História do mapa-múndi

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Mapa mundo Babilónio Imago Mundi do século VI a.C., o mais antigo mapa conhecido.

A História do Mapa-Múndi cobre as representações do mundo desde a antiguidade clássica até à era dos descobrimentos e à emergência da geografia moderna, ou seja do século VI a.C. ao século XVI.

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Mapa-múndi babilônio[editar | editar código-fonte]

O mapa do mundo mais antigo conhecido é o Imago Mundi de cerca de 600 AC, da Mesopotâmia.1 O mapa, reconstruído por Eckhard Unger mostra a Babilônia no Eufrates, envolto num território circular mostrando a Assíria, Arménia e várias cidades, por sua vez rodeadas por um rio (Oceano), com sete ilhas dispostas em seu redor, formando uma estrela de sete pontas. Os textos sobreviventes mencionam sete regiões para lá do oceano.

Mapa de Anaximandro (c. 540 a.C)[editar | editar código-fonte]

Reconstrução do Mapa de Anaximandro

Anaximandro (morreu ca. 546 a.C.) é tido como criador de um dos primeiros mapas do mundo, de forma circular, mostrando os territórios conhecidos agrupados em volta do Mar Egeu, que está no centro. Tudo isto rodeado de um oceano.

Hecateu de Mileto (c. 500 a.C)[editar | editar código-fonte]

Reconstrução do Mapa de Hecateu

Hecateu de Mileto (Mileto, c. 546 a.C.- c. 480 a.C.) é creditado com um trabalho nomeado "Ges Periodos", "Descrição da Terra" resumindo os conhecimentos geográficos gregos da época, na forma de périplo. O périplo sobre a Europa é essencialmente o do Mediterrâneo, descrevendo cada região, para norte até à Cítia. Sobre a Ásia, semelhante ao Périplo do mar da Eritreia, de que sobrevive uma versão do séc. I. Hecateu descreveu os países e habitantes, sendo o relato do Egipto particularmente completo. A descrição é acompanhada de um mapa baseado no de Anaximandro, que corrigiu e acrescentou. Esta obra sobrevive em 374 fragmentos dispersos, a maioria no léxico geográfico "Ethnika".

Eratóstenes (c. 200 a.C)[editar | editar código-fonte]

Mapa de Eratóstenes, reconstrução de 1883

Eratóstenes (285 - 194 a.C.) desenhou um mapa do mundo melhorado, incorporando informação resultante das campanhas de Alexandre, o Grande e dos seus sucessores. A Ásia surge maior, reflectindo os novos conhecimentos da verdadeira dimensão do continente. Eratóstenes foi também o primeiro geógrafo a incorporar paralelos e meridianos nas suas representações cartográficas.

Ptolemeu (c. 150)[editar | editar código-fonte]

Reconstrução do século XV do mapa de Ptolomeu

O Mapa de Ptolemeu é um mapa baseado na descrição do mundo contida no seu livro Geographia, escrito Circa 150. Embora nunca se tenham encontrado autenticos mapas de Ptolemeu(c.83 – 161 d.C.), o seu Geographia contém milhares de referências de variadas partes do velho mundo, com a localização da maioria, que parecem ter influenciado os primeiros mapas islâmicos, e permitido aos cartógrafos europeus reconstruir a visão do mundo de Ptolemeu quando um manuscrito grego foi traduzido para latim, cerca do ano 1300.

Tabula Peutingeriana (c. 300)[editar | editar código-fonte]

A Tabula Peutingeriana é um mapa viário do Império Romano, mostrando os cursus publicus, hoje mantido na Biblioteca Nacional de Viena. Trata-se de uma cópia do século XIII do original do século IV cobrindo a Europa, partes da Ásia (Índia) e Norte de África. O mapa foi nomeado a partir de Konrad Peutinger, um humanista e antiquário alemão do século XV-XVI. O mapa foi descoberto numa biblioteca alemã por Conrad Celtis, que não consegiu publicar a sua descoberta em vida e o passou a Peutinger em 1508.

Tabula Peutingeriana, cópia do século XIII do original do século IV.
Tabula Peutingeriana, cópia do século XIII do original do século IV.

Cosmas Indicopleustes (c. 550)[editar | editar código-fonte]

Mapa-múndi por Cosmas Indicopleustes.

