Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
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Classificação Igreja Reformada
Orientação Calvinista
Política Democrático Representativo
Moderador Rev. Áureo Rodrigues de Oliveira
Presidente da Assembleia Geral
Associações Aliança Mundial das Igrejas Reformadas
Área geográfica Brasil Brasil1
Fundador Rev. Eduardo Carlos Pereira
Origem 31 de julho de 1903
São Paulo São Paulo
Separado de Igreja Presbiteriana do Brasil
Ramo de(o/a) Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos da América e Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos
Separações Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil, Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil
Congregações 546 (dados estatísticos de 2012)
Membros 85.1082

A Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB), é uma igreja protestante de confissão de fé reformada (calvinista).

Histórico[editar | editar código-fonte]

A IPIB - Igreja Presbiteriana Independente do Brasil é uma igreja que tem suas raízes na Reforma Protestante do século XVI com orientação calvinista. Foi fundada em 31 de julho de 1903 por um grupo de sete pastores liderados pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira de Magalhães (1856-1923). Os outros seis pastores que deixaram o sínodo da então Igreja Presbiteriana do Brasil3 para organizar o Presbitério Independente foram:

Rev. Alfredo Borges Teixeira (1878-1975)

Rev. Bento Ferraz (1865-1944)

Rev. Caetano Nogueira Júnior (1856-1909)

Rev. Ernesto Luiz de Oliveira (1875-1938)

Rev. Otoniel de Campos Mota (1878-1951)

Rev. Vicente Themudo Lessa (1874-1939)

As causas que levaram à criação da Igreja Presbiteriana Independente remonta aos anos finais do século XIX. Questões missionárias e educacionais levaram o Rev. Eduardo Carlos Pereira a entrar em conflito com os missionários norte-americanos. Em 1886 ele apresentou um Plano de Missões Nacionais com a intenção de tornar a igreja brasileira auto-suficiente o mais rápido possível para sustentar pastores, professores e evangelistas e, para dar apoio à proposta ele toma a iniciativa de fundar em 1887 a Revista das Missões Nacionais4 . Outro ponto era o desejo de que a preparação teológica dos ministros brasileiros fosse mais adequada, isso por meio de uma instituição regular e não num sistema de tutoria, o que vinha sendo reclamado desde 1875.

O grupo eduardista também reagia diretamente à política dos missionários em relação à evangelização indireta das crianças através do Mackenzie College (atualmente, Universidade Presbiteriana Mackenzie).

Calvinismo
John Calvin.jpg
João Calvino
Bases históricas:

Cristianismo
Agostinho de Hipona
Reforma

Marcos:

A Institutio Christianæ Religionis de Calvino
Os Cinco Solas
Cinco Pontos (TULIP)
Princípio regulador
Confissões de fé
Bíblia de Genebra

Influências:

Teodoro de Beza
John Knox
Ulrico Zuínglio
Jonathan Edwards
Teologia puritana

Igrejas:

Reformadas
Presbiterianas
Congregacionais
Batistas Reformadas

O conflito tomou outro rumo quando entrou a questão maçônica. Em dezembro de 1898 o médico Dr. Nicolau Soares do Couto Esther, recebido na igreja pelo Rev. Chamberlain, em 1885, passou a publicar, com o pseudônimo Lauresto, uma série de doze artigos em O Estandarte (jornal evangélico fundado pelo Rev. Carlos Pereira em 1893, sucessor de A Imprensa Evangélica), com a temática A Maçonaria e o Crente. Os artigos argumentavam sobre a incompatibilidade entre a maçonaria e fé a cristã. Por ser o jornal dirigido pelo grupo eduardista encontrou oposição do Rev. Álvaro Reis, pastor da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, o qual em 1899 fundou, o também jornal evangélico, O Puritano, onde muitas vezes debatia as opiniões publicadas em O Estandarte, acelerando as divergências, naquela altura, já latentes entre os grupos.

Em março de 1902 o grupo eduardista apresentou um projeto nacionalista chamado de Plataforma, adaptado de um discurso que o Rev. Carlos Pereira pronunciou no seminário teológico da igreja em 1900, A plataforma possuía cinco pontos:

  1. A independência absoluta, ou soberania espiritual da Igreja Presbiteriana do Brasil;
  2. Desligamentos dos missionários estrangeiros dos presbitérios nacionais;
  3. Declaração oficial da incompatibilidade da maçonaria com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo;
  4. Conversão das Missões Nacionais em Missões Presbiteriais, ou autonomia dos presbitérios na evangelização de seus territórios;
  5. Educação sistemática dos filhos da Igreja pela Igreja e para a Igreja.
Sínodo de 1903 em São Paulo.

