Hudson Taylor

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
James Hudson Taylor
Missionário na China
Nascimento 21 de Maio de 1832
Barnsley, Yorkshire, Inglaterra
Morte 3 de junho de 1905 (73 anos)
Changsha, Hunan, China
Hudson & Maria Taylor em 1865

James Hudson Taylor 戴德生 (21 de Maio de 1832 – 3 de Junho de 1905) foi um missionário Cristão Protestante Inglês na China, e fundador do China Inland Mission (CIM) (agora OMF International). Taylor viveu na China por 51 anos. A sociedade que ele iniciou foi responsável pelo envio de mais de 800 missionários ao país que começaram 125 escolas[1] e diretamente resultou na conversão Cristã de 18,000 pessoas, também como no estabelecimento de mais de 300 estações de trabalho com mais de 500 colaboradores locais em todas as dezoito províncias.[2]

Taylor era conhecido por sua sensibilidade à cultura chinesa e zelo pelo evangelismo. Ele adotou a prática de usar roupas nativas da China mesmo quando isso era raro entre os missionários da época. Sob a sua liderança, a CIM era singularmente não-denominacional na prática e aceitava membros de todos os grupos Protestantes, incluindo indivíduos da classe de trabalho, mulheres solteiras e recrutas multinacionais, também. Primeiramente por causa da campanha do CIM contra o comércio do Ópio, Taylor foi citado como um dos Europeus mais significantes a visitar a China no Século XIX.[3] O Historiador Ruth Tucker sumariza o tema de sua vida:

Nenhum outro missionário nos dezenove séculos desde o apóstolo Paulo teve uma visão mais ampla e usou um plano mais sistematizado para evangelizar uma grande área geográfica como Hudson Taylor.[4]

Taylor teve a oportunidade de pregar em várias variadades de Chinês, incluindo o Mandarin, Teochew dialeto Chaozhou, e os dialetos Wu do Xangai e Ningbo. O último destes ele conhecia o bastante para ajudar a preparar uma edição coloquial do Novo Testamento escrito nessa língua.[5]

Juventude e início de trabalho[editar | editar código-fonte]

Hudson Taylor com 21 anos
Hudson Taylor trabalhava na residência do Dr. Hardey em Hull (topo) e morou na pobreza de Drainside

Taylor nasceu em Barsley, Yorkshire, Inglaterra, filho de um químico (farmacêutico) e Metodista, James Taylor e sua esposa, Amelia (Hudson), mas como adolescente ele se distanciou das crenças cristãs de seus pais. Aos 17 anos, depois de ler um panfleto evangelístico[6] , professou a sua fé em Cristo, e em Dezembro de 1849, se comprometeu a ir à China como missionário.[carece de fontes?] Nesse tempo ele entrou em contato com Dr Edward Cronin de Kensington – um dos membros do primeiro partido missionário do Plymouth Brethren no Baghdad. É acreditado que Taylor aprendeu os seus princípios missionários de fé durante o seu contado com o Brethren.[carece de fontes?]

Taylor pôde pedir emprestado uma cópia do livro “China: Seu Estado e Perspectivas” por Walter Henry Medhurst, que ele rapidamente leu. Foi durante esse tempo que começou a aprender o Mandarin Convencional, Grego, Hebreu e Latim.

Em 1851, se mudou para um vilarejo pobre em Kingston upon Hull para ser um assistente médico ao Dr. William Hardey, e começou a se preparar para uma vida de fé e serviço, se devotando aos pobres e confiando em Deus para suprir as suas necessidades. Entre os pobres, treinou pregações ao ar-livre e distribuição de panfletos. [carece de fontes?] Novamente, Taylor estava em contato com Andrew Jukes, um notável professor do Brethren em Hull.

Em 1852 ele começou a estudar medicina no Hospital Royal Londom em Whitechapel, Londres, como forma de se preparar para o trabalho na China. O grande interesse sobre a China acordou na Inglaterra através da Rebelião Taiping, que na época foi suposta erroneamente como um grande movimento ao Cristianismo, juntamente com as grandes porém exageradas reportagens feitas por Karl Gützlaff sobre a acessibilidade da China, levou à fundação da Chinese Evangelisation Society (Sociedade da Evangelização Chinesa). Hudson ofereceu o seu serviço à missão e se tornou seu primeiro missionário.

Primeira visita à China[editar | editar código-fonte]

Hudson Taylor viajou de barco pelos canais da China, pregando e distribuindo Bíblias

Taylor deixou a Inglaterra no dia 19 de Setembro de 1853 antes de completar os seus estudos médicos, chegando no Xangai, China, no dia 1 de Março de 1854. A quase desastrosa viagem no navio “Dumfries” pela passagem Leste próxima à Pulau Buru durou cerca de 5 meses. Na China, ele foi imediatamente confrontado com a guerra civil, tornando o seu primeiro ano no país um tanto tumultuado.

