História da República de Veneza

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O leão de São Marcos, símbolo de Veneza

A história da República de Veneza começou com a cidade de Veneza, que se originou como um conjunto de comunidades lacustres reunidas para defesa mútua contra os invasores lombardos à medida que o poder do Império Bizantino diminuiu no norte da península Itálica no final do século VII. Nas primeiras décadas do século VIII, a população das lagoas elegeu seu primeiro líder, Orso Ipato, que foi confirmado pelo Império Bizantino e recebeu os títulos de hípato e doge (duque). Ele foi o primeiro Doge de Veneza segundo a história tradicional. A tradição, entretanto, desde o início do século XI, diz que os venezianos primeiro proclamaram Anafesto Paulício como duque em 697. Porém, esta história data de não antes do que a crônica do diácono João. Em qualquer caso, o primeiro doge tinha seu poder baseado em Eraclea.

Ascensão[editar | editar código-fonte]

O sucessor de Orso Ipato, Deusdédite, transferiu a sede de Eraclea para Malamocco na década de 740. Ele era filho de Orso e representava a tentativa do pai de estabelecer uma dinastia. Tais tentativas eram mais do que lugares-comuns em meio aos doges dos primeiros séculos da história veneziana, mas todas acabavam fracassadas. Durante o reinado de Deusdédite, Veneza se tornou a única possessão bizantina restante no norte da península Itálica. O Império Franco então começou a mudar a divisão sectária da Venécia (ou região do Vêneto). Uma facção era decididamente pró-bizantina: eles desejavam continuar bem conectados ao Império Bizantino. Outra facção, republicana por natureza, acreditava em continuar ao longo do curso rumo à independência prática. A outra facção principal era pró-franca. Apoiado principalmente pelo clero (em linha com as simpatias pontifícias da época), eles olhavam para o novo rei carolíngio dos francos, Pepino, o Breve, como o mais apto a defender a cidade contra os lombardos. Uma facção minoritária pró-lombarda se opunha a laços estreitos com qualquer destes poderes já mencionados e se interessava em manter a paz com o Reino Lombardo vizinho (e circundante, exceto pelo mar).

Deusdédite foi assassinado e o trono foi usurpado. Mas o usurpador, Gala Gaulo, sofreu um destino semelhante em menos de um ano. Durante o reinado de seu sucessor, Domênico Monegário, Veneza se transformou de uma aldeia de pescadores para um porto de comércio e centro de mercadores. A construção naval também avançou muito e o caminho para a dominação veneziana do Adriático foi aberto. Também durante o mandato de Monegário, o primeiro tribunal dual foi instituído. A cada ano, dois novos tribunos eram eleitos para supervisionar o doge e prevenir abusos de poder. O pró-lombardo Monegário foi sucedido por um heracleu pró-bizantino, Maurício Galba, cujo longo reinado (764787) catapultou Veneza à frente para um lugar de proeminência não só regionalmente mas internacionalmente e viu a maior parte de um esforço planejado a não estabelecer uma dinastia.

Maurício liderou a expansão da Venécia para as ilhas do Rialto. Foi sucedido por um filho que igualmente teve reinado longo, João. Este entrou em choque com Carlos Magno sobre o comércio de escravos e entrou em conflito com a igreja veneziana. As ambições dinásticas foram soterradas quando a facção pró-franca conseguiu tomar o poder sob Obelério dos Antoneri em 804. Obelério trouxe Veneza para a órbita do "outro" Império Romano da época, o Sacro Império Romano-Germânico de Carlos Magno. Entretanto, por convocar o carolíngio Pepino, rex Langobardorum, em sua defesa, ele despertou a ira da população contra si e foi forçado a fugir com sua família durante o cerco de Pepino a Veneza. A cidade obteve independência duradoura ao repudiar os sitiantes em 811.

Baixa Idade Média[editar | editar código-fonte]

O sucessores de Obelério herdaram uma Veneza unificada. Pela Pax Nicephori (803), os dois imperadores tinham reconhecido a independência de facto de Veneza, ao mesmo tempo em que a cidade se mantinha nominalmente vassala do Império Bizantino. Durante o reinado dos Participácios, Veneza cresceu em sua forma moderna. Embora eracleu de nascimento, Agnello, primeiro doge da família, foi um imigrante pioneiro para Rialto e seu governo foi marcado pela expansão de Veneza sobre o mar por meio da construção de pontes, canais, baluartes, fortificações e edifícios de pedra. A moderna Veneza, junto com o mar, estava sendo parida. Agnello foi sucedido pelo filho Justiniano, que trouxe o corpo de São Marcos de Alexandria para Veneza e fez dele o santo padroeiro da cidade.

