Homo

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Como ler uma caixa taxonómicaHomo
Ocorrência: 2.4–0 Ma

Plioceno–presente

Crânio de um Homo habilis.

Crânio de um Homo habilis.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Infraordem: Simiiformes
Parvordem: Catarrhini
Superfamília: Hominoidea
Família: Hominidae
Subfamília: Homininae
Género: Homo
Espécies

Homo é o gênero que inclui os humanos modernos (Homo sapiens) e espécies estreitamente relacionadas com eles. Estima-se que o gênero tenha se iniciado há cerca de 2,5-3,2 milhões de anos,[1] [2] [3] [4] evoluindo de ancestrais australopitecíneos com o surgimento do Homo habilis. O H. habilis, especificamente, é considerado descendente direto do Australopithecus garhi, que viveu cerca de 2,5 milhões de anos atrás. No entanto, em maio de 2010, o Homo gautengensis foi descoberto, uma espécie que acredita-se ser ainda mais antiga que o H. habilis.[5]

O mais saliente desenvolvimento fisiológico entre as duas espécies é o aumento da capacidade encefálica (ou craniana), de cerca de 450 cm³ no A. garhi para 600 cm³ no H. habilis. Dentro do gênero Homo, a capacidade craniana novamente foi duplicada entre o H. habilis e o Homo ergaster, ou através do H. erectus ao Homo heidelbergensis, de 0,6 milhões de anos atrás. A capacidade craniana do H. heidelbergensis sobrepôs-se com a variação encontrada nos humanos modernos.

Acreditava-se que o advento do gênero Homo tinha coincidido com a primeira evidência do uso ferramentas de pedra (a indústria Olduvaiense) e assim, por definição, com o início do período Paleolítico Inferior. No entanto, uma recente evidência encontrada na Etiópia indicou que a primeira vez que houve a utilização de ferramentas de pedra ocorreu há 3,39 milhões de anos.[6] O surgimento do gênero Homo coincide aproximadamente com o início da glaciação do Quaternário, o início da era do gelo atual.

Todas as espécies desse gênero, exceto o Homo sapiens (os humanos modernos) estão extintas. O Homo neanderthalensis, tradicionalmente considerado o último parente humano vivo, extinguiu-se há cerca de 24 mil anos. No entanto, uma recente descoberta sugere que uma outra espécie, o Homo floresiensis, descoberto em 2003, pode ter vivido tão recentemente como há 12 mil anos. Os outros Homininae sobreviventes — os chimpanzés e gorilas — têm um alcance geográfico limitado. Em contraste, a evolução dos seres humanos é uma história de migrações e miscigenações. De acordo com estudos genéticos, os humanos modernos foram criados a partir de "pelo menos dois grupos" de seres humanos antigos: os Neandertais e os Denisovanos.[7] Os seres humanos deixaram a África várias vezes para ocupar a Eurásia e, finalmente, Américas, Oceania e o resto do mundo.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Nas ciências biológicas, em particular na antropologia e na paleontologia, o nome comum para todos os membros do gênero Homo é "humano".

A palavra homo é latina, no sentido original de "ser humano", ou "homem" (no sentido de gênero-neutro). A palavra "humano" em si vem do latim humanus, um cognato adjetivo para homo, que acredita-se ter sido derivada de uma palavra proto-indo-européia para "terra", reconstruída como *dhǵhem-.[8]

O nome binominal Homo sapiens é atribuído a Carl Linnaeus (1758).[9]

Nomes de outras espécies começaram a ser cunhados na segunda metade do século XIX (H. neanderthalensis - 1864, H. erectus - 1892).

