Rede Manchete

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Rede Manchete
TV Manchete Ltda.
Tipo Rede de televisão comercial e aberta
País  Brasil
Fundação 5 de junho de 1983
por Adolpho Bloch
Extinção 10 de maio de 1999
Pertence a Bloch Editores
Proprietário Pedro Jack Kapeller
Cidade de origem Rio de Janeiro Rio de Janeiro, RJ
Sede Bandeira da cidade do Rio de Janeiro.svg Rio de Janeiro, RJ
Edifício Manchete - Rua do Russel, 804 - Glória
Estúdios Bandeira da cidade do Rio de Janeiro.svg Rio de Janeiro, RJ
Edifício Manchete - Rua do Russel, 804 - Glória
Bandeira da cidade de São Paulo.svg São Paulo, SP
Avenida Professora Ida Kolb, 551 - Limão
Slogan Você em primeiro lugar
Formato de vídeo 480i (SDTV)

Rede Manchete (também conhecida como TV Manchete ou apenas Manchete) foi uma rede de televisão brasileira fundada na cidade do Rio de Janeiro em 5 de junho de 1983 pelo jornalista e empresário ucraniano naturalizado brasileiro Adolpho Bloch. A emissora permaneceu no ar até 10 de maio de 1999.[1] Fazia parte da Bloch Editores, criadora da revista Manchete, posteriormente, o nome da revista foi dado à emissora de televisão.[2]

Prevista inicialmente para entrar no ar entre setembro e novembro de 1982,[3] e depois para março de 1983.[4] Em 5 de junho de 1983, um domingo,[5] a Manchete entrava no ar com um discurso de Adolpho Bloch, seu proprietário.[6] Com equipamento sofisticado e buscando uma programação classe alta,[3] a Manchete ficou conhecida pela sua programação baseada no forte jornalismo, na cobertura do esporte brasileiro e internacional, apresentando grandes eventos esportivos. As telenovelas, minisséries e séries da Manchete também fizeram história na teledramaturgia no Brasil. Além da programação própria, a TV Manchete é lembrada pelo público por ter transmitido as produções japonesas do gênero tokusatsu e anime.

Por outro lado, os caros investimentos na emissora levaram a sucessivas crises. Em 1985, com dois anos de existência, os prejuízos da Rede Manchete eram evidentes. A emissora entrava em sua primeira crise financeira.[7] Bloch, em 1988, quis vender a emissora e pediu US$ 350 milhões.[8] Na década de 1990, o deputado Paulo Octávio fez uma proposta para Adolpho Bloch da proposta de compra da TV Manchete por US$ 200 milhões de dólares. O sócio de Paulo Octávio era o empresário João Carlos Di Genio,[9] [10] [11] mas nada se concretizou.[12] A Editora Abril também mostrou interesse na emissora.[13] Então, a empresa IBF assumiu a Manchete, mas logo depois teve cassada a sua gestão pela justiça. Adolpho Bloch recebeu de volta o encargo de uma rede nacional, com os salários dos funcionários atrasados em seis meses.[6] Pedindo um tempo aos empregados, ele conseguiu, em quatro meses, normalizar o pagamento da folha. Mas o esforço de caixa continuou repercutindo na programação.[6] Pedro Jack Kapeller se tornaria presidente da Rede Manchete em 1995 após o falecimento de seu tio, Adolpho Bloch.[14] A crise da Manchete se aprofundou após a Copa do Mundo de 1998, quando seu faturamento caiu 40%. No final de setembro, a emissora demitiu 540 funcionários e a Manchete não pagava em dia os salários. Em outubro, cortou a produção de quase todos os seus programas jornalísticos, abortando, inclusive, a novela Brida.[15] Ela chegou a ficar fora do ar três vezes, a primeira devido a uma invasão de funcionários na torre da emissora em São Paulo.[15] A emissora seria vendida durante um mês para a Igreja Renascer em Cristo em janeiro de 1999, porém em fevereiro do mesmo ano rompeu com a Renascer alegando o descumprimento de cláusulas contratuais.[16] Em maio de 1999, Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho assumiram as concessões da Manchete, transferiram a sede para Barueri e o nome da emissora foi mudada para RedeTV!.[17]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

No final dos anos 70, Adolpho Bloch se interessou pela televisão, o único meio de comunicação onde ainda não atuava, até então já tinha emissoras de rádio no Rio de Janeiro. Bloch havia designado um grupo de diretores e funcionários da Bloch Editores para cuidar do projeto da TV Manchete. O empresário conta em seu depoimento: Quando aqui cheguei [de volta ao Brasil após viagem aos Estados Unidos, em 1981], encontrei o projeto da televisão bastante adiantado. Eu não estava a par de quase nada. Era grato ao presidente Figueiredo, que nos concedeu os cinco canais depois da necessária licitação pública.[18] Bloch ainda contou que investir em televisão não estava entre suas prioridades: Pessoalmente, eu preferiria continuar investindo na editora, visitando exposições de gráficas, de livros, revistas e, com o tempo, concretizando o projeto de fabricar latas de alumínio, uma novidade no mercado brasileiro. (...) Relutei comigo mesmo e custou-me a idéia da televisão. Mas quando aderi, e seguindo o meu temperamento, foi para valer.[18] Em junho de 1981, meses depois de receber a concessão, Adolpho Bloch foi recebido , em audiência, pelo Governador de São Paulo Paulo Salim Maluf, mas classificou sua presença no Palácio dos Bandeirantes como só cortesia. Afirmando que pretendia fazer televisão para intelectuais, mas sem multa complicação.[19]

Concessão[editar | editar código-fonte]

Em 23 de julho de 1980, o governo federal brasileiro anunciou a abertura da concorrência para duas novas redes de televisão que surgiram das sete concessões da Rede Tupi e duas da Rede Excelsior, ambas já extintas.[20] Em março de 1981, o governo federal anunciou os vencedores da licitação. O presidente João Figueiredo concedeu as concessões aos grupos de Adolpho Bloch e Silvio Santos, respectivamente, nos decretos nº 84.842 e nº 85.841, das nove emissoras cedidas, quatro ficaram com o Grupo Silvio Santos e as cinco restantes com o Grupo Bloch.[21] Em 19 de agosto de 1981, em Brasília, Adolpho Bloch e Silvio Santos assinaram os contratos definitivos das concessões.[22] O SBT foi lançado nesta data, enquanto o Grupo Bloch decidiu adiar o lançamento da futura emissora, Rede Manchete, para poder preparar o projeto da nova rede. Após investir US$ 50 milhões de dólares em instalações, equipamentos e enlatados e contratar 800 profissionais.[23] O sobrinho de Adolpho Bloch, Pedro Jack Kapeller seguiu para os Estados Unidos e Japão, trazendo os equipamentos mais modernos.[24]

Segundo Conti (1999), Bloch foi escolhido porque a Manchete [revista] elogiava o governo e porque seu sobrinho, Oscar Siegelman, era amigo do general Otávio Medeiros, do Serviço Nacional de Informações. Mas quase não a ganhou por causa da maneira como a revista cobria o Carnaval: Assim eu não vou dar a televisão para vocês, disse Figueiredo a Oscar Siegelman. Eu estive vendo a Manchete, é uma vergonha. Só dá bicha e mulher pelada e vocês vão colocar isso na televisão. O general mudou de opinião depois que Alexandre Garcia, seu ex-assessor de imprensa [atualmente na Rede Globo], disse que seria o diretor do Departamento de Jornalismo da emissora e não permitiria que cenas de baixo nível fossem ao ar”. (Conti,1999, p.514).[24]

Em 20 de março de 1981, o Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo divulgou uma nota oficial lamentando a decisão do Ministério das Comunicações em ceder duas concessões aos grupos de Adolpho Bloch e Silvio Santos, o sindicato afirmando-se "de luto" pela concessão das duas novas redes de televisão ao Sr. Adolpho Bloch e ao Sr. Silvio Santos. O sindicato considerou que "foram ganhadoras as duas piores propostas, pois o Sr. Adolpho Bloch já fala numa rede para exibir filmes enquanto o Sr Sílvio Santos está preocupado com o seu Baú da Felicidade para a venda de carnês".[25]

Em relação a Adolpho Bloch, o sindicato se referiu ao empresário que "o Sr Adolpho Bloch é proprietário de uma não muito promissora editora de revistas."[25]

As cinco emissoras conquistadas pelo grupo foram TV Manchete Rio de Janeiro, Canal 6 (antiga TV Tupi Rio de Janeiro), TV Manchete São Paulo, Canal 9 (antiga TV Excelsior), TV Manchete Belo Horizonte, Canal 4 (antiga TV Itacolomi), TV Manchete Recife, Canal 6 (antiga TV Rádio Clube de Pernambuco) e TV Manchete Fortaleza, Canal 2 (antiga TV Ceará).[20] A Manchete teve a TV Pampa, de Porto Alegre, como sua primeira afiliada no Brasil.

Cento e vinte dias depois de ganhar a concorrência para os canais, em janeiro de 1982, a nova rede já tinha encomendado cerca de 35 milhões de dólares em equipamentos (americanos japoneses e ingleses), mais da metade do orçamento total estimado em 50 milhões de dólares. Todas as instalações físicas da emissora estavam prontas à espera dos equipamentos. Enquanto isso, o arquiteto Oscar Niemeyer trabalhava no projeto do centro de produção nacional que funcionaria no terreno de 100 mil metros quadrados, na Barra da Tijuca.[3] A previsão, até então, era que a Manchete entraria no ar entre setembro e novembro de 1982.[3] Em relação a futura programação, era dito que seria dirigida a um público inteligente que assiste ou não à televisão ("classe A e B") e que, com certeza, estará voltada para temas brasileiros, dentro de um padrão que mais se aproxima do europeu. "Mais sério, menos apelativo e menos eletrônico".[3] A direção explicou: em televisão tudo é muito veloz. O que se planeja muda muito rápido. Quem sabe se até lá a TVS não será a campeã de audiência?. E adianta: a Rede Manchete de Televisão será alegre, extrovertida, jovial, mas também séria e o menos eletrônica possível.[3] Novamente, a estreia foi adiada para março de 1983: A gente não tem pressa: o Adolfo Bloch quer fazer tudo direito, como manda o figurino. Sem dúvida vai ser a TV mais moderna do mundo porque, além dos equipamentos ultrasofisticados, vai ser a primeira rede que já começa com tudo pronto, afirmava Rubens Furtado, o diretor-geral da TV Manchete.[4] Finalmente, em maio de 1983, foi anunciado que em quinze dias, em 5 de junho de 1983 às 19h, a Manchete iria iniciar suas transmissões em quatro estados que iriam receber a imagem da TV Manchete: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, em Porto Alegre a transmissão será através da TV Pampa, a primeira filiada.[26] A expectativa em torno da inauguração foi crescendo desde o primeiro sinal da emissora às 15h27mín do dia 13 de maio, uma sexta-feira.[27]

Inauguração[editar | editar código-fonte]

Quase dois anos depois das concessões, a Rede Manchete foi ao ar pontualmente às 19h em um domingo, 5 de junho de 1983, Logo na estreia, a Rede Manchete chegou com grandes inovações. Foi colocada no ar uma contagem regressiva futurística de 8 segundos para um informe da Petrobras anunciando o lubrificante Lubrax e dando boas-vindas a nova emissora brasileira. Seguiu um discurso no ar de Adolpho Bloch no cenário do jornalismo da emissora. Em seguida, foi colocada no ar a primeira vinheta interprogramas da emissora, onde a letra "M" dourada voa e explode com várias "M"'s. Essa primeira vinheta interprogramas anunciou a entrada no ar da rede e da primeira afiliada: a TV Pampa de Porto Alegre, que contava com várias "emissoras gêmeas" no interior do estado do Rio Grande do Sul. Nos primeiros minutos da emissora, Adolpho Bloch fez um depoimento, primeiramente, sem som (devido a uma falha).[28] Logo depois, o recomeço da gravação, tudo correu normalmente.[27] E depois continuou: Meus amigos, hoje é um dia importante para a Família Manchete. Como você sabe, a nossa riqueza é o trabalho e o otimismo. Para nós, a televisão foi um desafio. Estamos felizes em continuar contribuindo para a construção de um Brasil grande. O presidente João Figueiredo confiou em nossa imprensa. Para nós, a televisão representa responsabilidade. Estamos produzindo uma programação de alto nível. É um dever mencionar o pioneiro Assis Chateaubriand, um homem de grande visão. Apresento minhas saudações à TV Educativa, à TV Cultura, à TV Bandeirantes, à TV Gazeta, à TV Sílvio Santos (referindo-se à TVS, atual SBT), à TV Record, às Emissoras Independentes (referindo se a antiga Rede Record com o antigo SBT, atual Record) e à Rede Globo de Televisão. Meus agradecimentos ao Dr. Roberto Marinho. Nossa amizade já passa de meio século. Deixo com vocês, meus amigos, a Rede Manchete de Televisão. Ela está no ar.. Em seguida, foi ao ar uma marcante vinheta, um clipe onde uma nave, representada pelo "M" (logotipo da emissora), sobrevoava as principais cidades brasileiras e aterrissava no alto do prédio da emissora, o Edifício Manchete, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, a cabeça-de-rede da emissora ficava na Rua do Russel, na Glória, no Rio de Janeiro. A mesma vinheta permaneceu no ar do primeiro ao último dia da emissora, sendo considerada uma das mais longínquas da televisão.


