Instituto Brasileiro de Ação Democrática
Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) foi uma organização anticomunista fundada em maio de 1959, por Ivan Hasslocher. Ao lado dele, vários empresários fariam parte desta organização e da sua entidade-irmã, o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), constituída dois anos e meio depois. Entre eles, Gilbert Huber Jr, Glycon de Paiva e Paulo Ayres Filho.
Em entrevista concedida em 1998 à Folha de São Paulo, o general reformado Hélio Ibiapina revelou que o IBAD possuía ligações com a CIA estadunidense, e que ele foi encarregado pelo general Castelo Branco de confirmar a veracidade da informação.[1]O Instituto acabou sendo extinto em dezembro de 1963, por ordem judicial.
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[editar] Motivos
O financiamento para sua criação do instituto se deu a partir de contribuições de empresários brasileiros e estadunidenses. A finalidade inicial era combater o estilo populista de JK e possíveis vestígios da influência do comunismo no Brasil.
O objetivo do Ibad era influenciar nos debates econômico, político e social do país através da ação publicitária e política. Para dar apoio publicitário ao IBAD, foi criada por Hasslocher a agência de propaganda Incrementadora de Vendas Promotion. Esta era subsidiária daquele instituto, financiada por capital estadunidense. Os métodos utilizados pela agência foram herdados do Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA).
[editar] ADEP
O IBAD criou e incentivou com "fins explicitamente eleitorais"[2] a Ação Democrática Popular (ADEP) cuja função era direcionar capital e financiar os candidatos contrários a João Goulart e anticomunistas em geral, que concorreriam às eleições legislativas e para o governo de 11 estados.
[editar] Atuação
O IBAD e o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) financiaram, produziram e difundiram uma grande quantidade de programas de radiofônicos, de televisão e matérias nos jornais com conteúdo anticomunista. As duas entidades contribuíram decisivamente na oposição ao governo de João Goulart, fator crucial para o êxito do Golpe Militar de 64. Muitas das radionovelas, filmes de cinema e programas de televisão da época, tinham mensagens explícitas e implícitas a favor da absorção pelos brasileiros dos valores estadunidenses.
[editar] CPI
Em 1962, o financiamento estrangeiro e a participação ostensiva do IBAD e suas subsidiárias na campanha eleitoral, despertaram suspeitas no Congresso. Chegou a ser sugerida a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas a idéia não foi adiante. Em 1963, a CPI foi finalmente instalada.[2]
A CPI do IBAD tomou centenas de depoimentos e apurou denúncias de doações ilegais. Descobriu-se que boa parte da documentação da entidade havia sido queimada pouco antes do início da investigação. Todavia, o que restou permitiu constatar que o financiamento do IBAD provinha principalmente de empresas estadunidenses.[2]
[editar] O fim do IBAD
Com base em informações apuradas pela CPI, em agosto de 1963, o presidente João Goulart determinou que as atividades do IBAD fossem suspensas por três meses. O prazo foi prorrogado por mais três meses e, finalmente, em 20 de dezembro de 1963, o IBAD e a ADEP foram dissolvidos por ordem da Justiça.
Todavia, ex-membros do IBAD continuaram a gozar de grande influência durante o Regime Militar, particularmente na área econômica.[3]
[editar] Bibliografia
- DREIFUSS, René Armand. 1964: A Conquista do Estado. Petrópolis: Vozes, 1987. 814 p. ISBN 8532632327
Referências
- ↑ General diz que teve contato com informante da agência, "Folha de São Paulo", 23 de agosto de 1998.
- ↑ a b c O Instituto Brasileiro de Ação Democrática - IBAD
- ↑ História da Ditadura
[editar] Ver também
[editar] Ligações externas
- 1964, de Dreifuss, é a obra mais completa para compreender o golpe militar no Brasil (em português)
- Entrelaçamento de tradução e história no contexto brasileiro (a ação editorial do IBAD, Rachel de Queiroz, Monteiro Lobato e a Editora Globo) (em português)
- Waldir Pires relembra a ação do IBAD (em português)
- Igreja, Política, Estado e Democracia no Brasil da Década de 1960 aos anos 1980 (Parte I) (em português)