Idiotia

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Idiotia é, na psiquiatria, o grau mais elevado da tríade oligofrênica, e os indivíduos portadores possuem o menor grau de desenvolvimento intelectual. A palavra idiota, do grego idiótes, referenciava-se originalmente apenas ao homem privado em oposição ao homem de Estado. [1] Segundo Ajuriaguerra refere-se a uma forma grave de dano cerebral que deixa o indivíduo com comportamentos equivalentes a o de uma criança com dois anos (idade mental) , situando-se na escala de Q.I. com valores iguais ou inferiores a 20. [2]

Caracterização[editar | editar código-fonte]

O idiota não desenvolve a fala, sendo incapaz de articular as palavras. É incapaz de assimilar noções de higiene pessoal ou mesmo de desenvolver o teu pudor. O termo é obsoleto contudo ainda se encontram alguns diagnósticos que utilizam essa expressão como a Idiotia Amaurótica Familial (Doença de Jansky-Bielschowsky ou a Lipofusinose neuronal ceróide) e Idiotia Amaurótica Infantil (Doença de Tay-Sachs ou Gangliosidose GM2) e a Idiotia Amaurótica Juvenil (Doença Vogt-Spielmeyer com acúmulo de lipofusina).

Uma das aproximações ao significado histórico dessa expressão pode ser avaliada no romance O Idiota de Fiódor Dostoiévski escrito entre os anos de 1867 e 1868 onde a idiotia está associada à epilepsia, ingenuidade e inadaptação social.

Gradação[editar | editar código-fonte]

Para Ajuriaguerra (o.c. p. 573) pode-se distinguir a idiotia completa e incompleta caracterizando uma forma onde predominam os automatismos típicos do neonato ou as formas onde se identifica a aquisição de determinados mecanismos elementares.

  • O idiota completo, ou profundo ou ainda idiotia automático-reflexa de nível neonatal possui um sistema nervoso com desenvolvimento inferior ao de muitos animais, tais como répteis, com quem podem ser comparados em relação ao volume ou relação massa cerebral/massa corporal (índice de encefalização) e complexidade do sistema nervoso. Certas formas de agiria e lisencefalia e anencefalia poderiam ser comparados a diferentes estágios da evolução do sistema nervoso animal ou formas alternativas como a holoprosencefalia e ausência de corpo caloso comuns na esquizencefalia e outras síndromes que alteram o desenvolvimento do cérebro. Observe-se porém limita-se ao volume e forma do sistema nervoso pois os animais "equivalente" apresentam uma complexidade e organização de comportamento muito mais desenvolvida e adaptada ao seu ambiente.

O idiota completo apresenta portanto, uma capacidade intelectual infra-humana: não fala, nem compreende as palavras; tem seus instintos e capacidades vitais muito prejudicados aproximando-se dos estados comatosos. Situa-se o indivíduo em um nível protopático, com uma vida, ainda segundo Ajuriaguerra (o.c.), puramente vegetativa e de reatividades monótonas, uma vida oroalimentar, reagindo às aferências externas com sobressaltos, retração e atitudes de irritação, às vezes com aquietamento, acompanhada de um ligeiro relaxamento muscular.

  • O idiota incompleto ou de segundo grau, aprende algumas palavras, desenvolvendo instintos como o de conservação e relações afetivas simples. Contudo muitos autores tem descrito nessas crianças uma sintomatologia de aspecto psicótico, catatônico, autístico com mutismo e modificações emocionais (fase de raiva e gritos) maneirismo postural etc. (Ajuriaguerra o.c. p. 574)

Em relação às medidas de habilidades humanas as escalas de inteligência são atualmente usadas na caracterização do Retardo mental, associado ou não à outros distúrbios do comportamento como preconiza o CID 10ª revisão.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Liddell-Scott-Jones A Greek-English Lexicon, sobre ἰδιώτης e ἴδιος
  2. AJURIAGUERRA, J. Manual de psiquiatria infantil, SP, Ed. Masson do Brasil, 1976
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