Igreja Mundial do Poder de Deus

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Igreja Mundial do Poder de Deus
Impd-logo.png
Orientação Pentecostal, neopentecostal
Fundador Valdemiro Santiago de Oliveira
Origem 1998
Sede São Paulo capital
Número de membros 315.000 (Estimativa do IBGE)
Número de igrejas 5 mil aproximadamente.
Países em que atua Brasil Brasil
Portugal Portugal
Espanha Espanha
Estados Unidos Estados Unidos
África do Sul África do Sul
Angola Angola
Moçambique Moçambique
Uruguai Uruguai
Paraguai Paraguai
Argentina Argentina
México México
Colômbia Colômbia
Japão Japão
Peru Peru
Filipinas Filipinas
Suíça Suíça
Bolívia Bolívia

A Igreja Mundial do Poder de Deus é uma congregação cristã neopentecostal fundada na cidade de Sorocaba, em 9 de março de 1998 pelo líder evangélico Valdemiro Santiago.

Inicialmente com sede no Grande Templo dos Milagres, num galpão de uma antiga fábrica que tem 43 mil metros quadrados de área construída, localizada na Rua Carneiro Leão, no Brás, em São Paulo. Posteriormente construiu uma megatemplo para 150 mil pessoas em São Paulo.[1]

Igreja[editar | editar código-fonte]

Dando ênfase exagerada à cura e milagres, a igreja possuía 500 templos em 2009 e mais de 5 mil igrejas em 2013, segundo informações dos próprios membros.[2] Em outubro de 2014, o site oficial da igreja anuncia a posse de 4 mil templos.[3] A prosperidade financeira associada à venda de amuletos ungidos em troca de bênçãos e prosperidade é outra dinâmica.

O líder da igreja é um pastor que cursou até o quinto ano do ensino fundamental e gosta de cultivar a fama de matuto, morar em condomínio de luxo em Barueri-SP, andares e carros blindados e com seguranças particulares. Já foi considerado pela mídia "o homem que multiplica fiéis" pela mística imagem de milagreiro e capacidade de honrar mensalmente compromissos em torno de 40 milhões de reais, até janeiro de 2011.[4]

Com a fama de milagreiro e atraindo a atenção da mídia comprou a sua sede mundial da IMPD em 2010, no Brás, em São Paulo, uma antiga fábrica, por R$ 60 milhões em 60 parcelas de R$ 1 milhão. Tamanha exposição deu-lhe destaque em minutos preciosos da rede nacional de televisão no primeiro dia de 2011, quando o religioso "conseguiu arregimentar em pleno 1º de janeiro, vinda de todos os cantos do Brasil para celebrar com ele no autódromo de Interlagos" uma massa de 2,3 milhões de pessoas. Segundo Ronaldo Didini "máxima da publicidade de que uma imagem vale mais do que mil palavras se aplica muito bem a Valdemiro”, referindo-se ao destaque aos testemunhos.[4] Chorar durante a pregação é um dos traços mais marcantes da performance de Valdemiro Santiago, explica a revista IstoÉ.[2]

Em 2010 elegeu dois deputados federais, José Olímpio (PP-SP) e Francisco Floriano (PR-RJ), e um estadual, Rodrigo Moraes (PSC-SP).[4] Em 2014 José Olímpio conseguiu mais de 154 mil votos, o que lhe garante a reeleição. Também o apóstolo Francisco Floriano foi reeleito deputado federal com mais de 47 mil votos. Elegeu Milton Rangel (PSD-RJ) para deputado estadual a partir de 2015 com 28 mil votos.[5]

Ricardo Bitun, autor da tese “Igreja Mundial do Poder de Deus: Rupturas e Continuidades no Campo Religioso Neopentecostal”, defendida na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), atribui a rapidez no crescimento da Mundial devido a um fenômeno conhecido como nomadismo religioso. A Igreja Mundial arrebanha os membros das outras igrejas em crise como a Renascer em Cristo[4] e a própria Igreja Universal. Ainda segundo a IstoÉ, o Professor de pós-graduação de Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ricardo Bitun, defende que Valdemiro foi o único dissidente da Universal que conseguiu alcançar sucesso.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Valdemiro Santiago, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) por 18 anos, após ser expulso por conta de desentendimentos com o bispo Edir Macedo, fundou a Igreja Mundial em 1998.[2]

Mídia[editar | editar código-fonte]

Valdemiro Santiago publicou livros e gravou mídias pela sua editora WS Music.[6] . A IMPD conta com a revista Avivamento Urgente.[7]

Depois de se converter entre 2003/04, o repórter Herbeth de Souza, migrou para Igreja Mundial se tornou um porta voz ativo da igreja.[8] Herbeth de Souza trabalhou no extinto Aqui Agora, no programa Cidade Alerta e depois no Ratinho. Em 2001, para a TV Gazeta apresentou um quadro chamado “Impacto”, dentro do programa Mulheres.[9]

Rádios[editar | editar código-fonte]

De 2010 a 2012, operou uma mini-rede de rádios, denominada "Sê Tu uma Bênção", que em São Paulo, mais precisamente em Jundiaí, operava em 98,1 FM. Esta rede foi desfeita e em 2013 chegou a anunciar o retorno[10] que não ocorreu.