Foi então em 31 de julho de 1903 que o grupo eduardista sofreu seu duro golpe. Primeiro o Rev. Álvaro Reis apresentou uma proposta que procurou anular item por item da plataforma proposta. Após debates o missionário norte-americano Rev. Samuel Rhea Gammon entrou com uma proposta que foi chamada de moção Gammon, esta, por sua vez, focou na questão maçônica e considerou os demais itens como já vencidos, recebeu apoio e foi a votos. A moção Gammon ganhou levando o grupo derrotado do Rev. Carlos Pereira a separar-se da Igreja mãe. Os sete pastores mais treze presbíteros foram a pé em direção à Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo, então situada na rua 24 de maio, onde breves discursos eram intercalados pelo lema "Pela Coroa Real do Salvador".

No dia seguinte, 1º de agosto, no intuito de se reorganizarem procuraram constituir-se em presbitério, o Presbitério Independente. O primeiro nome dado à igreja foi "Egreja Presbyteriana Independente Brazileira" (ortografia da época), e assim foi organizada a igreja que hoje é habitualmente chamada de IPI. Uma Igreja que surgiu como independente e brasileira.5 .

Em seus primeiros cinco meses a igreja contava com 2.500 membros comungantes, e, em 1907, com 56 igrejas, contava com 4.2246 . Em 1908 foi instalado o seu Sínodo, inicialmente com três presbitérios; em 1957 foi criado o Supremo Concílio, com três sínodos, 10 presbitérios, 189 igrejas locais e 105 pastores. O Estandarte é até hoje o jornal oficial da IPI. O estabelecimento de um Seminário para a formação de seus pastores foi gradual e passou por várias etapas, mas ocorreu. Atualmente a formação pastoral é efetuada na Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (FATIPI), situada na cidade de São Paulo (Rua Genebra).

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Sistema Presbiteriano de Governo: Representativo

A IPIB é uma federação de igrejas locais que, embora tenha personalidade jurídica própria, estão jurisdicionadas aos concílios a que pertencem. Cada igreja tem o seu concílio (colegiado), chamado de Conselho, é contituído por representantes (delegados) da membresia e presidido pelo Pastor titular. As igrejas geograficamente próximas formam um concílio maior denominado de Presbitério. Os Presbitérios compõem um Sínodo, que por sua vez, compõem a Assembleia Geral que é o concílio maior da Igreja. Sendo um ramo do cristianismo que se governa, sustenta e propaga por si mesmo.

O Ministério de Ação Social e Diaconal é o braço social da igreja, seus trabalhos são dirigidos em dar assistência a comunidade em geral, membros e não membros, bem como a realização de projetos locais visando o amparo a famílias carentes e outros no ambito de sustentabilidade ambiental.

A IPI nos dias de hoje, é muito conhecida pela força do seu trabalho leigo, (trabalho realizado por membros discentes da Igreja). Esse trabalho divide-se nas atividades das seguintes Coordenadorias:

Os adultos se organizam por meio da Coordenadoria Nacional de Adultos (CNA); os jovens por meio da União da Mocidade Presbiteriana Independente (UMPI); os adolescentes através da Geração Teen Independente (GTI) e as crianças com a Coordenadoria Nacional de Crianças (CNC).

As Coordenadorias promovem congressos, acampamentos e outras demais atividades para comunhão, educação e discipulado da Igreja em esfera local, regional e nacional.

Música[editar | editar código-fonte]

A IPI se preocupa com a música em seus cultos e serviços, devendo ser reverente e se encaixar às doutrinas da igreja. O hinário adotado é o Cantai Todos os Povos, onde constam desde hinos tradicionais do século XIX até músicas contemporâneas. Para o acompanhamento é usado geralmente órgão ou piano, além do ministério de louvor, que faz uso de instrumentos menos clássicos, como guitarra e bateria. O hino oficial da IPI do Brasil é o 412 do CTP, "O Pendão Real".

Comunhão e trabalhos[editar | editar código-fonte]

As igrejas da IPIB realizam com frequência acampamentos e encontros não só entre jovens e adolescentes, mas também para todos os membros a fim de proporcionar comunhão entre eles, momentos de lazer e descontração que não tem chance de ter nos cultos e escolas dominicais e uma experiência compartilhada de fé em Jesus.

