Horapolo

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Horapolo foi, provavelnte grego ou egípcio que, no século IV, teria descifrado os enigmas contidos nos hieróglifos, revelando seus mistérios, cuja obra Hieroglyphica fez enorme sucesso na Europa a partir do século XV.

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Horapolo [editar]

Para os humanistas, as obras consideradas herméticas, com conhecimentos encobertos e de difícil interpretação poderiam expressar verdades ocultas não só concernentes ao homem, mas também de acesso à divindade. Foi exatamente essa leitura que os teóricos do Renascimento fizeram da obra de Horapolo, a qual apareceria em Florença em 1419 e que, em pouco tempo, se tornaria um anseio intelectual que levaria o europeu a entranhar-se numa busca por tudo aquilo que se referisse ao Egito — manuscritos, papiros, obeliscos —, para que também a ele fosse possível ter acesso a essa chave sígnica. (Cf. Brandão, 2008, p. 244)

Importância dos Hieroglyphica [editar]

Ao ser descoberto pelos humanistas, serve de inspiração para a criação do gênero emblemático. No entanto, da mesma maneira que os Hieroglyphica foram o prenúncio desse gênero, a mesma obra levou-o ao descrédito, já que, no século XVIII, diante do crivo racionalista do Século das Luzes, a mesma não acrescentava nada ao campo da filologia, mas ao do fantástico, como demonstram os comentários de seu possível autor ao manipular o conteúdo semântico dos hieróglifos, que seria, a posteriori, desmistificado por Champollion. (Brandão, 2003, p. 50)

Mário Praz diz que Não obstante o fato de as explicações contidas na obra Hieroglyphica serem ou não falsas, essas tiveram participação significativa na constituição do gênero emblemático (Cf.: Praz, 1989, p. 24) e no repertório imagético do período, cujo ápice dar-se-á, exatamente, nos Seiscentos. Apesar do modismo advindo com a obra de Horapolo e sua influência no incipiente gênero, pode-se dizer que a concepção de uma onda emblemática seja anterior a ela, afinal permeava a mentalidade iconográfica dos primeiros cristãos, ou mesmo o homem do medievo com seus bestiários, lapidários e alegorias. (ibidem, p. 16)

Referências bibliográficas [editar]

BRANDÃO, Antônio Jackson de S. A literatura barroca na Alemanha. Andreas Gryphius: representação, vanitas e guerra. Dissertação de mestrado apresentada à Universidade de São Paulo, 2003.

_________________. Iconofotologia do Barroco alemão. Tese de doutoramento apresentada à Universidade de São Paulo, 2008.

PRAZ, Mário. Imágenes del Barroco (estúdios de emblemática). Madrid, Ed. Siruela, 1989.

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