Hristo Stoichkov

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Hristo Stoichkov
Христо Стоичков
Hristo stoichkov-2010 (crop).jpg
Informações pessoais
Nome completo Hristo Stoichkov Stoichkov Stoichkov
Data de nasc. 8 de Fevereiro de 1966 (48 anos)
Local de nasc. Plovdiv, Flag of Bulgaria (1948-1967).svg Bulgária
Altura 1,78 m
Informações profissionais
Clube atual Sem Clube
Posição (ex-Atacante) Treinador
Clubes de juventude
19761982 Flag of Bulgaria (1971-1990).svg Maritsa Plovdiv
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
19821984
19841990
19901995
19951996
19961998
1998
1998
19981999
20002002
20032004
Flag of Bulgaria (1971-1990).svg Hebros Harmanli
Flag of Bulgaria (1971-1990).svg CSKA Sófia
Espanha Barcelona
Itália Parma
Espanha Barcelona
Bulgária CSKA Sófia
Arábia Saudita Al-Nassr
Japão Kashiwa Reysol
Estados Unidos Chicago Fire
Estados Unidos DC United
032 000 (14)
119 000 (81)
151 000 (76)
023 0000 (5)
024 0000 (7)
004 0000 (1)
002 0000 (1)
028 000 (13)
051 000 (17)
021 0000 (5)
Seleção nacional
19871999 Flag of Bulgaria.svg Bulgária 083 000 (37)
Times que treinou
20042007
2007
20092010
20122013
2013
Flag of Bulgaria.svg Bulgária
Espanha Celta de Vigo
África do Sul Mamelodi Sundowns
Bulgária Litex Lovech
Bulgária CSKA Sófia
00000?
00000?
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000000

Hristo Stoichkov Stoichkov Stoichkov, em búlgaro, Христо Стоичков Стоичков (Plovdiv, 8 de fevereiro de 1966), é um ex-jogador búlgaro de futebol. Atualmente, exerce a função de técnico.

Stoichkov marcou época por três elencos: o do CSKA Sófia na década de 1980 e, principalmente, o do Dream Team do Barcelona no início da década de 1990 e o da Seleção Búlgara da Copa do Mundo de 1994. Suas maiores características eram a perna esquerda desequilibradora e o comportamento desequilibrado.[1] [2]

Stoichkov celebrizou-se como o maior jogador do futebol búlgaro, liderando um desacreditado país a um quarto lugar na Copa de 1994, da qual foi um dos artilheiros. O maestro da Bulgária, que até disputara cinco Copas e não tinha vencido nenhum jogo, deu bastante mostras de sua forte e nada modesta personalidade: "Existe um Cristo lá em cima e outro aqui embaixo. Ambos fazem milagres",[1] em alusão ao seu nome Hristo, a versão búlgara para Cristo. Outra versão da frase é "Existem apenas dois Cristos. Um joga no Barcelona, o outro está no paraíso".[3] [4]

Carreira como jogador em clubes[editar | editar código-fonte]

CSKA Sófia[editar | editar código-fonte]

Atacante, começou a carreira em 1981 na equipe do Maritsa Plovdiv, da segunda divisão búlgara. Sabendo dos problemas de temperamento do Stoichkov, seu pai, que trabalhava no Ministério da Defesa da Bulgária, colocou-o no CSKA Sófia.[1] A esperança era de que ali, no time do Exército, o garoto conseguiria se controlar e amadurecer;[1] Stoichkov tinha a pecha de craque-problema.[1]

Com ainda 19 anos, sua carreira ficou seriamente ameaçada. Na primeira vez que disputou um título, a Copa da Bulgária de 1985, fez o gol da vitória [1] na final contra o arquirrival Levski Sófia. No entanto, em uma partida cheia de lances violentos dos dois times, o jogo terminou com uma briga generalizada.[5] Stoichkov saiu a socos com o goleiro adversário, Borislav Mihaylov.

