História da Dinamarca

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A história da Dinamarca abrange não apenas os desdobramentos ocorridos no território do atual Reino da Dinamarca, mas também as sucessivas uniões pessoais com outros países escandinavos.

Dinamarca pré-histórica[editar | editar código-fonte]

As descobertas arqueológicas mais antigas na Dinamarca datam de 130 000 a.C. a 110 000 a.C., no período interglacial Riss-Würm. A região já era habitada em cerca de 12 500 a.C. e há vestígios de atividades agrícolas datadas de cerca de 3 900 a.C. Na Dinamarca, a Idade do Bronze Nórdica (1 800–600 a.C.) é marcada por túmulos que deixaram uma profusão de achados como lurs (instrumentos musicais de sopro) e o Carro Solar de Trundholm.

Durante a Idade do Ferro pré-romana (500 a.C.-1 d.C.), grupos nativos começaram a imigrar para o sul. As províncias romanas mantinham rotas e relações comerciais com as tribos da atual Dinamarca, o que é atestado pelos achados de moedas romanas na região. Há provas de uma forte influência cultural céltica neste período, tanto na Dinamarca como em grande parte do noroeste da Europa, como indica, por exemplo, o achado do caldeirão de Gundestrup. Os primeiros daneses chegaram à Dinamarca na Idade do Ferro romana (1-400).

Antes da chegada dos precursores dos daneses, procedentes da Escandinávia e falantes de uma forma primitiva do germânico setentrional, a maior parte da Jutlândia e algumas das ilhas eram habitadas por jutos. Estes últimos migraram, mais tarde, para a Grã-Bretanha, juntamente com os anglos e os saxões, de maneira a formar os anglo-saxões.

A origem exata da Dinamarca perdeu-se na história, mas uma nota breve sobre os "Dani", em "As Origens e Feitos dos Godos", do historiador Jordanes, é apontada por alguns como uma menção aos primeiros daneses. Os Danevirke (trabalhos de terraplanagem com propósito defensivo, que separavam a Jutlândia do restante do continente) foram construídos a partir do século III, em várias fases, e atribui-se a grande dimensão dos esforços de construção em 737 ao surgimento de um rei danês. É desta época o novo alfabeto rúnico e a fundação de Ribe, a mais antiga cidade da Dinamarca.

A Dinamarca cristã[editar | editar código-fonte]

Entre os séculos VIII e X, os dinamarqueses eram conhecidos como víquingues. Juntamente com noruegueses e suecos, colonizaram, atacaram e comerciaram com toda a Europa. Os exploradores víquingues descobriram a Islândia por acaso no século IX, no caminho das ilhas Feroé, e chegaram até a "Vinland" (terra da relva/terra do vinho), hoje conhecida como Newfoundland, Canadá. Mais ativos nas ilhas Britânicas e na Europa Ocidental, os víquingues dinamarqueses conquistaram e colonizaram temporariamente partes da Inglaterra (conhecidas como Danelaw), da Irlanda e da França, e fundaram a Normandia. Conforme atestam as Pedras de Jelling, os dinamarqueses foram unidos e evangelizados em cerca de 965 por Haroldo Dente-Azul. Crê-se que a Dinamarca se tornou cristã por motivos políticos, de modo a não ser invadida pelo Sacro Império Romano Germânico. Harald ergueu seis fortalezas na Dinamarca, chamadas Trelleborg, e construiu um Danevirke adicional. No início do século XI, Canuto, o Grande, unificou a Dinamarca, a Inglaterra e a Noruega por quase 30 anos.

A Dinamarca medieval[editar | editar código-fonte]

Ao longo da Idade Média, a Dinamarca incorporou a Escânia (Skåne, Halland e Blekinge); reis dinamarqueses governavam então partes da Estônia e os ducados do Schleswig e do Holstein (estes últimos, hoje parte integrante da Alemanha). Em 1397, a Dinamarca formou a União de Kalmar, juntamente com a Suécia e a Noruega, uma união pessoal das coroas dos três países, que mantinham, porém, uma existência nominalmente independente. A Escandinávia permaneceu unificada até a secessão da Suécia, em 1523. A Reforma Protestante chegou às terras escandinavas nos anos 1530. Após uma guerra civil conhecida como "Rixa do Conde", a Dinamarca converteu-se ao luteranismo em 1536. Naquele ano, nova união pessoal formou a Dinamarca-Noruega, após a extinção da linhagem real norueguesa devido à peste.

A Dinamarca moderna[editar | editar código-fonte]

Seguiram-se dois séculos de guerras com a Suécia. O rei Cristiano IV atacou a Suécia durante a Guerra de Kalmar (1611-1613), mas fracassou no seu principal objetivo de forçar aquele país a voltar à união com a Dinamarca. A guerra não provocou alterações territoriais, mas a Suécia foi forçada a pagar uma reparação de 1 milhão de riksdalers de prata à Dinamarca, valor que ficou conhecido como o "Resgate de Älvsborg". Cristiano usou estes recursos para fundar diversas cidades, fortalezas e edifícios. Inspirado na Companhia Holandesa das Índias Orientais, instituiu uma correspondente dinamarquesa. Cristiano planejava reivindicar a ilha do Ceilão como colônia dinamarquesa, mas a nova companhia logrou adquirir apenas Tranquebar, na Costa de Coromandel, na Índia.