Em seguida, foi apresentado a fala do Presidente João Figueiredo: Adolpho Bloch tem mais anos de Brasil que a maioria de nós.[27]

O primeiro programa a ser exibido foi um show de três horas de duração denominado O Mundo Mágico,[23] dirigido por Nelson Pereira dos Santos,[29] contando com a participação de diversos conjuntos musicais e artistas, com várias atrações, dentre elas o recente grupo musical Roupa Nova, a banda Blitz, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Ney Matogrosso, Dona Ivone Lara, Watusi, Zizi Possi, Arthur Moreira Lima, Alceu Valença e Elba Ramalho.[23] [20] [28] Além de apresentações de dança, como o balé com Fernando Bujones e Ana Maria Botafogo e tango com Cláudio Tovar e Lucinha Lins. As três horas de quadros musicais foram entremeados de pequenos depoimentos e algumas breves reportagens sobre o império Bloch.[28] A atração atrapalhou a Rede Globo, principalmente no Rio de Janeiro. Enquanto o Fantástico alcançou 35 pontos, o show da Manchete chegou perto, com 33,[23] uma proeza para uma estreia. que foi transmitido ao vivo. A audiência chegou a incomodar o Fantástico, exibido pela Rede Globo. Depois do show, a Rede Manchete colocava no ar o primeiro filme exibido em sua história: Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg, até então inédito na televisão brasileira. A Manchete gastou US$ 800 mil dólares para adquirir os direitos de exibição do longa-metragem, que foi dividido em 15 partes e durou três horas e 20 minutos,[30] que venceu a Globo por 27 a 12 na capital carioca.[20] [23] A Globo saiu vencedora absoluta nos outros horários, mas perdeu, com a entrada da Manchete, na faixa das 19h às 22h, cerca de 18 pontos (1 milhão de pessoas) não só durante Os Trapalhões como ainda durante o Fantástico.[31] Interessante registrar como a expectativa era grande quanto à chegada da Manchete. Antes mesmo do horário previsto para a estreia, muitos telespectadores já ligavam seus televisores no canal 6. Por isso, às 18h30min de domingo, um público de 425 mil cariocas (7,3%) esperavam, com certeza ansiosos, o nascimento televisivo do ano.[31]

Segundo funcionários da Manchete, a publicidade vendida na programação da estreia alcançou a cifra de Cr$ 900 milhões; o número não foi divulgado oficialmente mas um dos diretores da Rede, Moisés Weltman, declarou que esta quantia representa o maior volume de vendas já registrado em um só dia por uma rede de televisão, no Brasil.[27] Várias marcas patrocinaram o show de inauguração como: Petrobrás, Shell, Atlantic, Nestlé, Omo, Gigante Branco, Philips, Walita, Maggi, Gillette, General Motors, Supergasbras, Gradiente, Ariola, Consul, Minerva, Odyssey, Ponto Frio, Brastemp, Sul América, Souza Cruz, Volkswagen, Johnson & Johnson, Doriana e muitos outras.[28] A inauguração oficial da Manchete foi saudada com recepção para 300 convidados no 10º andar do edifício da Bloch Editores, entre os quais estavam o Governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, o Presidente do Banco Central do Brasil, Carlos Geraldo Langoni, o ex-diretor da Cacex, Benedito Moreira, a Diretora Presidente do Jornal do Brasil, Condessa Pereira Carneiro, o cientista Albert Sabin, entre outros.[27] A imprensa também destacou a inauguração com elogios, o Jornal do Brasil declarou: A TV Manchete iniciou ontem seus trabalhos sob o signo da inovação. Pela primeira vez na história da TV mundial, uma emissora se lança no ar abrindo a sua programação com um anúncio. Só depois é que deu boa-noite.[32]

Na segunda depois da inauguração, o jornalismo da emissora nascia com o Jornal da Manchete, até então o noticiário no horário nobre mais longo da televisão brasileira, com uma hora e meia de duração.[29] A ênfase a esse noticiário é uma das provas apresentadas pelo diretor Zevi Ghivelder, de que a Manchete seria uma emissora que apostaria na segmentação da audiência, voltada para as classes A e B, assim como Sílvio Santos apostou nas classes C e D e a Globo prefere atingir todo o espectro do público.[29] A rede mantém na época o que denominava programação de alto nível, com documentários, jornalismo e rogramas de entrevistas. À Folha de S. Paulo de 5 de junho de 1983, Rubens Furtado explicou: "A TVS se dirige ao público C e D; a Bandeirantes não tem público definido, enquanto a Globo pretende ser eclética. Pesquisas nos mostraram a insatisfação dos segmentos A e B com a programação que lhes é oferecida atualmente. Então, decidimos optar por esse público. Além disso, os Bloch têm a tradição de ter, em sua empresa, iniciativas de alto nível".[29] Os concorrentes não acreditavam na proposta da emissora, como destacou à Folha o então vice-presidente do SBT, Luciano Callegari: "Quando entramos, também imaginamos um segundo lugar. Ninguém entra para perder. Porém, acho que se a Manchete quiser sobreviver, a curto prazo terá de optar por uma programação semelhante à nossa e a da Globo, procurando classes mais populares. Como já ficou provado, aqueles que optaram por públicos mais sofisticados tiveram problemas graves, como a Bandeirantes, por exemplo".[29]

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Sede da TV Pampa de Porto Alegre, RS, primeira emissora afiliada à Rede Manchete.

1983[editar | editar código-fonte]

Foi adotado o primeiro slogan "Televisão de Primeira Classe" e dentre os programas que ganharam destaque nos primeiros meses de transmissão estavam: Conexão Internacional, com Roberto D'Ávila; Bar Academia, com Walmor Chagas; Persona; Um Toque de Classe, com grandes nomes da música erudita nacional, comandado pelo pianista Artur Moreira Lima; Xingu; Concertos de Ópera e o Jornal da Manchete, telejornal exibido em horário nobre. O primeiro diretor de programação foi Rubens Furtado e o segundo foi Kendey Araújo.

Entrava no ar, já em 6 de junho de 1983, o Clube da Criança, revelando a apresentadora infantil, modelo e manequim Xuxa, com gincanas com crianças e desenhos animados da Hanna-Barbera como Família Drácula e Goldie Gold.[30] Houve naquela época uma grande polêmica sobre a apresentadora, que posou nua em várias revistas masculinas, como uma da própria empresa, a Ele e Ela, a última poucos meses antes de estrear como apresentadora infantil. Xuxa permaneceria à frente da atração até ser contratada pela Rede Globo três anos mais tarde.

Poucas semanas depois da inauguração, no mesmo mês, o cantor e repórter do Conexão Internacional, Caetano Veloso, provocara polêmica ao entrevistar o vocalista do Rolling Stones, Mick Jagger. O programa é conduzido pelo jornalista Roberto D'Ávila, com a participação de Walter Salles atrás das câmeras. Além de Veloso demonstrar falta de preparo no inglês, foi insultado por Jagger. No dia 25 de junho, o jornalista Paulo Francis publicou na Ilustrada, caderno cultural da Folha de São Paulo, um texto intitulado "Caetano, pajé doce e maltrapilho", que embora elogiasse Veloso ser melhor do que Jagger, criticou a roupa usada por ele "de Pajé contra pajé tudo com autoridade imediatamente consagrada pela imprensa, que é mais deslumbrada do que o público (…) É evidente, por exemplo, que Mick Jagger zombou várias vezes de Caetano na entrevista na TV Manchete." Continuou a crítica Veloso ao perguntar ao Jagger se ele é tolerante com os povos latino-americano: "O pior momento foi aquele em que Caetano disse que Jagger era tolerante e Jagger disse que era tolerante com latino-americanos (sic), uma humilhação docemente engolida pelo nosso representante no vídeo. Essa pergunta simplesmente não se faz em televisão, ou até em jornal. É de um amadorismo total. Só serve para seminários de 'comunicação' no interior da Bahia. Não é uma pergunta jornalística. Jagger começou a debochar aí." O artigo não provocou uma resposta imediata de Caetano, que só mencionou o episódio em outubro do mesmo ano, na coletiva para o show "Uns", em São Paulo: "Agora o Francis me desrespeitou. Foi desonesto, mau-caráter. É uma bicha amarga. Essas bonecas travadas são danadinhas." e o caso teve repercussão nacional.[33]

1984[editar | editar código-fonte]

O ano de 1984 marcou a Rede Manchete que se destacou pelo total apoio à campanha das Diretas Já, quando a população, através de comícios e passeatas, pedia a aprovação da emenda que restabelecia eleições diretas para presidente do Brasil. A emissora transmitiu vários comícios, inclusive aqueles que reuniram um milhão de pessoas em São Paulo e no Rio de Janeiro.[34]

Em seu primeiro ano de vida, a estratégia de uma programação para as classes A e B ainda estava de pé. A emissora inicia o ano lançando, no dia 23 de janeiro, o FMTV, considerado o primeiro programa de videoclipes do Brasil, revelando como apresentadores João Kléber, e mais tarde, Patricia Pillar. Ia ao ar diariamente, das 19 às 19h30, e aos sábados a partir das 18h30.

Em 1984, no Rio de Janeiro, durante o Governo de Leonel Brizola, foi criado o Sambódromo, um espaço definitivo para a apresentação das escolas de samba, obra muito criticada pelas Organizações Globo.[35] A recém-criada Rede Manchete transmite o desfile e alcança o primeiro lugar em audiência.[36] A já reconhecidamente completa cobertura das revistas do Grupo Bloch acabou se repetindo de forma positiva na TV, que contava, naquela época, com modernos equipamentos que em muito auxiliaram na transmissão. A emissora liderou a audiência, ficando acima dos 30 pontos percentuais. Surgia também neste ano, o Jornal da Manchete - Edição da Tarde, de segunda à sexta às 12h30. Em junho a emissora estreou suas transmissões esportivas com a cobertura das Olimpíadas de Los Angeles. As transmissões tiveram a participação de Paulo Stein, apresentador da Manchete Esportiva, que foi praticamente um dos fundadores da emissora.

Ainda em 1984, surgiu a idéia de se produzir uma minissérie. A paixão pela retratação histórica de seus diretores, levou a emissora e seus até então inexperientes funcionários em dramaturgia, a produzir, naquele ano, a minissérie Marquesa de Santos, sendo a primeira obra de teledramaturgia da nova emissora. Protagonizada por Maitê Proença, a trama estreou em 21 de agosto do mesmo ano e atingiu um audiência média de 7 pontos, colocando a emissora em terceiro lugar no horário. Nesse embalo, a rede produziu ainda mais duas minisséries: Santa Marta Fabril e Tudo em Cima.

