Identidade de Shakespeare

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Merge-arrows 2.svg
Foi proposta a fusão deste artigo ou se(c)ção com Questão da autoria de Shakespeare. Por favor crie o espaço de discussão sobre essa fusão e justifique o motivo aqui; não é necessário criar o espaço em ambas as páginas, crie-o somente uma vez. Perceba que para casos antigos é provável que já haja uma discussão acontecendo na página de discussão de um dos artigos. Verifique ambas (1, 2) e não se esqueça de levar toda a discussão quando levar o caso para a central.
Editor, considere adicionar mês e ano na marcação. Isso pode ser feito automaticamente, com {{Fusão|1=Questão da autoria de Shakespeare|{{subst:DATA}}}}.

A Questão da Autoria de Shakespeare é o debate, que remonta ao século XVIII, sobre se as obras atribuídas a William Shakespeare de Stratford-upon-Avon foram realmente escritas por ele ou por uma outra pessoa, ou ainda por um grupo maior de dramaturgos/poetas[a]'.[1] Embora tenham sido propostos inúmeros candidatos alternativos como o verdadeiro autor das obras, os principais reivindicadores incluíram os nomes de Francis Bacon, Christopher Marlowe, William Stanley (6º Conde de Derby) e Edward de Vere, 17º conde de Oxford, que é o candidato mais popular atualmente.[2]

Os que duvidam[3] que a autoria seja de Shakespeare acreditam que há uma falta de evidências concretas que demonstrem que o ator/empresário – às vezes conhecido como Shaksper de Stratford – também foi responsável pelo corpo de obras literárias que carregam um nome com uma grafia similar (mas não sempre idêntica) à sua própria. Outro argumento dos estudiosos que desconfiam da autoria é sobre o conhecimento educacional absurdamente superior presente nos trabalhos shakespearianos, que contém, juntos, um vocabulário imenso de aproximadamente 29.000 palavras diferentes[4] (incluindo versões diferentes de palavras); vocabulário esse quase cinco vezes maior que a grande versão do Rei Jaime em cima da Bíblia, que emprega somente 6.000 palavras diferentes.[5] Muitos críticos têm encontrado dificuldades em acreditar que uma pessoa comum do século XVI, sem qualquer conhecimento educacional elevado[b]', pudesse ser tão bem fluente na Língua inglesa, e muito menos em política, direito e em línguas estrangeiras – o latim, por exemplo, presente em obras como Hamlet.

Até o início da década de 1920, Bacon foi o mais apontado como o autor das obras.[6] Marlowe, Stanley, o 6º Conde de Derby e numerosos outros candidatos têm sido propostos, mas não conseguiram atrair grandes seguidores.[7] No entanto, atualmente, a teoria suplente mais popular é que as obras de Shakespeare foram escritas por Eduardo de Vere (o 17º Conde de Oxford).[8] Embora os principais estudiosos rejeitem todas essas alternativas e acreditem que Shakespeare de Stratford realmente escreveu os textos, o interesse na verdadeira autoria tem crescido, especialmente entre profissionais de teatro, acadêmicos e estudiosos independentes.

Terminologia[editar | editar código-fonte]

Stratfordianos e anti-Stratfordianos[editar | editar código-fonte]

Aqueles que questionam se William Shakespeare de Stratford-upon-Avon foi verdadeiramente o autor original das peças atribuídas a ele, são comumente chamados de anti-Stratfordianos, enquanto que aqueles que não possuem quaisquer dúvidas sobre isso são chamados frequentemente de Stratfordianos. Como se vê, estes termos derivam do nome local de nascimento de Shakespeare, Stratford-upon-Avon. Os anti-Stratfordianos são divididos em três outras teorias: Baconiana, Marloviana ou Oxfordiana, dependendo de quem eles dão o título de autor das peças: Francis Bacon, Christopher Marlowe ou o Conde de Oxford, respectivamente.[c]'

"Shakspere" contra "Shakespeare"[editar | editar código-fonte]

Não havia nenhuma norma ortográfica na Inglaterra Isabelina – sob o reinado de Isabel; durante toda sua vida, Shakespeare teve seu nome escrito e registrado de muitas maneiras diferentes, além de "Shakespeare". Os anti-Stratifordianos referem-se ao homem de Stratford - isto é, o que fingia ter sido o autor das obras - como "Shakspere" (nome registrado em seu batismo), ou "Shaksper", para distingui-lo do dramaturgo "Shakespeare" - isto é, o verdadeiro autor, seja ele o homem de Stratford ou não - ou "Shake-speare" (nome que aparece frequentemente nas publicações). Como se vê, os anti-Stratfordianos identificam cada nome como sendo de um indivíduo diferente. Eles apontam que a maioria das referências - em originais legais - ao homem de Stratford utilizam geralmente a primeira sílaba de seu nome com somente quatro letras: "Shak-" ou às vezes "Shag-", e também "Shax-", visto que o nome do dramaturgo era feito com um longo "a" como em "Shake". Os stratfordianos rejeitam toda essa convenção, acreditando que o homem de Stratford pronunciava seu nome diferentemente do nome que aparecia nas publicações.[9] Sendo "Shakspere" controverso, este presente artigo usa o nome "Shakespeare" por toda a parte.

Visão geral[editar | editar código-fonte]

Visão dos principais estudiosos[editar | editar código-fonte]

O principal ponto de vista dos estudiosos mais experientes de Shakespeare é que o mesmo nasceu em Stratford-upon-Avon em 1564 e então mudou-se para Londres, tornando-se poeta, dramaturgo e ator, além de co-proprietário da companhia Lord Chamberlain's Men (mais tarde, The King's Men), que pertencia ao Globe Theatre e ao Blackfriars Theatre, em Londres. Dividiu seu tempo entre Londres e Stratford, e aposentou-se aproximadamente em 1613 até chegar sua morte em 1616.[10] O nome de Shakespeare aparece no título de aproximadamente quatorze volumes das quinze obras publicadas durante sua vida útil. Em 1623, sete anos após sua morte (e após a morte da maior parte dos candidatos), suas peças foram recolhidas para uma publicação denominada First Folio.

Shakespeare de Stratford é identificado pelas seguintes evidências: ele presenteou os atores da companhia londrina em sua vontade; o homem de Stratford e o autor dos trabalhos compartilham, de alguma forma, de um nome comum; e os elogios aos poemas no First Folio referem-se ao "Cisne de Avon" e seu "Monumento de Stratford".[11] Os principais estudiosos presumem que esse último termo refere-se ao monumento funerário na Igreja Santíssima da Trindade em Stratford.

Diversas evidências apoiam a vista stratfordiana – a teoria que apóia a tese de que as obras foram escritas por Shakespeare de Stratford: em primeiro lugar, um panfleto de 1592 do dramaturgo Robert Greene, chamado Greene's Groatsworth of Wit, que contém uma sátira pela qual Greene chama um determinado dramaturgo de sua época de Shake-scene, ou, literalmente, Abalador de cena, além de dizer que é an upstart crow (corvo próspero, literalmente) e Johannes factotum (um "Jack-of-all-trades"), homem capaz de fingir habilidade[d]'; isto sugere que as pessoas tinham conhecimento de um dramaturgo chamado Shakespeare (Shake).[12] Além disso, o poeta John Davies uma vez referiu-se a Shakespeare com o termo "Nosso Terêncio Inglês", embora isto não explique muita coisa, uma vez que esse termo seja um misto de referências a Cícero, Quintillian, Michel de Montaigne. Além disso, muitos estudiosos isabelinos contemporâneos conheceram Terêncio como um líder semelhante a um ou mais dramaturgos da aristocracia romana.[13] O monumento da tumba de Shakespeare em Stratford, construída uma década após sua morte, apresenta-o atualmente com uma caneta na mão, o que sugere que ele era conhecido como dramaturgo, poeta. No entanto, os investigadores debatem se o monumento em si foi alterado após sua criação original, e se o original não mostrava um mero homem segurando, em vez de uma caneta, um saco de sementes.[13]

A partir das provas acima, a opinião principal (e a mais conhecida entre as populações) é de que William Shakespeare de Stratford, que deixou sua cidade natal para se tornar um ator e dramaturgo bem-sucedido em Londres, foi realmente quem escreveu as obras a ele atribuídas.