Durante a Guerra dos Trinta Anos, Cristiano procurou tornar-se o chefe dos estados luteranos da Alemanha, mas terminou por sofrer uma derrota acachapante na batalha de Lutter, que permitiu ao exército católico de Albrecht von Wallenstein ocupar e pilhar a Jutlândia. A Dinamarca conseguiu evitar concessões territoriais, mas a intervenção de Gustavo Adolfo na Alemanha foi vista como sinal de que o poder militar sueco estava em alta e o dinamarquês, em baixa. Em 1643, exércitos suecos invadiram a Jutlândia e, em 1644, a Escânia. Com o tratado de Brømsebro (1645), a Dinamarca cedeu Halland, a Gotlândia, as últimas porções da Estônia dinamarquesa e várias províncias na Noruega. Em 1657, o rei Frederico III declarou guerra à Suécia e avançou contra Brêmen-Verden. O resultado foi uma grande derrota dinamarquesa na qual os exércitos suecos do rei Carlos X Gustavo conquistaram a Jutlândia, a Fiônia e grande parte da Zelândia, antes de assinar a Paz de Roskilde, em fevereiro de 1658, que passou às mãos da Suécia a Escânia, Blekinge, Trøndelag e a ilha de Bornholm. Em agosto de 1658, os suecos voltaram à carga ao sitiar, por dois anos, a capital Copenhague, embora não lograssem conquistá-la. No acordo de paz subseqüente, a Dinamarca manteve a sua independência e recuperar Trøndelag e Bornholm.

A Dinamarca procurou retomar a Escânia com a Guerra da Escânia (1675-79), sem sucesso. Após a Grande Guerra do Norte (1700-21), o país conseguiu retomar o controle das partes do Schleswig e do Holstein governadas pela Casa de Holstein-Gottorp. Nas últimas décadas do século XVIII, a Dinamarca passou por um período de grande prosperidade, devido a seu status de neutralidade, que lhe permitia comerciar com os dois lados das várias guerras da época. Durante as Guerras Napoleônicas, o país tentou manter a sua postura neutra ao unir-se à Liga da Neutralidade Armada, com a Rússia, a Suécia e a Prússia. Os britânicos consideraram o fato um ato hostil e atacaram Copenhague em 1801 e em 1807, apoderando-se da marinha dinamarquesa, no primeiro ataque e, no segundo, incendiando boa parte da cidade. A ação britânica marcou o fim daquela era de prosperidade para o país. O controle britânico das vias marítimas entre a Dinamarca e a Noruega revelou-se desastroso para a economia da união e levou-a à bancarrota, em 1813. As esperanças da Dinamarca-Noruega no sentido de restaurar a união escandinava esgotaram-se em 1809, quando os estados da Suécia rejeitaram uma proposta de permitir a Frederico VI da Dinamarca suceder o deposto Gustavo IV Adolfo, entregando a coroa a Carlos XIII. O Congresso de Viena exigiu a dissolução da união dano-norueguesa, confirmada pelo Tratado de Kiel (1814). A Noruega uniu-se então à Suécia, situação que perduraria até 1905. A Dinamarca manteve as colônias da Islândia, ilhas Feroé e Groenlândia. Governou também a Índia Dinamarquesa (Tranquebar) de 1620 a 1869, a Costa do Ouro dinamarquesa (Gana) de 1658 a 1850 e as Índias Ocidentais dinamarquesas (as ilhas Virgens Americanas) de 1671 a 1917.

O movimento liberal e nacional dinamarquês ganhou impulso no anos 1830 e, após as revoluções europeias de 1848, a Dinamarca tornou-se uma monarquia constitucional, em 5 de junho de 1849.

Após a Guerra dos Ducados em 1864, o rei da Dinamarca viu-se forçado a ceder à Prússia os ducados de Schleswig e Holstein, os quais eram de sua propriedade pessoal e não do seu reino, a Dinamarca. Estes ducados sempre fizeram parte do Sacro Império Romano Germânico até o mesmo ser dissolvido em 1806 por consequência das Guerras Napoleónicas, e após este evento pelo Congresso de Viena realizado em 1815 passaram a fazer parte da Confederação Germânica, como herdeira daquele Império. A derrota sofrida em 1864 marcou profundamente a identidade nacional dinamarquesa. Com estes eventos, o país retornou a sua tradicional política de neutralidade que foi mantida mesmo durante a Primeira Guerra Mundial. Com a derrota alemã, as potências de Versalhes ofereceram o território dos antigos ducados à Dinamarca mas esta, por prudência, face a um possível irredentismo alemão, dado que a maioria da população daquele território, desde há séculos, era de cultura, língua e costumes alemães, não aceitou o território do antigo ducado do Holstein e insistiu num plebiscito, nas regiões mais a norte dentro do território do antigo ducado de Schleswig. Realizaram-se dois plebiscitos, um aos 10 de fevereiro na demarcação norte do Schleswig e outro aos 14 de março de 1920 na demarcação centro do Schleswig. Por iniciativa da própria Dinamarca a área de demarcação ao sul dentro do antigo Schleswig ficou à partida excluída de qualquer integração na Dinamarca, por isso não foi submetida a qualquer plebiscito. O resultado do plebiscito realizado dia 10 de julho de 1920, determinou que a região plebiscitária norte do Schleswig se integrava na Dinamarca, enquanto o resultado do plebiscito realizado dia 14 de março de 1920 determinou que a região plebiscitária centro do Schleswig permanecia integrada no território da Alemanha.

A invasão nazista da Dinamarca em 9 de abril de 1940 - cujo codinome era Operação Weserübung - enfrentou apenas duas horas de resistência militar até a rendição do governo dinamarquês. Durante a guerra, a Islândia rompeu seus laços com a Dinamarca e tornou-se uma república independente; em 1948, as ilhas Feroé ganharam o direito ao auto-governo. Após a guerra, a Dinamarca foi um dos membros fundadores da ONU e da OTAN e, em 1973, aderiu à Comunidade Econômica Europeia (antecessora da União Europeia). A Groenlândia ganhou o direito ao auto-governo em 1979.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Bandeira da Dinamarca Dinamarca
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