História da filosofia no Brasil

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História da Filosofia no Brasil refere-se à tradição do pensamento filosófico realizada por brasileiros dentro ou fora do Brasil. As atividades de reflexão filosófica foram trazida pelos padres jesuítas na segunda metade do século XVI com as atividades do descobrimento das Américas, e se estende até os dias atuais com o processo de profissionalização universitária.

A Faculdade de Direito do Recife foi onde nasceu e floresceu o movimento filosófico conhecido como a Escola do Recife, nos anos de 1860 e 1880 e cujo líder era o sergipano Tobias Barreto.

Origens[editar | editar código-fonte]

Um dos pioneiros em utilizar a expressão "filosofia no Brasil" foi Sílvio Romero, em sua obra historiográfica, A filosofia no Brasil (1878). É possível separar em três grandes momentos o desenvolvimento da história da filosofia no Brasil. A primeira metodologia de estudo de filosofia no Brasil foi marcada pela utilização do método da Ratio Studiorum introduzido pelos jesuítas no século XVI. No século XIX, foi marcado pela predominância do método ensaístico, com uma filosofia sem referência à tradição, pois era formada por eruditos provenientes de diversas áreas do conhecimento. Por fim, o último modo moderno de se estudar filosofia teve seu princípio no século XX, marcado pela profissionalização e especialização dos estudos universitários. Seu marco foi na década de 1940 com a missão francesa na USP, introduzido por Martial Gueroult e Victor Goldschmidt. Contudo, o estudo da história da filosofia baseado apenas em comentários ocasionou a pouca produtividade filosófica no país como é atestada por Roberto Gomes no lívro A Crítica da Razão Tupiniquim (1977).

Um dos primeiros compiladores contemporâneos da Filosofia no Brasil foi João Cruz Costa (1904-1978), autor de Contribuição à História das Ideias no Brasil (1949), que é citado por Leopoldo Zea Aguilar (1912-2004) em seu Pensamiento Latinoamericano (1965, segunda edição de Dos etapas del pensamiento en hispanoamérica, de 1949), utiliza o método historiográfico citado acima, o qual se baseia na perspectiva do papel das ideias na condução da história política e econômica, em disputa com uma perspectiva dialética que identifica a conjuntura socioeconômica como o berço no qual são acalentadas as ideias, críticas ou ideologias. Em muitos casos a história da filosofia no Brasil tem sido um registro ou coleção de temas e conteúdos elaborados por pensadores que atuaram neste espaço geográfico. Há uma certa hegemonia do primeiro grupo, nos estudos do pensamento brasileiro, o que pode ser notado por meio de visita ao Blog Textos de Filosofia Brasileira, alimentado pelo Prof. Dr. Luiz Alberto Cerqueira (IFCS/UFRJ). Diferentemente, a concepção de Cruz Costa é de o Brasil ser um país de contrastes, que precisa ser compreendido em meio a esses dilemas, assim, também, a produção de ideias, até mesmo as ideias filosóficas.[1]

Muitos autores compreendem por pensamento filosófico no Brasil um duplo projeto: a construção de linhas de interpretação do pensamento filosófico à luz das circunstâncias da realidade brasileira e a construção de linhas de pensamento filosófico oriundas da brasilidade ou pertinentes à brasilidade ou correspondentes à nacionalidade brasileira dos autores. É correlata a noção de história de filosofia no Brasil às de história de filosofias nacionais ou circunscritas a tradições culturais geograficamente determinadas.[2] João Cruz Costa já anunciara que a investigação filosófica do "tema nacional" era algo nebuloso. Por um lado, a produção de conhecimento filosófico se dá em diálogo com a produção do conhecimento científico e a vida econômica, política, social e cultural de cada sociedade, em seu espaço e tempo determinados. Por outro lado, Cruz Costa aponta que o enfrentamento cultural que foi a chegada dos europeus às Américas implicou em um elemento novo no processo de modernização pelo qual passava a Europa, e gerou, simultaneamente uma relação mimética com a cultura europeia.[3]

Antônio Paim um dos principais pesquisadores do pensamento brasileiro classifica nossos pensadores segundo a estrutura apresentada a seguir:[4] período colonial, período imperial e período republicano. Como se nota, essa periodização respeita à clássica divisão historiográfica da história nacional, procura-se, por meio dela, agrupar pensadores por meio dos períodos históricos, sem necessariamente relacioná-los à conjuntura social, econômica, política e cultural nas quais produzem suas obras. Por exemplo, não há, na obra de Paim, discussões sobre o papel do aristotelismo no pensamento colonial e suas conexões, ou inexistência delas, com a economia escravagista. Parece, por conseguinte, necessário avançar por uma perspectiva historiográfica que faça tais conexões.