Durante o reinado do sucessor do Participácio, Pedro Tradônico, Veneza começou a estabelecer seu poder militar que iria influenciar as cruzadas, anos mais tarde, e dominar o Adriático durante séculos. Ele assinou um acordo comercial com o imperador Lotário I do Sacro Império Romano-Germânico, cujos privilégios foram depois expandidos pelo sacro imperador romano-germânico Otão I. Tradônico garantiu o controle do mar ao lutar contra os piratas eslavos e sarracenos. O reinado de Tradônico foi longo e teve êxito (837-864), mas ele foi sucedido por outro Participácio e isso fazia parecer com que uma dinastia tivesse finalmente se estabelecido. Em torno de 841, a República de Veneza enviou uma frota de 60 galés (cada uma com 200 homens) para assistir os bizantinos na expulsão dos árabes de Crotona, mas a incursão falhou.[1]

Sob Pedro II Candiano, as cidades da Ístria assinaram um tratado sob o qual foi aceita a supremacia econômica veneziana. Foi o primeiro movimento rumo à criação do império litorâneo na Dalmácia. A dinastia Candiano, autocrática e filo-imperial, foi deposta por uma revolta em 972, e a população elegeu Pedro Orseolo como doge. Entretanto, sua política conciliatória era pouco eficaz, e ele renunciou em favor de Vitale Candiano. A partir de de Pedro II Orseolo, eleito em 991, a atenção rumo ao continente foi definitivamente ofuscada por um forte impulso em direção ao controle do mar Adriático. Escaramuças internas foram pacificadas, e o comércio com o Império Bizantino foi ampliado pelo tratado favorável (Grisobolus) com o imperador Basílio II Bulgaróctone. No ano 1000, uma expedição de seis navios na Ístria garantiu a suserania veneziana na área, e piratas eslavos foram suprimidos permanentemente.[2]

Nessa ocasião, Orseolo se denominou "Duque da Dalmácia", iniciando o império colonial de Veneza. Ele morreu em 1008, também sendo responsável pelo estabelecimento da cerimônia do "casamento com o mar", que virou uma tradição. Na época, Veneza já tinha um firme controle sobre o mar Adriático, reforçado pela expedição do filho de Pedro II, Ottone, em 1017, e tinha assumido um papel de equilíbrio de poder entre os dois grandes impérios (Bizantino e Sacro).

Durante a longa questão das investiduras, Veneza se manteve neutra, e isso causou algum atrito com os papas. O doge Domenico Selvo habilmente interveio na guerra entre os normandos da Apúlia e o imperador bizantino Aleixo I Comneno em favor desta último na Batalha de Dirráquio, obtendo em troca uma bula papal que declarava a supremacia veneziana no litoral do Adriático até Durazzo, bem como a isenção de impostos para seus mercadores em todo o império. A guerra não foi um sucesso militar, mas com tal ato a cidade de Veneza ganhou total independência também do ponto de vista formal. Em 1084, Selvo comandou pessoalmente uma frota contra os normandos, mas foi derrotado e perdeu 9 grandes galés, os maiores e mais fortemente armados navios da frota veneziana.[3]

Cavalos de São Marcos, trazidos como botim de Constantinopla em 1204.

Alta Idade Média[editar | editar código-fonte]

Na Alta Idade Média, Veneza se tornou muito rica mediante seu controle do comércio entre a Europa e o Levante, e começou a se expandir no mar Adriático e além. Veneza se envolveu nas Cruzadas quase desde o início: 200 navios venezianos ajudaram na captura das cidades costeiras da Síria depois da Primeira Cruzada e, em 1123, garantiram autonomia virtual no Reino de Jerusalém através do Pactum Warmundi.[4] Em 1110, Ordelafo Faliero comandado pessoalmente uma frota veneziana de 100 navios para assistir Balduíno I de Jerusalém na captura da cidade de Sídon.[5]