Espécies[editar | editar código-fonte]

O estatuto de espécies como o Homo rudolfensis, H. ergaster, H. georgicus, H. antecessor, H. cepranensis, H. rhodesiensis e H. floresiensis permanece em debate. O H. heidelbergensis e o H. neanderthalensis estão estreitamente relacionados uns aos outros e têm sido considerados como uma subespécie de H. sapiens. Recentemente, o DNA nuclear de um espécime Neanderthal da Caverna Vindija foi sequenciado utilizando dois métodos diferentes que produziram resultados semelhantes em relação às linhagens do Neanderthal e do H. sapiens, com ambas as análises, sugerindo uma data para a divisão entre 460.000 e 700.000 anos atrás, embora uma fração de população de cerca de 370.000 anos seja inferida. Os resultados de DNA nucleares indicam que cerca de 30% dos alelos derivados no H. sapiens também estão na linhagem do Neanderthal. Esta alta frequência pode sugerir algum fluxo gênico entre ancestrais humanos e populações neandertais.[10]

Tabela comparativa das espécies Homo
Espécie Período de existência (Ma) Onde viveu Altura (adulto) Massa (adulto) Capacidade encefálica (cm³) Registro fóssil Descoberta / publicação do nome
Hominídeo de Denisova 0,04 Krai de Altai (Rússia) 1 sitio 2010
H. antecessor 0.85 – 0.75 Espanha 1,75 m 90 kg 1.000 2 sitios 1997
H. cepranensis 0.8 – 0.35 Itália 1.000 1 calota craniana 1994/2003
H. erectus 1.8 – 0.03 África, Eurásia (Java, China, Índia, Cáucaso) 1.8 m 60 kg 850 (primeiro) – 1.100 (último) Muitos 1891/1892
H. ergaster 1.8 – 1.3 África Oriental e Austral 1,9 m 700–850 Muitos 1975
H. floresiensis 0.095 – 0.012 Indonésia 1,0 m 25 kg 400 7 indivíduos 2003/2004
H. gautengensis 1.9 – 0.6 África do Sul 1,0 m 1 indivíduo 2010/2010
H. georgicus 1.8 Geórgia 600 4 indivíduos 1999/2002
H. habilis 2.1 – 1.5 África 1,0 – 1,5 m 33 – 55 kg 510–660 Muitos 1960/1964
H. heidelbergensis 0.6 – 0.2 Europa, África, China 1,8 m 90 kg 1.100–1.400 Muitos 1908
H. neanderthalensis 0.23 – 0.028 Europa, Sudoeste Asiático 1,6 m 55 – 70 kg 1.200–1.900 Muitos (1829)/1864
H. rhodesiensis 0.3 – 0.125 Zâmbia 1.300 Muito poucos 1921
H. rudolfensis 2.5 - 1.8 Quênia 1 crânio 1972/1986
H. sapiens idaltu 0.16 – 0.15 Etiópia 1.450 3 crânios 1997/2003
H. sapiens sapiens (humanos) 0.195 – presente Mundo 1,4 – 1,9 m 50 – 100 kg 1.000–1.850 Ainda vivo —/1758

Migração e miscigenação[editar | editar código-fonte]

Mapa das primeiras migrações humanas, de acordo com análises efectuadas ao DNA mitocondrial (unidades: milênios até ao presente).
A perspectiva deste planisfério centra-se no pólo norte, para facilitar a compreensão das rotas das migrações.