A história da filosofia no Brasil[editar | editar código-fonte]

Período Colonial[editar | editar código-fonte]

Século XVI[editar | editar código-fonte]

ver também: Filosofia Moderna, Escolástica, Escola de Salamanca

O processo do descobrimento das Américas causou profundas mudanças nas perspectivas filosóficas na Europa, que vivia seu momento final do renascimento. O fulcro da questão era sobre os povos nativos do continente, os índios, que se encontravam numa organização sociocultural completamente diferente dos povos europeus. O grande centro cultural e filosófico estava na Espanha com os padres da escolástica tardia da conhecida escola de Salamanca. Em Portugal o importante centro formador será a em Coimbra.

Pórtico do Colégio de São Gregório

Um enorme debate aconteceu nos países ibéricos, conhecido como o debate de Valladolid, ocorrido no Colégio de São Gregório em 1550 e 1551. O debate foi entre Juan Ginés de Sepúlveda e Bartolomé de las Casas. O continente americano encontrava-se varrido pelos conflitos gerado pelos conquistadores hispânicos, com os avanços de Hernán Cortés sob o Império Asteca gerou diversas atrocidades, saques e escravização dos nativos americanos. A discussão girou em torno do conceito de guerra justa, cuja raiz encontra-se em São Tomás de Aquino, seria empreendida contra os nativos americanos. Juan Ginés de Sepúlveda defendia a conquista dos espanhóis e a escravização dos povos indígenas. Sepúlveda seguia uma perspectiva aristotélica, tendo por subsídio o livro I da Política onde se advoga que certos povos nasceram para ser dominados e escravizados. "A fim de erradicar os crimes que ofendem a natureza" os índios deveriam ser punidos e, portanto, reduzindo-os à escravidão ou servidão estava de acordo com a teologia católica e a lei natural. [5]

Em contraponto, Bartolomé de las Casas advogava que os povos latinos americanos tinham alma, eram homens livres na ordem natural e merecia o mesmo tratamento que outros, de acordo com a teologia católica. [6] Essa defesa valeu para Casas o título de protector dos índios. Dessa forma, foi consolidado o sistema de encomienda organizado pelas Leis Novas em 1542. Tal sistema que visava evitar a escravização indígena, e levar a fé católica e os princípios da civilização ocidental. A bula papal Sublimus Dei do Papa Paulo III escrita em 1537, teve influência sobre esse debate, pois demonstrava a posição contraria da Igreja em relação à escravização indígena.

Nos Ensaios de Michel de Montaigne, escrito em 1580, o autor se coloca em contraponto a colonização e a guerra justa empreendida contra os povos nativos. Refletindo que essa conquista da América refletia um lado bárbaro e selvagem por parte da civilização ocidental e cristã. O processo de colonização das Américas repercutiu na literatura da filosofia humanística em outros países. Forneceu base para os escritos de Erasmo de Roterdão sobre o Elogio da Loucura de 1511, Utopia, escrito em 1516 de Tomás Morus.

Muitos desse debate será importante para formulação do direito internacional tendo os principais expoentes o escolástico de Salamanca Francisco de Vitória e o holandês Hugo Grócio.

Evangelho nas Selvas com Padre Anchieta

Os jesuítas terão a mesma finalidade de levar a salvação das almas dos nativos americanos. Eles chegaram na frota de Tomé de Sousa em 1549 fundado o Colégio de Salvador. Liderados pelo padre Manuel da Nóbrega entre outros importantes: Leonardo Nunes, Vicente Pires e João de Azpilcueta Navarro. Posteriormente, em 1553 chegou o padre José de Anchieta. Através deles que surgem os principais escritos sobre o Brasil que marca a literatura do quinhentismo. A filosofia passa a ser lecionada com suporte para formação do clero, que passou a seguir o plano de estudos do Ratio Studiorum escrito em 1599. Esse livro que ditava os métodos de estudos, inspirado na escolástica tardia que foi adotado pelos padres jesuítas. Os padres também farão preciosos relatos sobre os eventos históricos da vida da colônia, sendo um dos precussores da historiografia brasileira Frei Vicente do Salvador com o livro Historia do Brazil.