1985[editar | editar código-fonte]

Em 15 de março de 1985, a rede faz cobertura a posse até então vice-presidente José Sarney, o primeiro civil a assumir a presidência desde o golpe militar de 1964, pois Tancredo Neves foi internado na véspera da posse. A emissora faz cobertura da agonia e a morte de Neves ocorrida em 21 de abril do mesmo ano.

Não conseguindo audiência e o faturamento almejados na época da estreia e buscando uma maior diversidade de público, Adolpho Bloch aprova a produção de novelas e seriados. A emissora abriu seus cofres e já, no início de 1985 entrava no ar a novela Antônio Maria, co-produzido com a RTP, que embora fosse uma parceria, acabou custando mais de 5 bilhões de cruzeiros. Antônio Maria acabou não tendo sucesso,[37] aumentando os prejuízos da rede. Em julho, estreava o seriado Tamanho Família, o primeiro sitcom da emissora.

As mudanças na programação, começariam à tarde, com a volta do costureiro Clodovil com o programa De Mulher para Mulher às 14 horas, seguido pelo Manchete Shopping Show, programa de variedades feminino que também contava com a participação do estilista. Mais tarde, às 19h30, entraria no ar o Alô Papa, Alô Dola, um show de variedades comandado por Carlos Eduardo Dolabella e Pepita Rodrigues. No campo do humor, estrearam Domingo de Graça e Aperte os Cintos, ambos exibindos aos domingos, sendo este último protagonizado por Costinha. O formato era baseado em esquetes de humor, o mesmo de outros programas tradicionais do gênero, como Chico Anysio Show e Praça da Alegria.

No campo do jornalismo, merecem destaque as diversas séries que a emissora produziu. Em parceria com a produtora Independente Intervídeo, pertencente ao jornalista Fernando Barbosa Lima, foram ao ar, naquele ano, três grandes produções: Xingu, mostrando a vida dos indígenas da região do alto Xingu; Terra Mágica, que mostrava características e costumes de determinada região do país; e a série Japão, retratando o avanço que a Terra do Sol Nascente sofreu depois da Segunda Guerra Mundial.

Em 1985, com dois anos de existência, os prejuízos da Rede Manchete eram evidentes. A emissora entrava em sua primeira crise financeira.[7] Adolpho Bloch estava preocupado, pois a dívida da emissora já atingia milhões de dólares. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, séries como Xingu e Japão ganharam elogios, pois a emissora investiu em qualidade, mas nem sempre isso demonstrou ser sinônimo de lucro: Descontente com o faturamento e a audiência, Bloch aprova programas populares, como os humorísticos do casal Carlos Eduardo Dolabella e Pepita Rodrigues e Miéle.[7]

1986[editar | editar código-fonte]

A emissora entrou pelo ano de 1986 com uma dívida que beirava os 23 milhões de dólares. Os primeiros sinais de prejuízo surgiram em fevereiro de 1986. A rede acumulava um prejuízo de 80 milhões de dólares e uma dívida que chegava a 23 milhões de dólares.[7] Apesar disso, a partir desse ano, são exibidas outras telenovelas de sucesso produzidas pela Manchete, como a Dona Beija, lançada em abril. Em uma entrevista para o Jornal do Brasil, Adolpho Bloch reconheceu que foram gastos Cz$ 25 milhões para produzir Dona Beija.[38] Mas Bloch lembrou que a produção estava dando resultados: A novela tem dado 25%, 27% no Rio, em Recife já chegou a 40%, em Belo Horizonte atingiu 35%. É comentada em todo o Brasil.[38] Em 21 de abril, ganha nova afiliada em Amazonas e Rondônia: a Rede Brasil Norte. A emissora enfrentou sua primeira greve de funcionários em setembro de 1986, quando pararam em virtude de salários atrasados. Xuxa, que alcançava excelente audiência, deixou o canal no começo do ano e foi para a Rede Globo apresentar o Xou da Xuxa. Ainda em 1986, duas atrações contribuíram para o aumento da crise financeira: a transmissão da Copa do Mundo de 1986, no México e a novela Dona Beija, uma produção que custou mais de US$ 2 milhões. Com cenas de nudez de Maitê Proença, a novela teve boa audiência, com cerca de 15 pontos diários, especialmente entre o público masculino, mas também deu prejuízo.[7]

Clodovil estreou o programa Clô para os Íntimos, diariamente às 14 horas. O apresentador se envolveria em uma polêmica ao expor sua opinião sobre a nova constituição que estava em votação no Congresso Nacional. Depois de classificar a Assembléia como "prostituinte", Adolpho Bloch demitiu o apresentador.

Ainda em 86, para compensar a perda de Xuxa, a Manchete resolveu extinguir o Clube da Criança e o Circo Alegre, comandado pelo palhaço Carequinha, que antecedia diariamente o Clube e substituí-los por dois novos programas: pela manhã, Nave da Fantasia, comandado por Simony. E à tarde, no antigo horário ocupado pelo Clube, estreou Lupu Limpim Claplá Topô, com Lucinha Lins e Claudio Tovar. Este último seguia um formato de teleteatro, onde os apresentadores interpretavam os mais variados contos infantis.

Positivamente, a emissora vendeu para exibição em Portugal as produções Viver a Vida e Tudo em Cima. Fato que foi comemorado na empresa.[39]

1987[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro, as transmissões do Carnaval da Manchete vieram recheadas de novidades. A emissora colocou mil funcionários no sambódromo para a cobertura dos Desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. A concorrência entre as Redes Manchete e Globo ganhava caráter de briga. Um confronto de logotipos marcava a entrada do sambódromo durante as transmissões dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Dentre as novidades, a rede trazia a câmera-robô, além de um helicóptero que sobrevoava o sambódromo do Rio de Janeiro. Rubens Furtado dizia que o Carnaval era a chance que a Manchete tinha de mostrar que ela era grande, que era melhor que a Globo. O resultado foi que a Manchete liderou a audiência no Rio, de ponta a ponta.

José Wilker chega para assumir a direção de dramaturgia substituindo Herval Rossano e reforçar o núcleo de dramaturgia e coloca no ar em março de 1987 a novela policial Corpo Santo. A novela estreou com 14 pontos de audiência e chegou a picos de 31 pontos, durante a morte da personagem de Christiane Torloni. Durante o restante do ano, o diretor trouxe uma série de profissionais e vários produtos do gênero. Em maio, estreou Helena, novela escrita por Mário Prata, com Luciana Braga e Thales Pan Chacon. Em outubro, em substituição a Corpo Santo, estreava Carmem, escrita por Glória Perez e estrelada por Lucélia Santos, trazida da TV Globo a peso de ouro, e Paulo Betti. A trama alcançou 31 pontos de audiência no Rio de Janeiro, desbancando a TV Globo em alguns capítulos.[40] Carmem também é lembrada por Silvio Santos ter feito uma participação especial na novela. O apresentador abriu as portas do Programa Silvio Santos do SBT para a personagem Creuza (Bia Sion) participa do quadro Namoro na TV. Sonhadora e romântica, Creuza vai até lá solicitar um namorado através da mídia eletrônica.[41] Além das novelas, a emissora voltaria a produção de minisséries com A Rainha da Vida, com Débora Duarte. A minissérie teve 15 capítulo, mas não teve boa repercussão.

Em abril, a emissora estreia Nave da Fantasia, um programa infantil, com outra revelação do talento da apresentadora Angélica, então com apenas 13 anos e que estudava na sétima série do 1º Grau. Angélica chegava substituindo Simony, que tinha ido para o SBT apresentar o Do Ré Mi Fá Sol Lá Simony. Com a volta do Clube da Criança ao antigo horário, Lupu Limpim Clapá Topô foi extinto. Outros programas produzidos em parceria com Nilton Travesso e a produtora independente Equipe A foram lançados: Mulher 87, Osmar Santos Show e Vídeo em Manchete (uma espécie de Vídeo Show).

A primeira grande demissão da emissora, aconteceu em julho de 1987, quando a linha de shows da emissora, composta por musicais e humorísticos, foi completamente desativada e cerca de cem funcionários foram demitidos.[7] A emissora passa a vender ações. O total das ações soma 130 milhões de dólares mas o comandante do grupo, Adolpho Bloch, colocará na mesa de negociações de 40% a 80% do capital. Com a condição de que na partilha do bolo não haja sócio-majoritário.[42] Na lista de interessados, aparecem até agora a construtora Norberto Odebrecht, a Paranapanema, o rei da soja Olacir de Moraes e um grupo ligado à área de café.[42] Nas negociações não entra o passivo da Manchete, avaliado no equivalente a 4 milhões de dólares.[42] Monteiro Aranha negou na época que esteja envolvido com eventual compra de participação acionária na TV Manchete.[43] Depois de conseguir do Banco do Brasil um empréstimo de 12 milhões de dólares - 8 milhões de dólares serão devolvidos ao banco em propaganda - a Manchete continou a procurar um parceiro, esperando a melhor oferta.[44] Em 3 de dezembro de 1987, a direção da TV Manchete encerrou sem sucesso as negociações para a transferência do controle da emissora para o empresário paulista Otávio Lacombe, do grupo Paranapanema.[45] A TV Brasília, que até então era afiliada do SBT passa a retransmitir a rede em junho, se tornando a principal afiliada.

Apesar disso, entre 1986 a 1992, chega a ser a segunda maior rede de televisão do Brasil e a terceira maior na TV da América Latina (perdendo apenas a Rede Globo e a rede de televisão mexicana Televisa).

Em julho, nova crise na Rede Manchete e são demitidos cerca de 100 funcionários. A linha de shows é desativada. Adolpho Bloch confirma a intenção de vender a rede. Porém desiste de vendê-la em 1988, depois de melhorar a situação financeira da rede.

No segundo semestre, Angélica passa a apresentar o Clube da Criança, totalmente reformulado.

1988[editar | editar código-fonte]

Em 1988, depois de cinco anos insistindo a programação de alto nível, com documentários, jornalismo e programas de entrevistas, a dívida da Rede Manchete sobe para os 34 milhões de dólares, provocando a extinção de programas, que não deram audiência e anunciantes. O investimento de televisão de primeira classe, não teve retorno financeiro e nem audiência, levando a extinção de programas, quase todos da época da estreia de 1983. Os grandes anunciantes não demonstraram qualquer interesse neste tipo de programação, preferindo nas redes Globo, SBT e Bandeirantes, todas com programações populares e de gosto duvidoso.

Em mais uma tentativa de salvar a emissora são colocados no ar 19 novos programas, entre eles: o humorístico Cadeira de Barbeiro, com Lucinha Lins e Cacá Rosset, e o Sem Limite com Luiz Armando de Queiroz. Nas manhãs, o espaço era do jornalismo com a exibição do noticiário Repórter Manchete e do Brasil 7:30, apresentado por Liliane Cardoso direto dos estúdios da TV Brasília. À tarde faziam sucesso os seriados Jaspion e Changeman. Nas manhãs, o Repórter Manchete entrava no ar diariamente às 8h. Com um formato muito parecido com os canais de TV paga americanos de hot news (CNN), exibindo notícias o tempo todo direto da bancada, o jornal se aproveitava da frequência da TV Manchete no Rio (canal 6), que permitia a sintonia através de rádios FM. Muitos cariocas ouviam o telejornal indo para o trabalho, que pouco se valia de imagens, adotando de fato uma linguagem radiofônica. No campo do jornalismo, também estreavam os telejornais locais Praça em Manchete, que antecediam o Jornal da Manchete. Rio em Manchete, São Paulo em Manchete, Minas em Manchete, Ceará em Manchete, Pernambuco em Manchete, Pampa em Manchete, Telemanchete e posteriormente muitos outros.

