Histoplasmose

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A Histoplasmose é uma micose sistémica, ou seja, uma doença causada por um fungo, o Histoplasma capsulatum, que afecta os órgãos internos.

Histoplasma capsulatum[editar | editar código-fonte]

Lesão provocada pelo fungo Histoplasma capsulatum

H.capsulatum é o nome da forma unicelular,ou levedura de reprodução assexuada do fungo dimórfico cuja forma multicelular sexuada se denomina Emmonsiella capsulata (antigo Ajellomyces capsulatus:é comum os fungos terem dois nomes mesmo tratando-se da mesma espécie definida biologicamente pois os antigos taxonomistas não o sabiam). A espécie sexuada multicelular é um ascomicota que gosta de solos com alto teor de nitrogénio como os das cavernas de morcegos, ou zonas de cidades com alto número de pombos, ou galinheiros.

Estes fungos vivem na natureza de forma livre (alimentando-se de detritos orgânicos) e a infecção humana acontece após inalação dos seus esporos. No ser humano o fungo adopta uma forma de levedura com 3 micrómetros, reproduzindo-se por geminação (uma forma de divisão celular assimétrica comum nos fungos). Apesar do seu nome, o histoplasma não é capsulado, só que com métodos tradicionais de coloração como a técnica de Gram, os seus lípidos membranares repelem o corante dando a aparência de uma camada capsular.

Em cultura a levedura transforma-se e cresce com formação de hifas.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A histoplasmose ocorre com maior frequência nas Américas, principalmente nos Estados Unidos ao longo dos rios Mississipi e Ohio. Também na América do Sul, incluindo Brasil, Venezuela e Guiana Francesa. Também ocorre na África, onde há a variedade Histoplasma capsulatum var. duboisii. Na Europa são relatados casos raros, de indivíduos que viajaram para áreas endêmicas.

Progressão e Sintomas[editar | editar código-fonte]

Os esporos são absorvidos para os pulmões que apresentam características ótimas de umidade e temperatura para desabrocharem gerando formas de levedura. As leveduras são fagocitadas pelos macrófagos ou neutrófilos que são células muito maiores, no interior dos quais sobrevivem e multiplicam-se. A grande maioria (mais de 9/10) das infecções são assintomáticas e não causam problemas. Sintomas da infecção pulmonar são os típicos de pneumonia, com febre, tosse com expectoração e tremores.

O sistema imunitário lida com a invasão pela formação de granulomas (como faz para todos os parasitas intracelulares), que impedem a disseminação da levedura mas também são destrutivos por si mesmos. Mais de 99% das infecções não é progressiva. No entanto em indivíduos imunodeprimidos (como os doentes com SIDA/AIDS ou com idade avançada), as leveduras disseminam-se dentro dos macrófagos, e pode haver adenopatias (aumento no tamanho dos linfonodos) e, infecções do fígado e baço. Nestes casos, pode surgir doença crónica com febre, suores e mal estar, ou se a imunodepressão for maior, progressão rápida e fatal.

Em pacientes com doença pulmonar crônica obstrutiva pode ocorrer pneumonia crônica semelhante à da tuberculose.

Diagnóstico e Tratamento[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é feito pela observação microscópica de amostras de expectoração ou biópsia, identificando as leveduras dentro dos fagócitos (preferencialmente corados pelo método de Grocott-Gomori). O tratamento é realizado com medicamentos antifúngicos, como: anfotericina B, cetoconazol, fluconazol ou itraconazol.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • NEVILLE , B. W. et al. Patologia oral e maxilofacial. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S. A., 1998