Os jesuítas condenavam as práticas da vida dos nativos como a antropofagia e a poligamia, tendo por finalidade adaptar a moral da civilização cristã aos indios. Para esse processo de assimilação cultural uma maiores contribuições intelectuais foi a sistematizaram a língua tupi. Todos esses elementos demonstravam a finalidade dos jesuítas de fazer dos tupis uma nova elite das nações cristãs. Essa iniciativa era uma importante estratégia organizada no Concílio de Trento para conter os avanços realizados na Europa pela Reforma Protestante. Até o século XVIII os jesuítas irão somar um número de 670 espalhados ao longo do país, em conventos, missões aldeias.[7] Haverá um conflito em relação ao método de evangelização dos nativos. Por um lado, alguns adotaram o modelo da fundação de Colégios e outros nas missões. O primeiro é baseado no discermento, semelhante a encomienda onde os índios já evangelizado prestavam serviços aos colonos, ganhando alguma remuneração pelos serviços. O segundo, o das missões eram aldeamentos isolados, onde os índios evangelizados, continuavam com seus modos de vida. Construíam uma cidade, as vezes murada, com Igrejas, escolas, e tudo isso eram organizado pelos padres. O clero advogava mais a última forma de evangelizar, pois, garantia que os índios não virariam escravos. Muitos conflitos ocorreram principalmente com os bandeirantes que buscavam mão de obra para produção agrícola da cana.

Os colégios educadores se espalham pelo Brasil. Sendo primeiro na cidade de Salvador, fundado em 1549 pelo padre Manuel da Nóbrega, tendo "como mestre o Irmão Vicente Rodrigues, contando apenas 21 anos. Irmão Vicente tornou·se o primeiro professor nos moldes europeus e durante mais de 50 anos dedicou·se ao ensino e a propagação da fé religiosa."[8] . Em 1554 o padre José de Anchieta funda os Colégios de São Paulo. Com a expulsão dos franceses é fundado em 1567 o Colégio do Rio de Janeiro. E um ano depois o Colégio de Olinda. Em 1570 o Brasil "conta com cinco escolas elementares (Porto Seguro, Ilhéus, São Vicente, Espírito Santo e São Paulo de Piratininga) e três colégios: (Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia)."[9]

Século XVII[editar | editar código-fonte]

ver também filosofia do século XVII

Padre António Vieira

Em 1638, a filosofia passou a ser ensinada em nível superior no Colégio do Rio de Janeiro. Essas correntes filosóficas europeias tiveram suas correspondências no país. Os representantes foram: Diogo Gomes Carneiro, Nuno Marques Pereira. Esta filosofia é conhecida como "saber de salvação." Sobressai-se também o padre Vieira com a sua moral da ação. Muitos resultados pode-se observar nos ensinos dos jesuítas, apesar até esse momento não terem se destacado nenhum surgimento de um filosofo entre os brasileiros, surgem diversos nativos que se destacam entre eles Filipe Camarão. No campo do direito o santista Alexandre Gusmão vai ser um importante diplomata, defensor do direito de posse, vai ser o mentor do Tratado de Madrid que deu ao Brasil a extensão muito próxima a atual.

Século XVIII[editar | editar código-fonte]

ver também Iluminismo

O Marquês de Pombal

Até a segunda metade do século XVIII, a escolástica foi o pensamento predominante no Brasil, tendo como marca filosofo no Brasil Matias Aires. Ele abordava o problema da ética tomando uma perspectiva teleologica. No seu livro Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, escrito em 1752, o autor relaciona o cânone evangélico do trecho bíblico extraído do Eclesiastes: Vanitas vanitatum et omnia vanitas, (Vaidade das vaidades, tudo é vaidade), ao pensamento das virtudes em Aristóteles. Outros tiveram importância como: Feliciano Joaquim de Souza Nunes, Francisco Luis Leal (ou Santos Leal).

José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho

Entretanto, com as reformas iluministas do Marquês de Pombal surgiu o empirismo mitigado que era caracterizado por uma visão cientificista. Silvestre Pinheiro Ferreira introduziu no Brasil o empirismo e inaugurou um movimento de reação anti-escolástica, reinterpretando Aristóteles com base no empirismo inglês de John Locke.

O padre Azeredo Coutinho foi bispo de Olinda que teceu importantes comentários sobre a administração colonial, contra as medidas mercantilismo em favor de uma perspectiva mais liberal.

Dentre as diversas medidas das reformas pombalinas, estava o encerramento das atividades dos jesuítas no Brasil. Sendo os Jesuítas expulsos do Reino de Portugal e de suas colônias. Isso interrompeu todo o trabalho executado nas escolas dos jesuítas. A filosofia passa a ser divulgadas em grupos secretos maçons com o Areópago de Itambé em Recife, e entre outras lojas espalhadas nas regiões do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Tais grupos que estaram nas vanguarda das revoltas que exigiam a emanciapação do Brasil do Portugal.