A então maior audiência da história da TV Manchete foi atingida em junho, durante a transmissão de Flamengo x Vasco. Pegou 63% dos aparelhos ligados no horário do jogo. A Globo teve de se espremer em exíguos - para ela - 23%.[46]

Em setembro, foi noticiado que a TV Manchete e a apresentadora Hebe Camargo estavam conversando. Insatisfeita com a força que a TVS vem dando a Jô Soares, Hebe estaria inclinada a aceitar uma boa proposta da emissora carioca.[47] Para a apresentadora, a Manchete ofereceu luvas - no caso, 100 mil dólares.[48]

Do outro lado, foi também noticiado o interesse de Silvio Santos em ter Angélica no SBT. Angélica, que, com apenas 14 anos e uma produção de baixo custo, estava batendo a Globo na audiência das tardes de segunda a sexta com o infantil Clube da Criança e, aos sábados, com o juvenil Milk Shake.[49] O dono do SBT, segundo o empresário de Angélica, Paulo Ricardo: ofereceu tudo o que a Manchete pagasse em dobro, mais comercialização e luvas altas. Ele começou com uma oferta de Cz$ 3.000.000 mensais, mas foi subindo até transformá-la no salário mais alto da emissora.[49] Angélica, porém, renovou com a Manchete até junho de 1990, pela segurança de um projeto já estável na Manchete, aliada a uma melhoria, do contrato que só terminaria em dezembro de 1989, agora reforçado também por edições de revistinhas e álbuns infantis.[49]

Enquanto isso, Rodolpho Gamberini. editor regional do departamento paulista de jornalismo, Hélio Goldstein, diretor de redação, e as jornalistas Selma Panazzi e Lídia Goldstein deixaram a emissora após uma crise provocada por um pedido de 20% de corte na redação de São Paulo e a interferência de um diretor que não era da área.[50]

Em outubro, Adolpho Bloch e David Elkind chegaram de Paris. Corre nos bastidores da Rede Manchete que os dois foram, pessoalmente, negociar a venda da emissora para empresários franceses.[51]

1989[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro, foi noticiado que o empresário Arthur Falk do mercado financeiro, ligado a um grupo suíço, Union des Banques Suisse, da qual é o representante no Brasil, estaria em entendimentos com a TV Manchete. Estuda a possibilidade de comprar a emissora de Adolpho Bloch, com quem já teve vários encontros.[52] [53] O próprio Arthur Falk confirmou a notícia da possível compra da TV Manchete, mas afirmou que não estava ligado a nenhum grupo suíço. Falk acrescentou ainda que junto com ele na transação está um grupo de empresários brasileiros.[54]

Embora mostrasse sinais de crise, a emissora tentava tirar profissionais de outras redes. Em março, o diretor da emissora, Zevi Ghivelder, e o jornalista Joelmir Beting chegaram a negociar um novo telejornal na emissora.[55] [48] O jornalista preferiu continuar na Globo.[56] [57] Após deixar a Globo,[58] Leda Nagle foi contratada para apresentar a edição da tarde do Jornal da Manchete.[59] Na área do entrenimento tentou, sem sucesso, contratar o diretor Reynaldo Boury, o autor Gilberto Braga, e atrizes Joana Fomm, Glória Pires, Bruna Lombardi e Vera Fischer.[48] [60] Para todos foi oferecido um contrato de Cr$ 50.000 de luvas, Cr$ 10.000 mensais e passagens para o exterior.[61] Outros globais sondados foram Marcos Paulo e Cláudia Raia.[62] Mas conseguiu tirar César Filho e Benedito Ruy Barbosa da Globo.[63] [64]

No mês de julho ia ao ar (com grande sucesso) a novela Kananga do Japão, protagonizada por Christiane Torloni e Raul Gazolla. A trama era até então o maior investimento em novelas já feito pela emissora, e que teve a missão de recuperar o maior Ibope já alcançado no horário das 22h30 - a média de 20 a 25 pontos de Dona Beija, que bateu a Globo em 1986.[65] Kananga do Japão alcançou, em seu primeiro capítulo, uma média de vinte pontos na Grande Rio e seis na Grande São Paulo, segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística.[nota 1] Tais índices foram satisfatórios comparados à trama anterior, Olho por Olho, a qual indicava seis no Rio de Janeiro e dois, em São Paulo, triplicando os números da antecessora.[66] A emissora lançaria o Cabaré do Barata, com a direção de Augusto César Vanucci e com o humorista Agildo Ribeiro.[65] A Manchete também adotaria a estratégia de rechear de reprises sua programação. Apostando na nostalgia, a Manchete vai de Kojak, Baretta e O Incrível Hulk. Junto com O Homem Invisível e Xerife Lobo.[65] Para o público infantil, tinha o Cometa Alegria, apresentado pela Cinthya Rachel e Patrick de Oliveira.

Em outubro de 1989, a imprensa notícia a futura sede da emissora em São Paulo.[67] O mercado paulista passou a atrair a Manchete, já que dos 70 milhões de dólares faturados pela rede, através de suas 32 emissoras, durante 89, 50 milhões foram resultados dos negócios efetuados em São Paulo.[68]

1990[editar | editar código-fonte]

Neste ano, a Rede Manchete inaugurou sua sede na capital paulista, transferindo sua diretoria geral de comercialização para a cidade.[69] O novo prédio de 8 mil metros quadrados foi projetado por Oscar Niemeyer e custou cerca de US$ 20 milhões de dólares (Cr$ 700 milhões de Cr$). Fica localizado na zona norte da cidade, na Casa Verde.[70] As instalações incluem um teatro com capacidade para 300 pessoas, um estúdio de jornalismo com oito ilhas de edição, uma central de documentação e outra de pós-produção. A nova sede também vai abrigar a produção de três programas Mulher 90, Os Campeões" e "Hit Parade além do departamento comercial da emissora, que se transfere para a cidade.[70] A cerimônia de inauguração do novo prédio aconteceu com a entrega do troféu Manchete para personalidades paulistas de diferentes áreas.[70] Ainda dentro do marco do aniversário de São Paulo, a emissora preparou uma programação especial que começou em 21 de janeiro com o programa São Paulo, Terra Mágica, que conta a história da cidade. Em 22 de janeiro a apresentadora Angélica recebeu figuras representativas do panorama musical paulista, como Paulo Ricardo, Supla e Guilherme Vergueiro. No dia 23, a emissora exibiu o musical de Chrystian & Ralf.[70] Na data do aniversário da cidade, a Manchete transmitiu um concerto ao vivo da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, e a tarde um jogo entre a Seleção Paulista de Futebol contra um time carioca. Durante a noite, a emissora colocou no ar um especial com Gilberto Gil, gravado na praça da Paz.[70] Na mesma semana, a emissora mostrou um especial com Pepeu Gomes e apresentou um Manchete Documento especial sobre a cidade.[70]

Em relação a venda da emissora nos anos anteriores. Essa idéia surgiu, conforme diz Expedito Grossi, diretor-geral da rede, devido a problemas de saúde de dois sobrinhos de Adolpho Bloch, Oscar Bloch e Jacques Capeller, oficialmente os principais nomes da rede. Isso teria ocasionado certo desânimo no comandante da Manchete: Mas depois eles melhoraram, reassumiram seus cargos, e o Adolpho voltou a se entusiasmar com a emissora. A partir daí, a gente começou a fazer TV de verdade, assegurou o diretor-geral.[71]

A partir de 19 de março, estreou Os Campeões, um esportivo liderado de São Paulo pelo apresentador Osmar Santos.[72] [73] [74] A linha de shows começou dia 20 de março, com o teleteatro sobrenatural Fronteiras do Desconhecido - uma série de casos verdade de espiritas, paranormais e todo o tipo de mistério e assombração, sob direção de Augusto César Vannucci.[72] [73] [74] A quarta-feira, 21 de março, continuava a mesma, com Cabaré do Barata, o humorístico de Agildo Ribeiro. A partir do dia 22, a quinta alterna jornalísticos (Debate em Manchete e Manchete Urgente) com especiais musicais.[72] [73] [74] Ficam para a sexta, em horário antecipado para às 22h30, as bem sucedidas reportagens mundo cão do Documento Especial: Televisão Verdade, apresentado por Roberto Maya e dirigido por Nelson Hoineff.[72] [73] [74] A produção mais sofisticada da linha de shows será aos sábados, às 22h30 com Dançando Conforme a Música, um musical comandado por Luís Carlos Miele e Watusi.[72] [73] [74]

A grande estreia, no entanto, viria por último - a novela Pantanal, dia 27, uma terça-feira, para evitar um choque direto com a Tela Quente, da Globo.[72] Na segunda-feira, dia 26, o telespectador verá apenas os bastidores da estreia do dia seguinte.[72] [73] Pantanal viria a se tornar o maior sucesso da teledramaturgia da emissora, considerado inesperado,[75] frequentemente, Pantanal vencia a programação global.[76] [77] Nos últimos índices de audiência disponíveis do Ibope da época, nos horários de melhor desempenho, Pantanal batia sistematicamente os programas da Rede Globo e do SBT.[78] [79] O triunfo de Pantanal não se media apenas pelos seus percentuais de audiência. Para além dos números, a novela da Manchete se tornaria o programa mais comentado do Brasil, e Cristiana Oliveira, a protagonista de Pantanal, transformou-se numa figura nacional praticamente da noite para o dia.[80]

A emissora continuava tentando tirar profissionais da concorrência, como Fausto Silva da Globo.[81] [82] Tendo o mesmo optado por continuar na concorrente carioca.[83] A Manchete chegou a conversar também com o locutor Galvão Bueno para um programa esportivo nas tardes de domingo da emissora. A idéia era disputar a audiência do Esporte Total, dirigido por Luciano do Valle, exibido pela TV Bandeirantes.[84] E contratou a repórter Leilane Neubarth, depois de oito anos na TV Globo, para o Programa de Domingo, com Paulo Alceu, e para fazer matérias especiais para o Jornal da Manchete, apresentado pelo Casal 20 da rede, Eliakim Araújo e Leila Cordeiro. [85]

Em 1989, a emissora começa a viver o seu apogeu, sendo causa pela vice-liderança absoluta.

No esporte, destaque para as transmissões ao vivo dos jogos da Copa Rio.

O Documento Especial: Televisão Verdade estreia na atração. Em junho, a emissora transmitiu a Copa do Mundo da Itália.[86]

Em dezembro, ia ao ar a novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, sucedendo Pantanal. Apesar não repetir o sucesso de Pantanal, terminou com a média de 20 pontos, com picos de 35 pontos, mantendo-se na vice-liderança.

1991[editar | editar código-fonte]

Em 1991, o cinema brasileiro ganhou destaque na programação, através de uma das principais sessões de filmes da emissora, o Cinema Nacional. No mesmo ano, o diretor Jayme Monjardim reúne com todos os representantes das emissoras afiliadas da rede para anunciar a nova programação visual da Manchete, acompanhada por novos programas. Em maio, um diretor da TV Manchete confessou que a emissora estava de olho em Jô Soares do SBT.[87] Durante a exibição de Pantanal e da A História de Ana Raio e Zé Trovão, a Rede Manchete já tinha muitas afiliadas e repetidoras em todas as capitais e inúmeros municípios, tornando-se de fato uma rede nacional com cobertura em praticamente todo o Brasil.

