História de José, o Carpinteiro

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José mostra seu trabalho a Jesus.
Por Georges de La Tour, atualmente no Louvre.

A História de José, o Carpinteiro (século VI-VII[1] ) é um dos textos dos Apócrifos do Novo Testamento relacionado com a infância de Jesus.

História[editar | editar código-fonte]

O texto está estruturado como uma explicação dele no Monte das Oliveiras sobre a vida de São José, seu pai. Concordando com o dogma da virgindade perpétua de Maria, o texto proclama José teve quatro filhos (Judas, Justo, Tiago e Simão) e duas filhas (Ássia e Lídia) de um casamento anterior. Com a idade de 90 anos após a morte da sua primeira esposa, José é encarregado de cuidar de uma virgem de doze anos, Maria. Ela passa a viver em sua casa e o ajuda a cuidar de seus filhos menores, Tiago e Judas, até completar a idade de 14 anos e meio, quando ela poderá se casar.

O texto prossegue com uma paráfrase do Evangelho de Tiago, parando no ponto do nascimento de Jesus. O texto afirma que José foi milagrosamente abençoado com uma juventude mental e física, morrendo somente com a idade de 111 anos. Seus filhos mais velhos, Justo e Simão, se casaram e tiveram filhos, assim como suas filhas, que mudaram então para as casas dos maridos.

A morte de José toma um espaço considerável do texto. Ele primeiro faz uma extensa oração, incluindo em suas últimas palavras uma série de lamentações sobre os pecados da carne. Aproximadamente metade da obra é coberto por esta "cena", na qual o anjo da morte, assim como os arcanjos Miguel e Gabriel aparecem para ele. No final do texto, Jesus afirma que Maria permaneceu virgem por toda a vida ao chamá-la de "minha mãe, virgem imaculada".

Sobre o autor, o prelúdio informa que "E os santos apóstolos preservaram esta conversa, a escreveram e a preservaram na biblioteca de Jerusalém."

O texto[editar | editar código-fonte]

Há indicações de que o texto foi escrito no Egito (província romana) no século VI-VII d.C. Duas versões chegaram aos nossos dias: uma em copta e a outra em árabe, com a primeira sendo provavelmente a original. Muito do texto é baseado no Evangelho de Tiago.

O também apócrifo Primeiro Apocalipse de Tiago (encontrado na Biblioteca de Nag Hammadi, no códice V) afirma "Eu chamei você, meu irmão, embora você não seja fisicamente meu irmão.",[2] o que adiciona ainda mais um registro da relação de Maria com os irmãos de Jesus, abrindo espaço para a explicação da virgindade perpétua.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Bart D. Ehrman, Zlatko Pleše The Apocryphal Gospels: Texts and Translations Oxford University Press, USA 2011 p158 "In its present form, the History of Joseph the Carpenter is thus a compilation of various traditions concerning Mary and the “holy family,” most likely composed in Byzantine Egypt in the late sixth or early seventh century."
  2. William R. Schoedel (trad). In: James M. Robinson. The Nag Hammadi Library, revised edition: Apocalipse de Tiago (em ). São Francisco: HarperCollins, 1990.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]