"Duzentos e dez anos após a chegada e de serem os únicos responsáveis pela educação no Brasil, deixam a colônia cerca de quinhentos padres jesuítas, expulsos pelo Marquês de Pombal, Ministro de D. José I, paralisando 17 colégios, 36 missões, seminários menores e escolas elementares." [10]

Período Imperial[editar | editar código-fonte]

Século XIX[editar | editar código-fonte]

ver também Filosofia do século XIX

O desenvolvimento da filosofia no Império do Brasil poderia ser dividia em três momentos: o primeiro reinado, e o Período regencial o segundo reinado. Durante o primeiro reinado é notável pela hegemonia do liberalismo iluminista do século XVIII. Com a experiência da administração liberal do período regencial, ocasionará do surgimento de correntes antagônicas ao iluminista. Muitos irão aderir a correntes espiritualista e metafísica tradicional gerada pela influência do romantismo.

No início do século XIX O Brasil estava emergindo como país autônomo, sob o reinado de D. Pedro I muitos se entrelaçaram as reflexões filósoficas aos sentimentos patrióticos. Muita influência francesa é possível observar até na Constituição de 1824 inspirada no pensamento do poder moderador do pensador franco-suiço Benjamin Constant. Muitas contribuições políticas serão por parte de conservadores como Visconde do Uruguai, Marquês de São Vicente, Zacarias de Góis e Vasconcelos, Visconde de Cairu e Bernardo Pereira de Vasconcelos; o liberalismo moderado José Bonifácio e Hipólito José da Costa; e o liberalismo radical de Frei Caneca e Diogo Antônio Feijó.

Durante o Período regencial, diante ao caos social gerada durante a hegemônica administração liberal, ajudou para que surgisse os primeiros elementos antagônicos contra ao iluminismo brasileiro. É importante observar que, com o fim do ensino dos jesuítas a forma da filosofia passa a ser de um método de escrita puramente ensaístico, gerando contribuições de pessoas de diversas áreas do conhecimento. O maior polo formador da erudição filosófica será as facudades de direito como Faculdade do Largo de São Francisco em São Paulo e a Faculdade de Direito de Olinda. Muitas contribuições para a filosofia será através de juristas, romancistas, poetas e políticos. Em 1838 foi criado o elemento de tranformação para as ciências sociais foi a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, gerando o ínicio para o estudo da historiografia do Brasil. Com o objetivo de compreender os elementos da integridade nacional será o foco da reflexão de Francisco Adolfo de Varnhagen.

Em reação ao iluminismo surge o ecletismo surgiu como uma fusão do espiritualismo metafísico, fruto do racionalismo francês de René Descartes, e do empirismo inglês de John Locke sendo o maior expoente o educador francês Victor Cousin. O ecletismo vai ter grande adesão na primeira metade do século XIX, por diversos setores da sociedade brasileira, como o poeta Gonçalves de Magalhães, pintor Pedro Américo e o médico Eduardo Ferreira França e Antonio Pedro de Figueiredo. Será característico a influência do indianismo como forma de buscar os valores de identidade da nação brasileira.

Em 1845 é fundado um grupo secreto de escritores chamado de Sociedade Epicuréia. Fundado por Alvares de Azevedo Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães. Será composto por Boémia gerando discursões e sarais sobre a temática sombria da vida, refletindo elementos sobre a morte e satanismo. Teram muita influência do romantismo de Lord Byron e Charles Baudelaire. Foram também participantes: Francisco Leite de Bittencourt Sampaio, Castro Alves, Fagundes Varela, João Cardoso de Meneses e Sousa (Barão de Paranapiacaba) e Múcio Teixeira, entre outros. Na mesma época vai existir forte influência no direito no Brasil veio atravez do pensamento panteísta de Karl Christian Friedrich Krause, que tinha também influênciado fortemente a Espanha por Julián Sanz del Río e Francisco Giner de los Ríos que foi um dos fundadores da Institución Libre de Enseñanza sobre pedagogia com influência no krausismo. No Brasil terá mais repercusão no direito por: João Teodoro Xavier de Matos e Carlos Mariano Galvão Bueno. Na Faculdade de Direito de Recife O tomismo surge com o pensamento do paraibano José Soriano de Souza e tem respaldo em outros pensadores como: João Mendes de Almeida Júnior, Leonel Franca Frei Firmino de Centelhas, José Maria Correia de Sá e Benevides, José Maria Correia de Sá e Benevides (Padre Júlio Maria).

Tobias Barreto

Contudo, na segunda metade do século XIX, houve uma enorme mudança a partir do segundo reinado. Inicialmente com a introdução dos pensamentos de influência filosofia alemã. A partir desta corrente veio um período chamado por Sílvio Romero de "surto de novas ideias".