Visão dos que duvidam da autoria[editar | editar código-fonte]

Para os incertos quanto à identidade de Shakespeare, há diversas situações que os fazem acreditar que Shakespeare de Stratford era apenas um homem - provavelmente pago - que assumia os dotes literários de terceiros, que permaneciam anônimos: ambigüidade e falta de provas concretas quanto à evidência histórica da autoria de Shakespeare; a afirmação de que as peças possuem um nível alto de instrução (conhecimentos gerais e línguas estrangeiras) maior do que aquele que sabe-se que Shakespeare chegou a conhecer; a evidência sugestiva de que o autor faleceu quando Shakespeare de Stratford ainda estava vivo; dúvidas quanto à autoria expressas pelos próprios contemporâneos; mensagens codificadas em alguns trabalhos que parecem identificar um outro autor (como a sigla "W.S.") e paralelas percebidas entre as personagens nas peças shakesperianas e a vida favorecida dos candidatos.

Em 8 de setembro de 2007, os aclamados atores britânicos Derek Jacobi e Marque Rylance revelaram uma "declaração razoável da questão" em cima da autoria dos trabalhos shakespearianos, após o matinê final de Eu sou Shakespeare, uma peça que investiga a real identidade do bardo, encenada em Chichester, Inglaterra.[3] A "declaração" nomeia 20 proeminentes anti-Stratfordianos que viveram no passado, incluindo Mark Twain, Orson Welles, Sir John Gielgud e Charlie Chaplin.[3] O documento foi patrocinado pela União da Autoria de Shakespeare[14] e assinado por cerca de 1.000 pessoas na página on-line da união, sendo que destas mil pessoas, 200 foram acadêmicos, que incentivaram essa nova pesquisa em relação à questão da autoria.[3]

A ideia da autoria secreta no Renascimento Inglês[editar | editar código-fonte]

A possibilidade de Shakespeare ter sido um ator assumindo habilidades que não possuía gerou pesquisas históricas por parte dos estudiosos. Os anti-Stratfordianos, por exemplo, apontam documentos em que personalidades isabelinas - contemporâneas dos candidatos e de Shakespeare - discutem sobre a possibilidade de uma publicação anônima ou até de um pseudônimo que camuflava pessoas de status social elevado da época. A personalidade mais conhecida é o dramaturgo Robert Greene, que em seu Farewell to Folly menciona a prática adotada por escritores que camuflavam seus nomes enquanto outros apareciam nas publicações de suas obras:

"Shake-Speare" como um pseudônimo[editar | editar código-fonte]

De acordo com os historiadores literários Archer Taylor e Frederic J. Mosher, "nos séculos XVI e XVII, que foram a 'Idade de Ouro' dos pseudônimos, quase todos os escritores usaram um pseudônimo em algum momento de sua carreira".[15] A esse respeito, alguns anti-Stratfordianos apontam o hífen usado em "Shake-speare" como a utilização de um pseudônimo.[16] Outros exemplos de nomes hifenizados incluem Tom Tell-truth, Martin Mar-prelate, e Cuthbert Curry-nave, que faziam alusões e pretendiam atingir, através desses pseudônimos, um determinado sistema (religião, por exemplo) de suas épocas.

Segundo o pesquisador Mark Anderson, o termo hifenizado "Shake-speare" não deixa de ser outro exemplo nesse sentido, como uma alusão ao patrono da deusa grega Atena (da sabedoria, inteligência e do ofício), que nasceu da testa de Zeus, agitando[f]' uma lança.[17] [g]' Quanto a isso, os Stratfordianos têm respondido que a versão hifenizada – estudos históricos encontraram outras versões do termo, como "Shake Speare", sem o hífen – não é coerente e que o hífen foi simplesmente deslocado, e por isso essa questão deve ser descontada. Entretanto, o oxfordiano Charlton Ogburn reagiu em relação a essa manifestação Stratfordiana, observando que "as 32 edições das peças de Shakespeare publicadas antes do First Folio de 1623, em que o nome William Shakespeare foi usado por toda a parte, o nome foi hifenizado em quinze - quase a metade".[18] Além disso, foi hifenizado também pelo já citado poema de John Davies, que denomina Shakespeare como "Nosso Terêncio Inglês", embora Ogburn observe que o hífen foi apenas utilizado por outros editores e autores, e não pelo próprio poeta. A partir disso, Ogburn concluiu que o uso do hífen não era inconsistente ou extraviado como os Stratfordianos alegaram, mas que seguia um padrão considerável.[19]

Pontos usados pelos anti-Stratfordianos[editar | editar código-fonte]

A Educação de William Shakespeare[editar | editar código-fonte]

Não há nenhuma dúvida de que Shakespeare de Stratford precisaria ter concluído o ensino superior para escrever suas peças de teatro, especialmente ter tido conhecimentos como a ciência contemporânea e o de idiomas. Em 1895, Henry Stratford Caldecott disse algo acerca disto em uma palestra em Joanesburgo:

As peças de Shakespeare são tão estupendas quanto à genialidade que, mesmo com o passar do tempo, elas não perdem seu vigor e, pelo contrário, continuam sendo pesquisadas e analisadas por várias e várias gerações de estudiosos e críticos de todas as nações do planeta, e é por isso que as pessoas têm vindo a perguntar-se: 'é humanamente possível que William Shakespeare, um rapaz rústico do campo de Stratford-upon-Avon, tenha as escrito?', mas, se isso foi possível para um determinado homem, quem quer que ele pode ter sido, ele fez."[20]

A posição Stratfordiana é que Shakespeare esteve matriculado na Escola do Rei em Stratford até os quatorze anos, onde teria estudado o latim, o grego e uma vasta literatura, incluindo nomes como Ovídio e Platão, além de poemas franceses, histórias nacionais e romances italianos.[21] No entanto, os registros de alunos que frequentaram essa escola não sobreviveram, de modo que essa afirmação não passa de uma especulação, pois não prova se Shakespeare estudou nela ou não.[22]

Não há evidências provando que o bardo frequentou algum tipo de universidade, mas isso não era incomum entre os dramaturgos da Renascença. Tradicionalmente, os estudiosos assumem que Shakespeare foi parcialmente instruído.[23] Uma paralela geralmente citada quanto a isso é a situação que Ben Jonson, dramaturgo amigo de Shakespeare, viu-se alcançar em sua época: poeta da corte, mesmo que suas origens tenham sido mais humildes do que as de Shakespeare. Tal como ele, Jonson nunca concluiu ou talvez nunca tenha frequentado algum tipo de universidade e, no entanto, tornou-se um homem de grande respeito (mais tarde lhe foi concedido um honorário nas Universidades de Oxford e na de Cambridge). Historicamente, contudo, há evidências de que Jonson tivera uma educação maior que Shakespeare (vários livros foram encontrados assinados e anotados em alguns documentos de Jonson).[24]

A título de comparação, Jonson teve acesso a uma enorme biblioteca na qual ele provavelmente teve a oportunidade de aumentar e completar seus conhecimentos.[25] Para a alta educação de Shakespeare, no entanto, há uma possível fonte que favorece essa hipótese: A. L. Rowse tem salientado que algumas das fontes para suas peças foram compradas na loja do tipógrafo Richard Field, um companheiro Stratfordiano da idade de Shakespeare.[26]