Em junho, segundo a revista Veja, o deputado Paulo Octávio (PRN-DF), um dos amigos mais próximos do presidente Fernando Collor, fez ao empresário Adolpho Bloch uma proposta de compra da TV Manchete por US$ 200 milhões de dólares, o deputado é casado com sua afilhada, Ana Cristina, neta do ex-presidente Juscelino Kubitschek.[88] O sócio de Paulo Octávio era o empresário João Carlos Di Genio.[9] [10] [11] A paixão pelo seu parque gráfico e uma dívida de US$ 20 milhões foram as principais inquietações manifestadas por Bloch ao deputado Paulo Octávio, quando falaram pela primeira vez sobre a venda da Manchete. Paulo coordena a negociação entre um grupo de dez empresários e a emissora de Adolpho Bloch. Segundo Paulo Octávio, a TV ocupa grande parte do tempo que Bloch preferiria dedicar a sua gráfica.[89] O pool de empresários que pretendia comprar a rede eram um outro amigo do presidente Collor, Luís Estêvão, presidente do grupo OK; Mathias Machline, do grupo Sharp; Herbert Levy, da Gazeta Mercantil, além da editora Abril.[88] Bloch deverá enviar um dossiê administrativo sobre a situação financeira da emissora que deverá conter a posição da dívida contraída há alguns anos para ampliação da Rede Manchete de Televisão. Após a entrega do dossiê, Paulo Octávio tem 90 dias para concluir o negócio. Paulo Octávio afirmou que não tem preconceitos contra nacionalidade ou ramo de atividade dos futuros sócios,[90] mas nada se concretizou sobre a venda.[12] Adolpho Bloch não ficou satisfeito com a oferta que recebeu dos empresários Paulo Octávio Pereira e João Octávio Di Gênio, pois ele queria um cheque de US$ 200 milhões. com fundos,[91] enquanto os empresários ofereciam menos, entre 130, 140 e 150 milhões de dólares.[92] [93] [13] A imprensa afirmaria que, há meses, o ex-governador e então candidato à presidência da República Orestes Quércia tinha manifestado interesse em adquirir a emissora do grupo Bloch. Chegando até a fazer consultas e sondagens iniciais para tocar o negócio.[94] Quando o presidente Fernando Collor foi informado disto, ficou preocupado, já que com a TV Manchete nas mãos a campanha de Quércia teria um caminho asfaltado, sem obstáculos, para crescer. Nesse momento, um grupo de fiéis amigos do presidente - Pereira e di Genio à frente - tomou a iniciativa de tirar Quércia do páreo e partir para a compra, tanto para desenvolver projetos próprios e também para tirar a emissora das mãos do adversário.[94] em outubro de 91, Paulo Octávio anunciou a suspensão das negociações da compra da Manchete, fazendo um discurso na Câmara dos Deputados do Brasil, ele denunciou o que classificou de práticas subreptícias e insidiosas de empresários que têm medo da livre concorrência e das regras do mercado, disse Paulo Octávio, que comunicou sua decisão ao empresário Adolpho Bloch, em um encontro. A Manchete teria, segundo o deputado, uma dívida de US$ 40 milhões, sendo metade com o Banco do Brasil. Paulo desafiou que provem qualquer favorecimento nas negociações, que se arrastavam há três meses. O deputado disse que estava muito perto de um acordo com a diretoria da Manchete: O negócio era uma questão de tempo. Ele admitiu retomar o projeto quando houver uma fase melhor para negociar.[95] Quando lhe perguntam quais as razões desse bloqueio de livre mercado de televisões no país, Paulo se limita a responder: plim plim.[96] No mesmo mês, Bloch reuniu a imprensa, para garantir que a emissora não está à venda por dinheiro nenhum do mundo. Se, em algum momento, ele pensou em vender a emissora foi idéia passageira: Eu estava cansado e comentei com amigos que pensava em vender a Manchete. Mas foi um relâmpago. Segundos depois já estava arrependido. Depois disso, os jornais começaram a noticiar a venda da Manchete. Tudo boato. Um dia antes da entrevista, Adolpho Bloch e a mulher Ana Bentes estiveram em Brasília numa audiência com o presidente Fernando Collor: Fui dar uma satisfação ao presidente. Afinal de contas, televisão é uma concessão do governo e depois de toda essa confusão, era o mínimo que eu podia fazer.[97] Afirmou sobre a dívida da Rede Manchete: A nossa dívida não chega a 5% do patrimônio da empresa, avaliado em centenas de milhões de dólares. Quanto valem estes dois prédios, as obras de arte, a gráfica em Parada de Lucas e os estúdios de Água Grande?. Para vencer a dívida, Bloch pretende continuar investindo na programação. Aos 83 anos, uma coisa que ele garante é não ter medo de trabalho: Com essa idade eu podia trabalhar menos, mas não. No mínimo, passo oito horas aqui na Manchete.[97]

A Manchete começa a investir cerca de US$ 12 milhões na telenovela Amazônia, que entra no ar no final de 1991.[97] Além de exibir a soap opera The Bold and the Beautiful,[98]

1992[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1992, entra no ar Almanaque, programa de variedades apresentado por César Filho e Tânia Rodrigues, com roteiro de Rosana Hermann.[99] [100] Em fevereiro, Fernando Barbosa Lima convidou e Márcia Peltier é contratada pela emissora.[101] [102] Em abril, a Manchete resgata Vila Sésamo, série de 262 episódios de 30 minutos cada um, gravada entre 1988 e 89, e vai exibi-los diariamente ás 12h, encerando o programa Clube da Criança.[99]

A nova novela Amazônia, até então promessa de repetir o sucesso de Pantanal, começa dar baixos índices de audiência e torna-se um fracasso de audiência (apenas 2 pontos). A emissora coloca no ar a continuação Amazônia - Parte II, após saída de personagens que não agradaram o telespectador. Mesmo assim, mantém baixos índices de audiência e por causa disso, entrou em grave crise econômica (a causa principal conhecida foi o altíssimo investimento na novela, que acabou em prejuízo estrondoso). A nova programação visual prometida por Jayme Monjardim acaba não dando muito certo. Jayme acaba sendo demitido por Adolpho Bloch, iniciando a primeira grande crise da emissora. Também neste ano, a Rede Manchete deixava de ser vice-líder de audiência, após perder a posição para o SBT, ficando em terceira colocada. Em 9 de junho de 1992, a TV Manchete detinha o sexto lugar na audiência na Grande São Paulo no horário entre 19h45 e meia-noite, segundo o Data Ibope. Segundo a Folha de São Paulo apurou, o faturamento da TV em 91 foi de US$ 100 milhões, o que a classifica como terceira no ranking, atrás da Globo e do SBT.[103] A programação da emissora era alvo de críticas, como a erotização, a experiência mostrou que cenas gratuitas de nudismo e de sexo não garantem audiência significativa nem melhoram a vida da emissora.[104] Mesmo com o agravamento da crise, Adolpho Bloch não queria vender a emissora, mas foi pressionado por seus sócios.[103] Para evitar a venda, Bloch foi ao Palácio do Planalto pedir ao ministro Jorge Bornhausen que o governo perdoasse parte de sua dívida junto ao Banco do Brasil. Bloch queria que Bornhausen pressionasse o presidente do BB, Lafayete Coutinho, para que o isentasse de pagar os juros de uma dívida de US$ 90 milhões.[103] Ele só queria pagar a correção. O ministro aconselhou-o a pedir a Collor, que não o recebeu.[103] Foi a última tentativa de Bloch para evitar a venda da emissora. Há dois anos que ele reclama ao governo que não quer pagar juros sobre juros.[103] Um dia antes de procurar Bornhausen, Bloch disse a amigos que seu maior orgulho na vida era jamais ter outorgado uma escritura e que iria morrer sem vender seus bens. Aos 84 anos, Bloch era o maior empecilho à venda da TV. Recentemente, chorou diante do presidente. Collor disse: "Então não venda, Adolpho". Eufórico, ele pensou que havia recebido um sinal de que teria ajuda. Bloch chorou ao acertar a transferência ao IBF.[103] O Grupo IBF (Indústria Brasileira de Formulários), presidida pelo empresário Hamilton Lucas de Oliveira, se ofereceu para cuidar da emissora. A rede começou a ser negociada com o Grupo IBF, que fez fortuna com a impressão de raspadinhas.[103] [105] Em junho, concretizava-se a venda da Manchete para o Grupo IBF, fechando a compra de 49% do capital acionário da Rede Manchete de Rádio e Televisão por US$ 25 milhões e assumiu uma divida de US$ 110 milhões da empresa junto a diversos credores.[106] [104] Conforme disse David Raw, novo diretor geral da rede, na cúpula diretiva que está sendo formada não consta o nome de nenhum membro da família Bloch. Além disso, existe no contrato firmado uma cláusula que dá à IBF o direito irretratável de administrar a emissora: Dessa forma, teremos condições de desenvolver uma administração totalmente profissional, que possa tirar a rede do caos em que se enfiou. Só não compramos 51% porque os Bloch não quiseram vender.[107] A sede da Rede Manchete de Rádio e Televisão será transferida para São Paulo, onde fica o IBF, mas o restante das instalações ficará no Rio de Janeiro.[106] A médio prazo a IBF promete ameaçar as posições do SBT, colocando a Manchete novamente na briga pelo segundo lugar em audiência.[107] Tendo, inclusive, tentado contratar Walter Zagari, que preferiu continuar no comercial do SBT, Raw foi crítico: Infelizmente ele não teve coragem para aceitar o desafio proposto.[108] Porém, aparentemente com o objetivo de valorizar o então Xerxes Gusmão do comercial, o diretor geral mudou o discurso: O Zagari é meu amigo, o encontro com freqüência, mas não fizemos proposta concreta para ele.[109]

Já na nova administração estreia, com apresentação de Clodovil Hernandes, o programa Clodovil Abre o Jogo. Com a saída do Documento Especial: Televisão Verdade (que foi para o SBT) foi criada o Manchete Especial: Documento Verdade, com apresentação de Henrique Martins, para sanar a perda do programa. Ainda teria Clube da Criança, Vídeo Memória, Gente de Expressão, Ferreira Neto Opinião, Duda Little no Duda Alegria, Capítulo Especial.[108] Em julho, a emissora transmitiu os Jogos Olímpicos de 1992, realizado em Barcelona. No mesmo mês, começa a transmitir o Campeonato Paulista de futebol, com narração de Osmar Santos. A emissora faz cobertura nas denúncias que levaram o impeachment ao então Presidente da República Fernando Collor, entre abril a dezembro.

1993: Retorno da emissora a Família Bloch[editar | editar código-fonte]

