Horrorcore

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Horrorcore
Origens estilísticas Hardcore hip hop, gangsta rap
Contexto cultural Década de 1980, Estados Unidos
Instrumentos típicos Rapping, turntablism, sampler, sintetizadores e outros
Popularidade Bastante underground, sendo que alguns grupos receberam o sucesso em mainstream.
Formas regionais
Detroit, Michigan
Outros tópicos
Horror punk

Horrorcore ou horror rap, é um dos subgêneros da música Rap que surgiu do Gangsta Rap no final da década de 80, que tem o seu lírico baseado em letras de horror, com o imaginário centrado na mesma. Ela teve origem com vários grupos de hardcore e gangsta rap, com destaque para o Geto Boys, que utilizava de termos "supernaturais" para descrever o conteúdo de seus raps violentos.[1] O termo "horrorcore" surgiu após as letras tratarem exatamente do mesmo conteúdo de livros de horror, na época dos grupos Flatlinerz e Gravediggaz.[2]

No Brasil, dois jovens de aproximadamente 13 anos, um deles filho de um delegado, e outro filho do dono de uma rede de TV estupraram uma garota, aproximadamente da mesma idade, entre 12 e 13 anos na cidade de Florianópolis estado de Santa Catarina. No site do YouTube há um vídeo dos jovens interpretando a música "O Próximo Terror De Stephen King" do rapper Patrick Horla.[3] O blogueiro que denunciou o caso, Amilton Alexandre, alcunha Mosquito, foi encontrado morto em dezembro de 2011.[4]

O lendário grupo de rap pioneiro no estilo horror-core, no Brasil é o grupo Seres Mortais, da região periférica do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo. A música "Gritos de Agonia" foi gravada em 1994, na coletânea Fest Rap I, da gravadora Maracanã (lançada em 1995). O grupo ficou conhecido pelo estilo diferenciado, que apesar de ter sido inspirado em grupos já consagrados nos EUA, como Gravediggaz, causaram bastante impacto e influenciaram outros grupos no mesmo seguimento, que eles renomearam como "Estilo tormento", fazendo referência ao refrão da música que os lançaram no mercado fonográfico. Dentre esses grupos, os que tiveram mais exposição na mídia, por tanto o grupo mais conhecido, foi o grupo "Zona Proibida, com a música "Caminho das pedras", da coletânea Rima Forte, da gravadora Trama.

O horror-core geralmente é adotado pelos grupos de rap como um estilo constituído por instrumentais sinistras e letras aterrorizantes, macabras que jorrem sangue e façam referencia ao satanismo, mas a exemplo de Gravediggaz, as letras podem possuir palavras e histórias aterrorizantes, mas isso não necessariamente deve ser uma apologia, ou uma referência a coisas macabras. Podem simplesmente ser um relato, uma história, uma alegoria, que não remeta a nenhum tipo de satisfação, ao contrário, com intuito de demonstrar justamente uma aversão aos fatos apresentados e/ou colocar em discussão um determinado tema. A denominação “Estilo tormento” surgiu também com o intuito de criar essa diferenciação entre um horro-core inclinado ao terrorismo musical, puro e simplesmente e o horror-core como alegoria na defesa de uma causa.

O grupo Seres Mortais era composto por oito integrantes: Neurus, Proffessor, Lord, Dr. Norman, Danclis, C.Mente, Sinistro (Fram) e DJ Daimon. O estilo do grupo já se diferenciava pelo número de integrantes, que para a época não era comum, e pelo jeito único de interpretação das músicas de composição própria, contendo coros e vozes graves e produção musical com acordes sinistros. Inovaram em termos de performance de palco e figurino, que muitas vezes contava com máscaras, pinturas no rosto, lanternas no escuro e outros apetrechos.

Outro grupo que vale a pena citar é o Fúria Verbal, que no ano seguinte participaram da coletânea Fest Rap II, com a música "Ressurgimento", com produção de Neurus. O grupo era formado por Zuripa, K.de kco, Neguito, DJ Luciano, Braco e FX. Seres Mortais, Fúria Verbal, Mitologia e SNJ (Somos Nós a Justiça) formaram a Posse Poder e Revolução, cujo intuito era formar uma grande "banca" com grupos do mesmo seguimento. Entre 1998 e 1999, tanto o grupo Seres Mortais, quanto o grupo Fúria Verbal encerraram suas atividades. No início do ano 2000 surge o grupo Transfusão, com a junção de dois integrantes de cada grupo; Neurus e Proffessor (Seres Mortais), Zuripa e K.de kco (Fúria Verbal) e Klebber (chiquinho). Mais tarde ingressou no grupo mais um integrante; DJ Trêmolo, que mais tarde, ao encerrar seu período de participação no grupo, ingressou como vocalista no grupo SNJ (Somos Nós a Justiça). A formação que deu origem ao primeiro Álbum do grupo Transfusão é a mesma de hoje (2014) e conta com a participação de mais um integrante (Nato), que em outra ocasião, já havia feito parte do grupo antes da gravação do primeiro CD. Hoje o grupo é formado por: Neurus, Zuripa, Proffessor, K.de kco, Nato e DJ Fhak (ex-Camorra | Trama). Sendo assim, o grupo Transfusão é considerado o grupo de maior legitimidade de representação desse sub-gênero do rap nacional, no Brasil. A continuação do legado iniciado nos anos 90 e que ainda tem suas sementes espalhadas no Brasil inteiro.