Silvio Romero

Na Faculdade de Direito de Recife, vai ser o polo florecedor do positivismo entre os intelectuais do Brasil, conhecido como Escola do Recife. Terão destaques desse grupos Tobias Barreto que vai tentar trazer influência da filosofia alemã herdeira do kantismo. Teorico do monismo evolucionista, Barreto sofreu profundas influências do naturalista Ernst Haeckel. Essa Escola do Recife será uma forma do positivismo heterodoxo advogado por Émile Littré isso repercutirá em diversos pensadores como: Silvio Romero, Clóvis Beviláqua, o historiador Capistrano de Abreu, o médico Luís Pereira Barreto, Ivan Monteiro de Barros Lins e por Alberto Sales entre diversoso outros bacharéis. Isso fará com que o positivismo repercuta nas diversas camadas da sociedade imperial. Uma das grandes contribuições dos estudiosos do positivismo da Escola do Recife foi as primeiras tentativas de organizar a história da filosofia no Brasil, sendo esse o título das primeiras obras de Silvio Romero em 1878. Na região sul e sudeste do Brasil, o positivismo terá uma influencia na sua forma ortodoxa com é defendido por Pierre Laffitte, com a criação da Igreja Positivista. Sendo os maiores expoentes no Brasil: Miguel Lemos, Raimundo Teixeira Mendes e Benjamin Constant Botelho de Magalhães que fundaram em 1876 a Sociedade Positivista do Brasil e a Igreja Positivista do Brasil em 1881. Todos advogaram o Estado laico, o ingresso das mulheres na política, e muito dessa filosofia irá servir de suporte ao movimento abolicionista liderado pelo liberal Joaquim Nabuco e Ruy Barbosa, e ao movimento republicano que culminou com a Proclamação da República.

Período Republicano[editar | editar código-fonte]

Século XX[editar | editar código-fonte]

ver também: Filosofia do século XX

A República do Brasil também conhecida como a República dos Bacharéis demonstra a forte produção de juristas brasileiros. A primeira década do século XX vai ser marcada pelo positivismo. No direito vai respaldo por Pontes de Miranda; Pedro Lessa que compunha a Liga da Defesa Nacional que advogava a serviço militar obrigatório. Os princípios positivistas repercutiam em quase todas camadas políticas do Brasil, principalmente durante esse período. Em contraponto, surgiram autores que foram contra essa corrente positivista, que era uma herança do kantismo. Um dos mais importantes foi a metafísica de Raimundo de Farias Brito e Jackson de Figueiredo. Figueiredo que foi o responsável pela fundação do Centro Dom Vital que era uma organização católica, responsável pela exposição do pensamento filosófico conservador ultramontano antiliberal e anti-maçom. Depois da morte de Fiqueredo, o Centro Dom Vital passou para ser administrado por Alceu Amoroso Lima. Outros autores importantes surgiram como: Leonel Franca, Heráclito Fontoura Sobral Pinto e Manuel Bonfim. Este último que travou um forte confronto contra Silvio Romero sobre a questão da importância da miscigenação para formação da identidade do povo brasileiro. Muitos positivistas, influênciados pela doutrina de Arthur de Gobineau, que tinha passado pelo Brasil, adotavam muitas posições racistas, e que o Brasil necessitaria passar por um processo de embranquecimento racial. Manuel Bonfim foi uma das principais vozes em antagonismo contra essas correntes advogando a miscigenação como um importante elemento positivo na formação da identidade nacional.

Oswald de andrade

Um marco importante da produção cultural e filosófica, durante a primeira metade do século XX, foi a Semana de Arte Moderna de 1922. Marcados pela influência do futurismo de Marinetti, pregavam a total ruptura com a tradição cultural em favor da construção de uma nova cultura, uma nova forma de ser, genuinamente nacional. Seria possível detectar a primeira tentativa de buscar não mais uma filosofia no Brasil, mas uma filosofia do Brasil. Em busca dessa nova tentativa de reconstruir a identidade nacional, os modernistas passam a novamente, reconstruir a imagem do índio através da forma do primitivismo como o elemento central para a ruptura. Sendo as bases iniciais ditadas na Revista Klaxon Manifesto da Poesia Pau-Brasil, Movimento Verde-Amarelo e o Manifesto Antropófago. Essa onda artística tem influências longínquas do hegelianismo. E como houve uma bifurcação política, é notável uma bifurcação dos autores em duas correntes. Os da direita hegeliana unido os principios indianistas do modernismo à metafísica de Farias Brito realizado por Plinio Salgado que gerou o movimento nacionalista: Integralismo, inspirado no integralismo lusitano e no corporativismo. Oswald de Andrade incorpora os elementos do hegelianismo de esquerdae filia-se ao Partido Comunista Brasileiro. Apesar de no futuro largar a militância política, Oswald vai estudar sobre os principios do homem cordial como elemento formador da nação, tema este que seu amigo Mário de Andrade também irá muito refletir. Osvaldo Aranha também é outro importante ícone dessa época. Outro importante expoente do nacionalismo foi Arlindo Veiga dos Santos criador da Frente Negra Brasileira e posteriormente a Ação Imperial Patrianovista Brasileira. Árduo defensor da monarquia, também foi influenciado pelo integralismo lusitano, mas jamais se filiando as fileiras do Integralismo, mas tinha uma relação cordial com Plinio Salgado. Do Integralismo surgiram diversos intelectuais e artistas, muitos com o foco voltado para o estudo da identidade nacional e a História do Brasil foram entre eles: Gustavo Barroso e Luís da Câmara Cascudo. Miguel Reale sofreu uma profunda influência das reflexões de Plinio Salgado, e vai recorrer ao neokantismo para elaborar sua teoria do direito tridimensional.

