História de Andorra

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A história de Andorra, um pincipado europeu localizado nos Pirenéus, é muitas vezes ligada à de Espanha e França, que sempre respeitaram a sua independência.

O principado de Andorra foi durante séculos um território essencialmente agrícola e de pastorícia, onde a prática da caça era frequente. Segundo algumas lendas, Carlos Magno teria sido o fundador de Andorra. No entanto, Andorra foi povoada desde a Pré-história e o antigo povo dos "Andosinos" é mencionado em escritos da Antiguidade. Mas a independência de Andorra é reconhecida pela primeira vez na época carolíngia quando forma um Estado da Marca de Espanha para proteger o império das invasões árabes.

Durante muito tempo isolada e pouco povoada, Andorra cultivou costumes arcaicos, com um sistema de administração de partilha do trono entre o chefe de Estado francês e um bispo espanhol e o seu "Conselho da Terra", o mais velho parlamento europeu. Durante a segunda metade do século XIX, o principado conheceu uma forte oposição entre conservadores e apoiantes da democratização e abertura ao turismo. No século XX, a construção de infraestruturas tais como estações de esqui, estradas e hotéis, tornam Andorra num grande centro turístico e comercial, graças a taxas muito baixas sobre alguns produtos de consumo, mais caros no resto da Europa.

Origens[editar | editar código-fonte]

Pré-história[editar | editar código-fonte]

Pinturas rupestres nos Pirenéus.

A Andorra atual é percorrida desde 13000 a.C. e o seu povoamento inicia-se no Neolítico[1] . Os primeiros habitantes do vale de Andorra deixaram vestígios: silex e lanças em Santa Coloma[1] , e gravuras rupestres, principalmente em Balme del Llunci, em Ordino e na roca de les Bruixes em Prats[2] .

Escavações permitiram a descoberta de sílex trabalhado e restos de cerâmica com cerca de 4500 anos[2] . Em Julià de Loria, encontra-se um sítio neolítico que contém uma necrópole dolmética, em cujos arredores se encontraram vários objetos dessa época, tal como material funerário, colares e facas de pedra.

As tribos ficaram instaladas durante muito tempo em Andorra durante a Idade do bronze. Vestígios de forjas encontrados em Arinsal e Santa Coloma permitem afirmar a utilização de metais em Andorra durante esse período[1] . Na Proto-história, a região sofreu a influência dos Lígures e depois dos Iberos[1] .

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Os "habitantes dos Vales" são mencionados pela primeira vez num texto do historiador grego Políbio, no século II a.C.[2] ; este descreve a passagem de Aníbal Barca nos Pirenéus e refere as tribos dos "Andosinos" (Andosini)[2] .

O domínio romano não deixou muitos vestígios em Andorra: algumas moedas encontradas em escavações arqueológicas[1] e vestígios latinos na toponimia. O latim está na origem do dialeto catalão norte-ocidental, ainda falado nos dias de hoje em Andorra.

Grandes Invasões[editar | editar código-fonte]

No século V, Andorra é conquistada pelos Visigodos; estes, vindos em 414 de Narbona, invadem ao mesmo tempo a Espanha. Por volta de 714, os Visigodos são expulsos pelos Árabes[1] e estes últimos ficam na posse de Andorra. Os Francos tomam o controle da região por volta de 785[1] .

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

A igreja romana Sant Joan de Caselles, em Canillo.

Em 788, Carlos Magno ordena uma batalha contra os Árabes nos Pirenéus. Isso marca a verdadeira criação de Andorra. A tradição diz que um Andorrano de nome Marco Almugàver, conduziu 5000 dos seus compatriotas para Puymorens e Campcardos, onde os homens de Carlos Magno lutavam contra os Sarracenos[3] . O futuro imperador do Ocidente, reconhecido, teria declarado os Andorranos como "povo soberano". A verdadeira história mistura-se aqui com lendas e é difícil saber como Andorra obteve verdadeiramente a sua independência [4] . É no entanto certo que Carlos Magno fez de Andorra uma parte da Marca Hispânica, conjunto de Estados que protegiam a França de novas invasões árabes[5] . A saída dos Árabes permitiu a reconstrução da catedral de La Seu d'Urgell, próxima, e no dia de sua consagração em 839, os habitantes de Andorra colocam no bispo a chefia de suas seis novas paróquias: Andorra-a-Velha, Canillo, Encamp, La Massana, Ordino e Santa Coloma[6] .

