Igreja Matriz de Sabará

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Igreja Matriz de
Nossa Senhora da Conceição
A Igreja Matriz de Sabará, MG
Construção 1701-1710
Diocese Arquidiocese de Belo Horizonte
Padre Pe. Agnaldo Fernandes do Carmo
Pe. André Magela Januário
Pe. Clárison da Silva Avelar
Bispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo (Arcebispo)
Local Praça Getúlio Vargas, s/nº - Siderúrgica
Minas Gerais  Brasil

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Sabará é uma das mais antigas igrejas do estado de Minas Gerais, rivalizando em antiguidade com a matriz de Raposos e a Sé de Mariana. Está entre as primeiras igrejas de vigararias coladas da capitania, o que ocorreu por força de uma carta régia de 1724, sendo governador Dom Lourenço de Almeida[1] .

História[editar | editar código-fonte]

Está situada na parte baixa da cidade, próxima à igreja de Nossa Senhora do Ó, ou seja, na autêntica parte velha que hoje na realidade, tem aspecto mais novo do que a região central de Sabará. É popularmente chamada de igreja nova ou grande, tradição que vem desde a época da sua construção em substituição a capela primitiva existente no mesmo local[2] .

Sua construção está ligada ao esforço do padre José de Queirós Coimbra que foi seu vigário por mais de meio século.

Características[editar | editar código-fonte]

Exterior[editar | editar código-fonte]

Seguindo o modelo característico da primeira metade do século XVIII, tem uma fachada simples e um interior bastante suntuoso. A fachada segue de forma comportada, o modelo clássico da primeira fase. O frontispício está organizado a partir do quadrado tradicional, tendo uma porta elementar no centro e cunhais de táboas pintadas emoldurando a base das torres. Dois janelões retangulares se abrem nas laterais um pouco acima da parte superior do portal. O frontão é bastante singelo com perfil em curvas discretas guarnecido por um beiral de telhas e encimado por uma cruz resplandecente. O telhado das torres é em forma de quatro águas e têm no alto duas cruzes apoiadas em esferas armilares. A Cimalha é coberta também por um telhado em forma de beiral que segue o seu traçado.

Interior[editar | editar código-fonte]

O interior é como dissemos, o ponto alto do conjunto. Aqui, contrariando a austeridade do modelo da fachada, há bastante diversidade de referências como convém a uma velha matriz do setecentos. Começa pela planta de distribuição do espaço interno. A capela mor, confrontando o modelo tradicional, é da mesma largura da nave. Porém é um ambiente inteiramente distinto desta, separada pelo arco cruzeiro. A nave é acrescida de corredores laterais em trifórios, ou seja, ligados a ela por aberturas sob arcos sustentados por pilastras e onde estão os altares laterais que assim, não ficam no mesmo recinto da nave como tradicionalmente acontece. Essa particularidade obrigou a colocação dos púlpitos apoiados nas pilastras laterais o que lhes confere bastante raridade e um inusitado aspecto de fragilidade, incomum em qualquer peça das igrejas dessa época. Essa divisão da nave em três ambientes é semelhante ao que ocorre em outras matrizes do princípio do século XVIII em Mariana e Raposos[3] .

Alguns autores concebem o espaço interno do templo como constituído de três naves o que não nos parece correto pois a nave propriamente é claramente definida e preserva sua função primordial. O interior é bastante iluminado pela luz natural já que existem vários janelões elevados se abrindo para a nave e a capela mor. Os corredores dos lados da nave, como dito, se comunicam com o corpo principal da mesma através de largos arcos enfileirados. O altar mor tem características predominantes da primeira fase tendendo para arquivoltas, porém interrompidas por uma tarja no coroamento. A talha é rotunda e profusa, com dois nichos laterais, um pouco acima de duas misteriosas portas e ladeados por colunas torsas, encimadas por uma espécie de baldaquino. Entronada se encontra uma grande imagem da padroeira do templo, composta pela virgem e anjos aos borbotões. O trono é baixo, quase inexistente, distante da exuberância dos tronos rococós, verdadeiras fontes de cascatas. O teto da capela é artesoado, em molduras retangulares, com pinturas. As paredes laterais são decoradas por pinturas ricamente emolduradas. Há três janelões guarnecidos de balaustradas e coruchéus de cada lado da capela mor[4] .

O arco cruzeiro é encimado por um medalhão caprichoso e é todo entalhado no mesmo estilo das galerias laterais. No recinto dessas galerias estão os altares secundários, num total de seis, com retábulos em arquivoltas mas com colunas torsas mais robustas, acentuando a mistura de referências existentes no templo. Os tronos dos dois primeiros altares têm um formato semelhante ao cálice de uma fonte ou a um cântaro. Há fartura de entalhes por todo o templo, combinando folhas,frutas, atlantes, cariátides e anjos. Há também grande quantidade de pinturas com cenas variadas de inspiração religiosa.

O teto da nave também é artesoado e mostra uma pintura decorativa suave e bastante discreta. O coro é simples e um pouco afastado, distinguido-se do recinto da nave. O dourado da talha está bastante descorado o que é atribuído por alguns autores à grande incidência de luminosidade no interior do templo. Além do recinto da nave e da capela mor, há ainda como cômodos principais, a Capela do Santíssimo, a sacristia e o consistório. Belas portas guarnecem a entrada desses cômodos. A capela lateral se abre para o trifório. Seu altar apresenta um retábulo básico com colunas em quartela sustentando uma espécie de baldaquino e guarnecendo o Cristo Crucificado. O teto é artesoado em gamela e a porta de acesso é almofadada e com entalhes policromados. A sacristia apresenta um grande arcaz sobre o qual está um altar tipo oratório, ladeado por quadros. O forro é em planos facetados e há um lavabo de madeira encostado numa das paredes. Destaque ainda para as portas que ligam a sacristia e o consistório ao recinto da Capela-mor: são em delicadas pinturas em dourado e vermelho de inspiração chinesa[5] .

Referências