Ilhas Malvinas

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Falkland Islands
Ilhas Malvinas/Falkland
Bandeira das Ilhas Malvinas
Brasão de Armas
Bandeira Brasão de armas
Lema: Desire the right
"Desejo o direito"
Hino nacional: God Save the Queen
Gentílico: falklanders, malvinense

Localização das {{{nome_pt}}}

Localização das Ilhas Malvinas no mundo.
Capital Stanley
51° 45' S 59° 00' W
Cidade mais populosa Stanley
Língua oficial inglês
Governo Território britânico ultramarino
 - Monarca Isabel II
 - Governador Colin Roberts
 - Chefe do Executivo Keith Padgett
Área  
 - Total 12.200 km² (162.º)
 - Água (%) 0
População  
 - Estimativa de 2005 3060 hab. (226.º)
 - Densidade 0,24 hab./km² (240.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2005
 - Total US$ 75 milhões USD (223.º)
 - Per capita US$ 25.000 USD (-.º)
Moeda Libra das Malvinas (FKP)
Fuso horário (UTC-4)
Cód. ISO FLK
Cód. Internet .fk
Cód. telef. +500
Website governamental falklands.gov.fk

Mapa das {{{nome_pt}}}

As Ilhas Malvinas (em inglês: Falkland Islands; em espanhol: Islas Malvinas), algumas vezes referidas em português como Ilhas Falkland, Falklands ou, raramente, Falclanda[1] , são um território britânico ultramarino[2] com elevada autonomia administrativa, situado no Atlântico Sul, geograficamente englobadas na plataforma continental sul-americana. O arquipélago é constituído por duas ilhas principais: Grande Malvina (Falkland Ocidental) e Soledad (Falkland Oriental), possui 12 173 quilômetros quadrados de área e cerca de 2 mil habitantes, cuja capital é Stanley anteriormente conhecida como Port Stanley [2] .

A soberania sobre as ilhas é reclamada pela Argentina.[2] Em 1982, os argentinos ocuparam pela força o território, dando expressão militar às sua reivindicações. Porém entre maio e junho do mesmo ano uma força naval expedicionária britânica retomou o controle e soberania do arquipélago, naquela que ficou conhecida como Guerra das Malvinas. Apesar da vitória militar britânica no conflito, o governo argentino mantém, e reformulou recentemente junto das Nações Unidas, a sua reivindicação de soberania, a que não será totalmente alheia a descoberta de importantes jazidas de crude[3] , quantificadas como mais importantes que as existentes no Mar do Norte.

As Ilhas Malvinas são um dos três territórios britânicos ultramarinos no Atlântico Sul, juntamente com as Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul e o território de Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha[2] .

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome "Falkland" foi dado por John Strong em 1690 ao estreito que separa as duas ilhas principais do arquipélago, em homenagem a Anthony Cary, o 5º visconde de Falkland, nobre escocês e tesoureiro da marinha que era o patrocinador da sua expedição. O "Falkland" do título se refere à cidade homônima localizada em Fife, na Escócia. Em 1765, o capitão britânico John Byron reivindicou as ilhas em nome do rei inglês Jorge III utilizando a denominação do estreito para se referir às ilhas. O nome "Malvinas" deriva do nome francês Îles Malouines, dado em 1764 por Louis Antoine de Bougainville, o fundador do primeiro assentamento humano nas ilhas, em referência à cidade francesa de Saint-Malo, de onde provinham os navios e os colonos de sua expedição.

História[editar | editar código-fonte]

Franceses fundando Port Louis

Acredita-se que o marinheiro holandês Sebald de Weert primeiro tenha avistado as Falkland em 1600, porém, britânicos e espanhóis defendem que os seus próprios exploradores tenham descoberto a ilha. Alguns mapas mais antigos, especificamente os holandeses, usam o nome "Ilhas de Sebald". A história da exploração segue abaixo:

No século XVIII, em 1764, Louis Antoine de Bougainville fundou uma base naval em Port Louis (Malvinas/Falkland Oriental). O francês chamou-a de Îles Malouines. Ignorando a presença francesa na ilha, em 1765, John Byron (britânico) estabeleceu uma base em Egmont (Malvina/Falkland Ocidental). Em 1766, a França vendeu sua base para a Espanha, que declarou guerra à presença britânica nas ilhas, mas a disputa terminou no ano seguinte, decidindo-se que a parte oriental seria controlada pela Espanha e a parte ocidental pelos britânicos.

