Ibn Abu Mahalli

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Ibn Abu Mahalli
Nome completo Abu Al-Abbas Ahmed ben Abdellah ben Kadi
Nascimento 1559
Sijilmasa
Morte 1613 (54 anos)
Marraquexe
Nacionalidade  Marrocos
Ocupação imã sufi, erudito, líder rebelde
Religião Islão

Abu Al-Abbas Ahmed ben Abdellah ben Kadi ou Ibn Abu Mahalli, ou ainda Ahmed ibn Abi Mahalli (em árabe: أبو العباس أحمد بن عبد الله بن قاضي; Sijilmasa, 1559Marraquexe, 1613) foi um imã sufi e líder de uma revolução entre 1610 e 1613 contra o dinastia saadiana então reinante em Marrocos, tendo-se autoproclamado mahdi. Além de líder político e erudito islâmico, foi também viajante e escritor, tendo escrito seis obras, entre as quais o l'Islit al-khirrit (ou al-Aslit), Al Salsabil e Miharas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ibn Abu Mahalli foi educado principalmente pelo seu pai antes de ir estudar para Fez em 1572. Ali foi aluno da madrassa El Attarine durante cinco ou seis anos, onde obteve o título de hafiz, destinado aqueles que memorizaram completamente o Alcorão.

Vista do oásis de Tafilalet, região onde nasceu Ibn Abu Mahalli

Fugindo da guerra contra os portugueses, encontra o seu mestre, o santo Muhamed ben-Mbarek Tastaouti, que está na origem da sua ligação ao sufismo. Cerca de 1593, volta ao Tafilalet natal e refugia-se em Béni Abbès (atualmente na Argélia), sob a proteção de um dos chefes locais com cuja filha casou.

No seu hajj (peregrinação a Meca), passa por Figuig, Biskra, Tunes e Líbia, mas não por Trípoli. Assiste à revolta de Sayeh Abdelaziz da Fazânia em 1577. Salvo por um nómada depois de ter passado fome e ter-se perdido no deserto da Cirenaica, chega ao Cairo, onde encontra o xeque, imã do maliquismo no Egito.

No Hejaz, em Meca e em Medina, vê eventos miraculosos[necessário esclarecer] e depois volta a Sijilmassa. Em Figuig encontra-se com o sábio Abu El-Kacem ben Abdeldjebar a quem ajuda a terminar o estudo do kitab chifa (livro da cura) do Cádi Ayyad cerca de 1600.

O seu primeiro encontro com Sidi Cheikh deu-se em Chellala Dahrania. Ibn Abu Mahalli casaria depois com uma neta de Sidi Cheikh. Um mal entendido com Sidi Cheikh fá-lo refugiar-se novamente em Béni Abbès. Depois da morte do sultão saadiano Ahmed al-Mansur Saadi fica oito meses em Béni Abbès e depois visita Timimoun. Quatro meses mais tarde empreende uma segunda peregrinação a Meca. Quando volta, constrói uma casa no oásis de Beni Goumi.

A seguir ao golpe de estado levado a cabo em Marraquexe por Mohamed ech Cheikh II el Mamoun contra Zaidan el-Nasir, proclama-se mahdi e imã impecável, iniciando a sua sedição em Béni Abbès. Dirige-se depois a Marraquexe, onde vence o sultão Zaidan el-Nasir em 1610. Este retira-se para reunir e reorganizar as suas tropas.

Em 1613 Ibn Abu Mahali é morto por Zaidan, que mandou pendurar a sua cabeça na muralha da cidade, onde ficou durante doze anos. A família de Mahali refugiou-se no alcácer de Aghlad, no interior do saara argelino, na região de Goumara.

Obras[editar | editar código-fonte]

Ibn Abu Mahali deixou dezenas de manuscritos, entre os quais se destacam:

  • Islit Al-Khirit Fi Kalie Bouloume Al-Ifrit A'Nnefrit (إصليت الخريت في قطع بلعوم العفريت النفريت)
  • El-Haoudadj (الهودج)
  • Al-Kostas El-Mostakim Fi Maarifat A'sahih Mina A'sakim (القسطاس المستقيم في معرفة الصحيح من السقيم)
  • El Ouaddah (الوضاح)
  • Manjanik Sokhor Lihadmi Binaa Cheikh El Ghoror Ou'Rass El-Fodjor (منجنيق الصخور لهدم بناء شيخ الغرور ورأس الفجور)
  • Jaouab El-Kharoubi (جواب الخروبي)

Ibn Abu Mahali na literatura[editar | editar código-fonte]

Abu Mahali foi tema de numerosos autores, que estudaram a sua personalidade ou as suas obras, por exemplo:

  • R. Le Tourneau, Abu Mahalli rebelle à la dynastie saâdienne, 1956
  • Said Ouahihi, La mahdaoui de Ibn Abi Mahali El-Filali et son manuscrite Takiid Fi A'Taarif Bi-Madinat sijilmassa (مهدوية إبن أبي محلي الفيلالي ومخطوطه تقييد في التعريف بمدينة سجلماسة)

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  • Berque. Ulémas, fondateurs, insurgés du Maghreb (em francês). Paris: Sindbad, 1982. p. 275.
  • Rachid Bellil, Rachid. Les oasis du Gourara (Sahara algérien): Le temps des saints (em francês). [S.l.]: Peeters Publishers, 1999. 307 pp. ISBN 9789042907218.