Hossein Fatemi

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Hossein Fatemi

Hossein Fatemi (em persa: حسین فاطمی ; Na'in, 1917 - Teerão, 10 de Novembro de 1954) foi um popular jornalista e político iraniano. Durante o governo democrático de Mohammed Mossadegh, entre 1951 e 1953, foi ministro dos negócios estrangeiros do Irão e proponente da política de nacionalização do petróleo do Irão. Na sequência do golpe de estado de 1953 orquestrado pela CIA, Fatemi viria a ser preso após meio ano na clandestinidade. Acusado de "traição à monarquia", acabou por ser condenado à morte e fuzilado.

Educação e carreira jornalística[editar | editar código-fonte]

Hossein Fatemi nasceu em Na'in, cidade da província de Ispaão no Irão, quinto filho do clérigo Seyyed Ali Mohammad Naini (famoso sob o título de Seyf Ol-Olama). Foi na cidade de Ispaão que frequentou o Liceu e onde, em 1936, foi introduzido no jornalismo no diário Bakhtar, propriedade do seu irmão mais velho Nasrollah Seyfpur. Rapidamente tornou-se também editor-chefe do diário Setareh, sem deixar de colaborar no Bakhtar, que viria a ser transferido para Teerão em 1942. Durante estes anos, Fatemi destinguiu-se como um crítico acérrimo do Xá Reza Pahlavi.

Em 1944 Fatemi viajou para a Europa, indo estudar direito e jornalismo em Paris. Durante esse período manteve a sua actividade de comentador da situação política iraniana, enviando artigos tanto para o diário Setareh como para o semanário Mard-e Emruz.

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Quando em 1948, já na posse do grau de Doutor em direito e de um diploma em jornalismo, voltou ao Irão, fundou o jornal Bakhtar-e Emruz. No ano seguinte viria a conhecer pessoalmente o líder nacionalista Mossadegh, sendo nessa altura que propôs a criação de um partido de coligação que unisse políticos de várias tendências mas com objectivos fundamentais comuns. Fruto desta proposta, a Frente Nacional viria a nascer poucos dias depois, tendo Fatemi como um dos 19 fundadores. O seu jornal Bakhtar-e Emruz tornou-se no jornal oficioso do partido.

Nos quatro anos seguintes, a ascensão política do jovem Fatemi seria fulgurante. Durante o 1º governo de Mossadegh (Abril 1951-Julho 1952) serviu como seu assistente. Foi eleito deputado por Teerão ao Majlis, na 17ª legislatura (1952-1953) e ainda em 1952, contando apenas 33 anos, foi nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros do 2º governo de Mossadegh.

A notoriedade de Fatemi teve também consequências nefastas. A 15 de Fevereiro de 1952, enquanto discursava, foi alvo de um atentado por um militante do grupo islamita Fadāiān-e Islam.[1] Tendo permanecido hospitalizado mais de meio ano, nunca recuperaria inteiramente dos ferimentos causados. Abdolhossein Vahemi, número dois do Fadāiān-e Islam e planeador do atentado, nunca viria a ser detido.[2]

Golpe de estado de 1953[editar | editar código-fonte]

Os dois governos democráticos liderados por Mossadegh notabilizaram-se pela nacionalização da industria do petróleo, sendo em consequência disso marcados por um crescendo de confronto com britânicos e norte-americanos que culminaria no golpe de estado de 19 de Agosto de 1953, apoiado pelo Xá e orquestrado pela CIA e MI6 e consequente deposição e prisão do primeiro ministro e membros do governo.

Poucos dias antes, durante uma primeira tentativa de golpe de estado, Fatemi chegou a ser preso em sua casa por apoiantes do Xá Mohammad Reza Pahlavi. Perante o aparente fracasso do golpe, o Xá fugiu com a sua mulher para Bagdad. Nos dias que seguiram, em discursos inflamados e editoriais ferozes, Fatemi atacou o Xá e advogou a sua abdicação.[3]

A 19 de Agosto, a segunda tentativa de golpe de estado foi bem sucedida e Mossadegh foi preso. Fatemi conseguiu escapar e viver na clandestinidade durante 204 dias até ser capturado no dia 13 de Março de 1954. Nesse mesmo dia, enquanto era levado pela polícia, foi espancado e esfaqueado por apoiantes do Xá. Nos meses seguintes, seria torturado na prisão, vindo a ser condenado à morte por um Tribunal Militar, acusado de traição à instituição da monarquia, em Outubro do mesmo ano.[4] [5]

Hossein Fatemi foi fuzilado em Teerão a 10 de Novembro de 1954, quando contava 37 anos.[6]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Homa Katouzian, "Mossadeq's Government in Iranian History", in Mohammad Mossaddeq and the 1953 Coup in Iran, Edited by Mark J. Gasiorowski and Malcom Byrne, p.14
  2. Fakhreddin Azimi, "Unseating Mosaddeq", in Mohammad Mossaddeq and the 1953 Coup in Iran, Edited by Mark J. Gasiorowski and Malcom Byrne, p.66
  3. Stephen Kinzer, All the Shah's men, pp.14-16
  4. http://www.mohammadmossadegh.com/biography/hossein-fatemi/
  5. http://partners.nytimes.com/library/world/mideast/101154iran-aide.html
  6. http://partners.nytimes.com/library/world/mideast/111154iran-execute.html


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Gasiorowski, Mark J. (2004), Mohammad Mossaddeq and the 1953 Coup in Iran, Syracuse University Press, ISBN 0-8156-3018-2 
  • Kinzer, Stephen (2008), All the Shah's men: an American coup and the roots of Middle East terror, John Wiley & Sons, ISBN 978-0-470-18549-0