As imagens do jogo foram tão contundentes na opinião pública búlgara que o próprio Comitê Central do Partido Comunista Búlgaro se reuniu no dia seguinte [5] e decretou o banimento de vários jogadores, dentre eles o jovem Stoichkov.[1] [5] O órgão também determinou que aquela Copa da Bulgária ficaria sem campeão e que os dois times seriam extintos.[5] O Levski virou "Sredets" e o CSKA, "Vitosha".[5]

Uma anistia foi dada aos jogadores um ano depois.[1] Stoichkov voltou a jogar a partir da temporada 1986/87 e conduziu o Vitosha ao título no campeonato búlgaro e na Copa da Bulgária. Novas conquistas dobradas vieram em 1989. A Copa também foi conquistada em 1988. Naquele ano, a punição aos clubes também foi atenuada e eles retomaram os antigos nomes e o CSKA, o título da Copa de 1985.[5] Stoichkov deu-se bastante bem: além dos títulos, ele foi eleito o melhor jogador do país em 1987, 1988 e 1989.[1]

Paralelamente, desde 1987, quando conquistou campeonato e copa búlgaros, já defendia a Seleção Búlgara.[6] Em 1990, ganhou novamente o campeonato búlgaro, do qual sua artilharia foi a maior do continente. Com isso, recebeu a chuteira de ouro europeia, premiação dividida com o mexicano Hugo Sánchez, da equipe espanhola do Real Madrid. O feito faria Stoichkov desembarcar justamente na Espanha, no arquirrival Barcelona.[1]

Barcelona[editar | editar código-fonte]

Camisa do Barcelona de 2003/04, em homenagem a Stoichkov

Não demorou para que seus lançamentos precisos e a perna esquerda fizessem história no clube catalão.[1] Na primeira temporada no Barça, o time quebrou a série de cinco títulos seguidos do Real na liga espanhola, embora o reforço tenha ficado dois meses fora em nova confusão: em seu primeiro clássico contra o Real Madrid, pisou no juiz e foi suspenso, inicialmente por seis meses.[7] Contra outro time madrilenho, o Rayo Vallecano, chegou a ser expulso após receber dois cartões amarelos em seis minutos.[7]

Na segunda, veio o bi, com ele sendo o terceiro jogador na artilharia e, o mais importante: o primeiro título do Barcelona na Copa dos Campeões da UEFA. Stoichkov emendou com o clube outros dois campeonatos espanhóis, em 1993 e 1994. Na temporada 1993/94, viveu mágica dupla ofensiva com o Romário. Stoichkov, no início, não gostou da vinda do brasileiro, uma vez que as regras desportivas só permitiam três estrangeiros por time em campo, e o clube já tinha outros dois: o neerlandês Ronald Koeman e o dinamarquês Michael Laudrup, o que forçaria Cruijff a realizar um rodízio que não agradaria a nenhum dos quatro.[7] Stoichkov chegou a sugerir que o quarto estrangeiro deveria ser seu compatriota Lyuboslav Penev,[7] destaque do Valencia, mas não demorou para se tornar amigo de Romário, a ponto do "Baixinho" ter escolhido o colega para ser o padrinho do filho recém-nascido, Romarinho (o desejo, porém acabou não realizado pois a Seleção Búlgara teve de se encontrar com o presidente do país e Stoichkov não pôde ir ao Brasil).[7]

Em 1994, o Barcelona teve a oportunidade de ser novamente campeão da Copa dos Campeões, agora rebatizada Liga dos Campeões, tendo chegado à decisão contra o Milan na posição de favorito, mas na final foi a vez dos blaugranas levarem de 0 x 4. Embora semanas depois Stoichkov fizesse uma estupenda Copa do Mundo de 1994 pela Bulgária, aquela derrota marcou o fim do chamado Dream Team e o início de uma decadência para Stoichkov. Foi o tempo também em que a amizade entre ele e Romário desmoronou, com o brasileiro insatisfeito com as intromissões de todos em sua agitada vida extracampo.[7] Ainda assim, ambos tiveram uma última exibição de gala no Camp Nou na temporada pós-Copa, a de 1994/95, em que inspiraram um 4 x 0 sobre o Manchester United.[7]