Pela primeira vez, em fevereiro de 1993, a emissora não fez a cobertura do carnaval carioca. Em São Paulo, o atraso no pagamento de salários, alguns desde 1992, leva os funcionários a retirarem a TV Manchete São Paulo do ar, ao interromperem a programação da emissora no fim da tarde do dia 15 de fevereiro de 1993, uma greve que aconteceu na sede paulista da emissora, os técnicos pararam as atividades, tendo o programa Almanaque ido ao ar como reprise já que a greve impediu a gravação. O virtual estado de greve dos técnicos da Rede Manchete em São Paulo se deve a uma promessa ainda não cumprida do dono da emissora, o empresário Hamilton Lucas de Oliveira, do grupo IBF, de que depositaria todos os salários atrasados, mas na verdade, só foram pagos os salários dos funcionários que ganhavam até Cr$ 5 milhões.[110] Em 15 de março, outra greve, agora na sede carioca, que ficou sem exibir sua programação até as 19h40. A Manchete saiu do ar a partir das 14h35. Por 40 minutos os grevistas conseguiram divulgar no Rio colocando no ar um slide denunciando a falta dos pagamentos e o sucateamento da emissora. De imediato, é deflagrada a greve de funcionários, com a seguinte mensagem: "Estamos fora do ar por falta de pagamento dos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e parte do décimo terceiro de 1992". Às 15h15, a emissora voltou ao ar no Rio por quatro minutos. Depois, saiu do ar. A ocupação não encontrou resistência. Às 16h30, uma nova turma de funcionários resolveu entrar no prédio, causando um certo tumulto. Adolpho Bloch, dono do prédio onde funcionam as redações das revistas de seu grupo (além da TV Manchete), não impediu a entrada dos grevistas, mas solicitou aos representantes do movimento que não depredassem o patrimônio. Eles disseram que não pretendem avariar nada, até por que esse patrimônio é a garantia de pagamento. Todos os chefes do departamento de jornalismo desceram - o único que permaneceu na sala foi o diretor de jornalismo, Mauro Costa. Às 19h40 retornou a apresentar sua programação normal com imagens transmitidas de São Paulo. Os grevistas também impediram que as fitas de programas da emissora saissem do arquivo da rede.[111] [112] Uma comissão de quatro grevistas conseguiu um encontro com o presidente Itamar Franco, que estava hospedado no hotel Glória. Eles pediram a intermediação do presidente para se tentar uma solução para a crise da emissora. O ministro da Justiça, Maurício José Corrêa, disse que o presidente discutirá a crise da Manchete em reunião com os ministros do Trabalho, Walter Barelli, e das Comunicações, Hugo Napoleão. O governo só poderia intervir na Manchete se a greve se prolongasse por mais de 30 dias. Nesse caso, a concessão poderia ser cassada. O diretor-geral da Rede Manchete, Xerxes Gusmão Neto, informou em São Paulo através da sua assessoria de imprensa, que estranhava a "violência" ocorrida no Rio. Segundo o diretor, não havia motivo para a atitude dos grevistas, pois a direção da emissora estava negociando, no Ministério do Trabalho, em Brasília, uma solução para o problema salarial dos funcionários da Manchete em todo o país.[113] [114] [115] Um show foi realizado para arrecadar renda para os 1.300 profissionais cariocas da emissora no Circo Voador, na Lapa. Em 29 de março, os funcionários da Manchete no Rio desocuparam o prédio da emissora na Glória, zona sul do Rio. O grupo IBF, que controla a Manchete, conseguiu do juiz João Baptista Chagas Filho, da 23ª Vara Cível, um mandado de reintegração de posse, que foi cumprido por dois oficiais de Justiça após cinco horas de negociações com os funcionários que ocupavam o prédio. Os grevistas obtiveram a garantia de que as portas da emissora seriam lacradas para evitar retirada de equipamentos. Na avaliação deles, esses equipamentos são os bens que podem garantir o pagamento dos salários atrasados.[116] O diretor artístico da emissora, Jayme Monjardim, aproveitou uma pergunta do Jornal do Brasil (É possível produzir alguma coisa com a crise financeira e política da Manchete?) para desabafar, através de fax, contra as concorrentes e prometer dar o troco aos que infringiram a infâmia da vingança. A seguir, a resposta-manifesto de Monjardim: A crise da Manchete não é a maior de todos os tempos que uma rede já enfrentou. A Bandeirantes teve seus funcionários acampados na frente de sua sede fazendo greve de fome no início dos anos 80 (...) Vejo gente atirando pedras na Manchete que se esquece da própria biografia. A crise não é da Manchete. Que culpa temos se o Brasil ainda não adequou suas leis à realidade dos tempos modernos? Peço que não se deixem levar pelos boatos mal-intencionados, que são divulgados por aqueles que temem nossa competência de fazer televisão e preferem maquiar os fatos (...) A Manchete tem um perfil perigoso para a concorrência, pois todos sabem que a qualquer momento poderemos atingir a audiência de ponta. Não somos uma rede imperial, administrada por famílias que monopolizaram a televisão brasileira (...) Em breve, estaremos em pé novamente. Só que desta vez marcados pela leviandade e a falta de escrúpulos com que fomos tratados artisticamente por algumas de nossas concorrentes. Não foram apenas nossos sofridos funcionários - as maiores vítimas da crise - que invadiram nossa sede na Rua do Russel, no Rio. A Bandeirantes também invadiu nossa casa com a deselegância dos maus-companheiros, despeitados com o fato de termos trazido para cá a Fórmula Indy. Em nenhum momento ela pesou o fato de estarmos lutando por um mercado de trabalho comum a todos e que esse evento, efetivamente, foi um sinalizador para a recuperação. Invadiu nossas instalações e tripudiou sobre nós. Mas da nossa própria capacidade de trabalho nascerá uma nova TV para o Brasil, que certamente fará com que todos tenham que reestruturar seus rumos. Essa é a resposta contundente que vamos dar àqueles que infringiram a infâmia da vingança. Vamos responder com talento e criatividade ao achincalhe dos inconscientes (...) Em breve estaremos exibindo a nova programação, onde mostraremos que não voltamos para jogar o mesmo jogo desumano, encalhado na mesmice eletrônica/conceitual em que se transformou a TV brasileira.[117]

Novamente, a emissora seria alvo de notícias de uma possível venda, agora, para o grupo Fininvest, que negou o interesse na rede.[118] O atraso dos salários e o sucateamento da emissora levaram a Bloch a entrar com um processo na Justiça a fim de retomar a emissora. Através de medida cautelar, a emissora retornou ao controle da família Bloch em 23 de abril, quando a Justiça do Rio de Janeiro devolve a Rede Manchete de Rádio e Televisão ao empresário Adolpho Bloch, alegando que a IBF, do empresário Hamilton de Oliveira, descumpriu cláusulas contratuais. Bloch alega que o IBF não completou o pagamento da compra, mas Hamilton de Oliveira alega que o pagamento não foi completado em função do valor das dívidas da rede ser o dobro do informado pelo Grupo Bloch. A retomada da rede foi um ano antes do acerto do entre IBF-Manchete. Após a retomada, Seu Adolpho, como era conhecido, o sobrenome do fundador (bloch em letra minúscula) acompanha abaixo do famoso simbolo da emissora M.

Por causa da perda de audiência (que levou a venda, a crise e a greve) de 1992 a 1993, as primeiras emissoras afiliadas dos anos 80 deixam a Rede Manchete, passando para as redes SBT e a Bandeirantes.

A então desconhecida Igreja Renascer em Cristo, teve um importante papel na recuperação da Manchete no período posterior ao cancelamento da venda da emissora para o Grupo IBF, arrendando uma significativa parcela da programação da emissora, além das rádios Manchete AM e Manchete FM.

Após a perda da emissora, Hamilton entrou com um processo, que foi conseguido, na Justiça do Estado do Rio de Janeiro, para que a Manchete não poderia ser vendida sem autorização de Hamilton de Oliveira, que se considera o legitimo dono da emissora. O processo perdura por seis anos.

Na área infantil, Hamilton tenta trazer Angélica de volta a emissora mas já era tarde: a apresentadora já havia assinado com o SBT, em uma tentativa de salvar o Clube da Criança, Mylla Christie assume o comando da atração, na qual fica somente até 1994, quando ela assina com a Rede Globo.

Na parte esportiva, consegue os direitos de transmissão da Fórmula Indy-CART, que por quase dez anos era exibida pela Rede Bandeirantes,[119] mas a emissora, com as transmissões da corrida, ainda tinha uma conta pendurada na Embratel pelo uso do sinal do satélite para transmissões internacionais há mais de ano e as demais redes de TV, em recente reunião, deram um ultimato. Se a Manchete não zerar a conta, não poderá mais usar o satélite. E sem satélite não há Indy.[120] E novamente a Manchete voltaria a transmitir o Campeonato Paulista de futebol. A TV Manchete, sem tomar conhecimento da crise em que se encontrava, sonhava em ter o jornalista Boris Casoy apresentando os seus telejornais.[121]

A emissora, já de volta as mãos de seu fundador Adolpho Bloch, contrata Fernando Barbosa Lima como Superintendente de Programação e Artístico. O diretor Marcos Schechtman é promovido a Diretor de Teledramaturgia e tem como missão retomar a produção da emissora com a mini novela "O Marajá", que acabou sendo censurada pelo ex-Presidente Fernando Collor no dia da estreia. Como missão imediata o corpo de autores contratados formado por José Louzeiro, Regina Braga, Eloy Santos, Márcio Tavolari e Alexandre Lydia foi dividido em três projetos. Coube a Regina Braga e Márcio Tavolari o desenvolvimento do seriado novela "Família Brasil", a José Louzeiro e Alexandre Lydia a novela "Guerra Sem Fim" e a Eloy Santos a minissérie Os Caminhos de Rondom. "Família Brasil" e "Guerra Sem Fim" estreiam quase que simultaneamente no segundo semestre de 1993 e a minissérie Os Caminhos de Rondon, em decorrência de custos, acaba sendo arquivada. Ainda no final de 1993 e lançou Raio Laser, programa de video-clip, com apresentação de Nato Kandall.

1994[editar | editar código-fonte]

Em 1994, entrou no ar a novela 74.5 - Uma Onda no Ar, produzida pela TV Plus. Entre junho e julho, a emissora fez o compacto da novela, por horário para não coincidir os horários das partidas da Copa do Mundo de Futebol dos Estados Unidos.

Em 11 de maio, Hamilton Lucas de Oliveira, dono da Indústria Brasileira de Formulários (IBF), e a direção da TV Manchete são condenados pela CPI da TV Jovem Pan por crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha, sonegação fiscal e enriquecimento ilícito. No mês seguinte, dia 8 de junho, o relatório final da CPI recomenda o afastamento dos diretores da TV Manchete e de Hamilton Lucas de Oliveira. Eles foram excluídos de qualquer sociedade que tenha por finalidade administrar ou explorar concessões públicas.

A emissora não fez a cobertura da Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, vencida na final pelo Brasil.

No dia 1º de setembro estreia a série de anime Os Cavaleiros do Zodíaco, que se tornaria uma das atrações de maior audiência da emissora.

Provavelmente neste mesmo ano surge a TV Marajó na cidade de Belém, ficando como nova afiliada da Rede Manchete (no lugar da TV RBA que em 1993, se afiliou a Band devido á crise de 1992 na emissora dos Bloch). A emissora foi a primeira emissora UHF da cidade e do Estado, afiliada à Rede Manchete nos anos 90, que anos depois foi extinta para dar lugar à MTV Belém[carece de fontes?], afiliada à MTV Brasil.

1995-1997: Reerguimento[editar | editar código-fonte]

1995[editar | editar código-fonte]

Com o fim da grave crise, ensaia um reerguimento entre 1995 a 1997, marcado principalmente pelos sucessos de telenovelas, desenhos japoneses, telejornais, programas policiais, esportivos (como A Grande Jogada), o aluguel de programas de televendas (especialmente do Grupo Imagem com o famoso 011-1406) e religiosos evangélicos das igrejas Renascer em Cristo e Internacional da Graça de Deus (apesar de representassem na época por volta de 10% da população).

No mês de fevereiro, a emissora voltava a transmitir o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

Acontece o embargo de bens da emissora pelo estatal Banco do Brasil por causa das dívidas. De 1995 até 1997, as primeiras emissoras afiliadas dos anos 1980 e inícios dos anos 90 começam deixar a Rede Manchete, passando para as redes Record e a CNT.

Devido ao processo em que Hamilton Lucas ter entrado contra Bloch para que a rede não seja vendida sem o consentimento dele em 1993, a direção do Grupo Bloch decide criar o Bloch Som & Imagens, que ficou responsável por produzir as novelas, sem o risco de voltar para o controle do Grupo IBF.

Os anúncios já estavam no ar para a estreia do semanal Seu Boneco nas Paradas. O programa iria ao ar aos sábados e significaria a volta da emissora à produção de programas de auditório, com números musicais e shows de calouros. Contaria ainda com a participação de personalidades em seu júri como Chiquinho Scarpa, Rogéria, Magda Cotrofe e João Roberto Kelly. A tentativa de se fazer um “Novo Chacrinha” não deu certo e o programa foi extinto. Lug de Paula, que interpretava o personagem "Seu Boneco", apresentava ainda o Clube do Sr. Boneco, de segunda à sexta, com apenas dez minutos de duração.

Vai ao ar a novela Tocaia Grande, baseada em obra de Jorge Amado, com índice de audiência que alcançou em média 20 pontos.

A emissora passou a apelar para a nudez como foco principal de sua estratégia de conseguir audiência na noite e madrugada, tentando ficar no segundo lugar na guerra contra o SBT de Sílvio Santos, perdendo como de esperado somente para a líder Rede Globo, voltando ser a vice, perdida em 1992.

Em setembro, Carlos Amorim assumiu a direção de programas jornalísticos e no dia 18, estreava o polêmico 24 Horas. Idealizado por Fernando Barbosa Lima e apresentado por Solange Bastos, era um programa altamente sensacionalista que explorava imagens fortes, mostrando a realidade nua e crua. A crítica o viu como uma reedição do Documento Especial: Televisão Verdade, levado ao ar em 1990. O programa atraiu significativa audiência e ajudava a formar uma grade de programação mais popular.

No início de novembro, Márcia Peltier trouxe para a televisão brasileira o primeiro jornalístico baseado em pesquisas. O Márcia Peltier Pesquisa estreou no dia 8 de outubro e atraiu uma audiência de cerca de 10 pontos, o que acelerou a subida da emissora. A programação da Manchete se fixava e a emissora fidelizava sua audiência.

Em 19 de novembro, morre o empresário e dono da emissora, Adolpho Bloch, aos 87 anos; seus parentes assumiram a presidência da emissora.