O primeiro soberano conhecido de Andorra foi um nobre espanhol, o Conde de Urgel. O conde de Urgel dominou a região no século IX, passando-a então para diocese de Urgel. No século XI, o bispo de Urgel, na impossibilidade de governar Andorra sozinho, pediu então a um nobre catalão, o senhor de Caboet, que defendesse a região. Um nobre francês, o conde de Foix, herdou através de casamentos os encargos do catalão. O conde francês e o bispo, lutaram por Andorra, até que finalmente em 1278 encerraram suas disputas através de um tratado que os tornava governantes conjuntos.

Época contemporânea[editar | editar código-fonte]

Andorra permaneceu sob controle do bispo de Urgel, exceto durante a Revolução Francesa, quando revolucionários declararam a independência do país. Em 1806, os habitantes locais pediram a Napoleão Bonaparte que devolvesse ao território o estatuto de principado. Durante 700 anos, o principado prestou vassalagem ao bispo de Urgel e ao monarca francês (depois, com o regime de república em França, ao presidente).

Até 1970, o direito de voto era exclusivo dos homens de Andorra, a partir da terceira geração. Atualmente, o voto é extensivo a todos os andorranos de primeira geração, com idade igual ou superior a 28 anos, cujos pais sejam estrangeiros. O número de eleitores é diminuto, em relação ao total da população, cerca de 70% da qual é composta por residentes estrangeiros que têm vindo a reivindicar os seus direitos políticos e de cidadania. A imigração, controlada através de um sistema de quotas, é essencialmente proveniente, e por esta ordem, de Espanha, de Portugal e da França. Antes de 1993, o país não possuía qualquer constituição formal, tendo, à época, todas as moções e propostas submetidas a delegados permanentes (representantes dos dois chefes de estado) para aprovação.

Em 1976 foi criada uma organização política, tecnicamente ilegal, o Partido Democrático de Andorra, que forneceu as bases de um futuro sistema democrático. Oscar Riba Reig tornou-se no primeiro primeiro-ministro do país em 1981, e em 1982 foi nomeado um Conselho Executivo chefiado pelo Primeiro-Ministro. Tal provocou a separação entre os poderes legislativo e executivo. Em Julho de 1991 foram estabelecidos laços formais com a Comunidade Europeia.

Em Maio de 1993 foi adoptada uma nova Constituição, concedendo a independência ao país em todos os aspectos menos o da segurança externa, que continuou sob a responsabilidade da França e da Espanha. As primeiras eleições directas tiveram lugar em Dezembro de 1993, tendo sido formado um Governo de coligação liderado pelo Primeiro-Ministro, Oscar Riba Reig. Em 1994, Andorra tornou-se um membro de pleno direito das Nações Unidas e do Conselho da Europa. A coligação de Reig, o Grupo Nacional Democrático, perdeu o apoio dos independentes em Dezembro de 1994 e Marc Forné Molné, da União Liberal, substituiu-o no cargo.

Durante 715 anos, desde 1278 a 1993, Andorra foi governada inicialmente por dois senhores, o bispo de Urgell, da Catalunha, e o conde de Foix, que passou a pertencer à coroa francesa, e após a revolução passou a ser representado pelo Presidente da República Francesa. O Principado de Andorra, é governado em conjunto e, atualmente, o chefe catalão, o bispo de Urgell , é escolhido pelo Vaticano e o francês, pelo chefe de estado gaulês. Embora a Constituição de Andorra tenha mantido este sistema, o governo transformou-se numa democracia parlamentar e um principado constitucional . É o único principado parlamentar do mundo. Durante muito tempo, pobre e isolado, a Andorra montanhosa começou a prosperar a partir da segunda guerra mundial, através da indústria do turismo . A expansão da economia tem atraído muitos imigrantes da zona da Catalunha, e de Portugal, França e Espanha. Um fator que atrai mais negócios e clientes é o fato da ausência de imposto de renda. O Principado de Andorra tem uma forte afinidade com o catalão: a língua oficial é o catalão, as suas instituições são baseadas na lei catalã, e um grande número de pessoas que são catalães , e o principado inteiro é parte da diocese de Urgell , divisão eclesiástica espanhola da Catalunha.

Referências

  1. a b c d e f g L'Andorre, Alain Degage e Antoni Duro i Arajol, Que Sais-je ?, 1998, p. 12
  2. a b c d La Principauté d'Andorre, Meritxell Mateu e François Luchaire, ed. Economica, 1999, p. 3
  3. Vilaweb - Diari escola. (em espanhol)
  4. L'Andorre, Alain Degage e Antoni Duro i Arajol, Que Sais-je ?, 1998, p. 14
  5. Página da embaixada de Andorra na Bélgica - História de Andorra. (em francês)
  6. La Principauté d'Andorre, Meritxell Mateu et François Luchaire, éd. Economica, 1999, p. 18.
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