Podem ser organizados pelas igrejas locais, pelo presbitério ou sínodo. Tem diversas atividades de lazer, estudo da palavra e cultos.

Há ainda muitos eventos realizados pelas igrejas locais, como cultos de ação de graças, encontro de outras igrejas e conhecimento de outros membros, e cantatas de natal, geralmente organizado pelo departamento infantil da igreja, não somente para membros, mas aberto para todos da comunidade.

A IPIB também proporciona estudos bíblicos e reuniões de oração durante a semana, além de ensaios musicais.

Cismas na IPI[editar | editar código-fonte]

Embora a IPI tenha crescido e se consolidado no cenário evangélico brasileiro em seus primeiros anos, isso não a impediu de posteriormente ter que passar por novas experiências cismáticas. Assim foi no período de 1938-1942, na década de 1950 e em 1972.

Os cismas do período de 1938-1942 foram resultados dos conflitos entre gerações durante a década de 30 por influência das transformações culturais e políticas que vivia o próprio Brasil. O surgimento da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil se deu por meio de uma questão teológica. Organizada pelos membros teologicamente mais conservadores que acreditavam haver um infiltramento liberal na igreja. Eram opostos ao ensino dos pastores e professores liberais que negavam ou eram flexiveis quanto à questão teologica sobre as penas eternas para os que nao fossem salvos por Cristo, ou seja, os liberais defendiam o aniquelamento das almas após a morte ao invés do eterno sofrimento no inferno.7 .

Na metade dos anos de 1950 se introduziram no Brasil, por meio das chamadas “tendas de cura divina”, novos grupos de movimentos pentecostais. A IPI acolheu os primeiros missionários da cura divina para que assim fossem instalados no ambiente evangélico brasileiro. Esses missionários receberam convites da 3ª IPI, situada no bairro do Brás, e da IPI do Cambuci, ambos os bairros da capital paulista possuiam como características serem populosos e, assim deram inícios em suas campanhas. O fato causou dissidência entre os Presbiterianos Independentes e gerou a saida de quase todos os membros da IPI do Cambuci e proporcionou posteriormente a intituição da Cruzada Nacional de Evangelização no Brasil. Anos depois daria origem às igrejas do Evangelho Quadrangular, O Brasil para Cristo e a Pentescostal Deus é Amor.

Em 1972 o clima cismático foi diferente, o que predominava em parte da membresia e de alguns líderes era a busca por um reavivamento espiritual, porém, em formatos carismáticos e pentecostais. O desconforto gerado no ambiente Presbiteriano Independente deu origem a um presbiterianismo de face pentecostal, deste grupo surgiu o que hoje é a Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, ela reuniu dissidentes da IPI e da IPB8 .

Sínodos e Presbitérios[editar | editar código-fonte]

Autarquias[editar | editar código-fonte]

O Muro dos Reformadores. Da esquerda à direita, estátuas de Guilherme Farel, João Calvino, Teodoro de Beza e John Knox.
  • Associação Bethel
  • Acampamento Cristo é Vida
  • Associação/ Editora Pendão Real
  • Fundação Eduardo Carlos Pereira
  • FATIPI ( Faculdade de teologia da IPI )

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Igrejas organizadas pela IPIB em outros países constituem suas próprias denominações ou se juntam as já existentes onde foram instituídas.
  2. O Estandarte. Encarte Especial do Jornal. dezembro/2013. Ano 121, Nº12. p.7.
  3. PEREIRA, Eduardo Carlos, As Origens da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. 3ª edição. São Paulo: Livraria Almeida Editora, 1965. p. 27-33
  4. MENDONÇA, Antônio Gouveia. O Celeste Porvir: A inserção do protestantismo no Brasil. ASTE, São Paulo: 1995. p.88
  5. Caderno de O Estandarte. Raízes da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Publicação especial em comemoração ao Centenário da IPI do Brasil – julho/2003. p.43-71
  6. LÉONARD, Émile G, O Protestantismo Brasileiro: Estudo de Eclesiologia e História Social. Tradução do manuscrito original em francês por Linneu de Camargo Schutzer . 3ª edição. São Paulo: ASTE, 2002. p. 176
  7. LIMA, Éber Ferreira Silveira. Protestantes em conflitos: conservadores e liberais na época de Vargas (1930-1945).São Paulo: Pendão Real, 2005.
  8. Caderno de O Estandarte.Ecos de centenário. Publicação Especial sobre a história da IPI do Brasil – setembro/2006. p. 13-15

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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