, e no México em 1571. A Inquisição tratava de afastar todos os traços de heresia; o governo teve sempre a preocupação de manter longe do Novo Mundo os colonos de cuja fé se poderia suspeitar: mouros, judeus ou marranos. Talvez mais eficaz pelo terror que espalhava do que propriamente pela ação real, a Inquisição não inquietava os índios, tidos como crianças grandes, incapazes de heresia.

Mas a obra capital da Igreja foi, antes de mais, a conversão dos índios a um cristianismo sumário, primeiro e decisivo passo no sentido da europeização. O clero secular, desconhecedor das línguas indígenas e ávido de gozar as suas gordas prebeudas, não se entregou à grande obra missionária. Mas as ordens religiosas - franciscanos, dominicanos, agostinhos - desempenharam, no trabalho de conversão dos indígenas, um papel capital antes que os jesuítas viessem ocupar o lugar de vanguarda nos séculos XVII e XVIII.[67] Levaram a cabo um trabalho linguística e etnológico de compreensão em profundidade, a fim de darem alicerces à obra realizada. O grande pioneiro foi Bernardino Ribeira de Sahagún, o pai da etnologia índia na Nova Espanha do século XVI. Essa obra foi também de proteção dos índios e a ela ficará para sempre ligado o nome de Bartolomé de Las Casas, que conseguiu comover Carlos V ao relatar-lhe as desgraças de que fora testemunha e que esteve na origem do Código das Novas Leis (1545), cuja aplicação efetiva nunca conseguiu obter. Os jesuítas, nos séculos XVII e XVIII, exerceram sôbre os índios das suas missões uma proteção vigilante, mas muitas vezes tirânica; forçados a viver em aldeias (reducciones) e a trabalhar aí a terra, castigados como crianças com punições corporais, eram mais os súditos de pequenas teocracias do que propriamente do Rei da Espanha. A frente de milícias índias, os jesuítas das célebres missões do Paraguai repeliam os assaltos dos caçadores de escravos, os bandeirantes paulistas. O espírito de independência da Companhia valeu-lhes inimizades sólidas que se cristalizaram no decreto de expulsão de 27 de março de 1767. Ninguém pode avaliar o golpe assestado por essa medida nas Índias de Castela. O melhor traço de união entre a Europa e o mundo índio foi destruído pela vontade de Carlos III.

Eficácia da administração espanhola[editar | editar código-fonte]

A administração espanhola satisfez plenamente a defesa do império colonial espanhol. Durante três séculos, pôde manter contra todos os apetites dos países marítimos, que desde o fim do século XVI superavam nitidamente a Espanha no domínio dos mares. Não se trata evidentemente de fazer o histórico de todos os ataques à América espanhola, desde as tentativas de colonização de Jean Ribaut, na Flórida (1558), capturado e executado por ordem do vice-rei da Nova Espanha, até os primeiros ataques dos piratas de todas as nacionalidades do Mar do Caribe, iniciados em 1540, e seguidos pelos de Francis Drake (1540-1596), John Hawkins (1520-1595), Sir Walter Raleigh (1552-1618), pelas tentativas francesas, holandesas e inglesas dos séculos XVII e XVIII.

Os tesouros das Índias foram interceptados mais de uma vez, mas fora as Guianas e do senhorio das Antilhas, onde franceses, ingleses e holandeses conseguiram instalar-se, a América Latina permaneceu espanhola e portuguesa até ao alvorecer do século XIX.

Se a imensidade da América Latina contribuiu para as proteger, essa mesma imensidade foi o grande obstáculo que a administração nunca conseguiu vencer completamente. Basta ter presente que era necessário mais de um ano às frotas de Sevilha para realizarem a viagem de ida e volta entre a Andaluzia e a Nova Espanha. [68] Protegido pela lentidão das comunicações, o funcionário colonial acabava por fazer tudo pela sua cabeça, refugiado numa desobediência polida, simbolizada na fórmula "obedezco pero no cumplo" e tratava de se reembolsar com usura dos gastos que havia realizado com a compra do cargo.

Brasil[editar | editar código-fonte]

A administração portuguesa do Brasil embora, nas suas grandes linhas, a administração das Índias de Castela. O ponto de partida é, todavia, um pouco diferente.

