Igreja Positivista do Brasil

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Templo positivista em Porto Alegre.

A Igreja Positivista do Brasil foi fundada no dia 11 de maio de 1881 por Miguel de Lemos na atual rua Benjamin Constant, n. 74, no bairro da Glória, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Sua sede é o Templo da Humanidade, onde ocorre a celebração da Religião da Humanidade, ou Positivismo, doutrina criada pelo filósofo francês Augusto Comte (1798 - 1857).

História[editar | editar código-fonte]

Erlon Jacques de Oliveira em sua cerimônia de posse como Guardião do Templo em 27 de outubro de 2013.

Miguel Lemos e Raimundo Teixeira Mendes tinham 26 anos quando realizaram o primeiro culto da Igreja Positivista do Brasil, entidade que se tornou um centro de reunião de republicanos e abolicionistas. As ideias de Augusto Comte para uma interpretação científica da realidade eram atraentes para a juventude brasileira que se opunha à cultura verborrágica da elite dominante, representada pelos bacharéis das faculdades de Direito.

No seu auge, nos primeiros anos após a proclamação da República brasileira, os cultos positivistas costumavam lotar o Templo da Humanidade, que comporta mais de 200 pessoas. Os integrantes eram também homens influentes do novo regime.

Na Igreja Positivista presta-se culto de adoração à "Trindade Positivista", que é composta por:

- "Humanidade" ou "Grande Ser" (entidade coletiva, real e abstrata, formada pelo conjunto de seres humanos convergentes do passado que contribuíram para o progresso da civilização, do futuro e do presente),

- "Grande Fetiche" (o planeta Terra com todos os elementos que o compõe: vegetais, animais, água, terra etc.) e

- "Grande Meio" (o espaço, os astros, o Universo).

Esses três grandes seres são objetos de culto juntamente com as "leis naturais" que os regem e regulam, compondo assim a "Ordem Universal" que se constitui do conjunto formado pela "ordem natural" e pela "ordem humana".

O culto positivista muito tem em comum com o culto fetichista, com a diferença de que os positivistas sabem que os fetiches não possuem "inteligência", sendo percebidos como dotados apenas de "vontade" e "sentimento" que estão por sua vez regulados e subordinados às leis naturais (isto é, científicas).

O positivistas religiosos acreditam na imortalidade subjetiva da alma, cultuando a memória dos mortos pelo legado que deixaram para a cultura humana: "Os vivos são sempre e cada vez mais governados necessariamente pelos mortos" é a máxima de Auguste Comte que se refere a "ordem humana" formulada por Auguste Comte, o criador do Positivismo. Quem vai ao templo pode lê-la logo no pórtico da Igreja e também em seu interior.

Nas laterais da grande nave, há bustos dos 13 grandes tipos humanos glorificando os nomes mais importantes da religião, literatura, filosofia, ciência e política: Moisés (Teocracia Inicial), Homero (Poesia Antiga), Aristóteles (Filosofia Antiga), Arquimedes (Ciência Antiga), César (Civilização Militar), São Paulo (O Catolicismo), Carlos Magno (Civilização Católico-Feudal), Dante (Poesia Moderna), Gutenberg (Indústria Moderna), Shakespeare (Drama Moderno), Descartes (Filosofia Moderna), Frederico II (Política Moderna) e Bichat (Ciência Moderna), mais Heloísa (representante das "Santas Mulheres" ou "A glorificação feminina").

Esses filósofos, cientistas e artistas foram apontados por Comte como as grandes expressões do pensamento humano.

No altar, há a imagem de uma mulher, representada como tendo 30 anos e tendo ao colo um bebê. É a personificação da Humanidade, ou o "Grande Ser" na qual encontram-se incorporados todos os seres convergentes do passado, do presente e do futuro que contribuíram, contribuem e contribuirão com o aperfeiçoamento humano. Aos seus pés há um busto do seu idealizador Auguste Comte. Abaixo destes, fica o púlpito.

O Templo da Humanidade é uma espécie de museu não-oficial da memória nacional. Nele, em 1903, foi celebrada a confirmação do casamento do então major Cândido Rondon (1865 a 1958), futuro Marechal do Exército brasileiro, célebre pelos seus trabalhos para a integração das regiões remotas do país e em defesa dos índios.

Visivelmente deteriorado, o templo vem sendo lentamente restaurado graças a iniciativas que captam recursos da capela da Humanidade em Paris junto ao Museu Casa de Augusto Comte e e da Casa de Clotilde de Vaux. O templo ostenta sinais de sua antiga grandiosidade. Para difundir a doutrina e conseguir novas adesões, a Igreja Positivista criou um portal eletrônico.

Em salas anexas à nave principal, estão guardados objetos de importância histórica, entre eles uma cama que pertenceu Tiradentes e o primeiro exemplar da atual bandeira nacional republicana, porém, este tesouro da história nacional foi roubado, roubo este descoberto em agosto de 20101 . Também há uma biblioteca de livros antigos e raros, além de utensílios pessoais de Miguel Lemos e Teixeira Mendes, os dois fundadores da Igreja.

A Igreja Positivista do Brasil foi tombada pelo IPHAN em 9 de dezembro de 2010 : (http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=15768&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. Protótipo da Bandeira Nacional é roubado no Rio O Globo — acessado em 20 de agosto de 2010

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

1. COMTE IN: VALENTIM, Oséias Faustino. O Brasil e o Positivismo. Rio de Janeiro: Publit, 2010. ISBN 9788577733316