Em contraponto, certas referências contemporâneas de Shakespeare têm reforçado a tese de que as obras shakesperianas, para terem sido escritas, não precisariam de uma quantidade pouco usual de ensino: a homenagem de Ben Jonson no First Folio de 1623 afirma que as peças eram grandes, embora tivessem "um latim pobre e pouco grego".[27] Essa questão fez surgir vários argumentos, a maioria apresentados com veemência pelo Dr Richard Farmer, que diz que uma grande dose desse aprendizado clássico que Shakespeare exibe é derivado do texto de Ovídio, Metamorfose, que foi um conjunto de texto em muitas escolas da época.[28] Anti-Stratfordianos como Mark Anderson, no entanto, consideram que essa explicação não contraria o argumento de que o verdadeiro autor também precisaria ter conhecimento em línguas estrangeiras, ciências modernas, conceitos sobre guerra, aristocracia, esportes, política, caça, filosofia natural, história, falcoaria e direito.[29] Semelhantemente ao pensamento de Farmer, aquilo que Shakespeare descreveu como "o primeiro herdeiro da minha invenção", em seu poema Vênus e Adônis, parece extrair extensivamente o texto Adônis, de Giambattista Marino, que nunca foi traduzido.[30]

Testamento[editar | editar código-fonte]

O testamento de William Shakespeare é longo e explícito, listando posses de uma bem-sucedida burguesia. No entanto, o documento não faz qualquer menção de vida particular, nem lista cartas, tampouco livros de qualquer tipo. Além disso, não dá nenhuma pista quanto à carreira literária de Shakespeare, e não se refere à nenhuma ação no Globe Theatre, sendo que eram ações extremamente valiosas.[31]

Na época de sua morte, 18 das peças de Shakespeare permaneceram inéditas. Nenhuma delas é mencionada em seu testamento (isso contrasta com o testamento de Francis Bacon, que refere-se à obra que ele desejava que fosse publicada postumamente).[32] Os anti-Stratfordianos acham provável que Shakespeare não desejava que sua família ficasse com algum tipo de lucro através dessas suas obras inéditas. Eles acham provável que Shakespeare submeteu todos seus manuscritos ao The King's Men, a companhia teatral onde ele era um acionista. Tal como era a prática normal da época, as obras de Shakespeare foram submetidas como propriedade dos membros do King's Men.[33] Foi um de seus companheiros acionistas, John Heminge e Henry Condell - cujos nomes foram fixados numa dedicatória no epistolo do First Folio - que reuniram as obras para esta publicação[34] (Ver: First Folio).

A questão de 1604[editar | editar código-fonte]

Certos pesquisadores descobriram que alguns documentos implicam que o dramaturgo foi morto em 1604, ano da contínua publicação das novas peças de Shakespeare "misteriosamente paradas",[35] e vários estudiosos têm afirmado que Conto do Inverno, A Tempestade, Henrique VIII, Macbeth, Rei Lear e Antônio e Cleópatra, chamadas de "peças tardias", foram compostas o mais tardar em 1604.[36] Além disso, os investigadores citam os Sonetos de Shakespeare, publicados originalmente em 1609, onde o documento diz: "nosso poeta cada vez mais vivo" na capa da obra, expressão utilizada normalmente para venerar alguém já morto, contudo imortal.[37] Esses pesquisadores também citam um documento ainda existente que implica que Shakespeare, o acionista do The Globe, estava morto antes de 1616, quando, oficialmente, Shakespeare havia morrido em Stratford.[38]

Alfabetização[editar | editar código-fonte]

Basicamente, admite-se que a esposa de Shakespeare, Anne, e sua filha Judith eram analfabetas, sugerindo que o pai não ensinou seus filhos nem a ler ou escrever,[39] mas isso não implica muito questionamento, pois era comum mulheres da classe média serem analfabetas no século XVII.[40]

A posição dos anti-Stratfordianos mantêm-se na afirmação de que, para se ter a capacidade de escrever todas as peças atribuídas à Shakespeare, precisaria-se de uma prática de escrita, nem que seja o recebimento ou a emissão de cartas, ou pequenas anotações, mas essas não existem ou, se existem, não passam de especulações; quanto a isso, os estudiosos acham inacreditável não haver nenhum registro de escrita por parte de Shakespeare.[41]

Classe social[editar | editar código-fonte]

Um dos itens mais discutidos a respeito de Shakespeare, sua classe social tem sido encarada pelos anti-Stratfordianos de forma previsível. Eles acreditam que o filho de um luveiro provincial residente de Stratford que de repente se vê na idade adulta e escreve obras que tratam de assuntos que estavam longes de suas próprias atividades, como viagens e vidas dignas da nobreza da época, só pode ter sido um personagem de um romance. Esta opinião é sintetizada por Charles Chaplin: "No trabalho dos maiores gênios, os primórdios humildes irão revelar seus próprios lugares, mas um não pode traçar sinais de desleixo em Shakespeare. Quem quer que escreveu [Shakespeare] tinha uma atitude aristocrática".[42] Os estudiosos ortodoxos corrigem essa análise, explicando que o mundo glamuroso da aristocracia era encenado popularmente para as peças da época. Adicionam que vários dramaturgos ingleses do Renascimento (época de Shakespeare) escreveram sobre a nobresa, apesar de suas origens humildes (aqui, inclui-se Christopher Marlowe, John Webster, Ben Jonson, Thomas Dekker e outros.[43]

'Provavelmente, naquela época, apenas personalidades aristocráticas ou estudantes universitários poderiam ter uma profunda compreensão de política, direito e idiomas', é a tese dos anti-Stratfordianos. Em contraponto, estudiosos ortodoxos respondem que Shakespeare era um homem que foi prosperando durante sua vida: várias de suas peças foram realizadas regularmente nas residências reais (corte), e, assim, talvez ele tenha se envolvido com a aristocracia de tal forma que conseguiu conhecê-la mais de perto. Além disso, sua carreira teatral proporcionou-lhe melhores condições financeiras, e ele acabou adquirindo um brasão como título de cavalheiro, tal como vários homens ricos da classe média da época recebiam.

Em O Gênio de Shakespeare, Jonathan Bate salienta que o argumento sobre a classe social é reversível: as peças contêm detalhes da classe baixa em que os aristocratas provavelmente não tiveram conhecimento. Muitas das personagens shakesperianas mais encenadas pertencem à classe inferior ou pelo menos são sempre associadas a isso, como Falstaff, Nick Bottom, Autolycus, Sir Toby Belch, etc..[44] Os anti-Stratfordianos, em contrapartida, acentuam que na medida em que a descrição do dramaturgo em relação à nobreza é altamente pessoal e multi-facetada, seu tratamento em relação à classe baixa é completamente atencionada ao lado cômico.[45]

Comentários de contemporâneos[editar | editar código-fonte]

Leva-se em conta que nada melhor do que procurar investigar documentos e comentários de personalidades que viveram na mesma época do homem aqui em questão, William Shakespeare, para se ter um melhor entendimento da autoria e chegar a uma conclusão ao menos sensata e coerente.

Ben Jonson tinha uma relação contraditória com Shakespeare. Ele o considerava como um amigo, como escreveu em Discoveries ("Eu amava o homem"),[46] além de dedicar palavras de elogios no First Folio. Contudo, Jonson também escreveu que Shakespeare era demasiado tagarela: Elogiando que Shakespeare nunca havia manchado uma linha fora, Jonson escreveu: "ele tinha manchado mil", e isso "fluía com tal facilidade que às vezes era necessário interromper".[46] Na mesma obra, ele brinca que Shakespeare havia falado: "na pessoa de César" (presumivelmente no palco): "César nunca fez mal, mas com justa causa", que Jonson chama de "ridículo",[47] que, de fato, é preservado da mesma forma como no First Folio.