No século XII, os venezianos também ganharam extensos privilégios comerciais no Império Bizantino e seus navios amiúde forneciam ao império uma armada. Em 1182, houve uma revolta antiocidental em Constantinopla, na qual os venezianos foram o principal alvo. A frota veneziana foi crucial para o transporte da Quarta Cruzada, mas quando o cruzados não puderam pagar os navios, o astuto e manipulativo doge Henrique Dândolo rapidamente explorou a situação e ofereceu transporte aos cruzados se eles capturassem a cidade dálmata (cristã) de Zara (atual Zadar), que se tinha rebelado contra Veneza em 1183, se posto sob proteção dual da Santa Sé e do rei Emerico da Hungria e se tinha provado também bem fortificada demais para Veneza retomá-la sozinha.[6] Além de cumprir esta condição, a cruzada foi de novo desviada para Constantinopla, a capital do Império Bizantino, então outro rival de Veneza. A cidade foi capturada e saqueada em 1204. O saque foi descrito como um dos mais trágicos e lucrativos na História.[7]

O Império Bizantino, que até então tinha resistido a vários ataques e mantido os invasores islâmicos fora da Anatólia Ocidental e do Leste Europeu, foi restabelecido em 1261 mas nunca recuperado seu poder anterior e depois foi conquistado pelos turcos otomanos (que mais tarde ocuparam os Bálcãs e o Reino da Hungria, bem como sitiaram Viena por duas ocasiões). Os venezianos, que escoltaram a frota cruzada, reivindicaram muito do saque da cidade como pagamento, incluindo os famosos quatro cavalos de bronze trazidos para adornar a Basílica de São Marcos. Como resultado da subsequente partição do Império Bizantino, Veneza ganhou alguns territórios estratégicos no mar Egeu, incluindo as ilhas de Creta e Eubeia. As ilhas do Egeu (até então três-oitavos do Império Bizantino) formaram o novo Ducado do Arquipélago, sob controle veneziano.

Em 1295, Pietro Gradenigo enviou uma frota de 68 navios para atacar uma frota genovesa em Alexandretta, e uma outra frota de 100 navios em 1299.[8] De 1350 a 1381, Veneza combateu uma intermitente guerra com Génova. Inicialmente derrotada, Veneza destruiu a frota genovesa na Batalha de Chioggia em 1380 e obteve uma proeminente posição no comércio do Mediterrâneo oriental à custa do declínio de Génova.

Século XV[editar | editar código-fonte]

Possessões venezianos no Egeu na metade do século XV

No início do século XV, os venezianos também começaram a se expandir na península Itálica, bem como ao longo da Dalmácia na costa da Ístria para a Albânia, que foi adquirida do rei Ladislau de Nápoles. Veneza instalou uma nobreza para governar a área — por exemplo, com o conde Felipe Stipanov em Zara (atual Zadar). Esta jogada dos venezianos era como uma resposta à ameaça de expansão de Giangaleazzo Visconti, Duque de Milão. O controle sobre as principais rotas terrestres do nordeste também era uma necessidade para a segurança das rotas comerciais. Por volta de 1410, Veneza tinha um armada de 3300 navios (tripulados por 36 000 homens) e já tomara a maior parte da Venécia, incluindo cidades importantes como Verona e Pádua.[9]

A situação na Dalmácia tinha acalmado em 1408, com uma trégua com o rei Sigismundo da Hungria. Ao expirar o acordo, Veneza imediatamente invadiu o Patriarcado da Aquileia e submeteu Traù, Split, Durrës e outras cidades da Dalmácia. As dificuldades do Reino da Hungria garantiram à república a consolidação de seus domínios no Adriático.

Com o doge Francesco Foscari (1423-1457), a cidade atingiu seu ápice de poder e extensão territorial. Em 1425, eclodiu uma nova guerra, desta vez contra Filippo Maria Visconti de Milão. A vitória na batalha de Maclodio do Conde de Carmagnola, comandante do exército veneziano, levou à mudança da fronteira ocidental do rio Ádige para o Adda. Entretanto, a expansão territorial não foi bem-vinda em todo de lugar Veneza: a tensão com Milão continuou alta e, em 1446, a República travou luta contra outra liga, formada por Milão, Florença, Bolonha e Cremona. Depois de uma inicial vitória veneziana sob Micheletto Attendolo em Casalmaggiore, entretanto, Visconti morreu e foi proclamada a República Ambrosiana em Milão. A Sereníssima tinha então caminho aberto para ocupar Lodi e Piacenza, mas foi impedida por Francesco Sforza. Mais tarde, Sforza e o doge se aliaram para tomar o controle de Milão, em troca da cessão de Bréscia e Vicenza. Veneza, entretanto, mudou de lado de novo quando o poder de Sforza pareceu tornar-se excessivo: a situação delicada foi resolvida com a Paz de Lodi (1454), que confirmou a área de Bérgamo e Bréscia sob os domínios da república. Nessa época, o territórios da Sereníssima incluíam muito do atual Vêneto, mais Friul, as províncias de Bérgamo, Cremona e Trento, bem como Ravena, a Ístria e a Dalmácia. As fronteiras orientais eram com Gorizia e as terras ducais da Áustria, enquanto no sul era com o Ducado de Ferrara. Os domínios ultramarinos incluíam a Eubeia e Egina.

