Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina

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O Instituto Nacional de Estadística y Censos de Argentina (INDEC) é um organismo público argentino, de caráter técnico, que unifica a orientação e exerce a direção superior de todas as atividades estatísticas oficiais que se realizam em todo o territorio da República Argentina. Sua criação e funcionamento estão regulamentadas pela Lei 17.622 e pelo Decreto 3110/70, assim como o Decreto 1831/93. Atualmente está ligado ao Ministério de Economia e Finanças Públicas.

A lei lhe confere a responsabilidade direta e o desempenho metodológico, organização e direção dos operativos nacionais de reavaliamento através de censos e enquetes, a elaboração dos indicadores básicos de ordem social e econômico e a produção de outras estatísticas básicas.

O INDEC também tem a responsabilidade de coordenar o Sistema Estatístico Nacional (SEN), sob o princípio de centralização normativa e descentralização executiva. Isto significa que o INDEC é responsável pelo desenvolvimento metodológico e normalizado para a produção de estatísticas oficiais, assegurando a comparabilidada da informação originada em distintas fontes.

O Sistema Estatístico Nacional é constituído pelos serviços estatísticos dos organismos nacionais, provinciais e municipais.

Em cada província argentina existe uma Direção de Estatística (DPE) dependente do governo provincial. Estas direções coordenam os sistemas estatísticos provinciais, e intervêm na captura, ingresso e processamento de informações de nível provincial. Estas são consolidadas pelo INDEC e por outros serviços nacionais para a obtenção de informação a nível nacional.

A produção de informações estatísticas se realiza através de distintos métodos de captação de dados (censos, enquetes, registros administrativos, etc.), que permitam a elaboração de indicadores em relação a diferentes áreas temáticas.

Índice

[editar] Quem trabalha no INDEC

No ano de 2004 um censo interno apresentou os seguintes resultados:

  • O INDEC é integrado por 1065 agentes, dos quais 965 realizam tarefas de caráter técnico. Os demais realizam tarefas administrativas, contábeis, legais e outros serviços.
  • Havia 369 agentes com títulos universitários, muitos deles com pós-graduação. Os profissionais se distribuíam do seguinte modo, segundo a área de formação:
    • Ciências Sociais: 119
    • Ciências Econômicas: 57
    • Informáticos: 52
    • Estatísticos e Matemáticos: 29
    • Geógrafos: 7
    • Outros: 105

[editar] Crise institucional e manipulação de índices

Em outubro de 2006 a Secretaria de Comércio da Nação, a cargo de Guillermo Moreno, solicitou a Graciela Bevacqua, titular da Diretoria do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), os nomes dos estabelecimentos comerciais pesquisados para o cálculo do índice de preços no varejo. A diretora negou-se a fazê-lo, com base na lei de sigilo estatístico.[1]

Em 29 de janeiro de 2007, a diretora, que estava há dez anos na direção, foi demitida sem aviso prévio, assim como vários técnicos da diretoria. Em seu lugar, assumiu a Beatriz Paglieri, pessoa vinculada politicamente à Secretaria de Comércio. Funcionários do instituto denunciaram então uma mudança da metodologia - que não foi publicada nem discutida entre os técnicos.[2]

Um mês depois, Manuel Garrido, fiscal de Investigações Administrativas, intimou a depor, tanto os funcionários que fizeram a denúncia como os de oposição. [3]

Em março, a Ministra de Economia, Felisa Miceli, nomeou interinamente Mario José Krieger como Diretor do INDEC, em substituição a Lelio Mármora, que apresentara sua renúncia. Krieger foi substituído, em abril, por Alejandro Barrios, sindicalista da ATE (Associação de Trabalhadores Estatis).[4]

No mesmo mês de abril, o fiscal federal Carlos Stornelli abriu um processo por violação e manipulação do sigilo estatístico, envolvendo o secretário Guillermo Moreno, a nova interventora Beatriz Paglieri e Ana María Edwin,[5] a qual, apesar de ser suspeita no processo, foi nomeada, em julho, diretora do instituto, pelo novo Ministro de Economia, Miguel Gustavo Peirano, já que a Ministra Miceli havia renunciado ao cargo por um escândalo, e portanto o sindicalista Barrios perdera o seu apoio político. A nomeação de Edwin aconteceu pouco depois de a justiça ordenar o sequestro de documentos e computadores do instituto, em razão das dúvidas sobre a correta medição da inflação na Argentina.

Muitos técnicos do INDEC sustentam que, sem as mudanças de metodologia que haviam sido introduzidas, a inflação acumulada de janeiro a julho de 2007 seria de 14,8%, contra os 4,4% divulgados oficialmente.[6]

Conforme denunciaram reiteradamente funcionários de carreira do INDEC, aumentou o grau de intervenção na entidade em 2008, tendo sido contratados grupos de choque para intimidar e dissolver qualquer manifestação de descontentamento ou discordância.[7] Foram também empregadas equipes de vigilância e escuta para controlar a dissensão interna.[8] Entretanto, segundo os funcionários, a política de manipulação dos índices de preços ocorre de forma tão aberta, que nem sequer são publicados os critérios para a sua elaboração.[9]

Até meados de 2008, o descrédito da sociedade em relação ao funcionamento do INDEC e às suas estatísticas aprofundou-se ao ponto de ser reconhecido publicamente pelo chefe de gabinete, Sergio Massa.[10] Economistas, industriais e agências independentes estimam que a inflação real acumulada de janeiro a julho de 2008 supera 25%, em forte contraste com a divulgada pelo INDEC, de apenas 5%.[11]

Com a divulgação do índice de preços ao consumidor de julho de 2008 (estimado pelo INDEC em apenas 0,4%) - enquanto as cifras calculadas por empresas de consultoria e entidades bancárias são mais de quatro vezes maiores - e que criou a maior crise financeira dos últimos sete anos,[12] as críticas e a indignação social ante a manipulação de dados recrudesceram. Foram feitos inúmeros pedidos de urgente remoção do Secretário de Comércio, Guillermo Moreno, e de imediato saneamento do organismo por parte de todos os setores políticos e econômicos do país, incluindo elementos ligados ao governo.[13]

Referências

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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