Plinio Salgado

Outro grupo que destaca-se é em dar uma nova interpretação para História do Brasil foi a corrente marxista, dentre seus pensadores houve intelectuais como Leôncio Basbaum, Caio Prado Júnior.

Dentro da corrente modernista, houve também os responsáveis pela reforma pedagogia conhecido como Escola Nova tendo como um dos principais expoentes Anísio Teixeira, que tinha influência das reformas educacionais de John Dewey.

Toda essa onda de nacionalismo, culmina com a revolução de 30 e o regime de Getúlio Vargas. O positivismo demonstra sua forte influência na vida cultural do país, sendo um dos seus principais representantes Francisco Campos que criou a Legião de Outubro para da suporte a Revolução de 30. Com as reformas educacionais de Gustavo Capanema, os princípios da Escola Nova passam a ser adotados. Getulio Vargas em 1939 criou a Faculdade Nacional de Filosofia que passou a integrar a UFRJ. Teodoro Augusto Ramos passa a ser responsável pelo governo do Estado de São Paulo de Armando de Salles Oliveira para convocar eruditos para compor o corpo docente da recem-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo que iria compor o que seria a USP. Nesse momento a filosofia no Brasil passa por uma profunda mudança, entrando na sua terceira fase, a acadêmia universitária. A filosofia passa por um processo de profissionalização, sendo construido um departamento dentro da universidade. A partir desse momento, a filosofia na sua forma ensaística, realizada desde o século XIX perde mais seu valor para o jargão acadêmico. Com isso organiza-se a "missão francesa da USP, que se desenvolveu em três fases distintas. Em 1934, são contratados professores experientes em universidades e liceus franceses, com o objetivo de abrir os cursos. Dos seis nomes que compõem essa primeira leva - Émile Coornaert (história), Pierre Deffontaines (geografia), Robert Garric (literatura francesa), Paul-Arbousse Bastide (sociologia), Étienne Borne (filosofia e psicologia) e Michel Berveiller (literatura greco-latina) - somente Berveiller e Arbousse-Bastide renovam os seus contratos com a universidade no ano seguinte. Em 1935, o perfil do grupo se altera assim como a duração dos contratos, agora de três anos: trata-se de jovens agrégés, sem experiência no ensino superior, com exceção de Fernand Braudel. Além do professor de história, chegam ao país neste momento: Pierre Hourcade (literatura francesa), Pierre Monbeig (geografia), Claude Lévi-Strauss (segunda cadeira de sociologia) e Jean Maugüé (filosofia). Monbeig e Maugüé permanecem no país até 1944 e 1947, respectivamente, em função da eclosão da guerra. A partir de 1938, Dumas decide convidar docentes mais velhos, como fizera na Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em 1935. Deste novo grupo de professores fazem parte: Roger Bastide (substituto de Lévi-Strauss), Jean Gagé (no lugar de Braudel), Alfred Bonzon (literatura francesa) e Paul Hugon (economia), que se estabelecerá definitivamente no país".[11] Outros nome importantes foram Martial Gueroult e Victor Goldschmidt. Assim, se tem o ingresso da filosofia continental, sendo muito deles de orientação hegeliano com influencias também no marxismo. Muitos desses intelectuais irão ser os maiores expoentes da Escola dos Annales. E nesse momento inaugura-se o marco da profissionalização da filosofia. Onde passa a se tornar uma profissão, e por isso, contém regras para separar os acadêmicos dos ensaistas como amadores. Assim, a partir da metade do século XX a filosofia passa a ter sua primeira onda de intelectuais acadêmicos: João Cruz Costa, Washignton Vita, Antonio Paim, Oswaldo Porchat Pereira, Ernildo Stein, Gerd Bornheim, Bento Prado Júnior, José Arthur Giannotti, Paulo Arantes, Carlos Nelson Coutinho, Leandro Konder, Marilena Chauí e João Quartim de Moraes; e na sociologia: Florestan Fernandes, Antônio Candido de Mello e Souza, FHC e Darcy Ribeiro.