Em 1453, Constantinopla caiu sob os otomanos, mas Veneza conseguiu manter uma colônia na cidade e alguns dos antigos privilégios comerciais que tinha tinha sob os bizantinos. A despeito das recentes derrotas otomanas contra João Hunyadi da Hungria e Skanderbeg na Albânia, a guerra era inevitável. Em 1463, a fortaleza veneziana de Argos foi arrasada. Veneza firmou uma aliança com Matias Corvino da Hungria e atacou as ilhas gregas por mar e o Império Búlgaro por terra. Ambas as frentes, entretanto, viram os aliados forçados a se retirar, depois de várias vitórias menores. Operações reduziram-se sobretudo a escaramuças isoladas e guerrilha, até os otomanos moverem uma contra-ofensiva maciça em 1470. Isto arrebatou de Veneza sua principal possessão no mar Egeu, Negroponte. Os venezianos buscaram uma aliança com o da Pérsia e potências europeias, mas receberam somente apoio limitado e puderam fazer somente ataques de pequena escala em Antália, Halicarnasso e Esmirna. Os otomanos conquistaram o Peloponeso e lançaram uma ofensiva em terra veneziana, perto do importante centro de Údine. Os persas, junto com o emir caramaniano, foram severamente derrotados em Terdguin, e a república ficou sozinha na luta. Mais adiante, muito da Albânia foi perdida depois da morte de Skanderbeg. Entretanto, a heroica resistência de Scutari sob Antonio Loredan forçado os otomanos a retirar-se da Albânia, enquanto uma revolta em Chipre devolveu a ilha à família Cornaro e, subsequentemente, à Sereníssima República (1473).[10] Seu prestígio parecia assegurado, mas Scutari caiu dois anos mais tarde, e o Friuli era de novo invadido. Em 24 de Janeiro de 1479, um tratado de paz era finalmente assinado com os otomanos. Veneza tinha a ceder Argo, Negroponte, Lemnos e Scutari, e pagamento anual de tributo de 10.000 ducados. Cinco anos mais tarde o acordo era confirmado pelo sucessor Mehmed II, Bayezid II, com a troca pacífica das ilhas de Zaquintos e Cefalónia entre os dois lados.

Em 1482, Veneza aliou-se com o Papa Sisto IV para conquistar Ferrara, opondo-se a Florrença, Reino de Nápoles, Ducado de Milão e Ercole d'Este (ver Guerra de Ferrara). Quando as milícias papais e venezianas foram esmagadas na Batalha de Campomorto, Sisto IV mudou de lado. De novo sozinha, Veneza foi derrotada pelos veroneses de Alfonso de Calabria, mas conquistou Galipoli, na Apúlia, por mar. O balanço mudou para Ludovico Sforza de Milão, que passou para o lado de Veneza: isto deu lugar a uma rápida paz, que foi assinada perto de Bréscia em agosto de 1484. Apesar das numerosas derrotas na campanha, Veneza obteve Polesine e Rovigo, e aumentou seu prestígio na península Itálica, especialmente à custa de Florença. No final da década de 1480, Veneza teve duas breves campanhas contra o novo Papa Inocêncio VIII e Segismundo da Áustria. As tropas de Veneza também estiveram presentes na Batalha de Fornovo, contra Carlos VIII de França. A aliança com o Reino de Aragão na reconquista do Reino de Nápoles garantiu o controlo dos portos da Apúlia, importantes e estratégicas bases sobre o baixo Adriático e as ilhas Jónicas.

