Ibogaína

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Tabernanthe iboga
Molécula da ibogaina, C20H26N2O

Ibogaína é o princípio ativo da raiz da iboga. Trata-se de um alcalóide indólico enteogênico capaz de antagonizar e anular a ação de uma série de alcalóides ou compostos orgânicos nitrogenados de intensa bioatividade sobre o cérebro, como a cocaína, heroína e morfina, dentre outros.[1]

Obtida de um arbusto da família Apocynaceae, de origem africana Tabernanthe iboga, nas regiões do Congo e do Gabão entre os pigmeus e alguns povos bantos, que possivelmente assimilaram essa prática pelo contato com esses misteriosos povos da floresta que são os pigmeus, se praticam rituais com preparados dessa planta denominado, entre as tribos Apindji e Mitsogho, como Buiti. Outros grupos e etnias do Gabão também o utilizam possivelmente a partir desse contato cultural.[2]

De acordo com a antropóloga Labate [3] , há dois tipos de Buiti: o tradicional que surgiu no século 19 - e o sincrético, o mais difundido, que é produto da fusão do primeiro com elementos de outros cultos africanos e da influência da evangelização cristã no continente no início do século 20. Possivelmente sob influência das notícias de cura, transformações psicológicas associada à conversão religiosa e participações de estrangeiros, o mundo ocidental tem despertado interesse sobre essa planta e esse ritual.

Preparados com essa planta vem sendo utilizado, com sucesso, em sessões terapêuticas cujo objetivo é alcançar a cura completa da drogadição.[4] . Observe-se que não são os mesmos extratos utilizados nas distintas tribos, pois segundo a referida antropóloga são preparados mantidos em sigilo.

Quimicamente, a ibogaína é classificada como uma triptamina, análoga à melatonina, estruturalmente semelhante à harmalina. Um dos primeiros pesquisadores a estudar os potenciais efeitos da ibogaína psicoterápico foi o psiquiatra chileno Claudio Naranjo, na década de 1960s e segundo Freedlander, 2003 o uso da ibogaína para o tratamento da dependência de drogas tem sido baseada em relatos da International Coalition of Addict Self-Help (ICASH) e DASH (Dutch Addict Self-Help Group) de pesquisas realizadas com voluntários desde os anos 80. [5]

No Brasil, as pesquisas da ibogaína para tratamento contra a dependência química, vem sendo desenvolvidos por algumas universidades do estado de São Paulo e pelo IBTA (Instituto Brasileiro de Terapias Alternativas) que também é pioneiro neste tipo de tratamento que obtém uma média de 80 por cento na recuperação de viciados em substâncias ilícitas.

Notas e referências

  1. "Drogas: uso, dependência e redenção" - ParanáOnline
  2. Samorini, Giorgio. Buiti: religião enteogênica africana. in: Labate, Beatriz C.; Goulart, Sandra L. (Org.) O uso ritual das plantas de poder. SP, Mercado das Letras, FAPESP, 2005
  3. Labate, Bia O que é a religião Buiti?. Revista das Religiões Comunidade Espirita Jun. 2011
  4. "A droga , ibogaína" - Superinteressante
  5. Freedlander, Jonathan. Ibogaine: a novel anti-addictive compound, a comprehensive literature review. Journal of Drug Education and Awareness, 2003; 1:79-98. Erowid Vault: Ibogaine Jun. 2011

Ver também[editar | editar código-fonte]

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