Honório Barreto

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Honório Pereira Barreto CvTEComC (Cacheu, 24 de Abril de 1813 – Bissau, 26 de Abril de 1859) foi um militar e administrador colonial português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido na Guiné de mãe Guineense e pai Cabo Verdiano, manteve o controlo Português da área e ainda estendeu a sua influência. Apesar de nativo, exerceu os mais altos cargos, desde Provedor de Cacheu a Governador da então colónia.[1] Antes da independência da Guiné-Bissau, Barreto foi visto pelos Portugueses como o mais famoso Governador e um exemplo do que a população local podia atingir. Todavia, Barreto também geriu um negócio de família com a sua mãe desde o estabelecimento de Cacheu, onde os principais produtos dos seus negócios mercantis eram escravos.

Foi dos mais valentes governadores coloniais, naquela época em que tudo era um caso por aquelas paragens, organização militar, administração, comércio, colonização e até as missões religiosas. Reformou a administração, desenvolveu a instrução, a saúde, a agricultura e o comércio.[1] Os territórios da Colónia Portuguesa da Guiné (ou "Província", como era referida durante o tempo da sua administração) tinham vindo sob a jurisdição económica de companhias particulares que, na época, se chamavam, pitorescamente, "companhias do Olho Vivo". Os ingleses ocupavam, a bem ou a mal, pedaços da costa africana portuguesa ante a indiferença quase absoluta da metrópole, desmoralizada pela baixa política. Só Honório Barreto resistia quanto era possível, batendo-se e reconstruindo Bolama, meio destruída pelos incêndios deitados pelos ingleses do Tenente Kellet em 1839. Por iniciativa sua e perante a cobiça dos Ingleses conseguiu, lutando e comprando terrenos, preservar várias parcelas de território que constituem a atual Guiné-Bissau. Graças a este processo é que Bolama se mantém guineense. O mesmo se diga da área de Camansa.[1] Barreto empreendeu a obra de reorganização ainda antes de resolvida a contenda pela arbitragem do Presidente Ulysses S. Grant em 1869. Em 1843 novo conflito entre Bissau e os Grumetes, e Barreto, logo a seguir, firma diversos contratos com os chefes indígenas Banhuns para a ocupação de grandes áreas nas duas margens do Rio Casamansa. Em 1853 grande sublevação dos Papéis de Bissau com sangrentas repressões e em 1856 a campanha contra os Nagos, que, havia 50 anos, impunemente hostilizavam Cacheu, foram empresas em que Barreto se cobriu de glória no campo militar. Em 1857, Barreto cede à coroa portuguesa um território na região dos Felupes de Varela que era sua propriedade particular. Em muitas ocasiões este nativo dava lições de patriotismo aos que iam da metrópole.[2]

Cargos[editar | editar código-fonte]

Provedor de Cacheu em 1834,[3] Capitão-Mor de Bissau de 1836 a 1839 e de 1840 a 1841, Capitão-Mor de Cacheu de 1846 a 1847 e de 1852 a 18??, e novamente Capitão-Mor de Bissau de 1855 a 1858 e de 1858 a 1859, por nomeação de 24 de Janeiro de 1859, por morte do Capitão-Mor que lhe havia sucedido, António Pereira Mouzinho de Albuquerque Cota Falcão, tendo, também ele, morrido em funções. Durante o seu governo Januário Correia de Almeida percorreu todas as ilhas do arquipélago de Cabo Verde e a costa da Guiné como Diretor de Obras Públicas do Distrito de Cabo Verde.

Posto militar[editar | editar código-fonte]

Morreu sendo Tenente-Coronel de Artilharia de Segunda Linha.[2]

Condecorações e outras honras[editar | editar código-fonte]

Condecorado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Cristo[2] e com o grau de Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.[1]

Figurou nas notas de 100$00 e em selos que circularam na Guiné Portuguesa, tem uma corveta com o seu nome e tem um Largo com o seu nome na Freguesia do Beato, em Lisboa.[1]

Obras escritas[editar | editar código-fonte]

Escreveu, em defesa própria, por causa das acusações que lhe fizeram sobre os terrenos que obtivera dos régulos indígenas, um opúsculo que tem o seguinte título: Resposta às calúnias que o Ex.mo Sr. Fortunato José Barreiros e o Sr. António Pedro Dantas Pereira dirigiram contra Honório Pereira Barreto, governador interino da Guiné portuguesa, Lisboa, 1856. Como Governador de Bissau e Cacheu, a sua gerência também suscitou algumas censuras, escrevendo em sua defesa uma Carta escrita ao Il.mo e Ex.mo Sr. Domingos Correia Arouca, Lisboa, 1843. Escreveu mais: Memória sôbre o estado actual da Senegâmbia portuguesa, causa da sua decadência e meios de a fazer prosperar, Lisboa, 1843.[2]

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

Casou e teve descendência.[4]

Referências

  1. a b c d e Título não preenchido, favor adicionar. Jf-beato.pt.
  2. a b c d "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira", Editorial Enciclopédia, Volume Quatro BAIL - BRAG, p. 278
  3. Título não preenchido, favor adicionar. Historiaguine.com.sapo.pt.
  4. Título não preenchido, favor adicionar. Geneall.