Mesmo durante as guerras contra os turcos, no fim do século XV, Veneza tinha 180 000 habitantes, e era a segunda maior cidade da Europa depois de Paris e provavelmente a mais rica do mundo.[11] O território da República de Veneza estendia-se sobre aproximadamente 70 000 km² com 2,1 milhões de habitantes (para um exemplo de comparação, a Inglaterra tinha à época 3 milhões, toda a Itália 11, França 13, Portugal 1,7, Espanha 6, Sacro Império Romano-Germânico 10). Administrativamente o território era dividido em três partes principais:

Em 1485, o embaixador francês, Philippe de Commines, escreveu sobre Veneza:

Cquote1.svg É a mais esplêndida cidade que eu já vi, e tem um governo de si mesma muito sábio. Cquote2.svg
A rede comercial e as possessões venezianas no Mediterrâneo oriental.

Liga de Cambrai, Lepanto e a perda de Chipre[editar | editar código-fonte]

Em 1499, Veneza aliou-se com Luís XII de França contra Milão, conquistando Cremona. No mesmo ano o sultão otomano fez um ataque a Lepanto por terra, e enviou uma grande frota a para uma ofensiva por mar. Antonio Grimani, mais comerciante e diplomata do que marinheiro, era derrotado no mar na batalha de Zonchio em 1499. Os turcos uma vez mais saquearam o Friul. Preferindo a paz à guerra total contra os Turcos, Veneza rendeu-se nas bases de Lepanto, Modon e Coron.

Em 1571, Veneza, Espanha e o Papa formaram a Santa Liga, que reuniu uma grande frota de 208 navios, 110 dos quais eram venezianos, sob o comando geral de João da Áustria, meio-irmão de Filipe II de Espanha. Os venezianos eram comandados por Sebastiano Venier. A frota turca, igual em número à do aliado, tinha subido o Adriático até Lesina, e então retornado a Lepanto no golfo de Patras para provisões.

A frota cristã tinha se reunido em Messina e encontrado a frota turca em Lepanto a 7 de outubro de 1571. A frota cristã saiu vitoriosa, e dividiu entre si 117 navios capturados dos turcos. Mas os venezianos não ganharam vantagem estratégica. Filipe II estava preocupado com a balança de poder no Mediterrâneo oriental e África, e tinha se rendido antes de Lepanto. A perda de Chipre foi ratificado na paz de 1573. Em 1575, a população de Veneza era de 175000 pessoas, mas caiu para 124000 em 1581.[11]

Fim da república[editar | editar código-fonte]

A República de Veneza em 1796

Por volta de 1796, a República de Veneza já não podia mais se defender, já que sua frota de guerra contava somente com 4 galés e 7 galiots.[12] Na primavera de 1796, o Piemonte caiu e os austríacos foram batidos de Montenotte a Lodi. O exército de Napoleão Bonaparte cruzou as fronteiras da neutra Veneza em perseguição ao inimigo. No final do ano, as tropas francesas ocupavam o território veneziano acima do rio Ádige. Vicenza, Cadore e Friul eram mantidas pelos austríacos. Com a campanha do ano seguinte, Napoleão mirou nas possessões austríacas através dos Alpes. Nas preliminares da Paz de Leoben, cujos termos permaneceram secretos, os austríacos tomaram as posses venezianas como preço pela paz (18 de abril de 1797).

Não obstante, a paz envisagado a sobrevivência continuada do Estado veneziano, embora confinado à cidade e à lagoa, talvez com compensação às custas dos Estados Pontifícios. Enquanto isso, Bréscia e Bérgamo se revoltaram a favor de Veneza, e movimentos antifranceses cresciam alhures. Napoleão ameaçou declarar guerra a Veneza em 9 de abril. Em 25 de abril, anunciou aos delegados venezianos em Graz:

Não quero mais Inquisição, não quero mais Senado; serei um Átila para o Estado de Veneza.

Referências

  1. J. Norwich, Uma História de Veneza, 32
  2. J. Norwich, Uma História de Veneza, 53
  3. J. Norwich, UM História de Veneza, 72
  4. J. Norwich, Uma História de Veneza, 77
  5. J. Norwich, Uma História de Veneza, 83
  6. WILLIAMS, Paul. O guia completo das cruzadas. São Paulo: Madras, 2007. 1 vol. ISBN 978-85-370-0225-4
  7. Philips, A Quarta Cruzada e o Saque de Constantinopla, introdução, xiii)
  8. J. Norwich, Uma História de Veneza, 176-180
  9. J. Norwich,Uma História de Veneza, 269.
  10. Chipre tornou-se oficialmente um território da República de Veneza em 1489, depois da abdicação de Cornaro e um tratado com o sultão egípcio.
  11. a b J. Norwich, Uma História de Veneza, 494
  12. J. Norwich, Uma História de Veneza, 615.