Cerca do ano 550 Cosmas Indicopleustes escreveu a Topografia Cristã, obra profusamente ilustrada, baseada na sua experiência pessoal como mercador no Mar Vermelho e no Oceano Índico no início do século VI. Embora a sua visão seja refutada pela ciência moderna, forneceu um descrição histórica da Índia e Sri Lanka durante esse século, valiosa para os historiadores. Cosmas parece ter visitado pessoalmente o Reino de Axum na moderna Etiópia, a Eritreia, Índia e Sri Lanka. Em 522 visitou a costa de Malabar (Sul da Índia). Uma das principais características da sua Topografia é a mundivisão de Cosmas que o mundo seria plano, e que o céu teria a forma de uma caixa de tampa curva, uma visão tomada da interpretaçao das escrituras cristãs. Cosmas visava provar que os geografos pré-cristãos estavam errados ao assumirem que a Terra era esférica, e que seria modelada de acordo com o tabernáculo, o templo descrito por Deus a Moisés durante o Êxodo do Egipto.

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Mapa diagramático T-O. O mundo surge num circulo dividido por um "T", em três continentes: Ásia, Europa e África.

Isidoro de Sevilha (c. 630)[editar | editar código-fonte]

Os mapas medievais "T e O" originaram da descrição do mundo na obra Etymologiae de Isidoro de Sevilha (m. 636). Este conceito de cartografia medieval representa apenas o hemisfério norte de uma Terra esférica.[4], dedução tacitamente aceite da projecção da porção habitada do mundo conhecida nos tempos romanos e medievais. O "T" é o Mediterrâneo dividindo três contimentes: Europa, Ásia e África, sendo o "O" um Oceano circundante. Jerusalém era usualmente representada no centro do mapa e a Ásia surgia do tamanho da soma dos outros dois continentes. Porque o Sol nascia a Este, o Paraíso (jardim do Éden) era geralmente representado como sendo na Ásia, estando esta situada na porção superior do mapa.

Mapa mundo anglo-saxónico. Ceilão ("Taprobanea") surge no topo, Grã Bretanha em baixo, à esquerda)

Mapa mundo anglo-saxónico (circa 1040)[editar | editar código-fonte]

Este mapa surge na cópia de uma obra clássica de geografia, a versão latina de Prisciano do "Periegesis", hoje na British Library. Mais que uma simples ilustração, contém muito material reunido de outras fontes, que deveriam ser as mais actualizadas da época. A data de realização foi inicialmente estimada entre 992-994, baseada na viagem de do arcebispo da Cantuária Sigerico, proveniente de Roma mas uma análise mais recente aponta para 1025-502 Tal como o mapa posterior de al-Idrisi (ver abaixo) este mapa escapa à tradição medieval e às coordenadas ptolemaicas: Este surge no topo, mas Jerusalém não está no centro nem é indicado o Jardim do Éden. A representação do oriente é ambiciosa, incluindo a Índia e a Taprobama (Sri Lanka), agigantada de acordo com a visão clássica da sua dimensão. A Grã Bretanha surge também aumentada e há uma confusão na representação da Islândia e da Escandinávia.

Mapa-Múndi de Beato de Liébana (1050)[editar | editar código-fonte]

Mapa Mundi de Beato de Liébana. O mapa está orientado a Este e não a Norte, em contraste com os da cartografia moderna. Diz-se, portanto, que o mapa está orientado.

Beato de Liébana (c. 730 - 798) foi um monge e teólogo espanhol. O Mapa-Múndi de Beato de Liébana é uma das principais obras cartográficas da Alta Idade Média. Foi elaborado baseando-se nas descrições de Isidoro de Sevilha, Ptolomeu e a Bíblia. Muito embora o manuscrito original se tenha perdido, restam-nos algumas cópias de fidelidade bastante grande respectivamente ao original. Este mapa surge reproduzido no prólogo do segundo livro dos Comentários ao Apocalipse de Beato de Liébana. A função principal do mapa não é a de representar cartograficamente o mundo, mas de servir de ilustração à diáspora primitiva dos Apóstolos.



Referências

  1. Siebold, Jim Slide 103 via henry-davis.com - accessed 2008-02-04
  2. British Library Collect Britain, accessed 2008-03-14

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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