Hospital da Boa Nova

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Hospital da Boa Nova, Angra do Heroísmo.
Hospital da Boa Nova, Angra do Heroísmo.

O Hospital Militar da Boa Nova localiza-se no centro histórico da cidade e Concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, nos Açores.

É considerado como possivelmente o mais antigo de seu género no mundo.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1583 o marquês de Santa Cruz trouxe consigo um hospital de campanha, visando o atendimento aos doentes e feridos das suas forças durante a expedição militar que submeteu a Terceira a Filipe II de Espanha. Com a conquista da ilha, com os profissionais de saúde que o acompanharam foi constituído o "Hospital Real de Angra", que foi instalado inicialmente nas dependências do centenário Hospital da Misericórdia em Angra. Com as suas instalações ocupadas pelo hospital militar, a Misericórdia de Angra passou a funcionar, em condições precárias, na Casa da Moeda anexa.[1]

Com a partida do Terço espanhol que resistia na Fortaleza de São João Baptista após a Restauração da Independência, e com o aboletamento de uma força de cerca de 400 homens em Angra, a Câmara Municipal da cidade iniciou gestões para manter os militares no perímetro da fortaleza, recuperando o antigo Hospital da Misericórdia para o atendimento à população.[2]

Embora não se saiba ao certo a data de construção dos edifícios em que se instalou o Hospital Real de Angra, sabe-se que, naquele momento, em 1642, as conversações que conduziram à capitulação da guarnição espanhola na fortaleza, tiveram lugar na Ermida de Nossa Senhora da Boa Nova e que, a partir de então, a documentação coeva identifica o Hospital Real como "Hospital Real de Nossa Senhora da Boa Nova".[3]

Outros autores remontam a sua fundação ao ano de 1615, em anexo aquela primitiva capela. O nome "Boa Nova", dever-se-ia ao fato de que, quando da rendição espanhola em 1642, no contexto da Guerra da Restauração Portuguesa, foi daqui que a "boa nova" se espalhou por toda a ilha[carece de fontes?].

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores, o seu estado foi assim reportado:

"Está este Hospital situado fora das muralhas do castello de São João Baptista na distancia de duzentas braças; foi feito para se recolherem nelle os soldados doentes da goarnição antiga do dito castello, para a qual era sufficiente a sua capacidade, fazendo-se-lhe para isso alguma reparação, ou melhor accomodação na mesma aria que tem; mas como ao presente excede em dobro o numero da tropa que reside no castello, e por consequencia se haviam de augmentar os doentes á proporção, segue-se que no dito Hospital se acham estes em grande consternação e aperto, por não haver donde se recolham e accomodem, o que mais claramente se vê nas plantas que se acham feitas, mas não projectadas, por não caber no tempo, por cuja razão as não ponho na presença de V. Ex.ª , o que logo executarei com a brevidade possivel. V. Ex.ª mandará o que for servido. Angra 29 de maio de 1767."[4]

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), aqui funcionou, entre 1832 e 1835 a primeira imprensa nos Açores, que até então havia funcionado em uma casa na rua da Sé (a tipografia da Chronica da Terceira), já então denominada como "Imprensa da Prefeitura" ou "Imprensa do Governo", sendo o seu compositor o emigrado João de Sousa Ribeiro.

Noutra parte deste imóvel, voltada ao largo da Boa Nova, funcionaram também aulas de Filosofia e Retórica à época da Regência. No lado voltado à rua da Boa Nova, continuou a funcionar o hospital.

Aqui faleceu, 23 de dezembro de 1906, vítima de hemorragia cerebral, Ngungunhane, último Imperador de Gaza.

De acordo com o pesquisador Manuel Augusto Faria, o hospital militar atuou até à Segunda Guerra Mundial, período em que foi transformada em enfermaria regimental.[5]

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pela Resolução n.º 98/80 de 16 de Setembro de 1980,[6] , classificação consumida por inclusão no conjunto classificado da Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo, conforme a Resolução n.º 41/80, de 11 de Junho, e artigo 10.º e alínea a) do artigo 57.º do Decreto Legislativo Regional n.º 29/2004/A, de 24 de Agosto.

Atualmente encontra-se na posse do Governo da República Portuguesa estando a decorrer negociações entre este e a Região Autónoma dos Açores, com o fim da transferência da sua posse para o Governo Regional dos Açores, visando requalificar esse espaço como um Museu Militar.

Referências

  1. FARIA, Manuel Augusto. in FAGUNDES, Helena. "Na costa Terceirense Fortes ao Abandono". Revista DI, nº 357, 14 fev 2010, p. 8-9.
  2. op. cit., p. 9
  3. Op. cit., p. 9.
  4. "Revista que fez no Hospital de Nossa Senhora da Boa Nova, por ordem do Ill.mo e Ex.mo Sr. Capitão General, o Sargento Mór Engenheiro João António Júdice". in Arquivo dos Açores, vol. V, p. 413.
  5. FARIA, Manuel Augusto. in FAGUNDES, Helena. "Na costa Terceirense Fortes ao Abandono". Revista DI, nº 357, 14 fev 2010, p. 9.
  6. Jornal Oficial I Série, nr. 31.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Angra do Heroísmo: Janela do Atlântico entre a Europa e o Novo Mundo. Horta (Faial): Direcção Regional do Turismo dos Açores. s.d..
  • JÚDICE, João António. "Revistas feitas no Castello de S. João Baptista, Forte de S. Sebastião e de todos os mais fortes que tem esta Ilha Terceira" (Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Papéis do Ministério do Reino, Maço 611). in Arquivo dos Açores, vol. V (ed. fac-similada de 1883). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. pp. 407-418.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]