1996[editar | editar código-fonte]

No início de 1996, a rede crescia e programas como o Câmera Manchete ganhavam destaque e audiência.

Uma nova vinheta marcaria o início da programação desse novo ano com o slogan: "Rede Manchete, você em Primeiro Lugar".

Depois de transmitir o carnaval, em fevereiro, a Manchete se preparava para lançar uma programação popular e ao mesmo tempo com muitos documentários. As novidades começaram já no dia 9 de fevereiro, com a estreia do Programa Raul Gil aos sábados. O clássico programa seria o grande trunfo da emissora para largar de vez o perfil da "TV de 1ª Classe". A audiência subiu, tornando a emissora líder de audiência por várias vezes nas tardes de sábado.

As novidades continuavam com a estreia em abril do esportivo Toque de Bola, um debate apresentado pelo veterano Paulo Stein aos domingos, das 21hs30min às 22hs30min. No mesmo embalo, após o programa terminar, estreava O Grande Júri, com José Carlos Cataldi, que acabou não tendo sucesso.

No mesmo pacote das novidades, voltavam "do fundo do baú" as séries National Kid e Ultraman, além da estreia dos desenhos japoneses Sailor Moon, Shurato e Samurais Warriors.

Em abril, seguindo a linha dos jornalísticos, entrava no ar o Na Rota do Crime, apresentado por Marcos Hummel, que seria exibido todas as sextas na faixa das 22hs30min. O propósito do programa era acompanhar os policiais em diversas operações pelas favelas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Sendo assim, chegou muitas vezes a liderar a audiência no horário com médias de até 16 pontos. Com mais essa novidade, a faixa das 22h30 estava dedicada a programas jornalísticos de segunda à sexta.

Em junho, a emissora comemorava 13 anos com uma grande festa. Foram dois shows com artistas famosos: um para os funcionários com Daniela Mercury, e outro para o público, em plena tarde de domingo no Aterro do Flamengo, em frente ao prédio-sede da emissora. O show durou das 16hs às 20hs e contou com as participações dos grupos Só Pra Contrariar (SPC), Double You, Roupa Nova e Os Morenos.

Em meio às novidades dos "13 anos", dois programas estreariam no dia seguinte: Gente Importante, apresentado por Anna Bentes Bloch, com entrevistas nas tardes de segunda à sexta, e Manchete Verdade, um telejornal no estilo de uma revista eletrônica, com ancoragem de Marcos Hummel e as participações diárias de Dora Bria (esportes), Carlos Chagas (política), Tamara Leftel (economia) e Ique (charges). A emissora se firmava como o canal da notícia e da informação.

Nas noites de sábado estreou o programa Uma História de Sucesso, que mostrava a trajetória de cantores e grupos musicais do Brasil e do mundo e também mostrava o dia a dia de personalidades famosas da música e da televisão.

No mês de julho e agosto, a Manchete se preparava para apresentar os Jogos Olímpicos de Atlanta de 1996, intitulados Olimpíadas de Ouro. A transmissão do evento contou com a apresentação do "Jornal da Manchete" por Márcia Peltier, direto da cidade-sede do evento, nos EUA.

Em julho, a Manchete estreava uma nova vinheta que mostrava ao fundo telas de quadros de pintores renomados.

Em setembro, sob o comando de Walter Avancinni, entrou no ar Xica da Silva. A novela conta a história da Xica da Silva (protagonizada pela então desconhecida Taís Araújo) na época do Brasil Colonial do século XVIII, que escandalizou a sociedade de sua época. Exibida entre 22hs10min até 23hs com classificação para maiores de 14 anos, a novela foi um grande sucesso de audiência desde Pantanal, chegando a ultrapassar a Rede Globo. A novela atingiu uma média de 17 pontos com picos de 22. A Manchete estava em segundo lugar absoluta em vários horários e poderia ser considerada a terceira colocada no ranking em audiência e crescimento.

Juntamente com a novela Xica da Silva era lançada uma nova vinheta, que ficaria no ar até 1999.

1997[editar | editar código-fonte]

A emissora entra no ano de 1997, sustentada pelo sucesso de Xica da Silva. Para se ter uma ideia, na época da novela, o Jornal da Manchete registrava médias entre oito a nove pontos. Além de sustentáculo para a programação, a arrecadação com a trama possibilitava novos investimentos. Foi destaque no jornalismo da emissora durante o ano: Na Rota do Crime, Operação Resgate, 24 Horas e Câmera Manchete.

Sendo assim, as novidades vieram rápidas. Entre as novas atrações, estreava Mistério, apresentado por Walter Avancinni, que passaria a revezar com o Câmera Manchete as noites de quarta. O propósito era mostrar fenômenos paranormais ressuscitando a velha fórmula do Acredite Se Quiser, também apresentado no final da década de 1980.

O semanal Na Rota do Crime ganhava agora uma edição diária com meia hora de duração.

Marcos Hummel passou a dividir a apresentação do Jornal da Manchete com Márcia Peltier. Essa última alteração, no entanto, durou pouco tempo. Embora a audiência do jornal tivesse aumentado, a emissora tirou Marcos Hummel da apresentação do jornal.

Após um bom desempenho como especial de final de ano de 1996, o musical Mexe Brasil, tornou-se programa fixo semanal. Inspirado no especial Samba Brasil, estreou nas noites de sábado, indo ao ar logo após o Jornal da Manchete.

Nas tardes de domingo, em parceria com a TV Ômega, de Amílcare Dallevo, uma nova proposta surgia. A emissora trazia de volta o veterano Jota Silvestre, juntamente com Marcelo Augusto, Thunderbird e as crianças Luís Fernando (que anos depois se tornaria o jornalista e apresentador de notíciarios Luiz Bacci, no SBT) e Isabella[desambiguação necessária] no comando do Domingo Milionário. Com muitos jogos e brincadeiras, o programa oferecia o prêmio máximo de 1 milhão de reais, além do sorteio de vários carros entre os participantes que telefonassem a partir do sistema "0900". Jota Silvestre trouxe de volta seu velho sucesso, o quadro "O Céu é o Limite". Mais tarde, Sérgio Reis entrava no programa apresentado o campestre Sérgio Reis do Tamanho do Brasil.

A emissora lançou a menina Debby, de apenas cinco anos de idade, como apresentadora da nova versão do Clube da Criança, exibido às 18hs, com apenas meia hora de duração. A atração veio como uma resposta ao programa "Disney Club" do mesmo gênero, que havia estreado no SBT meses atrás.

Para as tardes, a emissora lançou o feminino Mulher de Hoje, comandado por Beth Russo, que mesclava, entre outros assuntos, dicas de beleza, culinária, artesanato e entrevistas.

Em 10 de agosto, Patrícia Luchesi (mais conhecida pelo comercial onde aparece ganhando o primeiro sutiã em 1988) e o cantor Sérgio Reis, estreiam novo programa Sérgio Reis do Tamanho do Brasil. Patrícia interpreta a empregada matuta Marinilda, enquanto Sérgio fazia o papel do próprio cantor real. Além dos esquetes, o programa trazia ainda convidados como Roberta Miranda, Zezé di Camargo & Luciano e até o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa.[122]

Em 19 de agosto, com o fim de Xica da Silva, entrava no ar Mandacaru, baseada na história do cangaço. Apesar de a novela ser um sucesso, não repetiu o sucesso da anterior, ficando presa à média de 8 pontos de audiência com os picos de 12 pontos, mas reage e tem 11 pontos com 15 picos de audiência.

Em 23 de agosto, Sula Miranda estreou Sula Miranda Show, nas noites de sábado. O Mexe Brasil, por sua vez, foi transferido para a quinta-feira, substituindo o independente Business, que passou para as noites de domingo.

Nessa mesma época, estreava o programa de entrevistas de segunda as sextas Sandy & Júnior Show, que por sinal acabou permanecendo no ar alguns meses. Em seu lugar, estreou o Manchete Clip Show, programa de videoclipes exibido de segundas às sextas.

Em 13 de outubro, o humorista Tiririca, estreava o programa infantil Vila do Tiririca. Exibido de segunda, às sextas-feiras, entre 18hs30min até 19hs,[123] a atração ficou poucos meses no ar e o Tiririca transfere para o SBT.

Durante os meses de novembro e dezembro, a Rede Manchete realizou uma grande campanha para arrecadar fundos em benefício ao natal de pessoas carentes. A campanha denominada Natal Feliz, teve o apoio da Fundação Renascer em Cristo, com participação e apoio de todo o elenco da emissora.

No dia 5 de dezembro, o então técnico da seleção brasileira Zagallo, estreava o programa Bate Bola com Zagallo, no ar nas sextas-feiras às 23hs40min, com 5 minutos de duração.[124] Zagallo recebe mais de R$ 5 mil por mês.[125] No entanto, a atração ficou poucos meses no ar.

No mesmo mês, Beth Russo deixa o programa Mulher de Hoje e é substituída interinamente por Celso Russomanno.

1998-1999: Segunda crise[editar | editar código-fonte]

A partir do ano 1998, a Rede Manchete entra em grande desgaste devido à vários fatores, como crescente queda de audiência, juros excessivos da dívida da emissora e do Grupo Bloch, falhas de administração, atraso de salários.

Reestruturações no jornalismo e entretenimento surtem efeito inicial, entretanto não arrefecem a situação da emissora, que continuara afundando em grande crise.

Processos judiciais conturbados envolvendo a direção da emissora, a Igreja Renascer em Cristo, o Banco Pactual e o Grupo DCI, de Hamilton Lucas de Oliveira também marcaram este momento derradeiro da história da emissora, que estava em dívida crescente e cada vez mais atrasava os pagamentos de seus funcionários.

Vários protestos e greves eclodiram, ao passo de cortes de transmissão foram impostos diretamente pelos funcionários ou pelas empresas recém-privatizadas, como Embratel e Eletropaulo. Vários interessados pela compra da rede surgiram no ano de 1998, entretanto nenhum se concretizou. O Jornal da Manchete, marca da emissora desde o ano de inauguração, deixou de ser exibido durante algum tempo devido à grave crise que assolou o Grupo Bloch.

Já no início de 1999, a direção do Grupo Bloch, na figura de Pedro Jacques Kappeller e Jacqueline Kappeller, anunciam a parceria com o Grupo Renascer em Cristo para reestruturar a programação e salvar a emissora. O aparente sucesso inicial da parceria deu lugar a um grande fracasso, com polêmicas e calote por parte da Igreja. Com a situação totalmente fora de controle, a TV Ômega de Amílcare Dallevo, presente na programação da emissora, tramitou com o Grupo Bloch o processo de compra da rede e se comprometeu a regularizar toda a sua situação, desde a saudação das dívidas até o pagamento de salários atrasados. Era o fim da Rede Manchete de Televisão.

Em 10 de maio de 1999 a emissora transmitia pela última vez como Rede Manchete. A vinheta de explosão espacial com o M dourado era exibida pela última vez. No lugar da rede, entra a TV!, emissora de transição, sob administração da TV Ômega e utilizando os recursos da Manchete.

Alguns meses depois, em novembro, a fase de transição termina e a Rede Manchete encerra definitivamente as suas operações e dá lugar à RedeTV!, de Amílcare.

Ironicamente, a emissora não conseguiu chegar aos anos 2000, do qual tanto falou em seu início (seu slogan era "A televisão do ano 2000" em 1983).

Até hoje o empresário Amílcare não saudou totalmente as dívidas da antiga emissora, principalmente no que se refere aos salários atrasados e de funcionários que recebiam mais de R$5 mil. Por coincidência, sua emissora sofreu grave crise, com as mesmas características da sofrida pela Manchete.

A Manchete planejou colocar um programa infantil de duas horas apoiado em personagens de Maurício de Souza e num palhaço chamado Pac, um rapaz do interior. Até se cumprir qualquer um dos projetos, a emissora, comprou os 27 novos personagens de Hanna Barbera, que foram exibidos na manhã seguinte da inauguração.[29] Entrava no ar o Clube da Criança, revelando a apresentadora infantil, modelo e manequim Xuxa. Houve naquela época uma grande polêmica sobre a apresentadora, que posou nua em várias revistas masculinas, a última poucos meses antes de estrear como apresentadora infantil. Xuxa permaneceria à frente da atração até ser contratada pela Rede Globo três anos mais tarde.

