Antígeno

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Idiótipo)
Ir para: navegação, pesquisa

Um antígeno, antigénio (português europeu) ou antigênio (português brasileiro) é toda a partícula ou molécula capaz de iniciar uma resposta imune, a qual começa pelo reconhecimento pelos linfócitos e acumula com a produção de um anticorpo específico. Podem ser classificados em:

  • antígeno completo ou imunógeno: antígeno capaz de suscitar uma resposta imune.
  • antígeno incompleto: incapaz de suscitar uma resposta imune.

Para melhor esclarecer a diferença entre antígeno e imunógeno é necessário conhecer os mecanismos de iniciação da reação antígeno-anticorpo. O sistema imunológico tem como função básica a discriminação entre os antígenos próprios (self) e os antígenos não próprios (non-self). Isso deve ocorrer para que se evite um ataque pelo sistema imunológico dirigido a moléculas próprias ou úteis ao organismo. Somente após este reconhecimento é possível que a reação imunológica prossiga no sentido de destruir um antígeno potencialmente nocivo. Assim, o sistema imunológico reconhece os antígenos non-self, reagindo contra eles. Nesta situação, o antígeno pode ser denominado imunógeno. Caso 0 seja reconhecido como self, não haverá resposta imune efetora, e diz-se que há tolerância imunológica. Um antígeno pode ser uma bactéria ou um fragmento dela, um vírus, um fungo, um protozoário, parte de um organismo mais complexo como um Parasita, ou até uma substância qualquer.

Os antígenos presentes na natureza variam em sua imunogenicidade, ou seja, podem ser imunógenos fracos ou potentes. Quando o sistema imunológico apresenta uma resposta acima da considerada normal, dizemos que a pessoa apresentou uma alergia; quando a fase de reconhecimento falha, reconhecendo como não self um antígeno próprio do indivíduo, fala-se em autoimunidade ou reação autoimune.

Em geral, os antigenos são moléculas complexas, que em sua maioria contém proteínas, polissacarideos e/ou lipossacarideos. Nas moléculas mais complexas, apenas as partes mais expostas são capazes de estimular a produção de anticorpos. Assim, os anticorpos se dirigem apenas contra essas partes, denominadas determinantes antigênicos ou epítopos. Isto permite que haja imunidade cruzada, quando a reação imune se dirige ao mesmo tempo contra duas moléculas que, embora diferentes, apresentam epítopos iguais ou semelhantes. Este fenômeno está diretamente ligado aos princípios da vacinação e da auto-imunidade.

A vacinação ou imunização consiste em se inocular, geralmente através de injeção, um antígeno inofensívo (não patogênico) que contém epítopos semelhantes aos apresentados por um patógeno --- que pode ser, por exemplo, um vírus ou bactéria. Assim, é induzida no sistema uma reação dirigida contra aqueles epítopos, com produção de anticorpos específicos ou imunoglobulinas; da próxima vez que este antígeno for apresentado, (por exemplo, durante uma infecção pelo vírus ou bactéria alvo da imunização) os anticorpos já estarão prontos para agir; além disso, terá havido a formação de uma memória imunológica, isto é, a capacidade do sistema imunológico de reagir mais prontamente contra estes epitopos. Assim, a infecção será mais prontamente debelada e a doença será mais branda, subclínica ou inexistente.

A Auto-imunidade pode ocorrer quando o organismo é exposto a antígenos cujos epitopos se assemelham aos de antígenos próprios; assim, a reação imunológica provocará, equivocadamente, reação cruzada de maior ou menor intensidade contra antígenos reconhecidos como self. Pode ocorrer também quando doenças, traumas ou outros fenômenos expõem ao sistema imunológico maduro antígenos que normalmente não estão expostos na corrente sanguínea, como antígenos do Sistema Nervoso (protegidos do contacto direto com o sangue pela barreira hemato-encefálica) expostos durante um trauma ou infecção.

Os microorganismos contam com vários componentes antigênicos --- Por exemplo, as paredes das células bacterianas, cápsulas, fímbrias, flagelos e as toxinas podem ser notadas como antígenos, tal como a cápside das proteínas virais, os envoltórios virais e os componentes internos da célula viral. Isso permite que eles sejam reconhecidos, dando início à resposta imune que visa a debelar determinada doença e evitar que ela se repita no futuro.

A reação antígeno-anticorpo é também de importância em medicina laboratorial, pois diversos tipos de ensaio se baseiam no uso in vitro de anticorpos gerados em laboratório e dirigidos para antígenos específicos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  1. HENRY, John B,(ed) Clinical Diagnosis & Management by Laboratory Methods, 20th Edition, 2001.
  2. TIETZ, Norbert W (ed), Clinical Guide to Laboratory Tests, Third Edition, 1995.