Em 1811, durante as lutas de independência na América do Sul, os espanhóis partem e abandonam as ilhas, que ficam totalmente abandonadas durante quase uma década.

Em 1820, a Argentina envia um mercenário norte-americano para reocupar as ilhas em nome do novo governo independente. Mas a ocupação das ilhas, na prática, só começou em 1827, quando a Argentina enviou colonos. A anteriormente francesa Port Louis é rebaptizada como Puerto Soledad e, em 1829, foi nomeado Luis María Vernet governador da ilha para colonizá-la.

Em 1831, Vernet apreendeu três baleeiros norte-americanos, o que causou uma operação comandada pelo capitão Silas Duncan que destruiu as instalações de Puerto Soledad, na qual foram feitos prisioneiros que foram, posteriormente, entregues ao governo da Argentina[4] .

Em 2 de janeiro de 1833, veio a fragata britânica HMS Clio, comandada pelo capitão John James Onslow, que informou os argentinos que o Império Britânico iria retomar a posse das ilhas. O capitão José María Pinedo, considerando que não havia condições para resistência, embarcou seus homens e voltou para a Argentina. O Reino Unido colonizou as ilhas com escoceses, galeses e irlandeses. Puerto Soledad transformou-se em "Port Stanley".

Apesar da retomada de posse pelo Reino Unido em 1833, a Argentina manteve sua reivindicação até hoje.

Em 1966, um grupo nacionalista argentino sequestrou um DC4, pousou nas Malvinas e declarou a reconquista das ilhas. O grupo foi imediatamente desarmado pelas autoridades britânicas.

As tensões entre a Argentina e o Reino Unido levaram a primeira a invadir as Falklands e South Georgia em 1982. O conflito ficou conhecido como a Guerra das Malvinas e terminou com a derrota argentina.

Em 2012 voltaram a haver tensões entre os dois países, apesar das resoluções da ONU afirmarem que a questão da soberania do território não está fechada e que deverá ser negociada entre os dois países.

Política[editar | editar código-fonte]

Gilbert House, sede da Assembleia Legislativa das Ilhas Malvinas.

A autoridade executiva vem da rainha e é exercida pelo governador. A defesa é responsabilidade do Reino Unido. Há uma constituição que foi posta em prática em 1985.

A perda da guerra contra o Reino Unido pela posse das ilhas levou ao colapso da ditadura militar argentina em 1983. Os argentinos ainda exigem o reconhecimento da soberania, apesar da negação e silêncio do Reino Unido. A ilha é oficialmente considerada propriedade soberana do trono britânico e sua majestade a Rainha Elizabeth II (Isabel II em português europeu).[2]

Em 2001, o primeiro-ministro britânico Tony Blair foi o primeiro a visitar a Argentina desde a guerra. No 22º aniversário da guerra, o Presidente Néstor Kirchner da Argentina em seu pronunciamento insistiu que as ilhas seriam parte do território argentino. Kirchner fez das ilhas uma de suas prioridades em 2003, e em junho desse mesmo ano o assunto foi levado para o comitê das Nações Unidas. Os moradores das Ilhas Malvinas são em sua maioria britânicos, e desejam manter os laços com o Reino Unido.[5]

Em 2009 o Reino Unido começou a explorar petróleo na região, gerando reação da Argentina e dos países sul-americanos como Venezuela e Brasil. O governo argentino argumentou que a passagem de navios e a exploração em plataformas violam seu território, fato negado pelo governo britânico. Há um clima geopolítico pesado sobre o tema, nas possíveis consequências de uma nova guerra e no envolvimento de países aliados ao governo de Cristina Kirchner. O Reino Unido ignora o assunto, numa estratégia de esperar aonde tais desdobramentos chegarão e afirma a soberania do seu território com constantes exercícios militares e intercâmbio de civis britânicos na região.