Na já citada obra póstuma Greene's Groatsworth of Wit, de Robert Greene, o autor refere-se a um dramaturgo com a expressão "Shake-scene", ou seja, "Abalador de cena", literalmente. Este "abalador de cena" é difamado como "um corvo próspero que adornou com nossas penas", juntamente com uma referência à Henrique VI, Parte 3. A visão ortodoxa é de que Greene critica o fato de que Shakespeare invadiu seu domínio de conhecimentos universitários com seu estilo pouco sofisticado,[48] enquanto que certos anti-Stratfordianos alegam que Greene, na verdade, duvidava da autoria de Shakespeare,[49] uma vez que este era um ator que apenas assumia habilidades que não eram suas (corvo) e ganhava de alguma forma (próspero).

Provas nos sonetos[editar | editar código-fonte]

O anti-Stratfordiano Charlton Ogburn têm usado repetidamente os sonetos de Shakespeare como prova de sua posição. Ele cita, por exemplo, o Soneto 76, como uma prova clara da confissão do autor que necessitava de uma tal artimanha:

Por que só escrevo essa monotonia,
Tão incapaz de produzir inventos
Que cada verso quase denuncia
Meu nome e seu lugar de nascimento?[50]

Conhecimento geográfico[editar | editar código-fonte]

A maioria das observações anti-Stratfordianas acreditam que o verdadeiro autor das peças viajou muito e para lugares bem distintos, uma vez que muitas das peças mostram grande atenção à locais europeus, além de apresentar alguns detalhes dessas regiões. Acerca disto, os ortodoxos respondem que diversos enredos de peças da época, escritas por outros dramaturgos, tinham como locações lugares estrangeiros e o estilo de Shakespeare era inteiramente convencional a esse respeito.

Até mesmo fora da questão da autoria, tem havido um debate encarado de forma particular em relação aos conhecimentos apresentados por Shakespeare relativos às extensões geográficas. Alguns estudiosos afirmam que existe pouca informação topográfica nos textos (em nenhuma parte de Otelo ou de O Mercador de Veneza são mencionados canais venezianos). Com efeito, existem mal-entendidos aparentes: Shakespeare, por exemplo, refere-se a Boémia como tendo uma orla costeira em Conto do Inverno, sendo que a região checa não é litorânea; refere-se à Verona e Milão como portos marítimos, em Os Dois Cavalheiros de Verona, sendo que as cidades são interiores; em Tudo Bem Quando Termina Bem, sugere que uma jornada de Paris para o norte da Espanha deveria passar pela Itália; e em Timão de Atenas diz que existem estações no Mar Mediterrâneo, e que elas possuem locações uma vez em duas vezes por dia.[51]

As reações dos estudiosos diante dessas manifestações surgiram dos dois lados (dos ortodoxos e dos anti-Stratfordianos). Uma explicação dada para o fato de Boémia ter sido apresentada como uma região litorânea é de que talvez o autor soubesse que o reino da Boémia foi, numa determinada época, esticado ao Adriático.[52] Verificou-se também que O Mercador de Veneza demonstra conhecimentos detalhados da cidade, como o fato de que o Duque manteve dois votos na Câmara Municipal, e que um prato de pombas cozidas foi, em uma época, dado de presente a um dom em sua homenagem, no norte italiano.[17] Shakespeare também utilizou o termo local traghetto para referir-se ao modo de transporte veneziano (impresso como 'traject', no texto publicado[53] ).

Os anti-Stratfordianos sugerem que as informações acima provam que o autor das peças precisaria ter viajado e ter tido experiências nessas regiões, e, assim, concluem que essa figura teria sido um diplomata, um aristocrata ou um político, menos o homem de Stratford.

Os principais estudiosos afirmam que as peças de Shakespeare contém diversos coloquialismos, como designações de itens raros na flora e na fauna de Warwickshire, onde Stratford-upon-Avon está localizada, como 'amor de ociosidade', em Sonho de Uma Noite de Verão.[54] Essas designações, segundo esses estudiosos, sugerem que quem escreveu as peças foi um nativo de Warwickshire. Investigadores salientam, contudo, que o Conde de Oxford, um dos possíveis autores das peças, era proprietário de uma casa senhorial em Bilton, Warwickshire, o que poderia pôr em xeque essa afirmação ortodoxa dos principais estudiosos, apesar dos registros mostrarem que a propriedade era alugada e que foi vendida em torno de 1581.[55]

Candidatos[editar | editar código-fonte]

Histórico da atribuição alternativa[editar | editar código-fonte]

As primeiras suspeitas indiretas quanto à autoria das obras de Shakespeare provêm dos próprios isabelinos. Em 1595, o poeta Thomas Edward publicou seu Narcissus and L'Envoy to Narcissus em que ele parece dar a pista de que "Shakespeare" – em aspas, pois não se sabe ao certo se o poeta referiu-se à Shakespeare; especulação que só tem como base o fato de Thomas Edward ter escrito: "o poeta de Vênus e Adônis", uma poesia atribuída à Shakespeare – era um aristocrata. Referindo-se ao poeta de Vênus e Adônis, Edwards o chamou de homem "com veste roxa" (in purple robes, no documento original), sendo roxo naturalmente um símbolo aristocrático. Ao redor da virada do século XVII, Gabriel Harvey, estudioso de Cambridge, deixou uma marginália em sua cópia dos trabalhos de Chaucer que implicava que ele acreditava firmemente no fato de Sir Eduardo Dyer ter sido o autor de, pelo menos, Vênus e Adônis.^ ' Todas essas referências permaneceram, no entanto, vendadas no debate acerca da autoria e nunca foram, embora tenha se chegado próximo às vezes, mencionadas de maneira clara e explícita.[56]

As primeiras suspeitas diretas quanto à autoria das obras de Shakespeare provêm do século XVIII, quando os pontos de vista não-ortodoxos foram expressos em três histórias alegóricas. Em An Essay Against Too Much Reading (1728), escrita pelo 'Capitão Golding, Shakespeare é descrito como um mero colaborador que "muito provavelmente não sabe escrever em Inglês." Já em The Life and Adventures of Common Sense (1796), escrita por Herbert Lawrence, Shakespeare é retratado como um "astuto personagem teatral… e ladrão incorrigível." Em The Story of the Learned Pig (1786), escrita por um autor anônimo descrito como "oficial da Royal Navy", Shakespeare é meramente um homem que assume as habilidades do verdadeiro autor, num capítulo chamado "Pimping Billy".

Em torno dessa mesma época, James Wilmot, clérigo e bolseiro de Warwickshire, estava pesquisando a biografia de William Shakespeare. Viajou extensamente em torno de Stratford, visitando bibliotecas do país, residências, monumentos, à procura de registros ou correspondências relacionadas à Shakespeare ou à livros que ele talvez tivesse possuído. Até 1781, Wilmot tornou-se tão revoltado com a falta de provas acerca da vida de Shakespeare, que ele concluiu que este homem não poderia ter sido o autor das peças atribuídas tradicionalmente a ele. Wilmot estava familiarizado com os escritos de Bacon e formou a opinião de que este era o mais provável autor do canône shakespeariano. Wilmot confidenciou isto a James Cowell. Cowell divulgou-o em um papel lido à Sociedade Filosófica de Ipswich em 1805 (o papel de Cowell foi redescoberto somente em 1932).