TV[editar | editar código-fonte]

A IMPD fica conhecida no Brasil a partir de 2008, quando o Grupo Bandeirantes aluga 22 horas da Rede 21,[1] fato que gerou polêmica, pois nunca houve a concessão de um grupo de comunicação a uma igreja só para fins religiosos. Possuía duas horas diárias na RedeTV e quatro horas na Bandeirante.[1]

Em 2009, alugou algumas horas da igreja à RedeTV!, que chegou até vencer a Rede Bandeirantes na Grande São Paulo.[11]

Em novembro de 2013 comprou horários na Rede TV![12]

A Associação Mundial de Assistência Social (AMAS) é uma entidade filantrópica ligada à IMPD, destinada à assistência social, que conta com equipe de voluntários.[13]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Dissidências[editar | editar código-fonte]

Em 2006, a Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus. A Plenitude foi fundada pelo ex-pastor da Mundial, hoje intitulado apóstolo, Agenor Duque e sua esposa bispa Ingrid.

A Igreja Mundial Renovada é dissidência da Igreja Mundial do Poder de Deus. Em abril de 2009, o bispo Roberto Damásio, na época o braço direito do apóstolo, desligou-se e inaugurou a sua própria igreja, a Igreja Mundial Renovada, atual Igreja da Fé Renovada, que encerrou suas postagens em rede social em 2012.[14]

Em 2011 o Bispo José Silva deixou a Igreja Mundial para fundar a Igreja Evangélica Celeiro de Deus em Curitiba.

Simonia[editar | editar código-fonte]

O pastor Givanildo de Souza, discípulo de Valdemiro desde 1998 deixou a igreja em agosto de 2010 com denúncias de simonia. Denunciou que os bens sagrados eram barganhados e teria sido humilhado por não praticar campanha da "água benta" que custaria 100 reais, então, segundo ele, ao enviar a renda menor para igreja sede, era acusado de roubo. Givanildo era responsável pela direção e arrecadação de 14 igrejas da Mundial. Saiu em setembro de 2010 fundou sua própria Igreja Missionária do Amor, em Araçatuba, interior de São Paulo.[15]

Crise financeira[editar | editar código-fonte]

Desde outubro de 2013 a IMPD atravessa grave crise financeira devendo entre R$ 13 milhões e R$ 21 milhões para o Grupo Bandeirantes, perdendo a locação de 23 horas diárias da Rede 21, e de três horas diárias nas madrugadas da Band. O espaço seria ocupado pela Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo.[2] A Igreja Mundial se desfez de quatro horas de horário na madrugada da BAND, perdeu os horários no Canal 21, deixou a programação da Rede TV, entregou os horários da CNT, saiu de diferentes retransmissoras de diversos Estados, suspendeu os projetos de programação na Argentina, México e Colômbia.[2]

Após descobrir um grupo próximo ao bispo Josivaldo Batista de Souza promovendo escoamento em torno de 30 milhões por mês dos dízimos e oferta, transferiu para Lisboa o pastor Josivaldo, que era responsável pela gestão administrativa e financeira e, na época, "número 2 da Mundial", empossando seu cunhado em seu lugar. A Revista IstoÉ Independente publicou que a igreja teve que se desfazer de duas "Cidades Mundiais", nome dado aos megatemplos.[2]

Ainda, a IstoÉ publicou que as "cidades mundiais" em São Paulo e Paraná foram fechadas pelos órgãos públicos locais após pouco tempo de funcionamento. A Cidade Mundial paulista ficou fechada desde fevereiro de 2012, tendo que pagar R$ 5 milhões das parcelas da sua compra.[2]

Com diversos templos com dívidas ou ações de despejo em curso na Justiça, há templos com três ações de desde 2010, por não pagamento de aluguel. O advogado da igreja, Dênis Munhoz, também vice-presidente da Mundial, refuta a existência de uma crise.[2]

O deputado estadual Rodrigo Moraes (PSC-SP), que foi designado para reorganizar a igreja. Houve o fechamento de 15% dos templos, para que a Igreja Mundial não troque fama de milagreira pela de caloteira, escreveu IstoÉ.[2]

Apesar de negarem a crise, em fevereiro de 2014 a Igreja Mundial teve a penhora de 10% de seus dízimos por quebra de contrato com a BAND.[16]

Fazenda milionária[editar | editar código-fonte]

Após disputas com a Igreja Universal do Reino de Deus, sofreu denúncias de que teria uma fazenda comprada por 29 milhões de reais. Fazenda Santo Antonio do Itiquira, localizada em Santo Antônio do Leverger, MT, com 10.174 hectares de terras e milhares de cabeças de gado, em nome da empresa W. S. Music, do apóstolo e sua esposa.[2]

Desde janeiro de 2013 a Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Fazenda, da Polícia Civil, apura um suposto crime de lavagem de dinheiro, em processo que corre em sigilo.[2]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]