Naquela temporada, o Barcelona perderia Romário, não conseguiria títulos e veria o Real ser novamente campeão. Em meio à campanha, o temperamental búlgaro - que não mudara de hábitos na Espanha, discutindo costumamente com jogadores, imprensa e árbitros, além de receber inúmeros cartões amarelos por reclamação e três suspensões superiores a um mês [1] - bateu de frente com o igualmente temperamental técnico do clube, o neerlandês Johan Cruijff. "É Cruijff ou eu", retrucou o búlgaro em uma rádio espanhola em 1995. Cruijff, que já dispensara Gary Lineker, Michael Laudrup e Romário, não titubeou em fazê-lo sair.

Decadência[editar | editar código-fonte]

Stoichkov então acertou com a emergente equipe italiana do Parma, iniciando um rodízio por diversos clubes. Ficou apenas uma temporada no Parma, retornando ao Barcelona em 1996, após a queda de Cruijff. Já não era mais o mesmo, porém: as referências ofensivas ficaram centralizadas em Ronaldo na temporada 1996/97 e em Rivaldo na de 1997/98.

Deixaria de vez o Barça ainda em 1998, ano em que esteve em outras três equipes: o CSKA, o Al-Nassr e o Kashiwa Reysol. Não deixou tantas marcas em seu retorno à Bulgária. No Al-Nassr, mesmo ficando pouco tempo, faturou a Supercopa da Ásia e a Copa dos Vencedores da Copa Asiática, esta com um gol dele na decisão.[1] No clube japonês do Kashiwa, uma Copa Nabisco.

Em 1999, decidiu encerrar momentaneamente a carreira para ser assistente técnico da Seleção Búlgara.[1] Logo voltou atrás, seduzido pelos dólares da Major League Soccer. Nos Estados Unidos, jogaria dois anos no Chicago Fire e outros dois no DC United, até abandonar de vez os gramados em 2004.

Seleção Búlgara[editar | editar código-fonte]

Stoichkov tinha potencial para estrear pela Seleção Búlgara a tempo de ser incluído entre os jogadores do país que foram para a Copa do Mundo de 1986, mas a suspensão em virtude da briga generalizada em que se meteu na final da Copa da Bulgária de 1985 lhe atrapalhou. A estreia viria apenas em 1987, quando ele recuperou sua imagem ao conquistar o campeonato e a Copa da Bulgária com o então Vitosha Sófia.

O jogo foi válido pelas eliminatórias para a Eurocopa 1988 [6] e por pouco os búlgaros não se classificaram: perderam, por um ponto, a vaga para a Irlanda, após perderem em casa para a Escócia na última partida. A boa campanha não se repetiu nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1990: a Bulgária amargou o último lugar de seu grupo. Nas da Eurocopa 1992, o time ficou em penúltimo, mas dois pontos atrás do primeiro e único classificado do grupo, a Escócia.

Nas da Copa do Mundo de 1994, a situação finalmente seria diferente, e de forma emocionante: os búlgaros fariam um confronto direto pela vaga contra a favoritíssima França de Éric Cantona e Jean-Pierre Papin, em Paris. Em pleno Parc des Princes, deu Bulgária 2 x 1, de virada, com o segundo gol marcado no último minuto.[8]

Stoichkov chegou aos EUA já consagrado mundialmente pelos títulos no Barcelona, mas não era o único destaque individual do elenco, o mais célebre da Seleção Búlgara: ele reunia outros dois jogadores suspensos daquela decisão de 1985, Nasko Sirakov e Borislav Mihaylov, além dos eficientes Krasimir Balakov, Emil Kostadinov, Ivaylo Yordanov e Yordan Lechkov, dentre outros. Stoichkov os liderou com maestria.

