Houghton Hall (Norfolk)

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A fachada de Houghton Hall em 2007.

Houghton Hall é um palácio rural inglês, situado em Norfolk. Foi construído para o primeiro de facto Primeiro-ministro Britânico, Sir Robert Walpole, e é um edifício-chave na história da Arquitectura Palladiana na Inglaterra. É um listed building classificado com o Grau I [1] .

Os arquitecto que mais influenciaram o desenvolvimento inicial dos planos e construção em Houghton foram:

Houghton Hall fica no West Norfolk, a norte da estrada A148, que liga King's Lynn a Cromer. Um sinal turístico de cor castanha indica a estrada para o palácio na aldeia de Harpley.

História[editar | editar código-fonte]

Vista frontal da fachada ocidental.

Construída nas proximidades da pequena aldeia de Houghton, a residência pertenceu originalmente a Carlos I. Quando Sir Robert a herdou do pai, em 1700, mandou demolir o que restava da primeira construção e encomendou a construção duma nova residência. Todavia, os trabalhos só se iniciaram em 1708, quando Walpole, então no auge da sua carreira política, pensou edificar um edifício maior e sumptuosíssimo que fosse o símbolo e o espelho da sua ascensão. Isso também explica o facto da pedra de fundação da nova construção carregue a data, muito posterior, de 1722, ano em que Walpole subiu ao alto da sua fama.

Em 1717, o arquitecto William Kent desenhou os interiores do novo palácio, encomendados propositadamente por Walpole para hospedar a sua famosíssima colecção de pinturas. Na realização desta residência colaboraram outros grandes arquitectos como Henry Bell, James Gibbs e Colen Campbell, embora grande parte do edifício tenha sido supervisionada pelo arquitecto Thomas Ripley, o qual também realizou Wolterton Hall, um outro palácio encomendado por Horatio Walpole, o irmão mais novo de Robert Walpole.

Detalhe da fachada oriental.

Quando Robert Walpole faleceu, em 1745, a residência foi herdada pelo seu filho Robert, segundo Conde de Orford, que morreu em 1751, deixando a propriedade ao 3º Conde de Orford, George Walpole, com o qual coincide o início de um longo período de decadência do palácio, testemunhado pela venda da valiosa colecção de pinturas à Rainha Catarina II da Rússia para pagar diversas dívidas da família, ocorrida em 1779, e pela demolição das sumptuosas escadarias das fachadas ocidental e oriental. Em 1797, o escritor Horace Walpole, que havia herdado a construção, conseguiu resgatar todas as dívidas que pendiam sobre a residência, salvando, assim, não só a propriedade, como todos os bens nela conservados, de enorme valor artístico e histórico.

Em 1814, o palácio foi oferecido a Arthur Wellesley, 1.º Duque de Wellington, como recompensa pela sua vitória naval contra a França. Todavia, embora o duque tivesse estado numerosas vezes hospedado em Houghton Hall e apreciasse o seu valor, a oferta foi declinada. Entretanto, a propriedade tinha passado, em 1797, para os Marqueses de Cholmondeley, descendentes directo de Sir Robert Walpole (a sua filha casara com o 3º Conde de Cholmondeley, George Cholmondeley), que ali instalaram a sua residência até aos nossos dias.

Por volta de 1860 Houghton Hall sofreu um renascimento devido à decisão da Família Real britânica de designar a vizinha Sandringham House como residência estival. O palácio permaneceu amplamente intocado, tendo permanecido "desaproveitado" apesar da paixão vitoriana pela remodelação e redecoração. Em 1970, Lady Sybyl Cholmondeley, esposa do 5º Marquês de Cholmondeley, ocupou-se do rstauro do palácio, encomendando a reconstrução da escadaria ao longo da fachada ocidental. Acualmente, a residência ainda é propriedade da Casa de Cholmondeley, que, no entanto, mantêm uma parte da estrutura e dos campos aberta ao público durante todo o ano.

Arte e cultura[editar | editar código-fonte]

Em tempos, Houghton Hall conteve parte da grande colecção de pintura de Sir Robert Walpole, cujos descendentes venderam à czarina da Rússia para pagar algumas das dívidas da família. Incluído na actual colecção de pinturas está uma pintura a óleo de Thomas Gainsborough representando a sua própria família [2] (cerca de 1751-1752).

A colecção de bustos romanos de Walpole também foi notável[3] .

O crescimento da biblioteca de Houghton Hall ilustra bem a história da família que o construiu, modificou e manteve. Por exemplo, o Coronel Robert Walpole, pai de Sir Robert, verificou um livro sobre os Arcebispos de Bremen da biblioteca do Sidney Sussex College, de Cambridge, em 1667 ou 1668. O antigo livro da biblioteca foi descoberto em Houghton Hall, em meados da década de 1950, e foi prontamente devolvido à sua origem 288 anos depois[4] .

Descrição[editar | editar código-fonte]

A fachada de Houghton Hall no Vitruvius Britannicus de Colen Campbell. No desenho final, as torres dos cantos foram substituídas por cúpulas.

O palácio é constituído por um bloco principal rectangular que consiste numa base rústica no nível térreo, acima do qual se eleva um andar nobre (piano nobile), um andar de quartos e um ático. Também existem duas alas laterais mais baixas que se juntam ao bloco principal por colunatas.

O exterior é, ao mesmo tempo, grandioso e contido, pontoado em cada esquina pelas torres desenhadas por Gibbs, fabricadas em pedra branco-prata de grão fino.

Em linha com as preferências de gosto da época, os interiores são muito mais coloridos, exuberantes e opulentos que os exteriores.

Na fachada ocidental estão colocadas três grandes esculturas de mármore representando Demóstenes, Minerva e uma alegoria da Justiça. No interior da residência é feito um grande uso das decorações em mogno, característica peculiar de Houghton Hall.

O salão de entrada foi desenhado por William Kent, em colaboração com J.M. Rysbrack, com decorações em estuque de Giuseppe Artari e contendo uma cópia em bronze do Laocoonte conservado nos Museus Vaticanos.

Notas

  1. Images of England: Houghton Hall, English Heritage, http://www.imagesofengland.org.uk/details/default.aspx?pid=1&id=221600, visitado em 24 Fevereiro de 2009 
  2. http://galeria.klp.pl/p-2839.html Thomas Gainsborough, with His Wife and Elder Daughter, Mary ("Thomas Gainsborough com a sua esposa e filha mais velha, Maria")
  3. Michaelis, Adolph. (1882). Ancient Marbles in Great Britain, p. 324. Publicado por University Press, 1882.
  4. Vickroy, Donna. "Throwing the book at library scofflaws," Southtown Star (Chicago). 1 de Fevereiro de 2009.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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