Estes relatórios logo seriam esquecidos. No entanto, no século XIX, Bacon surgiria novamente como o candidato alternativo mais popular, quando, na altura da bardolatria, a "questão da autoria" foi popularizada. Muitas personalidades deste século, porém, declararam-se agnósticos e se recusaram a endossar uma alternativa, ou uma opinião. O popular poeta americano Walt Whitman deu voz a este ceticismo quando disse à Horacio Traubel: "Concordo com você, companheiro, quando diz não à Shaksper: isso está longe do que tenho buscado. Quanto à Bacon… bem, vamos ver, veremos."[57] A partir de 1908, SirGeorge Greenwood envolveu-se em uma série de debates com o biógrafo shakespeariano SirSidney Lee e o autor JM Robertson. Ao longo de sua carreira em que desenvolveu inúmeros livros sobre a questão, Greenwood contentou-se a argumentar contra a tradicional atribuição das obras e nunca apoiou o caso para um determinado candidato alternativo. Em 1922, juntou-se à John Thomas Looney, o primeiro a argumentar que a autoria era de Eduardo de Vero, 17º Conde de Oxford, fundando a The Shakespeare Fellowship, uma organização internacional dedicada à promoção da discussão e do debate da questão da autoria. Até 1975, a Enciclopédia Britânica declarou que Oxford era o mais provável autor das peças. Desde a década de 1980, o apoio a Oxford entre os intelectuais independentes, profissionais de teatro e certos acadêmicos aumentou consideravelmente. O poeta e dramaturgo Christopher Marlowe também foi um candidato bastante popular no século XX. Muitos outros candidatos - entre eles o genro de Eduardo de Vero, William Stanley, 6º Conde de Derby - foram e ainda são sugeridos, mas não conseguiram grandes considerações.

Na realidade, o desejo de conhecer profundamente toda essa questão da autoria nos exige a chegarmos mais perto da personalidade que, de fato, existiu, mas que, segundo estudiosos e investigadores, foi quem realmente escreveu as peças ortodoxamente atribuídas à William Shakespeare de Stratford-upon-Avon. Os possíveis autores das peças e os conjuntos de teses que os evidenciam a esse título serão apresentados nas sub-seções a seguir.

Eduardo de Vero, 17º Conde de Oxford[editar | editar código-fonte]

O candidato mais popular de antigamente é Edward de Vere, 17º Conde de Oxford. Esta teoria, proposta primeiramente por J. Thomas Looney em 1920, persuadiu nomes como Sigmund Freud, Orson Welles, Marjorie Browen, Charlie Chaplin, Ralph Waldo Emerson e muitos outros intelectuais do século XX.[42] A teoria foi levada à grande proeminência por Charlton Ogburn, em seu O Misterioso William Shakespeare (1984). Os estudiosos que acreditam na tese oxfordiana são frequentemente referidos como Oxfordianos, e Eduardo de Vero é denominado muitas vezes como Oxford.

DUAS OPÇÕES PARA ESTE PARAGRAFO: 1. Os oxfordianos baseiam-se nas inúmeras semelhanças entre a vida de Oxford e inúmeros eventos nas peças shakesperianas. Eles apontam também inúmeros outros itens que merecem consideração: a aclamação que os contemporâneos de oxford faziam em relação à seu talento para a poesia e para a dramaturgia; sua proximidade à Rainha Elizabeth I e sua vida na corte; o fato de que Oxford teve o trabalho de sublinhar passagens bíblicas que mais tarde foram citadas nas peças de Shakespeare;[58] fraseologia paralela e similaridade de pensamentos entre as obras shakesperianas e as grafias e poesias que sobreviveram do Conde;[59] sua extensiva educação e inteligência, e seus registros de viagens para toda a Itália, incluindo locais e regiões citadas em algumas peças.[60]

2. Os oxfordianos baseiam-se nas inúmeras semelhanças entre a vida de Oxford e inúmeros eventos nas peças shakesperianas. Eles apontam também inúmeros outros itens que merecem consideração:

  • a aclamação que os contemporâneos de oxford faziam em relação à seu talento para a poesia e para a dramaturgia;
  • sua proximidade à Rainha Elizabeth I e sua vida na corte;
  • o fato de que Oxford teve o trabalho de sublinhar passagens bíblicas que mais tarde foram citadas nas peças de Shakespeare;[58]
  • fraseologia paralela e similaridade de pensamentos entre as obras shakesperianas e as grafias e poesias que sobreviveram do Conde;[59]
  • sua extensa educação e inteligência;
  • e seus registros de viagens para toda a Itália, incluindo locais e regiões citadas em algumas peças.[60]

Os estudiosos que apoiam a visão ortodoxa disputaram a maioria, senão todas essas alegações. Para eles, a maior prova contra a candidatura de Oxford é que ele morreu em 1604, enquanto alegam que um certo número de peças de Shakespeare teriam sido escritas após e durante essa data. Certos eruditos convencionais e principalmente os oxfordianos reagem a esta afirmação, argumentando que os ortodoxos têm datado uma série de peças que na realidade apenas salientam a autoria alternativa de Oxford, e alegam que não há nenhuma prova concludente de que as peças ou os poemas foram escritos após a morte do Conde (1604). Para ver as datas elaboradas pelos Oxfordianos quanto às peças, veja Cronologia das peças de Shakespeare - Oxfordiana.

Alguns dos estudiosos principais têm considerado que as publicações de Oxford (principalmente os poemas) não possui semelhanças estilísticas com as obras shakesperianas. A visão oxfordiana é de que esses poemas foram publicados quando Oxford ainda era moço e, portanto, imaturo nas letras. Para reforçar essa tese, eles argumentam que se faça uma análise entre a obra poética oxfordiana e a primeira peça de Shakespeare, Romeu e Julieta.[59]

Sir Francis Bacon[editar | editar código-fonte]

Em 1856, William Henry Smith colocou adiante a alegação de que o verdadeiro autor das peças de William Shakespeare foi Sir Francis Bacon, o proeminente cientista, filósofo, diplomata, ensaísta, historiador, poeta e político bem-sucedido que atuou como advogado geral (1607), procurador-geral (1613) e Lord Chanceler (1618).

Smith foi apoiado por Delia Bacon, em seu livro The Philosophy of the Plays of Shakespeare Unfolded (1857), no qual ela afirma que Shakespeare foi, de fato, um grupo de escritores, incluindo Francis Bacon, SirWalter Raleigh e Edmund Spenser: eles possuíam a finalidade de incluir um sistema filosófico na sociedade, do qual sentiam receio de assumir. Delia diz que começou a descobrir este sistema superficial por trás das peças. Constance Mary Fearon Pott (1833–1915) adotou e modificou este ponto de vista, fundando a Sociedade Francis Bacon em 1885, e publicando sua teoria centrada em Bacon, em Francis Bacon and his secret society (1891).[61] Desde Bacon, havia a idéia de que os enredos e as ações das personagens nas peças teatrais precisavam ser utilizadas "como um meio de educar a força e a mente dos homens",[62] sendo que uma não-esotérica opinião é de que Bacon agiu sozinho e atuou em seu projeto de Grande Instauração[63] [64] deixando sua filosofia moral para a posteridade em peças de Shakespeare (por exemplo, a natureza de um bom governo é retratada pelo Príncipe Hal em Henrique IV, Parte 2). Após ter delineado ciência e filosofia moral em seu Avanço da Aprendizagem (1605), somente a filosofia e a ciência de Bacon ficou conhecida por ter sido publicada durante sua vivência (Novum Organum 1620).

Os Baconianos chamam a atenção para as semalhanças entre frases específicas das peças e as regras escritas por Bacon em seu Promus,[65] que ficou desconhecido do público por cerca de 200 anos após ter sido escrito. Grande parte dessas entradas foram reproduzidas em peças de Shakespeare. Há, inclusive, um documento em que Bacon confessa estar sendo um "poeta ocultado"[66] e, segundo muitos estudiosos, Bacon estava no conselho governante da Companhia de Virgínia quando a carta de William Strachey havia chegado na Inglaterra, sendo que esta foi usada para ele escrever A Tempestade. Além disso, há indícios de que não foi a companhia de Shakspere quem produziu a sua primeira e famosa peça A Comédia dos Erros, e sim a Gray's Inn; inclusive, acredita-se que essa última companhia era controlada por Bacon (Vide o artigo Teoria baconiana).

Apesar de Percy Bysshe Shelley ter dito "Lord Bacon foi um poeta",[67] o argumento principal contra a teoria baconiana é que as poucas obras atribuídas à Francis Bacon não possuem nenhuma semelhança com o estilo shakespeariano.