Na primeira fase, conduziu a Bulgária às suas duas primeiras vitórias em Copas, marcando três vezes: duas nos 4 x 0 contra a Grécia e outro em 2 x 0 sobre a Argentina. Marcou outros três gols em cada mata-mata: no empate em 1 x 1 contra o México, nas oitavas-de-final; na surpreendente vitória por 2 x 1 que eliminou a campeã Alemanha, com ele marcando o primeiro gol de falta a quinze minutos do fim e dando o passe para que Lechkov fizesse o segundo três minutos depois; e, de pênalti, na semifinal contra a Itália, diminuindo a contagem em 1 x 2 no final do primeiro tempo.

A Bulgária não conseguiu empatar mas, sob aplausos, disputou o terceiro lugar contra a Suécia. Perdeu de 0 x 4. Stoichkov deixou a competição como um dos artilheiros, ao lado do russo Oleg Salenko, e receberia ao final daquele ano a Bola de Ouro da France Football como melhor jogador europeu.

Stoichkov também saiu-se bem na Eurocopa 1996, a primeira disputada pela Bulgária. Marcou duas vezes, contra Espanha e França, mas não evitou a precoce eliminação búlgara na primeira fase, por um ponto. No ano seguinte, a Bulgária fez bela campanha nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1998, liderando seu grupo e deixando a Rússia para trás. No mundial, porém, o país, com o envelhecido elenco de 1994, fez feio e terminou em último no grupo, sofrendo ainda a pior goleada da competição, um 1 x 6 para a Espanha. Na Copa, Stoichkov, com seus 32 anos, não lembrou nem a sombra do craque do mundial anterior.[1]

Seu último jogo pela Bulgária ocorreu no ano seguinte, válido pelas eliminatórias da Eurocopa 2000. O país acabou não se classificando para o torneio. Em 2004, mesmo ano de sua aposentadoria definitiva, foi eleito com toda a justiça o melhor jogador búlgaro dos cinquenta anos da UEFA, nos prêmios do jubileu da entidade.

Carreira como treinador[editar | editar código-fonte]

Em 2004, mal havia aposentado-se dos gramados no DC United e logo foi chamado para treinar a Bulgária, após a Eurocopa 2004. Todavia, não conseguiu a classificação para a Copa do Mundo de 2006. Ainda seguia treinando a Seleção em 2007, fazendo um bom papel nas eliminatórias da Eurocopa 2008 - o país terminaria em terceiro, apenas um ponto atrás do segundo colocado e classificado do grupo, os Países Baixos -, quando decidiu aceitar convite para retornar à Espanha, agora como técnico do Celta de Vigo.

O clube galego encontrava-se ameaçado de rebaixamento e, com Stoichkov no comando, ensaiou uma reação, mas perdeu ímpeto na reta final e acabou caindo.[2]

Stoichkov continuou treinando o Celta na Segunda Divisão Espanhola, mas, alegando que a família estava com saudades da Bulgária, pediu para deixar o clube.[2] Após dois anos sem vínculo com nenhuma equipe, acertou com o time sul-africano do Mamelodi Sundowns.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Bulgária CSKA Sófia
Espanha Barcelona
Arábia Saudita Al Nassr
Japão Kashiwa Reysol
Estados Unidos Chicago Fire
Estados Unidos DC United

Artilharia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o "O Cristo endiabrado"Especial Placar - Os Craques do Século, novembro de 1999, Editora Abril, pág. 42
  2. a b c "Curtas Quem É Vivo - Hristo Stoichkov", Ubiratan Leal, Balípodo.com.br
  3. "Bulgaria's Maradona Queues for Sundowns Job", Sofia News Agency
  4. "Hristo Stoichkov: 'There Are Only Two Christs...The Other Is in Heaven'", Bleacher Report
  5. a b c d e f "Quando o futuro quase morreu", Ubiratan Leal, Balípodo.com.br
  6. a b "Hristo Stoichkov - Goals in International Matches", RSSSF
  7. a b c d e f g "As incríveis aventuras do facão e do animal", Simon Talbot, FourFourTwo, número 14, abril de 2010, Editora Cádiz, págs. 52-56
  8. "World Cup 1994 qualifications", RSSSF

Ligações externas[editar | editar código-fonte]