O Homo habilis, que é considerado o primeiro membro do gênero Homo, deu origem ao Homo ergaster. Alguns H. ergaster migraram para a Ásia, onde eles são chamados Homo erectus, e para a Europa com o Homo georgicus. O H. ergaster na África e o H. erectus na Eurásia evoluíram separadamente por quase dois milhões de anos e, presumivelmente, separaram-se em duas espécies diferentes. O Homo rhodesiensis, que era descendente do H. ergaster, migrou da África para a Europa e se tornou o Homo heidelbergensis e, mais tarde (cerca de 250.000 anos atrás), o Homo neanderthalensis e o hominídeo de Denisova na Ásia. O primeiro Homo sapiens, descendente do H. rhodesiensis, surgiu na África cerca de 250.000 anos atrás. Há cerca de 100.000 anos, alguns H. sapiens sapiens migraram da África para o Levante e se reuniram com os neandertais residentes, com alguma miscigenação genética.[11] Mais tarde, cerca de 70.000 anos atrás, talvez depois da catástrofe de Toba, um pequeno grupo deixou o Levante para preencher a Eurásia, Austrália e, mais tarde, as Américas. Um subgrupo entre eles encontrou os Denisovanos[12] e, depois de alguma misgenação, migraram para preencher a Melanésia. Neste cenário, a maior parte das pessoas não-africanas de hoje têm origem africana ("hipótese da origem única"). Contudo, também houve alguma mistura entre os neandertais e os Denisovanos, que evoluíram localmente (a "evolução multirregional"). Resultados genômicos recentes do grupo de Svante Pääbo também mostram que há 30.000 anos, pelo menos, três subespécies principais co-existiram: os Denisovans, Neandertais e os Cro-magnons.[13] Hoje, apenas o Homo sapiens sapiens sobreviveu, sem outras espécies ou subespécies existentes.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. 'Homo' is the only primate whose tooth size decreases as its brain size increases por Juan Manuel Jiménez-Arenas, Juan Antonio Pérez-Claros, Juan Carlos Aledo, Paul Palmqvist. On the Relationships of Postcanine Tooth Size with Dietary Quality and Brain Volume in Primates: Implications for Hominin Evolution. BioMed Research International, 2014; 2014: 1 DOI: 10.1155/2014/406507
  2. 'First human' discovered in Ethiopia por Pallab Ghosh em 4/mar/2015 na "BBC News"
  3. Stringer, C.B.. The Cambridge Encyclopedia of Human Evolution. Cambridge: Cambridge University Press, 1994. p. 242. ISBN 0-521-32370-3 Also ISBN 0-521-46786-1 (paperback)
  4. McHenry, H.M. Evolution: The First Four Billion Years. Cambridge, Massachusetts: The Belknap Press of Harvard University Press, 2009. p. 265. ISBN 978-0-674-03175-3
  5. Curnoe, D. . "A review of early Homo in southern Africa focusing on cranial, mandibular and dental remains, with the description of a new species (Homo gautengensis sp. nov.)". Homo. 61 (3): 151-77. DOI:10.1016/j.jchb.2010.04.002.
  6. McPherron, S. P., Z. Alemseged, C. W. Marean, J. G. Wynn, D. Reed, D. Geraads, R. Bobe, and H. A. Bearat. 2010. Evidence for stone-tool-assisted consumption of animal tissues before 3.39 million years ago at Dikika, Ethiopia. Nature 466:857-860.
  7. Mitchell, Alanna. "DNA Turning Human Story Into a Tell-All", NYTimes, January 30, 2012. Página visitada em 31 de janeiro de 2012.
  8. dhghem The American Heritage Dictionary of the English Language: Fourth Edition. 2000.
  9. Note: In 1959, Linnaeus was designated as the lectotype for Homo sapiens (Stearn, W. T. 1959. "The background of Linnaeus's contributions to the nomenclature and methods of systematic biology", Systematic Zoology 8 (1): 4-22, p. 4) which means that following the nomenclatural rules, Homo sapiens was validly defined as the animal species to which Linnaeus belonged.
  10. Biological Anthropology: 2nd Edition. 2009. Craig Stanford et al.
  11. Green RE, Krause J, et al. A draft sequence of the Neandertal genome. Science. 2010 May 7;328(5979):710-22. doi:10.1126/science.1188021 PMID 20448178
  12. ^ Reich D, Green RE, Kircher M, et al. (December 2010). "Genetic history of an archaic hominin group from Denisova Cave in Siberia". Nature 468 (7327): 1053–60. doi:10.1038/nature09710. PMID 21179161.
  13. Reich D ., et al. Denisova admixture and the first modern human dispersals into southeast Asia and Oceania. Am J Hum Genet. 2011 Oct 7;89(4):516-28, doi:10.1016/j.ajhg.2011.09.005 PMID 21944045.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

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