Christopher Marlowe[editar | editar código-fonte]

Uma suspeita que reforçasse a teoria de que o jovem e talentoso poeta-dramaturgo Christopher Marlowe foi o autor das peças foi feita nos primeiros meses de 1895, mas o criador da mais detalhada hipótese da autoria de Marlowe foi Calvin Hoffman, um jornalista americano cujo livro sobre o assunto, The Murder of the Man who was Shakespeare, foi publicado em 1955. Marlowe criara uma celeuma com sua produção literária quando frequentava a Cambridge, universidade que ingressou graças a uma bolsa. O jovem autor, cuja traduções de Ovídio foram ordenadas (pelo Arcebispo de Cantuário e o Bispo de Londres) para serem queimadas publicamente, foram a primeira introdução de Amores, de Ovídio, no inglês. Sua tradução e adaptação do verso branco de Lucan, Pharsalia, influenciou poetas de Milton à Wordsworth. Ainda que fosse um estudante universitário, Marlowe viu a peça Doutor Faustus sendo produzida e encenada em Londres e logo após lhe foi concedido um prêmio.

Marlowe disse ter quase sido assassinado por um grupo de espiões, por volta de 1593, incluindo Igram Frizer, agente de Thomas Walshingham, padroeiro de Marlowe. Eis um possível fato que promove a teoria marloviana, sendo que Marlowe estava sendo ameaçado de morte por heresia, e acabou sendo salvo (por pessoas da alta sociedade, como Thomas Walsingham e possivelmente o patrocinador de Marlowe, Lord Burgley), o que o obrigou a escrever obras creditando-as à "William Shakespeare".[68]

Os Marlovianos apontam o estilo de ensaios e estudos que parecem revelar a forma como "os dois autores"[69] utilizaram paralelos de fraseologia e vocabulário estilístico semelhantes.[68] [70]

Os ortodoxos não acreditam que seja convincente o argumento da morte falsificada de Marlowe. Também apontam que a escrita dos dois autores possui estilos muito diferentes, e atribuem alguma semelhança e influência no trabalho de Marlowe a dramaturgos subsquentes, como Shakespeare.[71]

Fulke Greville, Lord Brooke[editar | editar código-fonte]

Em 2007, The Master of Shakespeare by AWL Saunders propôs um novo candidato: Fulke Greville, Lord Brooke (1554-1628). Greville foi aristocrata, estadista, marinheiro, soldado, patrocinador literário, dramaturgo, poeta e historiador. Foi educado em Shrewsbury, onde conheceu seu amigo Sir Philip Sidney, e no Jesus College (Cambridge). Em seu regresso à Inglaterra depois de viajar na Europa, trabalhou para SirFrancis Walsingham e novamente viajou para a Europa, ficando durante um longo tempo. Tornou-se um grande favorito de Isabel I de Inglaterra, foi caixeiro no Cônsul de Wales, tesoureiro da marinha e de 1614 a 1621, foi chanceler do tesouro. Após a morte do pai, em 1606, Fulke tornou-se registrador em Stratford-upon-Avon, AND HE HELD THAT POST até sua própria morte em 1628. Greville era famoso por causa de sua amizade com SirPhilip Sidney, e por causa de seu tempestuoso amor com a irmã de Philip: Mary Sidney, Condessa de Pembroke. Greville também é considerado um generoso patrocinador de muitos dos principais autores da época, incluindo Marlowe, Thomas Nashe, Samuel Daniel e Edmund Spenser, Ben Jonson e William Davenant. Era membro de todos os principais círculos literários da época: o Areopagus, o Wilton House Circle, o The Southampton Circle, o University Wits (associado) e o The School of Night; sua alegação é de ter sido o "Mestre de Shakespeare" e autor de uma peça perdida, chamada Antônio e Cleópatra. Quando comparado com os perfis "Stratfordianos" de William Shakespeare a partir do First Folio(1623), Greville iguala cada 'perfil': o Greville de Stratford tinha uma casa na Rua Henley; era amigo e patrocinador de Ben Jonson; tinha um latim pequeno e um grego inferior e tem um monumento sem túmulo construído em Collegiate Church of St Mary, Warwick).

Outros candidatos[editar | editar código-fonte]

Em The Truth Will Out, publicado em 2005, os autores Brenda James (docente em tempo parcial na Universidade de Portsmouth) e William Rubinstein (professor de História na Universidade Aberystwyth) argumentam que Henry Neville, um contemporâneo isabelino inglês que foi diplomata e parente distante de Shakespeare, é o verdadeiro autor. Rubinstein e Brenda James argumentam que os locais onde Neville empenhou sua carreira foram colocados na maioria dos enredos das peças dependendo da época em que foram escritas, e que sua vida pessoal e pública contém paralelismos com os acontecimentos das peças.

Outros candidatos propostos por estudiosos de várias partes do planeta incluem Maria Sidney, William Stanley, 6º Conde de Derby, Sir Edward Dyer ou Roger Manners, 5º Conde de Rutland (às vezes com sua esposa Elizabeth, filha de Philip Sidney, e sua tia Mary Sidney, Condessa de Pembroke, como co-autoras). Há pelo menos mais de cinquenta outros nomes que têm sido propostos, incluindo o rebelde irlandês William Nugent, o mártir católico StEdmund Campion,[72] e até mesmo a Rainha Isabel (com base em uma suposta semelhança entre um retrato da rainha e da gravura de Shakespeare que aparecem no First Folio), sem contar o argumento de Malcolm X, que diz que Shakespeare foi Jaime I de Inglaterra.[73]

Na década de 1960, a teoria mais popular era a de que "Shakespeare" escondia mais de um dramaturgo. Um grupo composto por De Vero, Bacon, William Stanley, e outros.[74] Essa teoria tem sido muitas vezes citada em publicações, e mais recentemente pelo renomado ator Derek Jacobi, que disse à imprensa britânica: "Acredito na teoria do grupo de dramaturgos. Não creio que ninguém poderia escrever as peças sozinho. Penso que provavelmente De Vero foi um dos integrantes, pois concordo que um autor escreve sobre suas próprias experiências, sua própria vida e personalidade."[75]

Notas[editar | editar código-fonte]