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

O governo argentino vem tentando a todo custo buscar apoio para a questão. Em 2010, o então presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma declaração ao lado da presidente da Argentina, em que o Brasil se compromete a reconhecer que não só as Ilhas Malvinas, mas também Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, são territórios da Argentina [6] apoio parecido foi dado pelo governo uruguaio, pelo governo chileno, e pelo Grupo do Rio[7]

A Argentina coloca as ilhas nos mapas como sendo próprias, e contabiliza como argentinos seus 7,7 mil quilômetros quadrados, mas, paradoxalmente, as companhias telefônicas instaladas na Argentina (privatizadas) e o Correio Argentino (que é estatal) encaram, na prática, de outra forma, já que as ligações telefônicas para Port Stanley são cobradas como se fossem internacionais. Além disso, para enviar uma carta pelo Correio Argentino, é preciso pagar os selos como se fosse uma carta para o exterior. Internacionalmente, o reconhecimento das Malvinas é dividido entre os países que apoiam a Argentina (quase todos os latino-americanos) e os que apoiam o Reino Unido.[8] [9]

No dia 12 de março de 2013 foi realizado um referendo para votar pela permanência do território sob o domínio do Reino Unido com uma decisão quase unânime.[10]

A embaixadora argentina em Londres, Alicia Castro, já havia qualificado o referendo de "manobra midiática que reflete a debilidade da posição" de Londres. A diplomata sustentou que o resultado da consulta "expressa a opinião dos cidadãos britânicos contra milhões e milhões de pessoas que reconhecem a soberania argentina" sobre as Malvinas. O governo argentino afirma que o referendo é ilegal e sem fundamento jurídico por considerar que os habitantes das Malvinas são uma população implantada desde a ocupação do Reino Unido, em 1833. "Ao contrário de outros casos de colonização, este referendo não foi convocado pelas Nações Unidas, nem conta com sua aprovação ou supervisão", argumentou Castro. [11]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Fazenda na área rural das Malvinas, chamada localmente de "Camp".

É um arquipélago formado por duas ilhas principais e aproximadamente outras 700 ilhas menores, situado no Atlântico Sul com todas as ilhas somando uma área total de 12 173 km². Inclui em suas dependências os arquipélagos das Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul e Ilhas Shetland do Sul[carece de fontes?]. As duas ilhas principais são Soledad, a leste e Gran Malvina, a oeste, separadas pelo canal de San Carlos.

O litoral é acidentado e o relevo montanhoso. Em Soledad, a ilha mais povoada, está localizada a capital, Port Stanley, onde vive mais da metade da população.

O Monte Usborne com 705 metros de altitude, é o ponto mais alto das ilhas Malvinas, localizado na ilha de Soledad.

Paisagem na Ilha Leste.

A proximidade com a Antártica traz interesse estratégico para o arquipélago e suas dependências, tendo as Ilhas Malvinas cerca de um milhão de pinguins.

Clima e vegetação[editar | editar código-fonte]

As temperaturas baixas comuns nas altas latitudes, contribuem com um frio clima temperado marítimo. A temperatura média varia dos 8 °C no mês de janeiro aos 2 °C no mês de julho. As temperaturas mínimas absolutas do ano não descem a menos de -7 °C, enquanto as máximas absolutas quase nunca chegam aos 20 °C. Apesar de escassa, a neve pode ocorrer em qualquer época do ano, mas não se acumula sobre a superfície. Geralmente chove em mais da metade dos dias do ano (embora a pluviosidade média anual não ultrapasse os 680 mm, geralmente de chuva fraca e constante) e os ventos fortes são comuns.

Com um clima naturalmente agravado com as intempéries próprias nessas latitudes (51 e 52 sul), o vento e frio, o ecossistema nas duas maiores ilhas, a Malvinas Oriental (Soledade) e Malvinas Ocidental (Grande Malvina) encontra-se comprometido pela ação do homem. A vegetação nativa nessas ilhas foi substituída para servir de pasto ao gado e a criação de ovelhas reais (um dos ícones da bandeira colonial britânica) e devido à ausência de uma vigilância sanitária autônoma para tratar com esse tipo de interferência, o praial de todas as ilhas encontra-se também totalmente tomado por pequenos roedores.