Enquanto na formação acadêmica foi profundamente marxista, no campo da teologia essa hegemonia não era plena. Havia profundos debates entre as teorias das teorias imanetistas da teologia liberal como o padre Henrique Cláudio de Lima Vaz, Paulo Freire, Leonardo Boff, o frei Carlos Josaphat Evaldo Pauli e Rubem Alves. A característica desses pensadores é partir das causas sociais geradoras da miséria e propor a pobreza e a libertação como temas discussão filosófica e teológica.

Mario Ferreira dos Santos

Inumeros outros pensadores demonstram sua influencia, em geral, de matriz e orientação política contra esquerda, inspirados no conservadorismo e no ultramontanismo como a Plinio Corrêa de Oliveira criador da TFP, Urbano Zilles e Gustavo Corção. Também é importante a metafísica escolástica moderna de Mario Ferreira dos Santos. Destacam-se também os espiritualistas como Leonardo Van Acker, cujos pensamentos caracterizam-se como um humanismo cristão. O espiritualismo universalista teve ampla divulgação com pensamento e traduções de Huberto Rohden que vai influenciar a Nova Era no Brasil. Entre os estudiosos da filosofia do direito, com a teoria tridimensional do direito de Miguel Reale criou o Instituto Brasileiro de Filosofia que influenciou jurístas Tércio Sampaio Ferraz Jr., Miguel Reale Júnior e a teoria da comunicação de Vilém Flusser. Outra importante contribuição para historiografia do Brasil veio por Gilberto Freyre.

Newton da Costa

Nos anos 60 também surge na Unicamp o desenvolvimento da lógica paraconsistente com Newton da Costa, Walter Carnielli, Marcelo E. Coniglio e João Marcos de Almeida, sendo um dos mais impostantes expoentes da filosofia analítica.

Com o Regime Militar muitos intelectuais de esquerda se exilaram em outros paises. Entraram em contato com outras correntes como o marxismo cultural e a psicanálise voltada para análise social. Durante o Regime Militar a esquerda continuou agindo intensamente nas universidades. Nesse momento o curso de filosofia volta-se mais para formação dos seminários para o clero. Por isso, nesse momento se tem o forte crescimento da teologia da libertação. Com a forte instrumentalização do conhecimento, raizes do positivismo dentre a tradição militar no Brasil, muitos críticos demonstraram a falta de eficiência das universidades terem uma filosofia, ou um filosofo verdadeiro. O autor dessa crítica nos anos 70 foi de Roberto Gomes, no seu livro Crítica da Razão Tupiniquim. Durante o regime militar criou disciplinas educativas para o ensino secundário para evitar a ampliação da esquerda e criou-se a Educação Moral e Cívica, que substituia a filosofia (ver: Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo) e Estudos dos Problemas Brasileiros que substituia a sociologia.

Com o fim do regime todos intelectuais de esquerda retornam, gerando uma nova onda de intelectuais como: Vladimir Safatle, Roberto Mangabeira Unger, Emir Simão Sader, Silvio Gallo, Mario Sergio Cortella, Dermeval Saviani, Paulo Ghiraldelli Jr., Oswaldo Giacóia Júnior, Márcia Tiburi, Viviane Mosé, Nildo Viana, Sérgio Paulo Rouanet, José Américo Motta Pessanha e Alaor caffé. Nos anos 90 muitos filosofos irão na contramão desta corrente posicionam-se muitos liberais como Roberto Campos, Denis Lerrer Rosenfield, José Guilherme Merquior, Paulo Francis e Luiz Felipe Pondé; e os conservadores Paulo Mercadante, José Osvaldo de Meira Penna, Olavo de Carvalho. Aliada à corrente conservadora, o Brasil viu um novo nascer da teologia aliada ao estudo da filosofia clássica. O filósofo, diplomata e teólogo Marcos Azambuja se destaca no meio como um dos maiores teólogos e estudiosos do judaísmo e do cristianismo vivos atualmente, sendo considerado pelo ex-secretário de estado americano Henry Kissinger, "o maior estudioso da filosofia de São Tomás de Aquino e Maimônides vivo atualmente" e pelo seu aluno Luis Felipe Pondé "o maior nome da espiritualidade e da tradição judaico-cristã da história do pensamento brasileiro".