  • a. ^ Tomando em consideração a hipótese de "Shakespeare" ter sido um nome ou um ator para camuflar outros dramaturgos, entende-se que não somente suas peças, mas também seus sonetos/poemas foram escritos por outrem (daí deriva a utilização de dramaturgos/poetas).
  • b. ^ A biografia básica de Shakespeare cultua a crença de que ele nasceu pobre ou, pelo menos, viu a situação financeira de sua família declinar quando ainda jovem, o que o fez mudar ou sair da escola. Os livros na época eram inacessíveis para os mais pobres, pois custavam caro (vide Biografia de William Shakespeare).
  • c. ^ Em suma, o estudioso que crê na possibilidade de Francis Bacon ter sido o autor das peças, é denominado baconiano, pois é à favor da teoria Baconiana; aqueles que dão esse crédito à Christopher Marlowe são chamados de Marlovianos, pois acreditam na tese Marloviana; e, por fim, existem os Oxfordianos, que acreditam na autoria do Conde de Oxford e, por isso, são seguidores da teoria Oxfordiana. Todas essas categorias pertencem aos anti-Stratfordianos.
  • d. ^ Embora à primeira vista estes termos nos remetam ao pensamento de que Greene quis dizer algo à favor da tese dos anti-Strafordianos (afinal, homem capaz de fingir habilidade pode estar explicitamente falando sobre alguém que finge algo que não tem, enquanto que outros habilidosos permanecem anônimos nessa situação), os stratfordianos alegam que, na realidade, o termo "homem capaz de fingir habilidade" foi algo satírico por parte do dramaturgo, para zombar do estilo literário de Shakespeare.
  • f. ^ Em inglês, Shake(xêic) significa sacudidela, aperto de mão; abalar, sacudir, tremer, agitar, sendo Shook seu pretérito e Shaken seu pretérito participativo. Shaking seria agitando, sacudindo, tremendo; respectivamente.
  • g. ^ Em inglês, portanto, agitando uma lança (lembrando que se pode utilizar outras palavras, como mexendo uma lança e etc.) fica shaking a spear, que é o termo original usado por Anderson (spear= lança, arpão).
  • h. ^ O autor descreveu esse poema como "primeiro herdeiro da minha invenção", o que ocasionou no fato de alguns eruditos afirmarem que cada peça que carrega seu nome antes de sua publicação de 1593 foram trabalhos de alguma outra pessoa. (Ver Caldecott: Nosso Homero Inglês, p. 7.) De acordo com Grant White, isso deve ter sido escrito antes de Shakespeare voltar para Londres.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. McMichael, George; Edgar M. Glenn (1962). Shakespeare e seus rivais. pg 56: New York: Odyssey Press.
  2. Gibson, H.N. (2005). Os Reivindicadores de Shakespeare. Routledge, 48, 72, 124. ISBN 0-415-35290-8.
  3. a b c d Welcome | Shakespeare Authorship Coalition em DoubtAboutWill.org
  4. Shakespeare, o Rei dos Dramaturgos: Teatro na Corte de Stuart, 1603-1613 Por Alvin B. Kernan, Publicado em 1995 pela Yale University Press, p. 194. ISBN 0-300-07258-9
  5. [1]
  6. McMichael, George; Edgar M. Glenn (1962). Shakespeare e seus rivais . p. 63: New York: Odyssey Press.
  7. MCMichael, 143.
  8. McMichael, pg 159
  9. Shakespeare: An Oxford Guide, David Kathman, Editores: Wells/Orlin, Oxford University Press, 2003, p. 624; e David Kathman The Spelling and Pronunciation of Shakespeare's Name na página The Shakespeare Authorship Page, acessada em 27 de Outubro, 2007.
  10. Ver Caldecott, Henry Stratford: Nosso Homero Inglês
  11. Para mais detalhes sobre esses tópicos e uma maior e mais completa referência sobre os documentos acerca da vida de Shakespeare, veja Samuel Schoenbaum , William Shakespeare: Um Documentário Compacto da Vida (OUP, 1987)
  12. Anderson, Mark [2005]. "Shakespeare" por Outro Nome . New York City: Gotham Books, xxx. ISBN 1-59240-215-1 .
  13. a b Anderson, Mark [2005]. "Shakespeare" por Outro Nome . New York City: Gotham Books, xxx. ISBN 1-59240-215-1 .
  14. Oficialmente Shakespeare Authorship Coalition
  15. Archer Taylor e Fredric J. Mosher, A Bibliografia Histórica do Anonimato e do Pseudônimo, Chicago: University of Chicago Press, 1951, p 85
  16. Charlton Ogburn, O Mistério de William Shakespeare, 1983, p. 87–88
  17. a b Anderson, introdução
  18. Charlton Ogburn, O Mistério de William Shakespeare, 1983, pgs 87–88
  19. Charlton Ogburn, O Mistério de William Shakespeare, 1983, pgs 87–88
  20. Caldecott: Nosso Homero Inglês, p. 10.
  21. Baldwin, T. W. William O Pouco Latim e o Pobre Grego de Shakespeare. 2 Volumes. Urbana-Champaign: University of Illinois Press, 1944: passim. - Veja também Whitaker, Virgil. Uso da Aprendizagem de Shakespeare. San Marino: Huntington Library Press, 1953: 14-44.
  22. Germaine Greer Past Masters: Shakespeare (Oxford University Press 1986, ISBN 0-19-287538-8) pp1–2
  23. The Stratford Grammar School. Página visitada em 28 de Outubro de 2009.
  24. Ridell, James, e Stewart, Stanley, The Ben Jonson Journal, Vol. 1 (1994), p.183; artigo citando o inventário da livraria privada de Ben Jonson.
  25. Riggs, David, Ben Jonson: Uma Vida (Harvard University Press: 1989), p.58.
  26. A. L. Rowse: "Os supostos "anos perdidos" de Shakespeare". Revisão Comtemporânea, Fevereiro de 1994. David Kathman, 'Shakespeare and Richard Field', na já citada The Shakespeare Authorship Page.
  27. Foi o ensaísta francês Paul Stapfer quem provou esta incorreção, o que mostra que Shakespeare conhecia profundamente o latim e que o grego era de sua estimável compreensão. Veja o seu Shakespeare et l'antiquité (1883).
  28. Jonathan Bate, Shakespeare e Ovidío (Clarendon Press, 1994); Veja também Caldecott: Nosso Homero Inglês, pp. 9-10.
  29. Anderson, Mark [2005]. "Shakespeare" por Outro Nome. New York City: Gotham Books. ISBN 1-59240-215-1.
  30. Caldecott: Nosso Homero Inglês, p. 8.
  31. SHAKSPER 1992: The Earl of Oxford vs Shakespeare of Stratford (tradução literal: O Conde de Oxford contra Shakespeare de Stratford)
  32. Spedding, James, A Vida e as Cartas de Francis Bacon (1872), Vol.7, p.228-30
  33. G. E. Bentley, A Profissão de Dramaturgo no tempo de Shakespeare: 1590–1642 (Princeton: Princeton UP, 1971)
  34. First Folio, 1623, Epístolo, A2)
  35. Anderson, Shakespeare por Outro Nome, 2005, pgs 400–405
  36. Alfred Harbage, William Shakespeare Obras Completas, 1969
  37. Dicionário de Inglês Oxford 2ª edição, 1989
  38. Ruth Lloyd Miller, Essays, Heminges vs. Ostler, 1992.
  39. Shakespeare's Unorthodox Biography - New Evidence of an Authorship Problem by Diana Price
  40. Thompson, Craig R. Escolas na Inglaterra de Tudor. Washington, D.C.: Folger Shakespeare Library, 1958. Nota-se que dados estatísticos compilados por David Cressy indica que uma grande percentagem (algo como 90%) das mulheres não tiveram educação suficiente para assinar os seus próprios nomes; veja Friedman, Alice T. "A Influência do Humanismo na Educação de Homens e Mulheres na Inglaterra de Tudor." History of Education Quarterly 24 (1985):57
  41. Shakespeare Vs Shakespeare
  42. a b Shakespeare-Oxford Society » The Honor Roll of Skeptics
  43. http://www.shakespeareauthorship.com/aristocrat.html Were Shakespeare's Plays Written by an Aristocrat?
  44. Bate, Jonathan, O Gênio de Shakespeare (London, Picador, 1997)
  45. Ogburn, O Misterioso William Shakespeare, 1984
  46. a b Jonson, Discoveries 1641, ed. G. B. Harrison (New York: Barnes & Noble, 1966), p. 28.
  47. Jonson's Discoveries 1641, ed. G. B. Harrison (New York: Barnes & Noble, 1966), p. 29.
  48. McMichael, pgs26-27
  49. Dawkins, Peter, O Enigma Shakespeare (Polair: 2004), p.47
  50. Willian Shakespeare (tradução de Geraldo Carneiro)
  51. George Orwell http://whitewolf.newcastle.edu.au/words/authors/O/OrwellGeorge/essay/tribune/AsIPlease19441201.html
  52. See J.H. Pafford, ed. Conto do Inverno, Arden Edition, 1962, p. 66
  53. Veja John Russell Brown, ed. O Mercador de Veneza, Arden Edition, 1961, nota ao Ato 3, Ce.4, p.96
  54. A Modern Herbal: Heartsease; O dialeto de Warwickshire também é discutido em Jonathan Bate, O Gênio de Shakespeare OUP, 1998; e em Wood, M., Na Procura de Shakespeare, BBC Books, 2003, pp. 17–18.
  55. Irvin Leigh Matus, Shakespeare em Fato (1994)
  56. Diana Price Shakespeare's Unorthodox Biography ISBN 0-313-31202-8 pp. 224-25
  57. Traubel, H.: With Walt Whitman in Camden, qtd. in Anon, 'Walt Whitman on Shakespeare'. The Shakespeare Fellowship. (website oxfordiano). Accesso: Abril 16, 2006.
  58. a b Stritmatter, Roger A. The Marginalia of Edward de Vere's Geneva Bible: Providential Discovery, Literary Reasoning, and Historical Consequence (PhD diss., University of Massachusetts at Amherst, 2001). Partial reprint at Mark Anderson, ed. The Shakespeare Fellowship (1997–2002) (Oxfordian website). Accessed April 13, 2006.
  59. a b c Fowler, 1986
  60. a b Ogburn, O Mistério de William Shakespeare, 1984, pg 703)
  61. Sirbacon.org, Constance Pott
  62. Bacon, Francis, Avanço da Aprendizagem 1640, Livro 2, xiii
  63. Para mais detalhes sobre a Grande Instauração de Bacon e outros detalhes sobre sua filosofia, ver [www.cobra.pages.nom.br/fmp-bacon.html Bacon - vida, época, filosofia e obras], em Cobra Pages
  64. Michell, John, Quem Escreveu Shakespeare (Thames and Hudson: 2000) pp. 258-259
  65. British Library MS Harley 7017; transcrição em Durning-Lawrence, Edward, Bacon é Shakespeare (1910)
  66. Lambeth MS 976, folio 4
  67. Shelley, Percy Bysshe, Defesa da Poesia (1821), p.10
  68. a b Baker, John 'The Case for the [sic] Christopher Marlowe's Authorship of the Works attributed to William Shakespeare'. John Baker's New and Improved Marlowe/Shakespeare Thought Emporium (2002). Acesso: 13 de Abril, 2006.
  69. "William Shakespeare" e Christopher.
  70. Baker, John, 'Dr Mendenhall Proves Marlowe was the Author Shakespeare?'[sic]. John Baker's New and Improved Marlowe/Shakespeare Thought Emporium (2002). Acesso: 13 de Abril, 2006.
  71. (em inglês) veja as frases do Professor Jonathan Bate, autor de O Gênio de Shakespeare num artigo em http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/press/2108.html
  72. The Case for Edmund Campion
  73. X, Malcom; Alex Haley (1965). A Autobiografia de Malcolm X. New York: Grove Press.
  74. McMichael, pg 154
  75. [2]