Foi só em 1534 que os portugueses começaram a prestar atenção nessa possessão, para eles um tanto embaraçosa, pois os afastava das Índias Orientais, seu centro de interesse. Deve-se a isso, sem dúvida, o fato de o rei de Portugal ter organizado a administração do país pelo menor custo, confiando-o a grandes senhores, os donatários, providos de feudos gigantescos sobre os quais dispunham de poderes discricionários. Esse ponto de partida refletiu-se pesadamente na história do País; retardou a sua exploração econômica e a formação de uma administração eficaz. Consciente, sem dúvida, do seu erro inicial, a Casa de Avis esforçou-se, a partir de 1549, por dar ao Brasil uma administração análoga à das Índias. Em 1549, os poderes políticos dos donatários foram revogados, mas os seus enormes domínios, base econômica do seu poderio, subsistiram. A nova administração das capitanias foi então criada: treze no século XVI. À frente de cada uma, um capitão; um capitão-general, espécie de vice-rei do Brasil, representava na Bahia, e depois no Rio de Janeiro, um embrião de autoridade central. Progressos decisivos foram realizados pela administração brasileira durante os sessenta anos da união dinástica de Portugal e Espanha, sob a autoridade da Casa de Habsburgo (1580-1640). As duas administrações permaneçeram independentes, mas, sob a influência da Espanha, a administração portuguesa modelou-se pela de Madri. Foi em 1604 que foi criado o Conselho das Índias, versão portuguesa do Consejo de Indias. Foi a administração do capitão-general e dos seus ouvidores, que o representavam em cada capitania, que acabou por suplantar, no século XVII, a administração anárquica e feudal dos capitães. A larga autonomia das cidades governadas pelos senados da Câmara lembra a administração das Índias pelos cabildos.

Durante os três séculos da sua história colonial, o Brasil deu provas de resistência aos assaltos estrangeiros: o malogro da França Antártica que o Villegaignon tentou fundar em 1556 no Rio de Janeiro e, sobretudo, nos anos da unidade ibérica, a luta contra os ataques holandeses. Mas o avanço do Brasil em detrimento das Índias de Castela, é o testemunho mais claro dessa vitalidade. No século XVI, o Brasil apenas cobria ainda uma estreita faixa de território que não ultrapassava sensivelmente, ao norte e ao sul, a linha de demarcação de 1494, essa linha que corria da foz do Amazonas até a um ponto vizinho de São Paulo. No século XVII, o Brasil estendia-se já para além do Rio São Francisco; aproximava-se das nascente do Paraguai; no fim da era colonial, dilatava-se quase até aos Andes, sobre os 8.500.000 km² que ocupa hoje. A sede de terras novas para uma economia destruidora à procura das minas, para além das Minas Gerais, e sobretudo a caça desenfreada ao escravo realizada pelos bandeirantes paulistas, foram os móbiles de uma penetração que os tratados sucessivamente ratificaram após o fato consumado.

Cronologia por Século[editar | editar código-fonte]

  • XV: Impérios Incas e Aztecas.
  • XVI: Apogeu colonial de Potosi, México, Nordeste.
  • XVII: pecuária extensiva na Bacia Platina e Sertão Nordestino.
  • XVIII: Vila Rica nas Minas Gerais emerge como polo econômico.
  • XIX: como o Rio e Buenos Aires. Montevideo passa a ser um pólo secundário cuja função básica é evitar o conflito directo entre os dois últimos pólos.
  • XX: Regiões como o México voltam a crescer fortemente. São Paulo e Buenos aires ibidem. Brasília ganha a sede para um saturado Rio. Regiões como Assunção, Nordeste Sulamericano, Potosi e cia, que foram regiões das mais ricas e importantes no hemisfério perdem muito peso após sabotagens geopolíticas nos bastidores.
  • XXI: A América Latina e o Sul Global apresenta um crescimento econômico pela exportação de commodities e relativa estabilização política.

Referências

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  65. Moses, Spanish Dependencies, t. II, pág. 370, cit, por Merriman, Rise of Spanish Empire, t. III, pág. 638.
  66. Preciosos para o historiador pois permitem a elaboração de índices sobre a atividade portuária.
  67. Robert Ricard, A conquête spirituelle de Ia Nouvelle-Espagne, Paris, 1933.
  68. no tempo de Humboldt, no início do século XIX, no final da era colonial, eram ainda precisos "de três a cinco meses para ir do Panamá a Lima", e trinta dias levavam os carros de bois para irem de Rosário a Tucumã.

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]