Taylor fez 18 viagens de pregação na área do Xangai começando em 1855, e frequentemente era mal recebido pela população, mesmo trazendo consigo kits médicos e habilidades. Decidiu adotar as roupas nativas chinesas e também cortar o seu cabelo com um rabo-de-cavalo, como também era de costume. Assim, conseguiu atrair um público sem causar perturbações. Antes disso, Taylor percebeu que para onde viajava era chamado de “diabo preto” por causa do sobretudo que vestia. Distribuiu milhares de panfletos evangelísticos e partes das Escrituras em Xangai e nas suas proximidades. Durante a sua estadia no Xangai, também adotou e cuidou de um menino chinês chamado Hanban.

Wiliam Chalmers Burns, um evangelista escocês da English Presbyterian Mission (Missão Presbiteriana Inglesa) começou um trabalho em Shantou e Taylor se juntou a ele por um tempo. Depois de ir embora, descobriu que todos os seus suprimentos médicos tinham sido destruídos num incêndio. Então em Outubro de 1856, enquanto atravessava a China, foi roubado de quase todos os seus pertences.

Realocado em Ningbo em 1857, Taylor recebeu uma carta de um George Müller apoiador que levou Taylor e seu colega John Jones a se separarem da problemática missão que os enviara. Ao invés disso, decidiram trabalhar de forma independente no que se tornou a “Missão Ningpo”. Quatro homens chineses se juntaram a eles no trabalho: Ni Yongfa, Feng Ninggui, Wang Laijun e Qiu Guogui.

Em 1858, Taylor se casou com Maria Jane Dyer, a filha órfã do Rev. Samuel Dyer da London Missionary Society (Sociedade Missionária de Londres), que tinha sido um missionário pioneiro aos chineses de Penang, Malásia.[7] . Hudson conheceu Maria em Ningbo onde ela viveu e trabalhou numa escola para meninas dirigida por uma das primeiras mulheres missionárias na China, Mary Ann Aldersey.

Como um casal, os Taylors cuidaram e adotaram um menino chamado Tianxi enquanto moravam em Ningbo. Tiveram um filho legítimo que morreu no fim de 1858. Sua primeira filha a sobreviver, Grace, nasceu em 1859. Pouco depois de seu nascimento, os Taylors se apropriaram de todas as operações no hospital em Ningbo que estava sendo liderado pelo Dr. William Parker. Em uma carta à sua irmã Amelia Hudson Taylor ele escreveu no dia 14 de Fevereiro de 1860,

Se eu tivesse mil libras a China deveria o ter- se eu tivesse mil vidas, a China deveria as ter. Não! Não a China, mas Cristo. Podemos fazer demais para Ele? Podemos fazer demais por um Salvador tão precioso?[8]

Por conta de problemas de saúde, em 1860 Taylor decidiu retornar à Inglaterra numa viagem familiar. Os Taylors navegaram de volta à Inglaterra no navio Jubilee juntamente com a sua filha, Grace e um jovem homem, Wang Laijun, da igreja de Bridge Street em Ningbo, que ajudaria com a tradução da Bíblia a continuar na Inglaterra.

Família e ministério no interior da China[editar | editar código-fonte]

Hudson Taylor quase morreu em Xangai durante a guerra civil.

Taylor usou seu tempo na Inglaterra para continuar seu trabalho, na companhia de Frederik Foster Gough da Sociedade Missionária da Igreja traduzindo o Novo Testamento em um dialeto Ningbo Romanizado para a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira. Ele completou seu diploma (e um curso de obstetrícia) no Hospital Real de Londres com o Royal College of Surgeons em 1862, e com a ajuda de Maria, escreveu um livro chamado “China's Spiritual Need and Claims” em 1865, que foi instrumento para gerar simpatia pela China e voluntários para o campo missionário. Estes voluntários começaram a ir em 1862, o primeiro deles sendo James Joseph Meadows. No livro Taylor escreveu:

Oh, se a eloquência defendesse a causa da China, se um lápis colocado no fogo pintasse a condição desse povo.[9]

Ele viajou extensivamente pelas Ilhas Britânicas falando em igrejas e promovendo as necessidades da China. Em casa, no lado Leste de Londres, também ministrou na Prisão de Newsgate. Durante este tempo ele se tornou amigo de Charles Haddon Spurgeon, que pastoreou o Tabernáculo Metropolitano e se tornou um mantenedor de Taylor para toda a vida. Também, entre 1865 e 1866, os Taylors anfitriaram o jovem Thomas John Bernardo em sua casa como possível candidato missionário.