Representantes notáveis[editar | editar código-fonte]

  • Facção Central

Referências

  1. Bruce, Joseph; Hobey Echlin. In: Nathan Fostey. ICP: Behind the Paint. second ed. Royal Oak, Michigan: Psychopathic Records, August-2003. 174–185 pp. ISBN 0-9741846-0-8
  2. a b Passantino, Dom. (07 Jan 2005) Top ten Hip-Hop gimmicks of all time Stylus Magazine. Accessed November 4, 2007.
  3. Mídia esconde que filho do dono da RBS estuprou menina de 13 anos com requintes de crueldade Patrial Latina. Página visitada em 11 de janeiro de 2013.
  4. Título não preenchido, favor adicionar Pragmatismo Político. Página visitada em 11 de janeiro de 2013.
  5. Detroit's scariest Rap music [1]/
  6. Cordor, Cyril. Blaze Ya Dead Homie > Biography Allmusic. Página visitada em 2008-07-14.
  7. Macias, Chris. (December 5, 2006). The king of gore, Brotha Lynch reigns over local hip-hop movement The Sacramento Bee. Accessed November 29, 2007.
  8. Faraone, Chris (November 30, 2007). Shia LaBeouf: Horror-Core MC? Transformers star hopes to play indie rapper Cage in biopic Spin. Página visitada em 2008-06-27.
  9. Montgomery, James. "Shia LaBeouf-Directed Video Puts Cage's Dark Hip-Hop On The Map", MTV News, May 18, 2009. Página visitada em May 26, 2009.
  10. Reeves, Mosi. "World Famous", 'New Times Broward-Palm Beach', July 8, 2004. Página visitada em 31 March 2009.
  11. Cohen, Sara. Decline, Renewal and the City in Popular Music Culture: Beyond The Beatles. [S.l.]: Ashgate Publishing, Ltd., 2007. p. 52. ISBN 0-7546-3243-1
  12. a b c d e Hess, Danielle. In: Hess, MickeyDanielle. Icons of Hip Hop. [S.l.]: Greenwood Publishing Group, 2007. p. 369. ISBN 0-313-33903-1
  13. McLeod, Rodd. "The Wicket World of Natas", 'Rolling Stone', March 2, 2000. Página visitada em 2008-07-19.
  14. Hernandez, Pedro. Review of N of Tha World Rap Reviews. Página visitada em 2008-08-04.
  15. Hess, Mickey. Is Hip Hop Dead?. [S.l.]: Greenwood Publishing Group, 2007. 72–73 pp. ISBN 0-275-99461-9
  16. Fernando Jr., S.H. (September 18, 2007) The Pick, The Sickle & The Shovel Rolling Stone Accessed November 4, 2007. (archived
  17. Cordor, Cyril. Biography of Insane Poetry Allmusic. Página visitada em 12 November 2008.
  18. Righi, Len. (9 April 2007) King Gordy keeps up lighting up the dark Pop Matters. Accessed November 4, 2007.
  19. Kane; QED (July 19, 2007). Kool Keith Interview Original UK Hip Hop. Página visitada em 2008-08-04.
  20. Hit Horrorcore Rapper Kung Fu Vampire to Guest on The Jimmy Star Show Radio Show October 27 2010 | PRLog
  21. Bulwa, Demian. "Bay Area suspect allegedly bludgeoned victims", San Francisco Chronicle, September 23, 2009. Página visitada em 2009-09-24.
  22. McKinney, Devin. (2004-09-14) Real horror show The American Prospect. Retrieved 2008-10-14.
  23. Varine, Patrick. "Album review: 'K.O.D.,' by Tech N9ne'", 'The Country Gazette', October 26, 2009. Página visitada em 2009-11-21.
  24. 10 Horrifying Horrorcore Rappers - Vulture
  25. "Twiztid morality and 'horrorcore'", Metro Times, October 27, 2010. Página visitada em 7 November 2010.