Varios incentivos estatais vem sendo realizados para aperfeiçoamento dos profissionais filosóficos como em 1983 a Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia, pela CAPES. Que passa a financiar inúmeros eventos de filosofia ao redor do país. Muitos filósofos estão utilizado recursos virtuais como you tube para promover palestras e cursos ou ONGs como a Academia Brasileira de Filosofia. A partir dos anos 90 a maior preocupação se passa para educação da filosofia no ensino médio, que passa a ser obrigatório durante o governo Lula.

Ensino de filosofia no Brasil[editar | editar código-fonte]

A retomada do Ensino da Filosofia nos Ensino Fundamental e Médio[editar | editar código-fonte]

O Ensino da Filosofia havia como parte obrigatória do ensino médio, até que em 1961 a Lei 4.024/61 extirpou essa obrigatoriedade. A retomada do ensino da filosofia no ensino médio, a partir da década de 1990, com a criação dos parâmetros curriculares, em resposta à Lei 9394/96, a LDB, oferece uma visão do que seria imprescindível de ser ensinado. Neste sentido, vale recordar que durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a obrigatoriedade do ensino da Filosofia não havia. Foi durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva que seu ensino tornou-se obrigatório. Isso abriu um campo de trabalho que estava represado para os licenciados em Filosofia (que antes deviam se restringir a serem professores de História, Sociologia ou Geografia).

O Ensino de Filosofia no Brasil tem que ser avaliado a partir de alguns parâmetros fundamentais. Primeiramente, deve ser identificado o processo de formação de docentes para o ensino de filosofia, em segundo lugar o material didático utilizado, em terceiro lugar os efeitos desse ensino para a sociedade - e sobre este aspecto as avaliações nunca estão a ser elaboradas. O processo de formação de docentes se dá por meio dos cursos de graduação em Filosofia. Por meio desses cursos, a licenciatura atende a uma formação que permite aos discentes se apropriarem dos campos teórico, prática e metafilosófico da disciplina, além de receberem os insumos pedagógicos básicos para o desempenho da função docente.

Teríamos que nos perguntar: qual papel cumprem esses novos professores? Em função dessa questão, os encontros da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof) têm procurado criar espaços para avaliar como essa função docente tem ocorrido. Isso também tem sido objeto de discussão em grupos da Associação Nacional de Pós-Graduação em Pedagogia (Anped).

Em relação aos livros didáticos de Filosofia para o Ensino Médio, temos que observar que há uma ampla variedade. Todos produzidos por professores doutores em Filosofia. Durante algum tempo foi praticamente um best-seller o livro da Profa. Marilena Chauí (Chauí, M. Convite à Filosofia, SP: Àtica, 2000). Vários outros livros têm se apresentado e, atualmente, vários professores do ensino médio utilizam blogues e outros meios de difusão de informações filosóficas.

Todas essas questões, entretanto, não permitem notar quão profusa e profundamente o ensino de filosofia tem interferência na construção das visões de mundo das cidadãs e cidadãos no Brasil.

Ensino universitário de Filosofia[editar | editar código-fonte]

Em 2004, o INEP registrava a existência de 56 cursos de graduação em Filosofia, e a comunidade filosófica 91. Esses dados não estão checados novamente, e faltam maiores informações. Sobre as condições de formação do professor de filosofia para o ensino médio ver Fávero, Altair et al. "O ensino da filosofia no Brasil: um mapa das condições atuais" In Cadernos CEDES, Campinas, 24 (64), pp. 257-284, set/dez 2004.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. COSTA, João Cruz. . Contribuição à História das ideias no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1956.
  2. Ver, p.ex., verbete filosofia no Brasil in MARCONDES, D. e JAPIASSÚ, H. Pequeno dicionário de filosofia. RJ: Zahar, 1996. pp.100-102.
  3. Ver "A filosofia e a evolução histórica nacional" publicado em COSTA, J.C. A filosofia no Brasil - ensaios. Porto Alegre: Globo, 1945.
  4. PAIM, Antônio. O estudo do pensamento filosófico brasileiro. 1a. ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1979.
  5. Ginés de Sepúlveda, Juan (trad. Marcelino Menéndez y Pelayo e Manuel Garcia-Pelayo) (1941). TRATADO sobre las Justas Causas de la Guerra contra Los Indios . México, DF: Fondo de Cultura Económica. p. 155.
  6. Crow, John A. The Epic of Latin America, 4th ed. University of California Press, Berkeley: 1992.
  7. ↑ SANTOS, Fabrício Lyrio (2008), "A expulsão dos jesuítas da Bahia: aspectos econômicos", Revista Brasileira de História (São Paulo) 28 (55): 171–95.
  8. http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb02.htm
  9. http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb02.htm
  10. http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb02.htm
  11. http://bndigital.bn.br/francebr/intercambios.htm

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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