Hudson Taylor sozinho à noite é revistado por um ladrão.

Seu segundo filho, Herbert, nasceu em Londres em 1861. Os Taylors tiveram outros filhos em 1862, Frederick; em 1864, Samuel; e em 1865 Jane – que nasceu morta.

No dia 25 de Junho de 1865, em Brighton, Taylor definitivamente se dedicou a Deus para a fundação de uma nova sociedade que se encarregasse do evangelismo das áreas não-alcançadas nas províncias do interior da China. Ele fundou a China Inland Mission juntamente com William Thomas Berger pouco depois. Em menos de um ano, eles tinham aceitado 24 missionários e levantado mais de £2,000 (aproximadamente R$380.903,57 nos valores de 2007[carece de fontes?]). No começo de 1866 Taylor publicou a primeira edição de “Occasional Paper of the China Inland Mission” que depois se tornou “China's Millions” (Os Milhões da China).

O resumo que se segue foi escrito por Taylor e seus princípios se tornaram essenciais ao China Inland Mission:

'Objetivo A China Inland Mission foi formada sob uma percepção profunda da necessidade urgente da China, e com um desejo sincero, constrangido pelo amor de CRISTO e a esperança de Sua vinda, para obedecer ao comando de pregar o Evangelho a toda criatura. O seu objetivo é, pela ajuda de DEUS, trazer aos chineses o conhecimento do amor salvador de DEUS em CRISTO, trabalhando no interior da China.

Caráter. A missão é Evangélica, e abraça membros de todas as grandes denominações Cristãs.

Métodos. Métodos um tanto peculiares foram adotados para trabalhar com a nova organização. Foi determinado: 1. Que cada candidato adequadamente qualificado para trabalho missionário deve ser aceito sem restrições em relação a denominações, desde que sua fé seja sã nos em todas as verdades fundamentais.

2. Que todos que saíram como missionários devem ir na dependência de Deus para os suprimentos temporais, com o claro entendimento que a Missão não garantiu nenhum tipo de salário; e sabendo que, como a Missão não entraria em dívida, ela podia apenas ministrar à aqueles conectados com ela de acordo com o dinheiro que entrasse no decorrer do tempo.

Sustento. A Missão é mantida inteiramente pelas ofertas de livre-arbítrio do povo do Senhor. As necessidades do trabalho são colocadas diantes de Deus em oração, não sendo autorizado nenhum tipo de solicitação pessoal. Não é gastado nada mais do que o recebido, entrando em dívidas sendo considerado inconsistente com o princípio bíblico de total dependência em Deus.[10]

No dia 26 de Maio de 1866, depois de mais de cinco anos trabalhando na Inglaterra, Taylor e sua família foram à China com sua nova equipe de missões o Partido Lammermuir. Na época, uma viagem de 4 meses era considerada rápida. Enquanto estavam no Mar do Sul da China e também no Oceano Pacífico o navio quase naufragou mas sobreviveu a 2 tufões. Chegaram em segurança no Xangai no dia 30 de Setembro de 1866.

O Partido Lammermuir incluiu 16 missionários e os 4 filhos dos Taylors.

Referências

  1. Gee, N. Gist. The Educational Directory for China. Suzhou: Educational Association of China, 1905. p. 43
  2. Christian Literature Society for China. The China Mission Year Book. Shanghai: Christian Literature Society for China, 1911. pp. 281-282
  3. Broomhall, Alfred James. Hudson Taylor & China's Open Century Volume One: Barbarians at the Gates. [S.l.]: Hodder and Stoughton and Overseas Missionary Fellowship. page needed
  4. Tucker, Ruth. From Jerusalem to Irian Jaya A Biographical History of Christian Missions. Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 1983. ISBN 0310239370, p. 73
  5. Biographical dictionary of Chinese Christianity, retrieved 15 October 2009.
  6. Taylor, J. Hudson. Hudson Taylor (Men of Faith). [S.l.]: Bethany House, 1987. ISBN 0871239515
  7. Davies, Evan. The Memoir of Samuel Dyer: Sixteen Years Missionary to the Chinese. London: John Snow, 1846.
  8. Broomhall, Alfred. Hudson Taylor and China's Open Century: If I had A Thousand Lives. London: Hodder and Stoughton, 1983. page needed
  9. Taylor, James Hudson III. Christ Alone: A Pictorial Presentation of Hudson Taylor's Life and Legacy. Hong Kong: OMF Books, 2005., appendix
  10. Broomhall, Marshall. Last Letters and Further Records of Martyred Missionaries of the China Inland Mission. London: Morgan and Scott, 1901., appendix