Bibliografia inglesa[editar | editar código-fonte]

  • Nos países falantes do português, o tema não é muito conhecido e isso se deve muito pela falta de literatura em português sobre essa questão. Não há conhecimento de algum livro realmente consistente em português em relação à questão de Shakespeare. Todo o material, no entanto, foi estudado por historiadores e especialistas ingleses e norte-americanos, cabendo a prestarmos atenção na bibliografia em inglês.

Ortodoxa/Neutra/Questionadora[editar | editar código-fonte]

  • Bertram Fields, Players: The Mysterious Identity of William Shakespeare (2005)
  • H. N. Gibson, The Shakespeare Claimants (London, 1962). (An overview written from an orthodox perspective).
  • Greenwood, George The Shakespeare Problem Restated. (London: John Lane, 1908).
  • Shakespeare's Law and Latin. (London: Watts & Co., 1916).
  • Is There a Shakespeare Problem? (London: John Lane, 1916).
  • Shakespeare's Law. (London: Cecil Palmer, 1920).
  • E.A.J. Honigman: The Lost Years, 1985.
  • John Michell, Who Wrote Shakespeare? (London: Thames and Hudson, 1999). ISBN 0-500-28113-0. (An overview from a neutral perspective).
  • Irvin Leigh Matus, Shakspeare, in Fact (London: Continuum, 1999). ISBN 0-8264-0928-8. (Orthodox response to the Oxford theory).
  • Ian Wilson: Shakespeare - The Evidence, 1993.
  • Scott McCrea: "The Case for Shakespeare", (Westport CT: Praeger, 2005). ISBN 0-275-98527-X.
  • Bob Grumman: "Shakespeare & the Rigidniks", (Port Charlotte FL: The Runaway Spoon Press, 2006). ISBN 1-57141-072-4.

Oxfordiana[editar | editar código-fonte]

  • Mark Anderson, "Shakespeare" By Another Name: The Life of Edward de Vere, Earl of Oxford, The Man Who Was Shakespeare (2005).
  • Al Austin and Judy Woodruff, The Shakespeare Mystery, 1989 Frontline documentary. [3]. (Documentary film about the Oxford case.)
  • Fowler, William Plumer Shakespeare Revealed in Oxford's Letters. (Portsmouth, New Hampshire: 1986).
  • Hope, Warren and Kim Holston The Shakespeare Controversy: An Analysis of the Claimants to Authorship, and their Champions and Detractors. (Jefferson, N.C.: McFarland and Co., 1992).
  • J. Thomas Looney, Shakespeare Identified in Edward de Vere, Seventeenth Earl of Oxford. (London: Cecil Palmer, 1920). [4]. (The first book to promote the Oxford theory.)
  • Malim, Richard (Ed.) Great Oxford: Essays on the Life and Work of Edward de Vere, 17th Earl of Oxford, 1550-16-4. (London: Parapress, 2004).
  • Charlton Ogburn Jr., The Mysterious William Shakespeare: The Man Behind the Mask. (New York: Dodd, Mead & Co., 1984). (Influential book that criticises orthodox scholarship and promotes the Oxford theory).
  • Diana Price, Shakespeare's Unorthodox Biography: New Evidence of An Authorship Problem (Westport, Ct: Greenwood, 2001). [5]. (Introduction to the evidentiary problems of the orthodox tradition).
  • Sobran, Joseph, Alias Shakespeare: Solving the Greatest Literary Mystery of All Time (New York: Simon and Schuster, 1997).
  • Stritmatter, Roger The Marginalia of Edward de Vere's Geneva Bible: Providential Discovery, Literary Reasoning, and Historical Consequence. 2001 University of Massachusetts PhD dissertation. [6]
  • Ward, B.M. The Seventeenth Earl of Oxford (1550-1604) From Contemporary Documents (London: John Murray, 1928).
  • Whalen, Richard Shakespeare: Who Was He? The Oxford Challenge to the Bard of Avon. (Westport, Ct.: Praeger, 1994).

Baconiana[editar | editar código-fonte]

Marloviana[editar | editar código-fonte]

  • John Edwin Bakeless, "The Tragicall History of Christopher Marlowe".
  • Samuel Blumenfeld, The Marlowe-Shakespeare Connection: A New Study of the Authorship Question (2008).
  • William Urry, "Christopher Marlowe and Canterbury".
  • Mark Eccles, "Christopher Marlowe in London".
  • Wilbur Gleason Zeigler, "It Was Marlowe".
  • A.D. Wraight and Peter Farey, "Shakespeare, New Evidence".
  • A.D. Wraight, "the Story the Sonnets Tell".
  • David Rhys William, "Shakespeare, Thy Name is Marlowe".

Rutlandiana[editar | editar código-fonte]

  • Karl Bleibtreu: Der Wahre Shakespeare, Munich 1908, G. Mueller
  • Lewis Frederick Bostelmann: Rutland, New York 1911, Rutland publishing company
  • Celestin Demblon: Lord Rutland est Shakespeare, Paris 1912, Charles Carrington
  • Pierre S. Porohovshikov (Porokhovshchikov): Shakespeare Unmasked, New York 1940, Savoy book publishers
  • Ilya Gililov: The Shakespeare Game: The Mystery of the Great Phoenix, New York : Algora Pub., c2003., ISBN 0-87586-182-2, 0875861814 (pbk.)
  • Brian Dutton: Let Shakspere Die: Long Live the Merry Madcap Lord Roger Manner, 5th Earl of Rutland the Real "Shakespeare", c.2007, RoseDog Books - most recent study of the Rutland theory.