Em 1985, o único destaque da emissora é a estréia da ex-modelo Xuxa, que ficou famosa por aparecer nua na capa da revista masculina Playboy no começo da década de 80 e namorar o ex-jogador Pelé. Xuxa logo cativou a audiência infantil e obteve destaque no comando do “Clube da Criança”, que estreou em janeiro.

No ano de 1986, a Rede Manchete já acumula, segundo o site Rede Manchete – Qualidade em primeiro lugar, um prejuízo, desde a estréia, de US$ 80 milhões e uma dívida de US$ 23 milhões.

A emissora enfrentou sua primeira greve os funcionários em setembro de 1986, quando pararam em virtude de salários atrasados. Xuxa, que alcançava excelente audiência, deixou o canal no começo do ano e foi para a Rede Globo apresentar o “Xou da Xuxa”. Ainda em 1986, duas atrações contribuíram para o aumento da crise financeira: a transmissão da Copa do Mundo de 1986, no México e a novela “Dona Beija”, uma produção que custou mais de US$ 2 milhões. Com cenas de nudez de Maitê Proença, a novela fez grande audiência – cerca de 15 pontos diários, especialmente entre o público masculino, mas também deu prejuízo.

A primeira grande demissão da emissora, segundo o site Rede Manchete – Qualidade em primeiro lugar, aconteceu em julho de 1987, quando a linha de shows da emissora, composta por musicais e humorísticos, foi completamente desativada e cerca de cem funcionários foram demitidos.

Com dívidas, em 1988 Adolpho Bloch começa a cogitar a venda da emissora. O saldo devedor beirava a casa dos US$ 34 milhões, quase dobrando em apenas dois anos. Um prejuízo de acumulava atrás do outro. Bloch precisou pedir ajuda política para evitar a falência da emissora.

De acordo com Conti (1999), o governador de São Paulo a partir de 1987, Orestes Quércia, foi procurado por um preocupado Adolpho Bloch.

“Pouco depois de tomar posse no governo paulista, Orestes Quércia foi procurado por Adolpho Bloch e seu sobrinho Pedro Jack Kapeller, o Jaquito. O dono da Rede Manchete desfiou um rosário de lamentações. Reclamou das dificuldades da emissora, das dívidas, do aperto dos credores, das concorrentes, da ausência de anunciantes. Contou como fugiu da Rússia, o tanto que trabalhou, como gostava de gráficas e que a televisão o estava levando á loucura”. (Conti,1999, p.512).

Quércia, segundo Conti, disse que ajudaria Bloch não pelo auxílio recebido durante sua campanha, pois, segundo o governador, a emissora ajudara Paulo Maluf, mas sim por causa da maneira como Bloch preservava a memória do ex-presidente Juscelino Kubstichek. Orestes Quércia auxiliou a Rede Manchete, através da compra de um grande pacote de anúncios e pagando antecipadamente.

“A ajuda de Orestes Quércia a Bloch consistiu em colocar anúncios do governo a granel na Rede Manchete, tomando o cuidado de não melindrar os concorrentes, a começar pela Globo. Fazia o pagamento da propaganda antes de ela ser veiculada”. (Conti,1999, p.514).

Bloch, empolgado, quis vender a Rede Manchete para Orestes Quércia, que é empresário do setor das comunicações – possuía até o final dos anos 90 os jornais Diário Popular, em São Paulo, e Diário do Povo, em Campinas, e ainda é proprietário de emissora de televisão em Campinas. Quércia disse que não poderia fazer negócios enquanto fosse governador. Conti ainda destaca:

“Ao sair do governo, ele disse a Bloch que queria comprar a emissora da Manchete em São Paulo. O empresário aceitou, com a condição de que se continuasse a transmitir a programação da rede. Acertaram o preço: 28 milhões de dólares, à vista. O peemedebista não tinha todo o dinheiro. Mandou um emissário falar com Antônio Ermírio de Moraes, que não manifestou interesse pelo negócio. Conversou com empreiteiras e procurou Roberto Civita. “Acho bom que a emissora fique com um grupo paulista, para que o estado tenha uma alternativa à Globo”, sugeriu Quércia ao dono da Abril. Civita disse que deveria ser feita uma avaliação da emissora, dos seus débitos, e depois precisariam procurar bancos, para obter financiamentos. “Esse negócio tem que ser feito por você e pelo Adolpho, um olhando no olho do outro”. Civita não gostou do estilo de negociar do governador e saiu da transição. Quércia não conseguiu articular um grupo para comprar a Manchete e abandonou o projeto”. (Conti,1999, p.514-515).

Com a desistência de Orestes Quércia, Adolpho Bloch continuou com a Rede Manchete, tomando um prejuízo atrás do outro. Mesmo com um rombo milionário, Bloch investiu muito dinheiro na reabertura da linha de shows da emissora e torrou US$ 25 milhões na sede paulistana da emissora, inaugurada em janeiro de 1990, conforme registrou o jornal O Estado de S. Paulo.

Programação estrangeira[editar | editar código-fonte]

Tokusatsu[editar | editar código-fonte]

A Rede Manchete ficou bastante conhecida pela exibição do gênero tokusatsu, produção de filmes ou séries live-action de super-heróis produzidos no Japão com bastante ênfase nos efeitos especiais, mesclando varias técnicas como a pirotecnia, computação gráfica, modelismo, entre outras. As produções deste gênero apresentadas pela emissora foram Comando Estelar Flashman, Cybercop, os Policiais do Futuro, Defensores da Luz Maskman, Esquadrão Relâmpago Changeman, O Fantástico Jaspion, Jiban, Jiraiya, o Incrível Ninja, Kamen Rider Black, Kamen Rider Black RX, Lion Man, Patrine, Solbrain, Spielvan, Ultraman, Winspector.

Animes[editar | editar código-fonte]

Vindos também do Japão e de outros países que produzem o gênero, os animes tiveram seu espaço na grade da Manchete, apresentados no Clube da Criança e U.S. Manga, que foram Art of Fighting, Baldios - Guerreiros do Espaço, Battle Skipper, B't X, Captain Tsubasa, Os Cavaleiros do Zodíaco, D'Artagnan e os Três Mosqueteiros, Detonator Orgun, Don Drácula, Doraemon, Doze Meses, Gall Force, Genocyber, Hades Project Zeorymer, Iczer 3, Kojiro e os Guardiões do Universo, Samurai Warriors, Meitantei Holmes, Patrulha Estelar, O Pirata do Espaço, Shurato, Super Aventuras, M.D. Geist, Sailor Moon, The Super Dimension Fortress Macross: Do You Remember Love?, Tetsuwan Birdy, Yu Yu Hakusho.

Esportes[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1984, a emissora transmitiu pela primeira vez os Jogos Olímpicos, realizados em Los Angeles.

Em junho de 1986, transmitiu pela primeira vez a Copa do Mundo de Futebol, diretamente do México.[86]

Marca[editar | editar código-fonte]

Logotipo[editar | editar código-fonte]

Criado pela agência de publicidade DPZ, o logo da Manchete era formado por quatro cilindros e cinco bolas, cada uma representando uma cidade onde a rede possuía emissoras próprias, formando a letra "M".

Slogans[editar | editar código-fonte]

Telenovelas da Rede Manchete[editar | editar código-fonte]

Durante o período em que ficou no ar, a Manchete exibiu dezenove telenovelas.[126] A telenovela de menor duração foi Brida, exibida em 1998, com 54 capítulos; todavia, Brida foi abruptamente interrompida em função da crise da emissora à época.[127] A telenovela de maior duração foi Mandacaru, exibida entre 1997 e 1998, com 258 capítulos.

Pantanal é considerada a mais importante da emissora, com seus 216 capítulos, se tornaria um sucesso, alcançou e se manteve na casa dos 40 pontos de audiência, uma verdadeira proeza para uma produção fora dos domínios da Globo, frequentemente, Pantanal vencia a programação da Globo e SBT.[76] [77] [78]

Ao longo da sua história, várias telenovelas chegaram a serem cogitadas para produção pela emissora. Antes mesmo de estrear Pantanal, em março de 1990, já planejavam um segundo horários de novelas (às 19h30) até o final do ano e pensavam numa história moderna sobre Jesus Cristo e seus apóstolos para substituir Pantanal.[72] [80] A outra novela seria José de Maria, sobre a Guerra do Contestado, e que seria toda gravada em Santa Catarina, cenário da guerra. Lá, a emissora pretendia construir uma cidade cenográfica.[128] A rede também queria transformar o romance Cem Anos de Solidão em telenovela.[80] Na mesma época, Jayme Monjardim esperava começar a gravar a primeira novela das 19h30. Ele encomendou para os autores da emissora uma história ambientada na ilha de Fernando de Noronha: Pedi uma história com poucos personagens, leve e gostosa para ser totalmente gravada na ilha, sem partes em estúdio. Nós exploraríamos também o nordeste e faríamos nossa base em Recife, disse.[129] Salada Paulista, de Mário Prata foi outra trama que não chegou a ser produzida.[130]

Na década de 2000, outras emissoras, através da Bloch Som e Imagem, compraram e reapresentaram as produções da Manchete. O SBT apresentou Xica da Silva, Pantanal, Dona Beija e A História de Ana Raio e Zé Trovão, enquanto a Rede Bandeirantes reprisou Mandacaru.

Minisséries e seriados[editar | editar código-fonte]

A emissora produziu 21 minisséries e seriados, sendo a primeira Marquesa de Santos e produções do gênero sitcom como Tamanho Família e Família Brasil. Polêmicas aconteceram, como o primeiro beijo homossexual entre dois homens em Mãe de Santo,[131] enquanto que Joana foi para o SBT após desentendimentos entre a produção do seriado e a Manchete.[132] O Marajá foi produzida mas não foi exibida, quando o ex-presidente Fernando Collor de Mello sentiu-se ofendido e entrou com um recurso na justiça para impedir a estreia da minissérie e após uma disputa de liminares, a justiça favoreceu o então presidente.[133]

Outras minisséries que foram cogitadas a produção foram Enigma e Cabeça de Búfalo. A primeira seria gravada na Grécia, Marrocos e Israel e falava sobre o amor de quatro pessoas, durante várias encarnações. A segunda, uma adaptação da lenda do Minotauro, gravada na Ilha de Marajó. Vera Cruz, de Marcos Caruso, contaria a história de quatro pessoas que saem de pontos diferentes do país, impulsionados por "uma força estranha" e se encontram em Vera Cruz. Na época, Jayme Monjardim disse que iria convidar dois cineastas para dirigir algumas minisséries.[129] E mais algumas como Diário de um Mago e uma sobre Chiquinha Gonzaga, de Wilson Aguiar Filho, que estava cotada para ser a primeira de 92.[98]

A Manchete em 1993 fez uma parceria com a RTP1 para produzir Cupido Electrónico, que foi uma sitcom encomendada ao Brasil pela RTP, tendo sido produzida pela produtora Septimis, conjuntamente com a TV Manchete. Durante a produção, aconteceu uma greve dos técnicos que estavam sem receber salários. A direção da Manchete disse que a culpa era da produtora portuguesa. Mas o elenco, que recebe dos portugueses, contestou e garantiu que o pagamento estava certo.[134]

Emissoras componentes da Rede Manchete[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

Notas

  1. Em 1989, um ponto equivalia a 154 mil telespectadores, segundo o IBOPE.[66]

Referências

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  122. Fernando Lovik, Sérgio Reis faz programa na Manchete - O cantor sertanejo vai receber convidados como Roberta Miranda, a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano e Benedito Ruy Barbosa, Jornal Vale Paraibano, 12 de julho de 1997.
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  124. Rede Manchete lança programa com Zagallo, Jornal Vale Paraibano, 22 de novembro de 1997..
  125. Zagallo bom de briga, Sidney Garambone, Isto É, 6 de maio de 1998..
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  131. Mãe de Santo Teledramaturgia. Visitado em 24 de dezembro de 2014.
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]