Economia[editar | editar código-fonte]

Port Stanley a capital das ilhas Malvinas/Falklands.

As maiores indústrias estão relacionadas com a pesca e a agricultura. Existe também relevantes criações de ovelhas (totalizando 600 000), extração de petróleo e gás natural.

Os kelpers possuem a renda per capita mais elevada da América Latina: US$ 25 mil/ano.

Transportes[editar | editar código-fonte]

Existem 348 km de estradas nas Ilhas Malvinas, das que 83 km são pavimentados. Existem dois serviços de táxi em Port Stanley, meio de transporte que pode ser usado para andar na cidade ou nas áreas em redor. [carece de fontes?]

As Ilhas Malvinas são uma das quatro regiões da América do Sul onde a mão inglesa é adotada, juntamente com a Guiana, o Suriname e as Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul.[carece de fontes?][nota 1]

Existem dois portos nas Ilhas Malvinas: Port Stanley e Fox Bay.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Religião nas ilhas Malvinas
Religião % aprox.
Cristianismo
  
67%
Não religiosos
  
32%
Outras
  
1%

Os argentinos denominam os habitantes locais como "kelpers", com o significado de cidadãos de segunda-classe em referência à situação dos ilhéus antes de serem considerados cidadãos britânicos pelo Ato de Nacionalidade de 1983.

A densidade demográfica está entre as menores do mundo.

Os 3060 Falklanders convivem com 1500 soldados britânicos da base de RAF Mount Pleasant.

Sociedade[editar | editar código-fonte]

Saúde[editar | editar código-fonte]

O departamento de serviços sociais e saúde das Ilhas Malvinas provê tratamento médico para as ilhas. O King Edward VII Memorial Hospital (KEMH) é o único hospital da capital. Ele foi parcialmente operado pelos militares no passado, mas atualmente está totalmente sob controle dos civis.[12] Não há oftalmologistas nas ilhas, apesar de um oftalmologista ir para a ilha fazer cirurgia de catarata e exames oculares em intervalos irregulares. Há dois dentistas nas ilhas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

Notas

  1. Trinidad e Tobago também adota a mão inglesa, mas não faz parte da América do Sul.

Referências

  1. Fernandes, Ivo Xavier. Topónimos e Gentílicos. Porto: Editora Educação Nacional, Lda., 1941. vol. I.
  2. a b c d e Laver, Roberto C.. The Falklands/Malvinas Case (em inglês). Países Baixos: Martinus Nijhoff Publishers, 2001. Página visitada em 2012-09-27.
  3. http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=1726866&especial=WikiLeaks&seccao=MUNDO
  4. "Instances of Use of United States Armed Forces Abroad, 1798-2007" Updated January 14, 2008 Congressional Research Service reports Grimmett, Richard F., p 7, em inglês, acessado em 20 de junho de 2010
  5. "Não queremos ser colonizados pela Argentina", diz representante do governo das Malvinas
  6. E-CAL. Relação Brasil e Argentina é considerada aliança estratégica. 2011, Brasília. Disponível em: <http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=2&id_noticia=358008. Acesso em 13 de Jan de 2011
  7. Reuters (23 de fevereiro de 2010). Grupo do Rio apoia Argentina sobre Ilhas Malvinas Terra. Página visitada em 13-1-2011.
  8. Protesto na Argentina pede rompimento com Reino Unido por causa das Malvinas
  9. Argentina diz que Reino Unido "não tem razão" sobre Malvinas
  10. G1 (11 de março de 2013). Malvinas aprovam domínio britânico G1. Página visitada em 11-3-2013.
  11. G1 (12 de março de 2013). Presidente argentina chama referendo das Malvinas de 'paródia' G1. Página visitada em 12-3-2013.
  12. Falkland Islands Government

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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